fui enganado quando comprei aparelho auditivo

Fui ENGANADO quando comprei aparelho auditivo

“Meu nome é Francisco P.M. Fui enganado quando comprei aparelho auditivo porque eu não sabia nada sobre o assunto e estava desesperado quando entrei numa loja de aparelhos de audição. E não foi um golpe óbvio, desses que você percebe na hora e sai revoltado, foi muito pior. Sabe aquela enganação envolvente, que vai se revelando aos poucos, enquanto você já está comprometido, já gastou dinheiro, já criou expectativa e tudo o mais?

Foi isso que aconteceu comigo. Eu entrei naquela loja acreditando que finalmente ia “resolver” meu problema de audição. Eu não estava buscando luxo, tecnologia de ponta ou nada disso, só queria voltar a entender as pessoas sem esforço, parar de fingir que tinha entendido, parar de me isolar em conversas, parar de me sentir cansado depois de qualquer interação social. E me venderam exatamente essa promessa: “com esse aparelho TOP DE LINHA, você volta a ouvir normalmente, os outros não servem para o seu caso”. Devia ter desconfiado quando o médico otorrino do meu plano insistiu muito para que eu fosse na loja “X” e lá dissesse que a indicação foi dele, mas eu era só um novato bobo que desconhecia o modus operandi da indústria de aparelhos auditivos.

Fiz um empréstimo que ficaria 5 anos pagando. No final do primeiro ano de uso, o aparelho estragou e a minha via crúcis começou. Me senti um completo idiota quando o vendedor tentou me vender um aparelho auditivo novo sendo que ainda faltava pagar quatro anos da dívida que fui induzido a fazer porque, segundo ele, só aquele aparelho de audição caríssimo iria resolver o meu problema.

Ninguém me explicou e nem eu procurei saber o que realmente significa “voltar a ouvir” e ninguém me disse que um aparelho auditivo caríssimo e mal regulado trocado por nada era a mesma coisa. Ninguém me disse que ouvir não é só uma questão de volume, que não é como colocar um óculos e enxergar melhor instantaneamente. Ninguém me preparou para o fato de que, quando você passa tempo sem ouvir direito, o seu cérebro também desaprende a processar os sons, a distinguir fala de ruído, a interpretar o que está sendo dito. Mapeamento de fala para saber se o aparelho auditivo estava bem regulado? Não fazia nem ideia que isso existia. E quando você põe um aparelho auditivo no ouvido sem saber de nada disso, o que você recebe é um monte de informação sonora que o seu cérebro não sabe mais organizar.

E aí começa o ciclo do desespero: você coloca o aparelho e estranha. Tudo parece alto demais, confuso demais, artificial demais. Sons que você nem lembrava que existiam começam a te incomodar. Sua voz parece esquisita e incomoda. A fala continua difícil de entender, principalmente em ambientes com mais gente. E aí vem a frustração, seguida de uma explicação pronta: “é questão de adaptação, você precisa insistir, você não está se esforçando”.

E você insiste, mas sem orientação real, sem entender o processo, sem saber o que é normal e o que não é, essa insistência vira desgaste. Você começa a usar menos, tira o aparelho em situações difíceis, evita lugares barulhentos, e aos poucos ele deixa de ser uma solução e passa a ser mais um lembrete de que alguma coisa não está funcionando.

E o mais perigoso de tudo: você começa a acreditar que o problema é você. Que talvez o seu caso seja “mais difícil”. Que talvez você tenha esperado demais, talvez aparelho auditivo não funcione tão bem assim mesmo. E é aqui que mora a pegadinha; porque o mercado inteiro se apoia nessa ideia silenciosa de que, se não deu certo, a culpa é do usuário e o jeito de resolver isso é comprando um aparelho auditivo mais caro ainda no ano que vem, ah, esse sim vai resolver todos os seus problemas por módicos R$40.000 (mas as pilhas são ‘grátis’ e os ajustes, ‘eternos’).

Só que isso não é verdade. Um aparelho auditivo não resolve nada sozinho, ele é uma ferramenta que precisa ser usada dentro de um processo. Existe o ajuste ideal, adaptação, existe reprogramação do cérebro, estratégia, acompanhamento, existe um caminho que precisa ser seguido para que o resultado aconteça de verdade. Sem isso, o aparelho vira apenas uma experiência frustrante e a gente sente vontade de jogar no chão e pisar em cima.

Porque quando você entende isso, pára de procurar “o melhor aparelho do mundo” e começa a procurar o melhor processo e o melhor Fonoaudiólogo para te conduzir por esse processo com cuidado e segurança. Você para de trocar de tecnologia achando que o próximo modelo vai resolver, e começa a alinhar as expectativas com a sua audição atual e a realidade. Você sai da posição passiva de quem espera um milagre e passa para uma posição ativa, onde você entende o que precisa ser feito e por quê.

A maioria das pessoas desiste por falta de orientação e informação. Porque é quase impossível encontrar um vendedor de aparelho auditivo que ensine isso de forma clara, simples e aplicável no dia a dia. Sem esse direcionamento, a pessoa continua presa naquele ciclo de tentativa, frustração e desistência, achando que já tentou de tudo, quando na verdade nunca teve acesso ao processo certo. Foi assim comigo.

A melhor coisa que me aconteceu foi assistir a série de aulas “Como não errar na compra do seu Aparelho Auditivo“, a única coisa que lamento foi não ter descoberto essa preciosidade ANTES de me endividar para comprar o meu primeiro aparelho de audição. Quando acabei de assistir tudo, ainda entrei para o CLUBE dos Surdos Que Ouvem e comecei a conversar o dia inteiro com pessoas que já usavam aparelhos auditivos há muitos anos, de todas as marcas e modelos, e elas me deram dicas maravilhosas e me ensinaram um monte de coisas que me ajudaram demais no processo de adaptação.”

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Inscreva-se