Surdos Que Ouvem

Longe da Árvore: surdos que ouvem com Andrew Solomon

*Post escrito pela Psicóloga Alice Mathiason Lewi

Essa semana tive a honra de representar a Paula Pfeifer num evento sobre diversidade e inclusão, no Itaú Cultural em São Paulo. O famoso psicólogo e escritor americano Andrew Solomon foi entrevistado a respeito do recém lançado documentário “Longe da Arvore”,  baseado no seu livro homônimo.

Foi uma grande emoção estar num auditório lotado de pessoas interessadas e mobilizadas em torno desta causa. Andrew falou da sua história e do sofrimento de não se sentir aceito pela própria família na sua identidade homossexual. A vivência de solidão o levou a se interessar pelas vivências de filhos que tem características diversas das esperadas pelos pais e pela sociedade.

Ele entrevistou pessoas pertencentes a grupos considerados “diferentes” incluindo surdos e pessoas com Síndrome de Down, nanismo, autismo. Abordou questões relevantes a todas as diversidades que nos fazem pensar e refletir:

O que é normal? O que podemos mudar e o que devemos celebrar? Como lidar com o luto entre aquilo que foi idealizado e o real?

Meus sentimentos de estar na plateia foram ambivalentes. Me senti agradecida de fazer parte de um grupo de pessoas que estava lá com o  propósito de tornar o mundo mais empático para lidar com as diferenças, com abertura para aceitar e amar o que lhe é estranho.

No entanto, me chamou a atenção que mesmo num evento especialmente voltado para a inclusão, as alternativas de acessibilidade não incluíam legendas.  Aproveitei a oportunidade de sair do armário e falar em alto em bom tom sobre a diversidade da surdez e explicar que existem surdos que ouvem e que também precisam de acessibilidade. Esse evento me ajudou a sonhar com um futuro melhor, em que as diferenças possam ser aceitas e que exista acessibilidade para todos. Espero que possamos continuar juntos a fazer a diferença!

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

4 Comentários

  • Muito grata Paula por tudo que tens feito por minha filha e por tantos surdos que ouvem. Que trajetória linda! É fantástico ! Você está conseguindo atingir de forma profunda e acordando não só os sudos que ouvem assim como os ouvintes. Foi indescritível descobrir que minha filha é uma surda que ouve. O que hoje nos parece tão óbvio, durante oito anos parecia que andávamos em uma corda bamba com a surdez da minha filha. Hoje nos sentimos seguros na caminhada e nos desafios da surdez. GRATIDÃO!!! #surdosqueouve

  • Também estive lá, amada e dei falta das legendas no primeiro minuto. Muito já se conquistou, mas ainda há muita batalha pela frente. Acompanho o face e me solidarizo com a luta. Sou ativista na área da pessoa com deficiência e também saí maravilhada com o bate-papo. Ainda quero que venham a Ribeirão Preto falar sobre a diversidade dentro ad surdez. Tamo junta!

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