Crônicas da Surdez Destaques Nucleus 6

Usos inusitados do Mini Mic

A última viagem que fizemos foi para que o Luciano (Portal Otorrino) desse uma aula num congresso mundial de cirurgia endoscópica. No dia da aula fui junto pro evento bem cedo enquanto ainda estava vazio e consegui um ótimo lugar bem na frente. Ele era o quinto a falar. Antes dele, cirurgiões de diferentes nacionalidades dando aulas em inglês. Sabe o que percebi? Que ouvintes quando precisam se comunicar em outra língua ficam tão tensos e travados quanto surdos em situações complicadas na sua própria língua. E os sotaques?? Entender o que um chinês fala em inglês é basicamente impossível! Eu juro que tentei de todas as maneiras, mas não tem jeito. Italianos falando inglês também soam bem esquisitos, mas dá para entender de boa.

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Quando o Luciano foi falar, foi de Mini Mic. Isso fez com que a aula parecesse ter sido dada só pra mim, rsrsrs! Muito, muito legal. Vocês sabem que em viagens a gente usa no avião, nos restaurantes e para sair na rua – assim posso ficar à direita dele sem problemas e nossa comunicação fica infinitamente mais agradável em lugares barulhentos. O problema do Mini Mic é que a pessoa começa a sentir vontade de usar o dia inteiro. A dica de sair na rua usando o Mini Mic é ótima, porque abafa o barulhão e ainda permite que a pessoa que está com você tenha a sua atenção total independente do lado em que estiver e até mesmo se vocês estiverem um à frente ou atrás do outro. Facilita demais a vida, e já aviso que os maridos/namorados começam a exigir o uso do Mini Mic com o passar do tempo, rsrsrs….

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Dessa vez percebi que em todos os elevadores de locais públicos estava disponível a opção “T Coil“, ou seja, usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares cujos dispositivos possuem a função “T” podiam ficar tranquilos – essa função faz com que o som venha alto e claro direto para o AASI e IC quando a chave T está ligada. Acho que todo surdo sente verdadeiro pavor de ficar trancado num elevador, não? Isso é acessibilidade para surdos oralizados do mais alto nível, gente. Nunca vi nada parecido por aqui, e vocês?


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Quando viajo para o exterior volto sempre com aquela sensação de tristeza por saber que no país onde moramos tudo é uma luta quando falamos em acessibilidade para pessoas que não ouvem. Países desenvolvidos, todos rendidos às maravilhas da tecnologia, estão anos-luz na nossa frente…

30 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

3 Comentários

  • Prezada Soramires.
    O pior disso tudo, é saber que a tecnologia existe, mesmo no hospital como o fundão/rj , e teimarem comigo que não existia, o revolucionario aparelho 100% a prova dágua, Neptune, que inclusive permite banho em piscina. Por essa razão, eu que era candidato ao implante após todos exames, por ter optado por uma prótese 100% a prova dágua, mas que nem era conhecida por algumas pessoas do setor, e também pelo fato do hospital só trabalhar com determinadas próteses, fui informado que não tinha como , portanto continuo OFF.
    Minha opção por uma prótese à prova dágua, era pelo fato de possuir uma sudorese incômoda, que me estragou vários aparelhos, levando-me a gastar o que podia e não podia, e como estou ciente dos mesmos riscos com o IC , cujos serviços de manutenção são caríssimos, e fatalmente ficaria semanas sem usá-los, gerando um certo stress, não mudei de idéia.Por essa razao, eu que levo uma vida super ativa, gosto de jogar volei,faço ginastica, pratico vela( meu hobby predileto) faço caminhadas, e embora já veterano, vivo muito a vida de esportes, estou esperando muito essa oportunidade cair do céu. Peço por favor que me informem se o Fundão/RJ já trabalha com essas prótese.

  • é o que senti quando conheci o aro magnético na Argentina, ouvir conferências, TV e cinema diretamente nos AASI é um luxo…e aqui nem sabem do que se trata…nossas autoridades são preguiçosas porque basta dar um giro no Google que se fica sabendo desses equipamentos…ou foram convencidos de que todo surdo só quer língua de sinais…

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