Deficiência Auditiva Histórias dos Leitores

Deficiência auditiva: da depressão à aceitação

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“Oi Paula! Já faz uns 6 meses desde que descobri seu blog, foi em uma fase de depressão profunda minha em que eu passava tempos na internet pesquisando sobre esse mundo de deficientes auditivos e por não ter nenhum amigo com DA, pela curiosidade em saber se alguém mais sofria com situações constrangedoras, humilhações e afins, assim como eu.

Comecei a sentir dificuldade para ouvir quando eu tinha uns 15 anos (hoje tenho 25), eu sempre aumentava o volume da tv, pedia para as pessoas repetirem o que falavam e aí então falei pra minha mãe que queria ir ao médico, porque eu não estava ouvindo bem. Fui no otorrino, fiz audiometria e então descobri que tinha perda bilateral progressiva. Quando ouvimos que minha opção era aparelho auditivo ficamos meio em choque, eu não queria isso, nem minha mãe, a gente queria uma cirurgia, algo que “resolvesse”, entende?! Então, seguimos para outros otorrinos e outros exames, não tinha jeito, só ouvíamos dos médicos que minha opção era aparelho, como eu não tinha outra opção, aceitei e tive meu primeiro aparelho, era um modelo intracanal, resolvi que ia tentar usar em um ouvido só, pra tentar me adaptar e também pelo custo.

A primeira vez que usei enchi os olhos de lágrimas, pois eu conseguia ouvir até os passos das pessoas na rua, porém foi só o começo, logo percebi que todos os sons eram amplificados e não só o que eu tinha dificuldade em ouvir, tenho uma queda grande nos agudos, desenho animado nem pensar, não entendo nada, com ou sem aparelho, só consigo ver mesmo com legenda. Então, eu estava na sala de aula e eu ouvia a professora falar mais alto, mas também ouvia todo burburinho dos colegas da sala e no fim acabava não entendendo ninguém, aí eu tirava o aparelho. Foi uns meses de tentativas em me adaptar e não conseguir nada, desisti, me formei no ensino médio sem aparelhos mesmo, em 2005. Aí, em 2007 eu comecei a fazer faculdade, não conhecia ninguém e como tenho perda progressiva já ouvia bem menos, fiz pouco mais de 1 mês de faculdade e desisti. Nesse tempo passei por muitas frustrações e situações constrangedoras, eu não falava que tinha DA, tinha vergonha e boiava quando professores faziam perguntas para mim durante a aula, ficava um pimentão de vermelha por não ter entendido, sério. Fiz minhas malas e voltei pra casa, foi quando entrei em depressão. 

Na segunda metade de 2008 ergui a cabeça e resolvi tentar de novo, mas aí falei pra minha mãe que eu PRECISAVA de um aparelho auditivo que eu conseguisse me adaptar ou nada feito. Minha mãe me deu o maior apoio, eu ja tinha sofrido bastante até aí e entre pesquisas e indicações de pessoas, fomos pra Porto Alegre pra então consultar com um otorrino mais bem conceituado. Além da audiometria fiz vários outros exames e o resultado foi perda auditiva sensorioneural moderada bilateral e de novo, cirurgia nenhuma era opção, era aparelhos e ponto final.

Escolhi um dos melhores aparelhos disponíveis, que não tapa a orelha (porque a sensação é horrível, né?!), é o Pure, da Siemens, escolhi na cor pérola, gostei do design, achei discreto e desta vez comprei para os dois ouvidos, pois o médico me convenceu que eu precisava mesmo era usar nos dois. Esse aparelho, muito mais moderno que o meu antigo tinha inúmeras possibilidades de ajustes, e a ideia era que eu sempre voltasse no consultório para ajustar conforme sentisse necessidade, infelizmente moro longe de POA e não pude voltar a ajustar com a mesma fono, da qual eu tinha gostado.

E então foi, comecei outra faculdade, com o aparelho auditivo novo (óculos e aparelho nos dentes, haha) e aos poucos fui perdendo a vergonha de dizer aos amigos que tinha DA, tinha decidido que tinha que enfrentar isso, quanto aos professores, eu achava que seria inútil falar, pois não teria acessibilidade da mesma forma na faculdade, nos últimos semestres que cursei eu falei pra três professores e como eu já esperava, não mudou nada. Minha facul era carregada de trabalhos e apresentações e pior, durante as apresentações tinha perguntas dos professores (e colegas), eu ia pra casa com a cabeça estourando, pois fazia o maior esforço do mundo para conseguir entender as perguntas e aí então, eu percebia que o aparelho não me ajudava 100%, que eu nunca conseguiria me igualar aos colegas na audição.

Eu sempre ficava muito tensa em textos ditados pelos professores, em chamadas, quando a galera da sala tava no maior burburinho, eu tinha vontade de levantar e gritar “calem a boca, que eu quero ouvir a professora”, também quando colegas sentados atrás de mim me chamavam e aí ficavam chamando até alguém que estava perto de mim me cutucar e me avisar que o fulano ta chamando. E aí o que eles fazem? Largam aquele “tu ta surda?”, “Meu Deus, te chamei várias vezes” e caem na gargalhada, te deixando super sem jeito na frente de todos, eu ainda não aprendi a rir quando me sinto constrangida. Fui até minha paciência esgotar, no 7° período da faculdade foi quando me dei conta que estava na hora de procurar um estágio, que estava todo mundo se mexendo e eu ficando parada e aí a ideia do que eu ia enfrentar dali pra frente juntou com mais algumas coisas que eu não gostava no curso, acabei desistindo mais uma vez.

Falando um pouco das situações que já passei, em grupo de amigos eu já desisti de tentar entender tudo, fico na minha, sou a pessoa que não fala ou fala quase nada, que não ri com todos da piada que alguém contou e aí sempre perguntam “por que tu ta quieta?”, “ei, tu não fala?”, “mas conversa com a gente guria” e é por essas e outras que muitas vezes recuso os convites e prefiro ficar em casa. Um dia, conversei com uma amiga sobre meu problema e aí entramos na parte de relacionamentos e ela disse “deve ser ruim, quando o cara ta contigo deitado no escuro e fala alguma coisa bonitinha, de sentimento e você nem entende o que ele falou“, e é mesmo, é horrível, tanto porque as vezes a pessoa repete 3 vezes no escuro e você continua não entendendo, porque não adianta olhar pra ela.

Quanto ao interfone, eu tenho uma cachorrinha, quando eu morava sozinha era graças a ela que eu sabia que alguém tinha tocado, pois ela latia e na verdade até hoje, mesmo morando com minha mãe, é ela que me “avisa” que estão tocando o interfone. TV aberta eu não assisto, nada mesmo e na tv a cabo assisto o que tiver legenda disponível, cada vez mais estão dublando os programas e não dando opção de legenda, é triste! Filmes e séries que é o que mais gosto de ver, eu vejo online com legenda, vídeos do youtube em português eu geralmente tenho que por fones pra entender. Palestras, cursos de inglês é coisa que eu nem tento mais. Já cheguei a pensar em aprender Libras e desistir de tentar ouvir.

Bom, fugi da minha saga que eu estava contando, mas então, hoje eu curso faculdade (pela 3° vez) na Unopar que disponibiliza ensino a distância, apesar de muitos criticarem, eu estou achando tranquilo pra mim, porque até as vídeo aulas que passam nos dias presenciais eu posso assistir depois em casa pelo site da faculdade e aí, eu coloco meus fones de ouvido e consigo entender. Ainda sofro com apresentação de trabalho, mas é só uma por semestre, então não posso comparar com o que já passei, dá pra levar numa boa. Hoje em dia, eu uso meu aparelho quando sinto necessidade, pois ainda não me adaptei totalmente a ele, isso me deixa muito triste. Ahh e também uso só em um ouvido, pois não consigo usar nos dois, me sinto perdida em meio aos sons e as vezes parece que entendo melhor até sem, tipo, quando a pessoa está falando perto de mim.

O mercado de trabalho vai ser um desafio, eu ainda não sei como vou lidar, já acho que vou torrar a paciência de todos meus colegas de trabalho por faze-los repetir mil vezes as coisas, mas a gente vai tentando né?! Um dia, eu espero achar um aparelho que NO MÍNIMO, me faça sentir confortável num grupo de amigos ou palestra, por exemplo, mas no momento não tenho grana pra investir e pelo que vi falarem aqui, o aparelho que o SUS disponibiliza é muito ruim, o que imagino, muito inferior ao que eu já possuo.

Desculpa pelo textão gente, acho que precisava desabafar. E por fim, quero dizer que esse blog me faz sentir em um lugar amigável, quando tiro um tempinho para ler os relatos de vocês acabo me identificando e aprendendo muito inclusive, principalmente sobre o mercado de trabalho que é onde me sinto mais perdida. Beijo Paula! Obrigada pelo espaço!

Natalia”

114 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

24 Comentários

  • Olá pessoal, também tenho perda auditiva bilateral de grau profundo, descobri minha dificuldade aos 18 anos, e passei por muitos constrangimentos no meu dia-a-dia , riam de mim quando me perguntavam algo e eu respondia outra coisa, porque eu não tinha aceitação da minha perda, pensava que era passageiro mas depois veio a faculdade e ai foi o desastre,ninguém sabia da minha dificuldade e eu achava que conseguiria sozinha, que ninguém precisava saber da minha dificuldade, e ai foi o meu erro, foram 3 faculdades e 3 desistências, hoje aos 36 anos faço faculdade a distância pela Unopar, e faço curso de libras; pois sinto muita necessidade de aprender a LIBRAS, porque não escuto quase nada e também não saber LIBRAS. Me senti péssima em não consegui me expressar até minha oralização estava sendo prejudicada, percebia pela expressão das pessoas quando eu falava, elas faziam uma aparência como minha voz irrita-se, elas não entendiam direito o que eu falava, isso eu fui me isolando mais ainda, e evitava até de falar. Hoje vou me dedicar a libras quero aprender e me expressar com ajuda da LIBRAS. O que não pode parar é a nossa vida. Obrigado. espero tê-los todos como amigos. Abraços.
    Meu whatsApp (82) 98813.3869. Alcione Nogueira

  • Bom dia, Natália

    Li sua história…Não é fácil!
    Mas, é guerreira! Só uma coisa: Nunca desista, lute e acredite em você, pois ninguém mais pode te ajudar senão vc mesma, ou seja vc tem que querer… é esse o diferencial. Sou deficiente auditivo bilateral de grau profundo…CID H90.5. Passei, por muitas dificuldades e ainda passo, mas não desisto, tento quantas vezes precisar para conseguir. Faça o mesmo e acima de tudo converse sempre com DEUS em seus pensamentos, maior forças vem DELE.
    Abraço.
    clason-samuel@hotmail.com
    (12)99672-5788 WhatsApp

    Marcos Oliveira

  • eu sou deficiente auditiva tenho depressão ansiedade hipertenção tenho 55 anos ate hoje n me adptei em usar aparelhos auditivos faz 2 anos q uso eu fiquei me colocando no lugar dessa moça q contou a historia dela foi eu escrita sofri tdo isso q ela passou hoje estou me preparando p aposentar sera q consigo?
    me oriente por favor pois tenho pouca sabedoria sou funcionaria publica efetivada pela lei 100 a parti de janeiro passremos a ser contratados eu estou afastada do cargo devido depressao e ansiedade tomo mtos medicamentos controlados me oriente por favor abraços

  • Natália…gostei muito da sua história … principalmente para estou passando por essa fase que é a depressão…dificuldade principalmente no meio social….comecei a fazer a faculdade de psicologia …piorou tenho dificuldades de ouvir ….minha perca é moderada….Obrigado pois história como a sua me faz acreditar que a família é sim muito importante pra vencer essa fase….e fico feliz em saber que não sou o único que está passando por essa fase ou já passou RS….abraço gostei muito desse blog …agradeço a vida por conhecer ….

  • Oi Natália e Paula e leitoras!
    Simone Rocha, 17 anos e tenho DA bilateral neurossensorial de grau moderado. Fui diagnóstica ano passado, não sei dizer se nasci assim ou evoluiu no decorrer do tempo, pois ninguém da minha família ao menos que eu conheci não possuía DA. Meus pais faleceram em 2009, e desde então a vida nunca foi fácil para mim. Morei com meu irmão materno no 1º momento e ele achava que desobedecia-o quando chamava, era horrível. Todo dia eu levava bronca e a minha vida era O inferno, pois ela chegava a me agredir. Sem contar que tinha a mulher (o diabo em vida à beira de ciúmes) dele e a filha, um bebê. Até que no meio 2011 eu decidi morar em SP com meus irmãos paternos (o meu porto seguro e minha salvação). Eles começaram a perceber que eu não ouvia bem: no chamado ao sair, na conversa em grupo, na altura de TV, no tocar do telefone e, principalmente, na pronúncia inglesa que eu não conseguia pronunciar o ‘r’ das palavras e etc. Foi aí que decidiram levar-me no Otorrino e no Fono. As sessões de audiometria detectaram perda de 50% nos dois ouvidos. Eu não queria acreditar. Não queria acreditar que o ‘Você é surda?! / ‘Ouviu o que eu disse?!’ faria algum sentido na minha vida. Chegava a hora da colocação dos aparelhos. A minha irmã (Sueli) estava ao meu lado. Foi quando eu entrei em desespero. Comecei a dizer: — Eu não vou usar esse negócio ridículo! Isso é horrível! Lá estava eu chorando e a irmã também. Vieram dois pensamentos na minha mente: Ou você não usa, fica com dificuldades na hora de procurar emprego, não aprende outra língua e corre o risco de ser demitida caso empregada. Ou usa, assume ser DA, aprende outra língua, ouve os sons a sua volta, etc. Percebi que era o TUDO e o NADA. Optei pela 2º opção. Não foi fácil como nada na vida é. A 1º semana eu senti a sensação de inferioridade, de que não seria mais a mesma, de que não encontraria alguém que me aceitasse pelo que sou, de que não conseguiria entrar na Faculdade (Arquitetura da minha vida) entre outros assuntos que abrangem a vida do DA na sociedade. Estou na minha 7º semana de uso dos aparelhos, OUÇO TUDO até as gotas da chuva no telhado, graças à Deus está tudo bem. Não sei como será minha vida daqui pra frente. Não sei se vou ter filhos ou/e me casar. Não sei nada como toda e qualquer pessoa à frente do futuro. Eu só sei que vou correr atrás dos meus sonhos, independente de quando eles acontecerão. Que ao mesmo tempo que eu respeito quero ser respeitada, não por ser DA, mas por ser pessoa, por ser ser humano. Ah! Aos leitores que lerem e à Natália: Aceite-se, independente do que tenha/seja. São pessoas com domínio sobre a sua vida e as coisas ao seu redor. O que acontecerá depende tão somente de você. 😀 :*

    Obrigada! Beijos à todas. E AME-SE!

  • Natalia,

    Quanto ao uso do aparelho eu passei pelo mesmo problema que voce, embora hoje eu tenha me habituado a utilizar apenas um dos aparelhos, confesso que no inicio era um tanto mais complicado, porque de algum modo a gente esta aprendendo a ouvir dinovo, nao que a gente nao saiba ouvir, eu comecei perder audiçao aos 20 anos de idade, mas aprender ouvir sons que a gente antes nao reparava, porque eram sons naturais, com o uso do aparelho esses sons se tornam mais evidentes e a gente leva um tempo ate aprender descarta-los, como o barulho do transito, de forma natural a gente despreza.
    Quando comecei usar o aparelho fui aprendendo desprezar alguns sons que nao me eram util e aos poucos a gente nem nota que eles estao ali.
    Natalia me envia email, nunca tive a experiencia de conversar com alguem que sofre do mesmo problema que eu, seus relatos me fez identifica-se bastante.
    email: Netoarios@gmail.com

  • Uau, estou chorando de felicidade. Tenho 16 anos e sou deficiente auditiva. Me identifiquei totalmente com as situações descritas nessa crônica. E me vejo num futuro assim como a dela. Só gostaria de ter o email dela, pra q ela pudesse me aconselhar, me ajudar quando precisasse. Pois não conheço ngm com DA, ent meus amigos não entendem os meus problemas 🙁

  • Natália, você fala “desistir” demais. É como se a ideia de desistir de algo já tivesse se tornado normal pra você. Perceba quanto tempo de sua vida você está perdendo.

    É difícil, eu sei. Mas faça amizade com seu problema. Aprenda a conviver com ele. Entenda que ao se conformar com não escutar as coisas, é você quem perde, e ninguém mais! Uma coisa que me ajudou foi enxergar meu aparelho como um detector de otários. Se a pessoa tem uma reação ruim ao saber que eu tenho deficiência auditiva ou que uso aparelhos, já sei que essa pessoa não vale meu tempo. Sério, ligue o foda-se. Sua deficiência auditiva não faz de você uma pessoa pior. Olha só, você é capaz de ir longe. Mas tenho certeza que ficar desistindo não vai te levar a lugar algum. Vá viver sua vida, moça!

    Além disso, faça consultas com uma fonoaudióloga para regular seu aparelho. Se você escuta melhor sem ele, há algo errado. Lembre-se que seu aparelho deve trabalhar a seu favor.

    Qualquer coisa, existe um grupo no facebook chamado “Comunidade dos Surdos Oralizados”. Entra lá e converse com a gente. Nada melhor que encontrar pessoas que passam pelo mesmo que nós, certo?

  • Natália,

    Sabe qual é o segredo para realmente as pessoas te entenderem?

    Aceitar você mesma…pelo seu relato percebi que ainda tem preconceito de si mesma!!!

    Sou DA desde criança e não sei se nasci surda ou com o tempo isso aconteceu…Mais não lamento..pelo contrario vivo de cabeça erguida…eu passei por situações parecida com as suas…Faculdade, peguetes, “amigos”, etc…todos os estágios da vida.
    Tenho 24 anos…e as vezes me sinto uma velha outras uma criança querendo um pouco de atenção…
    Tudo que posso lhe dizer é que a vida não é um bicho de sete cabeça, enfrente-a…Você é Deficiente Auditiva! Não uma incapaz… Tem dificuldades bota pra fora…você não precisa ficar no escuro! E outra nós somos obrigados a conviver com os ouvintes? Então mostre para eles que você não é diferente mais exige respeito…

    Precisamos desmentir de quem é DA não trabalha, é ignorante…que somos surdos não podemos VENCER na vida!
    E sobre o mercado de trabalho!!! Eu moro no Estado de São Paulo aqui o trabalho para um PNE são varias oportunidades basta você escolher!

    Hoje em dia, as empresas são praticamente obrigadas a contratar um PNE pois com a nossa contratação os impostos deles saem mais barato…sim sim eles lucram com a gente, então não pense que você sera motivo de chacota ou que os colegas vão te zuar…você pode e deve impor os seus direitos.

    *PNE: Portador de Necessidades Especiais.

    Dica se procura emprego? Entra no site da Catho online…não é propaganda!!! Mais lá é na certa que arruma o emprego do jeito que você quer!

    Abraços para você Natália e um Ano cheio de coisas boas, muitas conquistas…Tenha Fé e persevere em Deus…Ele esta contigo.

    • Olá Maressa, boa noite!
      Concordo plenamente com você o mais importante de tudo é”devemos nós aceitar” existirá n`s oportunidades onde ficaremos frustados,tristes nos sentindo um E.T. Mas também haverá aquelas vezes que nós sentiremos realizados por mesmo com nossas limitações conseguimos nos fazer presentes “algo bacana a acrescentar”.
      Na FACU tinha vergonha de ser DA tirava meu AAS tentando ser = aos outros depois percebi que ninguém é = a ninguém.Todos temos alguma limitação mas a mais importante é não termos o coração fechado pelo medo!
      Abraços de MG!

      • Bom dia, Ricardo!!

        Obrigada pelo apoio… 🙂

        Sabe eu praticamente fui obrigada a me aceitar como DA no meus tempo de facu eu não tinha esse medo…encarei de frente e bati o pé sou SURDA ou DA interpretem como quiser…Mais me respeitem pois isso não me torna DIFERENTE.

    • Olá, Gabriel! Bastante interessante seu relato! 🙂
      Uma sugestão: Já pensou em fazer uma faculdade na modalidade ”à distância”?
      Acredito que, para pessoas em sua condição, será bem mais proveitoso, porque vc não terá que ficar ouvindo as aulas e passando constrangimento com as pessoas ao seu redor – em vez disso, você estará LENDO o material e participando de fóruns de discussão ESCRITOS, no ambiente virtual de aprendizagem, no SEU computador, no SEU ritmo… Já pensou nisso? 😉
      Forte abraço!

  • Nossa Natália, me identifiquei muito com você. Sua história é quase a mesma do que a minha, incrível, até nos detalhes! Descobri minha perda em 2007 com 14 anos (daqui 3 meses faço 21), e na época a audiometria constou que essa perda era leve/moderada bilateral, hoje ela é moderada/severa bilateral. Causa? Não se sabe até hoje e provavelmente nunca saberei. Terminei o colégio normalmente, praticamente sem dificuldades (tirando os 2 últimos anos, que deu uma leve piorada) e me matriculei na faculdade já para o próximo ano letivo (2011). Foi ai que começou o inferno da minha vida. Primeiro dia de aula, e eu não entendia nada que o professor falava mesmo sentando na 3 fileira(eu não usava aparelho ainda), a sala era enorme e tinha umas 80 pessoas, totalmente diferente que a do colégio, que só tinha umas 35. A 1 semana foi bem difícil, teve uma vez que uma menina estava sentada ao meu lado me disse alguma coisa com cara de brava e eu não entendi o que ela tinha dito, eu só fiz sinal de positivo com a cabeça e ambos continuamos olhando pra aula, depois de poucos minutos chegou o intervalo, peguei meu celular do bolso e vi que o player de música dele estava ligado. O som tava saindo pelo alto-falante quase no último volume, e eu não tava escutando da distância do meu bolso. Acho que era isso que a menina tinha reclamado, rs (isso é somente 1 história, já passei muito mais vergonha do que isso ao decorrer dos anos), voltei pra casa revoltado e falei para os meus pais que eu só continuaria o curso se eu adquirisse um AASI. Fui atrás com meus pais e e depois de uma busca bem rápida resolvemos comprar um intra-canal só pro ouvido direito. A primeira vez que eu o coloquei no ouvido meus olhos também se encheram de lágrimas, depois dos testes, só de ao entrar no carro e ouvir o barulhinho do botão do vidro-elétrico sendo apertado, coisa que eu não ouvia há anos, já me deixou muito feliz de verdade, lembro que até tinha falado pro meu pai “Aí, pode falar mais baixo agora que tô escutando tudo”, tsc pobre ilusão minha. Os dias foram passando e vi que aquele aparelho não resolveria meus problemas, só diminuia em uma pequena quantidade. Fui levando o ano aos trancos e barrancos e termeinei os 2 semestres (com DP’S). Fiz a rematrícula para o próx ano, e na 1 semana do terceiro semestre me senti como na 1 semana do ano que havia passado, professor falando e eu não entendendo 20% do que ele falava, pessoas ao redor comentando as coisas e eu ficando por fora do assunto por não conseguir ouvir direito, enfim, chegou um dia eu sofri um ataque de ódio e revolta porque eu simplesmente havia cansado de fingir que estava tudo bem e que escutava as coisas e em fevereiro de 2012 eu tranquei o curso sem avisar ninguém. Meus pais não gostaram nada do que eu fiz, até porque 1 mês antes eu tinha feito a rematrícula, mas daquele jeito realmente não dava mais pra mim. Aquele ano se resume em idas ao médico, baterias de exames de tudo quanto é tipo e vários testes de diversos tipos de aparelho. Finalmente em dezembro eu escolhi ficar com um par open fit moxi 6. Não voltei pra faculdade em 2013 e nem pretendo voltar esse ano de 2014 porque eu ainda acho que não estou adaptado, e que não vai mudar do que era antes. Esse ano vou me dedicar seriamente a concursos público. Meu dia-a-dia é parecido com o seu, última vez que eu consegui ver TV sem dificuldade nenhuma acho que foi em 2008, de lá pra cá a tv não fez mais parte da minha vida, é quase impossível eu conseguir compreender as falas mesmo usando os AASI. O meu jeito de assistir programas e séries é pela internet, somente usando fone de ouvido. Por enquanto eu não tenho dificuldade nenhuma em entender as coisas em geral pela internet usando fone. Minha campainha também é latido do meu cachorro. As vezes eu sem o aparelho sinto o som muito mais nítido e gostoso de ouvir com quem fala comigo de muito perto, passou de 1 metro é impossível ter dialógo sem o AASI. Agora meu pequeno desabafo, eu nunca aceitei e acho que nunca vou aceitar o fato de ter essa perda auditiva. Se os aparelhos fizessem eu escutar 80% do que eu escutava antes, eu não reclamaria desse meu problema. Eu não fico escondendo dos outros, e nem tenho vergonha de assumir essa DA, mas eu nunca vou simplesmente aceitar e viver feliz com isso, sempre me pergunto o porquê de tudo isso, até porque eu sou o único da família que tem essa deficiência. Eu tive infância foi muito boa, com certeza foi melhor época da minha vida, na escola eu sempre fui aquele moleque zoeiro e extrovertido rodeado de amigos, as pessoas ao meu redor tinham interesse na minha pessoa. E a vida me tirar isso aos poucos, sem motivo e ainda gradualmente? Ter que aceitar o fato de que talvez eu fique totalmente surdo daqui sei lá, 10, 15 anos? Não, não irei simplesmente aceitar isso. É a mesma coisa de tirar os olhos de quem vê, as pernas de quem anda e etc. Tem gente que aceita e consegue viver sem problemas com isso, mas eu não, até porque eu sou muito jovem. Depois que a perda foi ficando séria, eu fui me isolando de tudo e de todos aos poucos. Hoje eu sou uma pessoa totalmente diferente de antes, sou mais muito mais na minha, e eu não gosto disso, mas não tenho muita escolha. Eu prefiro ser mais solitário do que chegar em um grande grupo de pessoas e fingir que tá escutando tudo o que estão falando, já fiz isso e é um stress gigantesco, foi um dos motivos que me levou a trancar a faculdade. Ainda bem que nunca fui excluído e nem motivo de bullying, tenho amigos, bem poucos mas tenho, mas como as pessoas em geral mudaram a forma de tratamento comigo (comecei a ser um pouco mais ignorado), e como eu fui sendo privado de diversas coisas, é o que me deixa muito triste de verdade. Bom, acho que escrevi demais, um ótimo 2014 pra nós!

  • Natália, é incrível como me identifiquei com vc, com as situações, em sala de aula, é realmente dificil mesmo. Tenho 43 anos, perda auditiva bilateral severa e profunda, uso aparelhos nos dois ouvidos e como vc, tbm não consegui me adaptar totalmente e só uso qdo preciso. Mas temos uqe ser fortes e seguir em frente, mesmo com a sensação de que matamos um leão por dia, não é mesmo? Um forte abraço prá vc!

  • O uso de próteses auditivas certamenta seria menos traumático se as pessoas tivessem a oportunidade de se autoprogramar e saber o que há dentro de seus aparelhos. Há muita tecnologia que não chega aos pacientes por puro desconhecimento dos fonoaudiólogos.

  • Natalia, boa sorte pra você. Sou implantada, mas reconheço que foi uma das grandes perdas da minha vida, a audição. Isto vou dizer sempre: surdez é muita solidão! Adoro ver os comentários das outras pessoas, sempre dando muita força! Nunca tive problema em assumir pras pessoas que sou DA. Mas o problema é comigo: sofro mt por ser DA! Enfim, acredito que tenho muito o que aprender e tomara que eu consiga aceitar esta condição. Um forte abraço.

  • Nathália, tenho deficiência auditiva bilateral de severa a profunda. Estou fazendo as avaliações para implante coclear. Usava dois aparelhos da Beltone que paguei bem caro. Nesse processo para implante coclear que será pelo SUS tive que testar novos aparelhos,contra a minha vontade, pois achava que os meus estavam ótimos. Esses novos aparelhos foram fornecidos pelo SUS. Fiquei surpresa, pois ficou bem melhor do que os que eu usava, melhorou muito, tive bastante ganho.As vezes as empresas que vendem aparelhos ficam mais preocupadas na discrição do aparelho e não com a potência que a pessoa precisa.Talvez valha a pena você tentar pelo SUS. Fica a dica. Abraço.

  • “olá natália,sou deficiente auditivo,perda severa,li sua história fiquei muito comovido,pois eu nasci com a mesma,enfrentei muitas dificuldades;repetiçaõ 04 vezes a 4@ série no primário e muita dificuldade em matéria de matemática,tinha e tenho até hoje crise de nervos(queimar paciência)barulhos demasiados em ambientes com barulhos excessivos,desde os 04 anos uso aparelhos diversificados da épocas, cada qual eu tinha que me adaptar regulamente todos os anos,mas nada resolvia meu problema.o pior que fui tirados dos meus pais ainda pequeno,sem família,sem apoio,sem condições,morando em orfanatos, preventórios,sem carinho,sem amor de mãe,sem um pai presente. no orfanato,naõ entendia nada que as irmãs de malridosa (caridosa) falava,mal me enterpretava e entaõ me batiam com rodo ou vassoura achado que eu naõ fazia caso delas e de suas autoridade.os professores me ingnoravam por completo.depressaõ fazia parte de minha vida por completo,desmotivado por tudo e por todos,orava á Deus,em meus pensamentos e minhas palavras do coraçaõ,que o mesmo colocassem pessoas no meu caminho para me ajudar.saindo do orfanato aos 14 anos fui para uma casa de uma irmã de caridade que tinha 2 filhas evangélicas,e elas me ajudaram muito conversando,orando e outros meios de superar essas crises.relacionamentos por minha causa foram desfeitos,escutavam uma coisa,entendia outra coisa,mais errava do que acertava.somente quando eu lia que eu sabia que era o certo.quando tinha ditados,100% errado,quando lia direto no livro,100% certo.por causa da minha deficiência era rejeitado,eu mesmo se isolava por causa da mesma.naõ tinha prazer em relacionamentos ou festas ou coisa s parecidas,tudo é escuro,com o céu brilhando,tudo é perdido,sendo a vida bela e cheias de oportunidades.começei a trabalhar muito cedo, com 14 anos,e estes lugares emitiam muito barulhos,foram para piorar minha situaçaõ,cada dia foi aumentando minha perda,falava como que gritando em todos lugares,quando era época de chuvas,o aparelho funcionava tendo quedas de som,eu ficava com dores de cabeça,nervoso ,outros dias com sonolência excessiva,naõ conseguia trabalhar direito .era mal interpretado pelo colegas de trabalho como preguiçoso e em outros dias faltava mais do que trabalhava.ufa!que trabalho eu dei; de4sculpa,minha condiçaõ era essa por causa da minha deficiência.mas,
    graças á Deus,e aos milhares de amigos e colegas de trabalho e amigos
    profissionais da área de audiometria me ajudaram a superar.hoje tenho uma casa,família,03 lindos filhos e 2 lindos netos.casado com tania,
    estabilizados em 30 anos sou exemplo desta superaçaõ.podemos vencer
    se assim quisermos,nada pode superar um deficiente ciente.abraços.
    obrigado pela consideraçaõ e gentileza deste renomado site.
    quem precisar mais de conhecer minha história de vida,estou em disposiçaõ em informações e ajuda mútua.meu email rodriguesdonizete 2013@gmail.contato;85987526/71149584 na página do facebook
    Evangelista Donizete Custódio Rodrigues.abraços.

  • Natália, querida tenho perda profunda bilateral, sofri muitos preconconceitos durante toda a minha tragetória até hoje. Mas quero te dizer algo do fundo do meu coração, usei essa adversidade como oportunidade para o meu crescimento pessoal. Enfrento tudo e todos de cabeça erguida e sempre enxergando a deficiência ao meu favor. Faço uso de dois aparelhos intra da Phonak doado pelo Projeto Reouvir da Unicamp.
    Me adaptei à fazer leituras labiais, libras fiz pouco, faço faculdade de Design Interiores, trabalho em uma empresa multinacional que a segunda melhor empresa para se trabalhar no mundo, fui contratada pela cota.
    Enfim em todos os lugares que chego para me sentir mais confortável e segura digo que tenho DA e digo qual a melhor maneira de se comunicar comigo, se quiser que eu os entenda.
    Natalia depois que tomei essa posição de que o DA precisa e merece ser respeitado, tudo na minha vida mudou.
    Fica com Deus e um grande beijo!

  • Natália, na vida passamos todos por superações; surdos ou ouvintes, implantados ou não, usuarios da Libras ou não. O importante é não desistir e assumir para os profesores a sua situação de surdez; a lei te da apoi em casos de provas, apresentação de trabalhos e etc.
    Sou esposa de um surdo e sou especialista em educação para surdos; o que mais faço é o AEEPS incluindo as avaliações e em situações de palestras fico como interprete. Mas se o surdo não quer ajuda, fica dificil eu fazer algo por ele.
    Então, independete da sua realidade, vá em frente, requeira seus direitos, e vença. Você tem o exemplo da Paula.

    • oi ELZENI RODRIGUES tava lendo seu comentário. muito bom, tenho uma filha surda, ela fala atraves dos sinais de libras. fala algumas palavras, mas vejo que ela as vezes nao se aceita como surda, e quando tento ajudar ela nao aceita muito bem, as vezes fico sem saber oq fazer.

  • Natália, não é fácil. Mas a gente dá a volta por cima!
    Passei por constrangimentos pavorosos por causa da minha perda auditiva.Olha, o ensino à distância é ótimo pra nós. Te digo uma coisa: aprende a rir de ti mesma! Eu falo pra todo mundo que tenho problema pra ouvir, e quando surgem as situações, eu sou a primeira a rir. E já aviso: não me atordoem, senão eu desligo o aparelho, aí fica pior!
    No início eu sofria muito, ficava com vergonha, me retraía. Agora até canto em público! Não deixa que a queda da audiometria seja um impedimento, olha pra ela como uma oportunidade de conseguires tesuperar. Mil beijos e não desiste!

  • Identifico-me muito com relato pois também passei por algumas dificuldades, mas nunca desisti. Tenho surdez bilateral profunda e sempre usei um so aparelho. Fiz universidade e também nunca tive apoio nenhum dos professores… a unica soluçao que encontrei foi apontar topicos que apanhava nas projecçoes e depois ir para a biblioteca estudar e pesquisar em livros, também tive colegas que me emprestavam os apontamentos.
    Sempre fui e continuo a ser uma pessoa que prefere estar sozinha do que estar a ser gozada, ignorada pelos outros. Mas temos que manter a cabeça erguida e ter confiança em nos mesmos para podermos ter o respeito dos outros. O mais dificil foi depois da universidade… encontrar um estagio e foi coisa que procurei durante um ano e nao consegui tudo devido ao problema auditivo. Foi ai que entrei em depressao. Entao vim para a suiça, para um pais onde nao conhecia a lingua e onde a adaptaçao foi um bocado dificil mas neste momento estou a lutar por fazer uma formaçao complementar por aqui. Por isso, so podemos pensar em ser optimistas e ter esperança que as coisas se vao resolver, lutar pelos nossos sonhos e pela nossa independência. Tudo o resto é meter para tras das costas. So temos que nos mentalizar que fazemos as coisas por nos, pela nossa felicidade e futuro. Obrigado pela partilha. 🙂

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