Crônicas da Surdez Implante Coclear

Sobre as tristezas que a surdez nos traz

A surdez nos traz muitas tristezas. Coloquei na FanPage do Crônicas o link para um post de 2012 cujo título é “A surdez também me entristece“. Me surpreendi pois quase 20.000 pessoas visualizaram o post por causa disso, e era um post antigo de três anos atrás. Foi então que comecei a pensar no que mudou para mim de lá pra cá, e mexendo no meu celular encontrei uma foto que ilustra com perfeição a pessoa que eu era em 2012. É essa foto abaixo.

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Neste dia, eu estava num restaurante em Campos do Jordão após dar uma palestra na FORL, com um grupo de fonoaudiólogas e a minha mãe (inclusive foi ela que tirou essa foto). Completamente esgotada por ter ficado acompanhando bocas o dia inteiro para poder fazer leitura labial ainda tive coragem de aceitar um convite para jantar. Acabou que obviamente não fui capaz de acompanhar várias bocas num restaurante barulhento e escuro e acabei dormindo sentada na mesa, enquanto a conversa corria solta ao meu redor. Quando me lembro disso sinto muita tristeza por aquele tempo porque hoje minha vida é completamente diferente nesse sentido. Sair para jantar não é mais um martírio, algo que me esgota e me faz voltar para casa mal por não ter sido capaz de acompanhar nada. Olho para essa foto e penso como era doído ter que lidar com esse sentimento de frustração frequente em momentos que deveriam ser de alegria.

Como é que a gente consegue mesmo? De onde é que a gente tira forças? Como é que a gente segue a vida sem sucumbir à toda solidão e isolamento que a surdez nos traz? Hoje tudo ficou mais fácil para mim por causa do implante coclear, mas sei que milhares de vocês que estão atrás da tela do computador ainda convivem com essas sensações – por isso considero TÃO importante falar sobre elas. Merecemos um grande crédito pela nossa capacidade de continuar tocando a vida apesar de toda a carga psicológica negativa que vem junto com a deficiência auditiva. Acho que o segredo é não desistir – e buscar sempre tudo o que a tecnologia tiver para nos oferecer. Quem convive com a deficiência auditiva vive num estado de esforço constante: esforço para pegar o fio da meada nas conversas, esforço para ouvir, esforço para entender o que ouviu, esforço para não desmoronar com as gracinhas alheias, esforço para não sucumbir à tristeza, esforço para aguentar o dia inteiro no trabalho fazendo leitura labial e depois chegar em casa e continuar lendo os lábios da família, esforço para encontrar felicidade no meio do caminho entre o som e o silêncio, esforço para se adaptar aos aparelhos auditivos, esforço para se adaptar ao implante coclear… Todos os ouvintes que eu conheço acham que isso é ‘fichinha’, e só mudam de idéia quando eles mesmos experimentam a perda auditiva.

 

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Dia desses na Sonora encontrei um paciente recém-implantado e ficamos conversando. Percebi no olhar dele o meu olhar de 2012: atento, olhos arregalados, vidrado nas bocas e sempre dando uma conferida para ver se há algo mais acontecendo. Eu disse a ele: “Daqui alguns meses, quando você já tiver ativado o IC e se acostumado um pouco com ele, você vai relaxar. Vai perder essa necessidade de estar sempre alerta” E ele me olhou com um semblante de ‘alguém que sabe como me sinto’ e me disse: “Estou cansado. Chego em casa esgotado todos os dias. Explico para a minha esposa que não é que não queira prestar atenção no que ela diz, apenas não aguento mais após um dia inteiro trabalhando

Nossa conversa me fez pensar nessa foto acima, momentos antes de ativar o meu IC dia 11/11/2013. Fui sem expectativa nenhuma, preparada para o pior. Mas nas minhas conversas comigo mesma eu desejava ardentemente que aquilo me libertasse de duas coisas: do cansaço e do isolamento que a surdez me causava. Acho que alguns estragos psicológico que a surdez faz conosco ficam pelo resto da vida. Não é fácil conviver com uma deficiência que compromete nossa comunicação e interação em todos os aspectos da vida: em casa, no trabalho, com os amigos, em viagens, nos momentos de lazer, nos relacionamentos amorosos…

A maior tristeza que a surdez me trazia é que eu me sentia prisioneira dentro de mim mesma. Prisioneira dentro da minha própria cabeça. Prisioneira de uma bolha de silêncio solitária que eu não conseguia furar nem a marretadas. Eu tinha a nítida sensação de que meu corpo e minha mente eram como uma masmorra – e por mais que lançasse minhas tranças lá de cima, nunca alcançava o chão. E por tudo isso penso que temos que enfrentar essa tristeza com coragem: eu me dei bem com o implante coclear, mas vocês acham que foi fácil tomar a decisão de fazê-lo e que a adaptação foi moleza? A dor de ficar como estava era maior que a dor de tentar o IC, e foi isso que me moveu. E isso é um bom motivo para mover aqueles que precisam usar AASI e estão paralisados de raiva por isso.

Até hoje lido com o zumbido no ouvido esquerdo, e em alguns dias isso me irrita tanto! Queria que essa maldição chamada zumbido desaparecesse da minha vida – é tão deprê pensar que uma das lembranças mais fortes que tenho da minha infância é a dele! Parece que a surdez nunca dá trégua (afinal, meu zumbido é ligado a ela).

Se alguém me perguntasse qual tristeza a surdez me causa hoje, a única coisa que me vem à cabeça é o fato de não ter mais a capacidade de captar a toda a beleza e todas as nuances da música. O prazer e ouvir e conseguir entender as letras (nem sempre mas quase sempre, nem 100% também) já é mais do que suficiente para mim. Mas é chato ir numa apresentação de piano e achar tudo igual e sem graça, por exemplo. Mais chato ainda é saber que num ambiente com uma música clássica tocando eu serei a única a não percebê-la tal qual os ouvintes – no fim sei que a questão música é a única que ainda me faz sentir em desigualdade com quem ouve naturalmente. Já dizia o Caio Fernando Abreu: “Há sempre algo que falta. Guarde isso sem dor, embora, em segredo, doa.”

Eu sei bem que é difícil falarmos sobre as tristezas da surdez com aqueles que nos rodeiam, principalmente porque eles ouvem. É como falar sobre traição com quem nunca foi traído, ou falar de dieta com quem nunca precisou emagrecer. Mas é preciso falar sobre elas, porque, como diz uma frase que li por aí uma vez, ‘a palavra mata a coisa’. Quando verbalizamos sobre algo que nos incomoda muito parece que essa ‘coisa’ perde a magnitude e o poder que tem sobre nós. Talvez eu passe o resto dos meus dias catalogando, revisando e arquivando sentimentos relacionados à tudo que a surdez já me causou, me fez e me faz passar.

345 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

40 Comentários

  • Paula sua história é uma história de superação e esperança, imagino que sua sinceridade, entendimento, esclarecimentos te faz uma pessoa resolvida, esclarecida e decidida nas decisões que você tomou e também em cada posicionamento que teve diante da situação. Parabéns por toda a sua dedicação e o incentivo que vejo você demonstra em todo tempo, vc tem tornado a sua situação de forma leve, como vc cita no texto acima a diferença, de como você estava na foto, o semblante e o olhar diz muito sempre e pelo que tenho acompanhado você acho (que desde Julho/ Agosto de 2016). Deus te abençoe emocionalmente, psicologicamente e fisicamente, com uma saúde melhor. Bjos

  • Eu como mãe de uma linda princesa que tem perda auditiva, fico em lágrimas toda vez que leio um post teu. Como eu queria e sonho cm um milagre…
    Me dói tanto não poder fazer cm que ela não sofra…
    Não consigo aceitar, me faço de forte, más tem horas que a vontade de chorar me vence.

    • Soni creia como você diz, no milagre. Deus te abençoe, você como a mãe já nos demonstra uma guerreira. Continua firme e não desista. Bjos, Ana

  • Fiquei deficiente auditivo,desde 2005 por causa de uma doença que tenho nos ossos e também no crânio.Sofro muito com isso e ´progessiva tenho aparelho,mais não está resolvendo mais.Tenho dificuldade em andar por causa essa doença.Leio muito vou procurar o seu livro.Moro no Rio e Janeiro,devo encontrá-lo.Abraços.

  • Oi, Paula. Foi diagnosticado por volta do ano 2000, perda grave/severa e profunda, pelo Centrinho de Bauru, q vc deve conhecer (Hosp da USP), eu estava nos meus 54 aninhos. Desde então, silêncio absoluto, mesmo pq, nenhum aparelho poderia ser útil, não havia o q ampliar. Confesso que no início foi mto triste, pq eu tinha uma vida bastante ativa, tanto na área profissional como Secret Exec, como na área de estudos e pesquisas, pois sou Espírita Kardecista e me envolvo mais nas questões científicas e filosóficas. Aconteceu como se desse uma freada em tudo! Com o passar do tempo, parece q acontece naturalmente, veio o isolamento, devido a esses esforços aos quais vc mencionou, porém, a dor de não ouvir, tb foi aos poucos, substituída por um certo “agradecimento” – explico: era a hora do “conhece-te a ti mesmo” , então fui em busca de ajuda p poder suportar esses momentos pesados, a solidão… A terapia me fez um bem muito, muito grande. Aprendi a caminhar no silêncio, aprendi a ouvir c o coração, embora sinta que esses esforços estão diminuindo, mas, penso tb que seja a questão da idade- hj aos 70 anos, também a vida ensina. Provavelmente, a cada passo, tenha feito um elo forte com a terapia, os estudos científicos e filosóficos, a terapia e reforçando, meus artesanatos (m/ máq de costura, o trabalho em patchwork….). Tvz ainda vá atraz de um implante, não sei bem sobre o processo por intermédio do HC ou mesmo particular – vou pesquisar isso. O que gostaria mesmo, é localizar Dra. Mayana Zats, (Geneticista) q coordena um programa de voluntários com ref às células tronco. Se souber de algo, me avisa, por favor. Paula, vou procurar o seu livro, não conheço. Obrigada, um grande abraço.

  • Me sensibilizei com todas as histórias. ..dou graças por poder ouvir. ..Hoje vejo a tristeza nos olhos de meu pai … com 94 anos e sem poder ouvir…era tão falante e participava de tudo…hoje vemos como se afastou para ficar em sua solidão. ..doi…doi muito nao poder ajuda-lo a comprar um aparelho de surdez. ..

  • Bom Dia Paula, fiquei contente com este texto lindo, por final eu passei e estou ainda passando por todos estes problemas, pelo zumbido que voltou. O que aconteceu comigo foi que depois de 45 anos sem poder ouvir direito eu fui implantado e daí comecei a ouvir sons que nunca conhecia, e o zumbido desapareceu. Mais a felicidade foi pouca, pois roubaram o meu aparelho e desde Setembro/2015 voltei ao meu casulo que é a minha casa e perdi a minha mãe que era o meu porto seguro. Estou aqui em casa isolado, e entrei na Justiça, mais ela é muita lenta, vagarosa e talvez com a incerteza de não receber um novo aparelho. E agora descobri que o Processo foi feito errado e a entidade que devia processar também, então vai demorar muito tempo e eu já cheguei no limite da minha paciência e stress então resolvi comprar um novo aparelho Opus 2 sei que é caríssimo, mais vou vender a minha casa e comprar o aparelho poi sem sons é muito difícil seguir em frente nesta vida louca e com o aparelho vou ter mais qualidade de vida e eu já vivi metade da vida pois tenho 63 anos então quero viver daqui para frente uma novo vida cheia de esperança e que os sons cheguem me trazendo um mundo cheio de sons que vai me refazer para uma nova vida com certeza.

  • Bom dia,Paulinha….realmente no’s ,bi IC temos muito a contestar sobre a nossa ” convivência” ao redor das demais pessoas,estas que se julgam ” perfeitas”,perto de no’s,”os surdos”…. Estou muito feliz em poder compreender os sons….sentir o barulho do rodar do meu carro….os latidos do meu melhor amigo..os cantos dos pássaros no nascer do dia…etc.
    Mas confesso que , num momento meus pensamentos voltam pro mundo surdo que outrora fomos vivenciados,e daí me entristece profundamente meu íntimo da alma ao saber como e’ fácil ouvir e entender o significado do compartilhamento humano da convivência e o que perdemos na adolescência……na juventude,jamais teremos de volta….ou como dizem…: nunca e’/tarde pra ser feliz…’

  • Paula, me pego aqui chorando lendo td isso, é como se eu mesma estivesse escrevendo, mais com um detalhe ainda me incomoda muito está no meio de muita gente preciso ficar lendo os lábio para entender e isso não é possível

  • Bom dia, Paula! Seu texto é perfeito. Diz tudo que nós, deficientes, sentimos! E vibro com cada vitória conquistada por vc. Li seu primeiro livro e adorei! Só não me sinto preparada para um implante, talvez pela experiência um pouco infeliz que uma sobrinha teve com o IC. Mas continue sempre firme escrevendo o que todos gostaríamos de ouvir dessa vida que é viver no silêncio, muitas vezes! Abraços de uma fã!

  • Muito bom esse texto Paula…
    Sou deficiente auditivo hereditário neurosensorial bilateral profunda..Faço leitura labial sempre e isso cansa mesmo… Já estou acostumado… Mas o silêncio me abala…
    Comprarei seu livro ctz.. =)

  • Todos os seus textos expressam muito bem os sentimentos daqueles que são privados da audição em graus mais severos. Imagine as dificuldades que enfrentamos quando nos deparamos com pessoas que não aceitam aderir às novas tecnologias.Diariamente precisamos orientar, tentar convencer que existe o novo e que ouvir é uma das maiores alegrias da vida!

  • Uau, incrível seu texto e sua capacidade de colocar na escrita esse sentimento. Não tenho surdez profunda, mas imagino o qto isso é desgastante. Nesse fim de semana, estava numa pizzaria tão gostosa com companhias ótimas, mas tinha muito barulho e as pessoas falavam baixo, me peguei nessa leitura labial e vejo o quanto é cansativo. Eu acabo desistindo de entender e dando algumas respostas globais, coringas que se encaixam em vários papos..e no fim acabo muda e quieta pq cansa ficar tentando entender e se entrosar no papo. Eu fico imaginando isso o dia todo. Vcs já são guerreiros e minhas inspirações de força para viver. Bjs!!

  • Foi justamente essa a razão de eu procurar esse blog, sinto que preciso falar com quem está na mesma situação, porque os ouvintes não entendem como é. Interação, isso me faz muita falta…

  • Muito legal seu site Paula.

    Tenho 28 anos e há 2 descobri que minha audição vai de 20hz-3.800hz nos dois ouvidos. Não descobriram meu problema ainda, não tenho zumbido nem problemas no nervo. Provavelmente é de ‘nascença’ pois me lembro na adolescencia uma dificuldade pra ouvir alarme de relógio de pulso, e hoje praticamente não os escuto. Eu adoro música eletrônica, tinha até um plano de ser DJ, mas o recomendado é me afastar o máximo dos barulhos, obviamente os altos, complicado.. A sensação que posso piorar a qualquer momento me preocupa muito..

  • Paula, querida, é fato que muitas coisas nos cansam… Às vezes, sinto que viver cansa a alma e pode parecer um absurdo pensar ou dizer tais palavras, vindas de alguém que não possui qualquer tipo de deficiência – física, cognitiva, enfim. E como posso ouvir as angústias de alguém que passa por problemas que nunca passei? Acredito que este deve ser o dever de todo ser humano, colocar-se no lugar do outro. Não importa se não sou surda, cega, muda, cadeirante, enfim. Ouvir, ler, falar, passar adiante histórias como as suas e as de muitos de seus leitores é o mínimo que posso fazer para, ao menos, tentar entender estas angústias, estes clamores. Como você disse: “a palavra mata a coisa”. Pode ter certeza que mata sim, não apenas quando falamos, mas quando ouvimos o outro e, principalmente, quando escrevemos. Por isso, muitos escritores dizem exorcizar seus próprios demônios ao escrever. Olha o quanto de bem você já proporcionou às pessoas que compartilham das mesmas tristezas, dos mesmos sofrimentos que o seu, só pelo fato de expor esses sentimentos por meio da palavra, seja esta verbalizada oralmente ou escrita; veja o quanto a sua experiência e a sua vontade, sua garra de superar todas as barreiras relativas à surdez já ajudaram e ainda ajudam quem se encontra neste mesmo caminho… Você, sem dúvida, é uma vencedora, assim como muitos de seus leitores também o são, e aqueles que ainda não chegaram lá é porque estão tentando, estão buscando superar mais do que uma barreira física…Eles precisam ainda ultrapassar os muros de seus medos, de suas incertezas. Gostaria de compartilhar que ganhei um lindo presente no Dia das Mães. Minha filha mais velha me agraciou com seus dois livros: Crônicas da Surdez e Novas Crônicas da Surdez. Estou amando conhecer sua história. E só posso te desejar sucesso e felicidade. Que você continue “ouvindo” e ajudando a todos que cruzam o seu caminho. Parabéns pela sua superação. Beijos.

  • Paulinha, que texto magnífico… Não existe coisa pior na surdez do que a solidão. Minha vida se alterou muito com a surdez. Mas você acertou em uma tecla: a de ouvir músicas. Realmente, não é a mesma coisa ou melhor, embora eu já esteja com 3 anos de implante, ainda tenho muita dificuldade em ouvir músicas que eu gosto. Às vezes, o meu ritmo é totalmente diferente…Paulinha, quero deixar um forte abraço a vc, desejando muita sorte e que você continue sempre brilhando e nos mostrando novos caminhos.

  • Parabéns Paula por traduzir em palavras tudo o que nós, surdos oralizados, sentimos. Tenho 63 anos, uso aparelhos há quase 40 anos e mesmo assim tem pessoas, inclusive de minha própria família, que agem como se eu ouvisse normal e às vezes até se irritam por ter que repetir quando não consigo entender. Isso me deixa muito triste e aí vem aquela vontade, sabe? De ficar isolada de tudo e de todos, mas aí penso nas coisas boas da vida, filha e netos ( 7 e 3 anos) que são a minha razão de viver e resolvo tocar o barco prá frente mesmo com dificuldades. Porém, saber que outras pessoas também trilham o mesmo caminho, com frustrações e inseguranças, me dá forças para seguir a caminhada…Obrigada e um abração!

  • Olá!!! Uso aparelhos nos dois ouvidos e tenho o ZUMBIDO, q é horrível!!!!!!!! Não passa por nada e só piora conforme: se toma remédio , se dorme de menos ou demais, se bebe um pouco mais, se fica estressada, com medo, com raiva… Tudo q sair do controle da vida que for um pouco a mais… Ele aumenta…

  • Paula, estou no meio do processo para fazer o IC, está tudo indo bem, encontrei médicos maravilhosos pelo caminho e hoje, de repente, resolvi não fazer. Simplesmente por não querer sair do meu sagrado silêncio, não querer quebrar essa muralha que tantas vezes me protege e me dá paz de espírito, por eu estar sem forças físicas e psicológicas para continuar fazendo tanto esforço, e o medo de não ser bem sucedida no IC e depois ter que passar a vida tentando me recuperar nem que seja um pouco e lutar para trazer de volta minha paz.
    Agora lendo esse seu texto, foi um choque pra mim, lembrar de toda a tristeza das situações que a gente passa e ver que eu decidi escolher isso pra sempre. Não é fácil ter que escolher um caminho tendo que abandonar outro.
    Estou com a certeza de que o silêncio é meu melhor amigo, e que do meu mundo pra fora, nada mais me interessa.

  • Paula eu era tudo o q vc falou e todos os depoimentos descritos.
    Tenho 73 anos e acho que meu tempo foi maior no sofrimento do que todos vcs.
    Uso o AASI há 53 anos na orelha direita e é o que me dá suporte .Fiz o IC em de
    Dez14 e ativei em jan15..Estou em fase de adptação mas sinto já uma grande melhora .
    Quero então me sentir como todos os que aqui deram seus depoimentos.
    Um grande abraço Paula !

  • Amei o post, retrata o que eu estou passando, tenho perda auditiva severa, e o meu ouvido direito deu PT(perda total) vou ter que fazer o implante coclear, mas como dependo do SUS para conseguir o aparelho, tive que me virar, para aprender a leitura labial e libras, não tenho recursos financeiros pra pagar cursos, com muita dificuldade, fiz faculdade pq toda hora tinha que pedir para os professoras olharem pra mim quando falavam, e infelizmente isso era muito difícil, muitas vezes tinha que pegar os temas e pesquisar textos na net pra poder entender o que o professor falava, fora que além de cansar fazer leitura labial, o pior mesmo é quando as pessoas falam muito rápido e tenho que fazer cara que entendi e na verdade não entendi nada, mas minha maior tristeza é meu trabalho, por conta da perda auditiva tenho dificuldade de conseguir trabalho na área da educação infantil , no meio de um mundo de ouvintes, muitos da área falam sobre o preconceito que eles não tem, mas isso não é verdade, infelizmente isso reina, e pensar que fiz parte deste mundo de ouvintes tbm, meu DEUS como isso é difícil, a solidão, o sentimento de perdida e incapaz é terrível, por falar e falar bem, mas não ouvir me traz mais dificuldades ainda, pq as pessoas acham que eu escuto, mas não entendem que falo mas não escuto, isto pra mim é um tormento, espero que com o aparelho esta situação melhore, pq preciso trabalhar, ainda tenho muito que aprender em libras e leitura labial, sou professora de educação infantil, as crianças me aceitam e entendem tudo o que falo, seja na fala ou em libras, mas os ouvintes não , e por não entenderem me rejeitam, estou me sentindo desesperada com esta situação, mas LUTAR SEMPRE E NUNCA DESISTIR, mesmo que me sinta fraca, sem condições de nada, me desculpe o desabafo.

  • Paula! Adorei o post! Estava precisando ler alguma coisa assim, pra refletir mesmo! Ainda mais agora que ainda estou em fase de adaptação aos novos AASIs…caramba…como dá vontade de desistir e deixar do jeito que está…mas estou aprendendo a lidar, a ter paciência de ir frequentemente à fono pra ficar do jeito que eu quero! As vezes chego em casa com uma dor de cabeça e até esqueço pq tenho essas dores. Lendo seu post, me toquei…deve ser do esforço de escutar, ouvir, entender o que os colegas e professores estão falando, de tentar participar das conversas em grupo, dos novos barulhos que estou ouvindo.
    Enfim…sempre tentando olhar pelo lado positivo e nunca desistir de melhorar, já que temos tantas tecnologias que possam melhorar nossa qualidade de vida, né?
    Logo logo vou te conhecer aqui em São Paulo hein!
    Bjos!

  • Esse auto isolamento é complicado, eu evito muitas saídas, quantas vezes eu também já disse pra mim que sou preso à mim mesmo… não tem jeito. Relacionamento amorosos por exemplo, já tive algumas oportunidades e eu nem tento nada pra não me estressar e desgastar mais ainda. “Sorte” que não tenho muito problema em ser uma pessoa mais solitária, mas aposto que tem muita gente que não aguenta.

  • Sabe, aqui a tristeza era de mãe.. Quando descobri a surdez do Leo, ou melhor confirmei… A tristeza foi por confirmar que ele nunca tinha ouvido a minha voz..minhas canções de ninar.. Que nunca tinha ouvido todas as vezes que tinha dito a ele “EU TE AMO “..Isso me matou por dentro naquele momento, e foi essa tristeza que me fez não ter dúvida nenhuma em fazer o IC nele…Pq queria que ele soubesse como era a minha voz,como eram a canções de ninar, e principalmente, queria que ele não só sentisse o quanto eu o amava, mas que ele ouvisse isso.. Pq é tão bom ouvir um “EU TE AMO ” né?,rs..Hj ele tem tudo isso,e eu também pq eu também posso ouvir ele me dizendo “MAMÃE EU TE AMO”…E o IC. Nos deu isso… Somos imensamente gratos por essa tecnologia…

  • Parabéns Paula por mais uma vez descrever tão sucintamente o que se passa na vida de um surdo oralizado. Nunca pude conversar com outra pessoa por não conviver, por não conhecer alguém que passasse pelas mesmas aflições que eu passei tantas vezes em minha vida com o uso do AASI. Eu com otosclerose eu trabalhei fora, casei, tive meus filhos, uma vida normal mas com muito esforço para participar de grandes grupos, de vozerio em muitos lugares e quantas vezes eu fugi de várias situações com vergonha, por medo de não escutar melhor.

  • Paula!! Exatamento isso que me deixa frustada também.. eu estou testando um monte de aparelhos auditivos e nada me deixa bem.. mas vou continuar tentando até me deixar super bem e segura…
    Parabéns pelo seu trabalho maravilhoso.. bjo

  • Paula, estou lutando pra chegar ao IC já que o Baha foi descartado, e me vejo em cada fala sua , força beijos Valeska.

  • Paula, disse tudo!! É impressionante como consegue colocar em palavras tudo o que passo/passei. Realmente, o IC nos dá uma segurança impressionante, ontem fui ao médico e imagine minha alegria em OUVIR chamarem o meu nome. Antes do implante, ficava cansada, tensa olhando direto para a boca das atendentes para quando me chamassem.
    Usou bem a palavra prisioneira, eu era e odiava ter que sair da minha zona de conforto. Hoje sou outra pessoa, ainda no início da caminhada mas muito já mudou. Viva o IC. Amo muito.

    • Joana Fernandes, parabéns pelo IC… Estou aguardando o meu convênio liberar para eu fazer também… O meu vai ser bilateral… To ansiosa para fazer e ao mesmo tempo com medo…
      Como está sendo sua adaptação?
      Como foi o pós operatório?

      Me manda um email contando, se puder claro…
      Iria me ajudar bastante…

      Boa sorte nessa nova jornada com seu IC.

  • Identifiquei-me imenso com este post, obrigada por pores por palavras tudo o que sinto (o meu IC foi activado apenas há 4 semanas).

    • Joana Fernandes, parabéns pelo IC… Estou aguardando o meu convênio liberar para eu fazer também… O meu vai ser bilateral… To ansiosa para fazer e ao mesmo tempo com medo…
      Como está sendo sua adaptação?
      Como foi o pós operatório?
      Me manda um email contando, se puder claro…
      danycalandrim@gmail.com
      Iria me ajudar bastante…
      Boa sorte nessa nova jornada com seu IC.

  • Paula, vc me pegou de surpresa hoje!! Hoje estou bem, lidando com as situações que estou passando desde ano passado quando perdi a parte de discriminação de fala. Esse post me fez relembrar as situações que vivi também como você. E os ouvintes achavam que eu estava desligada por mais que eu estava o mais alerta possível. Era uma tortura isso! E o engraçado que agora que perdi mais a audição, eles estão mais pacientes! Eu pergunto: Por que agora está mais paciente se eu tenho menos audição que antes? Por que não era assim antes? Precisava passar por isso?
    É a vida! É como se fosse um choque de realidade! Vivendo e aprendendo!

  • Paula, este teu texto é fantástico. Para mim, dá para trocar a palavra surdez por qualquer outra ligada a uma deficiência. Você tem a minha mais profunda admiraçao. Quando for ao Rio, vou querer adquirir seu livro, com certeza!

    Um abraço grande,
    Claudia

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