Crônicas da Surdez

A beleza dos sons da cozinha

27/07/2016
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Só fui entender a beleza dos sons de uma cozinha depois de voltar a ouvir com o implante coclear. Não dava bola para isso quando era mais nova e, na minha fase final com aparelhos auditivos, eu não ouvia mais nada em agudos, portanto perdia todos esses sons. Sabe aquela frase célebre que diz ‘ver a vida com outros olhos‘? No meu caso preciso adaptar para ‘ouvir a vida com outros ouvidos‘, pois é isso que venho fazendo desde o dia 11/11/2013. Presto muito mais atenção a cada som agora, e não só isso, me delicio e aproveito cada som de um modo que só é possível em função de ter passado tanto tempo no silêncio. Quando você perde, você dá valor. Quando você perde e acha que nunca vai recuperar, você dá ainda mais valor. Agora, quando você perde, acha que nunca mais vai recuperar e um belo dia…

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Protesto por filmes legendados nos cinemas

25/07/2016
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Por Danielle Kraus Machado “Oi Paula, finalmente consegui sentar pra te escrever. Mal consigo acreditar, nesse momento já são muitos compartilhamentos dessa publicação: https://www.facebook.com/danielle.machado.2809/posts/1114188181981318?pnref=story . Eu só queria juntar alguns deficientes auditivos para aí sim fazer algo maior, nos cinemas que não têm sequer um filme legendado. Porém, pra começar do começo, tenho surdez moderada neurossensorial, bilateral e progressiva. Sou uma surda que fala, sim, como muitos outros surdos. Durante a infância e adolescência achava que tinha só uma perda leve, me acostumei a nunca entender nada de rádio, TV (desenhos animados e filmes principalmente, no jornal eu até fazia leitura labial), sofrer no telefone, não entender a mãe ou o pai falando de outro cômodo. Me acostumei porque foi tão aos poucos que eu nem notei. Passava vergonha na escola por não ouvir os colegas me chamando e também nas aulas de educação física, pois nunca entendia nada que a professora falava…

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Viagem aos EUA

24/07/2016
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Fico impressionada com o quanto o tema surdez me persegue aonde quer que eu vá. Passei dez dias fora, em Nova Iorque e na Califórnia, e não pensei que veria tantas coisas legais sobre o assunto que domina boa parte da minha vida! Neste post divido com vocês achados, impressões e descobertas. Em frente ao Rockfeller Center, uma obra de arte que é uma piscina que remete à orelha de Van Gogh! Entenderam a ligação? Pois é, nem eu. À primeira vista achei que fosse uma guitarra gigante, mas ao me aproximar e ler a placa com as informações é que fui saber do que se tratava…Muito doido! 😀 Milhares de pessoas já compartilharam o link com a notícia da marca de bonecas American Doll, que criou uma linha de bonecas com deficiência, usuárias de cadeira de rodas, aparelho auditivo, implante coclear, óculos, aparelho dentário, enfim, tudo! Entrei na loja para…

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Companhia aérea acessível a surdos oralizados

20/07/2016
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Perdi a conta de quantos vôos já peguei nessa vida nos quais precisei passar mais de dez horas inventando diálogos na minha cabeça e sentindo raiva por não poder me divertir como os outros passageiros – os passageiros que ouviam! Lembro que antes do IC, quando a comissária vinha me entregar um par de fones de ouvido, eu dava um suspiro profundo e sentia vontade de chorar. De uns tempos pra cá, as coisas melhoraram um pouco. Em vôos domésticos, a Azul disponibiliza TV com vários programas bacanas, poucos legendados, mas já é alguma coisa (a culpa é dos canais de TV brasileiros que não sentem vergonha alguma de não legendar a programação, vide GNT e Multishow), embora não haja a opção de ativar legendas nos programas que sabemos que as têm. Peguei um vôo de NY para Los Angeles pela companhia aérea americana JetBlue (do mesmo dono da brasileira…

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Hotel acessível a surdos em NY

17/07/2016
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Cheguei em Nova Iorque dia 9 de julho, minha segunda vez na Big Apple. Na primeira, alugamos um apartamento pelo AirBnb, mas dessa fomos para o hotel Dumont, da rede Affinia, na rua 34. Ao chegar, me deparei com a plaquinha da foto abaixo no saguão: “Temos à disposição detectores de fumaça para pessoas com deficiência visual ou auditiva“. É lógico que fiquei morrendo de curiosidade e pedimos que levassem para o nosso quarto, já que eu era surda. Quando o Luciano perguntou para a funcionária do que se tratava, ela ficou toda sem jeito porque não sabia, perguntou para outra, que também não sabia muito do assunto. E eu já fui ficando com aquela cara de ‘ihhhh, acessibilidade só pra constar mesmo‘…   Chegando no quarto, outro aviso, que achei muito legal: “Temos earplugs para um perfeito silêncio“. NY é uma cidade extremamente barulhenta, fato. Quem usa IC ou…

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