Crônicas da Surdez Viajante Biônica

Meu primeiro Carnaval na Sapucaí

Primeira vez que passei o Carnaval na Sapucaí. Ganhamos convites para o Camarote da Revista QUEM e fomos conferir como era o bafão. Pra mim a grande emoção logicamente era a de escutar tudo o que acontecia ao meu redor – e pensar que até 2013 bateria de escola de samba era um barulhinho lá longe que eu ouvia, meldels. Minhas últimas lembranças sonoras carnavalescas são alguns bordões do carnaval da Globo: “Lá vou eu, lá vou eu, hoje a festa é na avenida, no carnaval da Globo, feliz eu to de bem com a vida lá vou eu“. Graças ao implante coclear e sua brilhante programação, existe um limite de decibéis e ruído pra mim, ou seja, a experiência foi confortável e tranquila, auditivamente falando. Não cheguei nem perto de ficar tonta ou zonza com o barulho, hahaha! E acabei descobrindo que nem mesmo os ouvintes entendem as letras dos sambas lá no olho do furacão.

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É incrível continuar tendo surpresas auditivas com o implante coclear após 1 ano e 4 meses de ativação. Me sinto cada vez melhor com ele. Consigo ouvir até mesmo o barulho do fósforo pegando fogo após riscá-lo na caixinha e isso me deixa de boca aberta, afinal, em 2013 uma bateria de escola de samba era um barulho baixinho para mim. Que evolução!!! Próxima meta é ir num show, numa palestra e no teatro – tenho tanto trauma antigo de nunca poder aproveitar esse tipo de evento que até hoje ainda não fui.

18 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

1 Comentário

  • Sei que a minha surdez nao é igual a maioria que escreve aqui, neste blog., pois comecei a notar depois que meus filhos começaram a reclamar muito
    Como morei e trabalhei nos Estados Unidos achava que era por causa da lingua que nao entendia tudo, mas ao voltar para o Brasil vi que nao; era a surdez se instalando
    Tenho 71 anos e uso um aparelho da Widex desde 2008 e agora estou vendo que preciso trocá-lo
    Minha dificuldade sempre acontece em lugares barulhentos pois nao escuto direito e tambem se for a igreja tenho dificuldade em entender os sermoes,mas se a igreja tiver ar condicionado ai ,sim escuto bem melhor pois a acustica é melhor as portas estão fechadas
    Mas sei que tenho que me cuidar e mesmo sem ninguem em casa tenho que usar aparelho
    Entao se vc le este blog e tb nao é mocinha e pensa que nao vale a pena usar aparelhos nao faça isto, pois cada vez vai ser pior,se cuida e aproveite a vida escutando melhor
    Sonia

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