Perda auditiva progressiva

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‘Olá Paula,

Eu me chamo Beatriz, sou mãe da Gabriela e já escrevi nossa história no seu blog. Acontece que eu pensava que a perda auditiva da Gabi fosse estável, não sei porque eu imaginava isso. No entanto, no último dia 18, depois de achar a segunda audiometria dela, de 2008, e comparar com a atual, o otorrino me falou que a perda é realmente progressiva e um dia a Gabi vai perder toda a audição que ainda tem. Como ela já fez duas cirurgias desnecessárias (com diagnóstico errado de perda condutiva) e o fato de eu contar essa história (imagino eu) em tom de indignação, aliado a uma injeção que tomou que dói até hoje em dias frios, ela já falou que não quer e nunca vai querer fazer o implante coclear. Como eu vejo, até para você foi difícil se decidir pelo implante, sem “pré conceitos”, imagina para a Gabi que desde os 9 anos já está com essa rejeição…

Lemos o seu livro e ela adorou! Como o médico disse que ela vai precisar de um implante daqui alguns anos, falei: ‘vamos comprar o livro da Lak!’ E ela disse que não quer ler nem conhecer a história dela… Os aparelhos, ela usa diariamente, sem nenhuma vergonha. Prendemos o cabelo, troca a pilha, enfim, ele é bem aceito por ela. Acho que quando começa a se usar na infância, a aceitação é mais fácil. Pela análise da progressão, provavelmente ela vai perder bastante audição quando chegar à adolescência, quando eu imagino que será a fase do implante. E se ela não quiser?  Como eu poderia abordar esse assunto com ela? Você acha que eu deveria deixar isso “adormecido” até a hora em que realmente tiver que ser tratado? Ou você acha que de alguma forma eu poderia ajudá-la desde já?

Eu fiz a mesma pergunta para a fono da Gabi, Priscila Viração, (que já vinha tentando me mostrar a progressão da perda da Gabi, mas eu negava… até que ficou impossível, e eu tive que encarar…): falar ou não sobre o assunto? Ela me disse que ficasse tranquila que ela trabalharia isso com a Gabi. No entanto, infelizmente, acho que vamos ficar com a Priscila só até o fim deste ano, depois vamos ter que ir para o SUS. Depois de 5 anos de terapia, não teremos mais condições de manter os custos da terapia.

Assim, acho que seria bom ouvir a experiência de outras pessoas que já passaram ou estão passando por isso.

Beatriz’,

A Gabriela tem uma vantagem que não tive: ela está crescendo sabendo da existência da possibilidade do implante. Eu cresci com o fantasma da chegada do dia em que não ouviria mais nada nem mesmo com meus aparelhos auditivos. Essa idéia me assombrou durante muitos anos e só desapareceu quando soube que era apta para fazer a cirurgia de implante coclear. Minha adolescência teria sido muito mais leve e feliz se naquela época se falasse em IC como se fala hoje. Assim não teria passado tantas tardes e noites aos prantos tentando adivinhar quando chegaria o meu dia de silêncio total. Acho que você não deve, de jeito nenhum, deixar esse assunto adormecido. Pelo contrário, deve conversar abertamente com ela sobre isso e até mesmo fazer perguntas que a coloquem para pensar.Você não gosta de ouvir? Porque iria querer ficar sem ouvir se pode ouvir com a cirurgia?”. Como você mesma disse, fala num tom de indignação, portanto, já sabe que deve mudar essa abordagem, pois ela vai fazer com que a Gabi comece a pensar que se um médico erra, todos farão o mesmo. Mostre o livro da Lak, entre em grupos do Facebook nos quais os pais de crianças implantadas e aparelhadas trocam uma infinidade de experiências (Implante Coclear e Comunidade dos Surdos Oralizados), mostre fotos de crianças implantadas faceiras com seus IC’s na piscina, leve-a para conhecer uma criança usuária de IC, coisas assim. Desfaça esse ‘fantasma’ o quanto antes, pois é ele que vai fazer com que a Gabi ouça quando os AASI não ajudarem mais. Aos poucos ela vai perdendo a rejeição – aposto como ela rejeita a idéia de fazer outra cirurgia, em função das duas desnecessárias, e não a idéia de usar um IC. Estando tão bem adaptada aos seus AASI a adaptação ao IC será tão boa quanto. A perda auditiva progressiva realmente leva qualquer um, independente da idade, ao seu limite no que diz respeito ao lado emocional. Parece que a estrada nunca chega ao fim. Mesmo assim, não permita jamais que isso vire um tabu entre vocês e, como mãe, ajude a Gabi a enfrentar essa jornada de cabeça aberta para que ela seja receptiva às novidades tecnológicas que ainda virão – quem sabe ela terá a sorte de fazer um IC muito mais moderno do que os disponíveis hoje? ;)

51 amaram.

O homem que ouve tudo

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Fonte: Super Interessante

 

Julian Treasure não é nenhum caso raro na ciência. É só alguém que resolveu prestar atenção a todos os barulhos e ritmos que nos cercam. Segundo Treasure, sons tão banais quanto a música que toca no supermercado podem interferir radicalmente no seu comportamento. Como? Até empresas como Honda e Unilever ficaram curiosas – e contrataram a consultoria inglesa de Treasure para entender.

Você diz que nossa relação com o som está cada vez mais inconsciente. Por quê?
Muito tempo atrás, as pessoas eram cercadas só pelo barulho do vento, da água, dos pássaros. A audição era nosso sentido de alerta, indicando ameaças. Com a industrialização, criamos o hábito de suprimir os ruídos das cidades e ignorar a audição. A maioria dos efeitos dos sons ao nosso redor se moveu para um plano inconsciente. Hoje dependemos demais dos olhos e não compreendemos como os sons influenciam nossa vida.


Eles podem nos deixar alertas ou relaxados, é isso?
Sim, sons têm um efeito psicológico, dependendo da associação que fazemos. Muitos acham o canto dos pássaros reconfortante, pois ao longo da evolução aprendemos que tudo está tranquilo quando os pássaros cantam. O mar nos relaxa, porque tem uma frequência de 12 ciclos por minuto – a mesma da nossa respiração quando dormimos. Mas não é só isso. Sons interferem no funcionamento do nosso corpo. Uma sirene gera uma descarga do hormônio cortisol, que acelera o nosso coração. Além dos efeitos que podem influenciar o nosso comportamento.


Como assim?
Você já deve ter reparado: se alguém puxa papo enquanto você trabalha no computador, sua concentração vai piorar. É porque você usa a memória sensorial para manipular símbolos e palavras, e a conversa afeta seu senso de espaço – afetando sua produtividade. Escritórios amplos e barulhentos derrubam em 66% a produtividade dos funcionários. Nesses lugares, um fone de ouvido e música ambiente ajudariam você a se concentrar no trabalho.

Alguém poderia usar sons para nos manipular?
Sim. O ambiente musical tem um efeito radical sobre compras. Mas as empresas, em geral, não sabem disso. Em lojas de departamento, uma música inapropriada pode reduzir as vendas em até 28% [como música infantil em loja de crianças, que pode espantar os adultos]. A mensagem captada pelos olhos do cliente é “entre e gaste seu dinheiro”, mas os ouvidos escutam “vá embora, ambiente hostil”. Ou então a música pode influenciar a decisão dos clientes, como aconteceu numa loja de vinhos inglesa. Apesar de os vinhos franceses serem mais tradicionais, eles eram menos vendidos do que os alemães quando a loja tocava música da Alemanha. Ou seja: o som foi capaz de vencer a tradição.

Como você chegou a essas conclusões?
Aliei minhas duas profissões – além de ter sido baterista a vida inteira [Treasure tem 50 anos], tenho 30 anos de experiência em marketing. A busca pelo uso eficiente do som é o ponto em comum entre as duas atividades. E hoje é um novo tipo de marketing, que tem crescido. Espero transformar o som dos negócios e o modo como o mundo soa ao nosso redor.

22 amaram.

Só 7% dos professores passam em certificação do MEC para o ensino de surdos

Fonte: Último Segundo

Essa matéria me lembrou demais deste post, sobre o livro “A child sacrificed to the deaf culture’. O autor falava sobre a total falta de preparo de muitos professores surdos, que dominavam um nível básico/intermediário de língua de sinais e eram responsáveis pela educação de centenas de crianças surdas em escolas especiais. Para pensar. E me perdoem, mas reclamar do nível de dificuldade da prova não é desculpa alguma – isso serve para separar o joio do trigo.

 

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Dos 2.427 candidatos que se submeteram à edição mais recente do Exame Nacional de Certificação em Libras, o Prolibras 2013, somente 164 (menos de 7%) foram aprovados na modalidade voltada a certificar professores ao ensino da Linguagem Brasileira de Sinais. É por meio dessa certificação oficial avalizada pelo Ministério da Educação (MEC) que muitas secretarias de educação e instituições de ensino superior selecionam professores para atuarem em turmas que contam com alunos surdos. Além da certificação para o ensino da Libras, o Prolibras também oferece uma certificação em proficiência na tradução e interpretação da Libras. Nessa modalidade, o índice de aprovados também é pequeno. Em 2013, dos 2.627 que compareceram para realização das provas, apenas 242 (9%) foram aprovados no final do processo.

O baixo número de candidatos aprovados no exame impacta ainda mais no déficit de profissionais com habilidades comprovadas no ensino da Libras nas escolas brasileiras, especialmente as da rede pública. Hoje, nem todos os professores que dão aula para alunos surdos dominam as Libras. As escolas também sofrem com a falta de intépretes em turmas onda há a presença de estudante com algum tipo de deficiência auditiva. É com o Prolibras que gestores públicos e instituições de ensino ficam cientes que o candidato, de fato, domina a Libras. Muitos concursos públicos voltados para a contratação de professor ou intérprete dispensam, inclusive, o teste prático que analisaria o domínio dessa linguagem daquele candidato que já possui o Prolibras. Outras seleções públicas exigem que o candidato, além de ter o curso de pedagogia ou licenciatura com foco em Libras, também apresente o Prolibras.

Além da educação básica, concursos para preenchimento de vaga de professor de libras nas universidades e institutos federais também veem exigindo a apresentação do Prolibras. Mesmo para aqueles postulantes que tenham se formado, por exemplo, em cursos de licenciatura com componentes curriculares em Libras. “Há universidades que criaram um curso específico em licenciatura em libras. Mas o fato de fazer a licenciatura em libras não significa que o estudante acabe o curso sabendo se comunicar em libras. É como ocorre hoje com os formados em licenciatura em inglês. Quem acaba essa graduação, nem sempre sai falando bem o inglês”, afirma Maria Cristina Marquezine, professora da Universidade Estadual de Londrina, especialista em Educação Especial.

Cientes da exigência do Prolibras nos concursos das universidades, muitos candidatos que já possuem diploma de nível superior se submetem ao exame. E mesmo se preparando com cursos de formação privados ou concedidos pelo poder público, eles esbarram na dificuldade do exame. Nessa última edição, até mesmo a equipe técnica que coordenou o exame assume que a primeira etapa do Prolibras, que conta com uma prova objetiva, foi “bem mais seletiva que a primeira etapa dos exames anteriores”, afirma relatório técnico do exame. “Ainda que preliminarmente, esse fato nos permite inferir que o grau de dificuldade da primeira etapa necessita ser revisto para os próximos exames”, cita o documento emitido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que organiza o exame, em parceria com Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

A dificuldade do exame foi sentida na pele pelo professor mineiro Rosselini Diniz, de 26 anos. Desde 2009 ele vinha estudando para o exame. Só conseguiu passar na segunda tentativa. “Essa última achei bem difícil. Especialmente a primeira etapa. O tipo de pergunta exigia muito raciocínio”, fala Diniz. Segundo ele, no entanto, o nível de dificuldade ajuda a selecionar os bons profissionais. “Apesar de difícil, ela exige o que o profissional de Libras precisa ter. Atualmente, muitos profissionais não conseguem dar conta do trabalho, o que prejudica os alunos que precisam ter um professor que possa falar a língua deles”, diz o professor mineiro.

A falta de domínio de Libras é uma situação presente até em escolas especializadas para o ensino de surdos. Recentemente, por exemplo, parte dos professores do INES entrou em greve. Um dos motivos alegados pelos docentes para a manifestação era a falta de domínio que eles tinham com as Libras. Questionado sobre o nível de dificuldade do exame, o INES informa “que esse tipo de exame, como qualquer exame de proficiência com perspectiva qualitativa e não quantitativa, serve de balizador para os cursos de Libras que têm sido oferecidos em todo o País”. O instituto informa que a partir dessa última edição “houve uma reformulação das provas (objetiva e prática), no intuito de atualizar tanto as formulações das questões como de seus conteúdos para o exercício das respectivas profissões”.

Também foram consultados pela reportagem o Ministério da Educação (MEC), responsável pelo plano anual de execução do exame, e o INEP, responsável pela metodologia de avaliação do Prolibras. O INEP diz que o País tem 2.083 professores que atuam no componente curricular libras nas escolas de educação básica. O Governo Federal não informou quantos professores o Brasil ainda precisaria ter para atender a oferta de alunos surdos nas escolas públicas. No País, existem cerca de 800 mil pessoas com até 17 anos – em idade escolar – que são surdos ou possuem algum tipo de deficiência auditiva.

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Reencontros auditivos

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A primeira vez que fui à praia após a ativação do IC foi em dezembro de 2013, e lembro de precisar da ajuda do AASI para conseguir ouvir o som do mar quebrando e das ondas batendo na beira da praia. Falei disso neste post. Na semana passada, eu estava no Ceará. E lá tive bons reencontros auditivos. Foi tão bacana ouvir de novo o som das folhas dos coqueiros batendo ao vento, a sinfonia das folhas de várias árvores diferentes nas ventanias, outros passarinhos que não aqueles com os quais convivo no dia-a-dia. Ainda melhor foi poder ouvir o som do mar do quarto, poder tomar café da manhã, almoçar e jantar ouvindo o mar. Esses reencontros funcionam como uma espécie de teletransporte ao passado. Fico tentando lembrar da pessoa que eu era quando ainda tinha a capacidade de ouvir tudo isso sem ajuda. Mas já faz tanto tempo…

Finalmente venci um bloqueio emocional besta, mas venci: pela primeira vez peguei o telefone de um quarto de hotel e falei com a recepção. Toda vez que o Lu me dizia para pedir algo nas nossas viagens eu começava a rir e dizia ‘mas é bem capaz!’. Dessa vez achei que já tinha passado da hora, tentei, e deu certo. São atos ínfimos que fazem alguém que voltou a ouvir também voltar a se sentir gente outra vez. Lembro que sempre me pegava imaginando o que faria se um dia estivesse viajando sozinha, me acontecesse algo no quarto (um tombo, passar mal, sei lá) e não pudesse pedir socorro pelo telefone. Que alívio agora poder viver sem esse fantasma. Bloqueio vencido, senti vontade de contar toda a história para a moça que falou comigo e agradecer, mas me contive. Fiz isso uma vez com um taxista, que ficou todo emocionado ao saber que era meu primeiro papo no banco de trás com um taxista tagarela.

Numa noite, o Lu perguntou se eu estava ouvindo um barulho esquisitíssimo perto de nós no restaurante. Prestei atenção, disse que sim, mas não fazia a mínima idéia de que barulho era aquele. Quando ele me disse que eram gatos fazendo sexo fiquei tipo ‘fala sério’. Morro, e não ouço tudo. No aeroporto de Fortaleza deu pra entender 100% das chamadas pelo alto-falante na sala de embarque, de tão alto e claro que era. Quando comentei o fato, a resposta foi: “É tão alto e tão claro que acho que até sem implante dá pra entender“. Hehehehe!!

O aumento da velocidade de processamento de som do meu IC não deu certo. Após 40 dias naquele programa aceitei o fato de que tinha perdido muita inteligibilidade de fala. Em inúmeras situações nas quais antes eu ouvia e entendia sem esforço me vi de volta ao infame “HÃN?‘. Na semana que vem tenho fono no Rio para rever isso. Tem sido bem difícil ouvir TV e entender sem legenda, por exemplo. Conversas que antes eram facílimas agora requerem super concentração. Música, que antes com o cabo de áudio eu ouvia no iPhone com 4 risquinhos de volume achando alto e entendendo quase tudo, agora com 8 risquinhos ou mais não entendo a letra e acho baixo. Já aconteceu com vocês? Isso me fez aprender uma lição importante, pois sei que as fonos não são minhas fãs no quesito ‘tipo de paciente’, já que sempre quero mais, mais, mais. Quando a gente chega numa programação que pode chamar de quase perfeita (ótima inteligibilidade de fala, volume bom, som gostoso no programa de música, capacidade de ouvir sons importantes como campainha e interfone, capacidade de manter conversas sem leitura labial) não há motivo para arriscar todo o trabalho feito para se chegar nela só pela ânsia do mais, mais, mais. Aprendi do pior jeito, pela minha teimosia. Não faria de novo. Morro de saudade da minha programação quase perfeita – o aumento da velocidade fez com que meu cérebro não gostasse mais da antiga programação, e nem se adaptasse à nova. Por enquanto, estou num limbo. Continuo ouvindo tudo, mas o entendimento de fala e a música dançaram por ora. Até o latido dos meus cachorros tem soado distorcido. Quero só ver o trabalhão que vou ter para reverter isso.

Outro reencontro foi com o som do vento. Alugamos um quadriciclo e fomos correr com ele à beira-mar. O vento era tão forte que fiquei com medo que o IC alçasse vôo e tirei. De repente percebi que com o ouvido esquerdo ouvia direitinho o barulhão do vento dentro da minha orelha (pelo jeito deve ter uns 150dB, hahaha). Que sensação estranha! Barulho de vento me remete à vento norte, à Capão da Canoa, à infância, à praia, inúmeras recordações. Nessa ida ao Ceará tive a oportunidade ouvir vários sotaques diferentes: um uruguaio falando, um argentino falando, cearenses falando. Passei a notar mais o meu próprio sotaque depois de um jantar no Rio com o Dr. Jair Castro e a esposa dele, pois ele fez vááárias piadas sobre gaúchos e sotaques. Tanto que quando voltei para casa fui logo assistir um vídeo recomendado por ele, de um casal gaúcho conversando numa praia de Santa Catarina. O papo começa com: “AmoRRRRR, tu gosta das pRRRaias do RRRio GRRRande, amoRRRR“? Eis que agora admito que pego pesado no ‘RRRR’. Fazer o que, se fui criada nos pampas? Melhor dizendo, fazeRRRR o que? :)

Houve um fim de tarde no qual me peguei admirando tudo o que estava ouvindo: as folhas dos coqueiros, a água da piscina, o mar, a queda d’água da piscina, tudo junto e misturado. Não sei explicar direito o transbordamento de gratidão que me invade nessas horas. O implante coclear me devolveu a vontade de comandar minha própria vida, em vez de apenas ser levada por ela. Cada dia é uma vitória. Ontem eu estava na minha sala quando uma colega falou lá da sala da frente para a moça da limpeza ‘diz para a Paula que a mãe dela está aqui na frente esperando’. Dei um grito e falei ‘já peguei o recado’. E pensar que passei doze anos trabalhando na SEFAZ sem fazer idéia do que acontecia ao meu redor em termos de sons/falas/conversas.

Um som que ainda não ouvi (não que eu queira, mas lembro dele e gostaria de conseguir) é aquele zunido de mosquito rondando a gente.

31 amaram.

Dica para quem usa implante coclear

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Essa dica é para quem usa implante coclear e gostaria de ouvir música ou assistir um filme com o(a) namorado(a) – eu não conhecia e acho que vocês podem gostar e se interessar caso ainda não conheçam. Basta ir até uma loja de eletrônica ou ferragem e comprar (por R$15) esse cabinho que permite que você coloque o seu cabo de áudio e o fone de ouvido da pessoa. Assim, os dois ouvem a mesma coisa ao mesmo tempo. Perfeito para viagens e vôos curtos ou longos. Espero não estar contando a fofoca mais velha de todos os tempos, mas usei e adorei. :)

16 amaram.