como a surdez afeta o cérebro
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Como a PERDA AUDITIVA afeta o CÉREBRO

A perda auditiva impede que os sons cheguem claramente ao cérebro, forçando-o a trabalhar mais para compreender o som o tempo todo. Esse estresse pode levar a um envelhecimento mais rápido do cérebro e limitar as habilidades de pensamento e memória de uma pessoa, ou seja, suas habilidades cognitivas são afetadas.. A perda auditiva também pode limitar nossa capacidade de nos comunicar e de interagir de maneira ideal com os outros, o que contribui para o isolamento social e o risco de demência e depressão. As pessoas não sabem como a perda auditiva afeta o cérebro, e talvez por isso façam pouco caso quando descobrem que têm algum grau de surdez. A audição desempenha um papel crucial em manter seu cérebro estimulado, vivo e ativo! Portanto, se você quer ter um cérebro saudável ao longo da vida, precisa cuidar dele da mesma forma como cuida de outras partes do seu corpo, e isso é um assunto que você deveria levar muito a sério.

A perda auditiva prejudica o cérebro ao reduzir a estimulação sensorial, causando atrofia (encolhimento) de áreas cerebrais relacionadas à linguagem e audição. O esforço extra para entender sons gera fadiga mental, enquanto o isolamento social decorrente da surdez acelera o declínio cognitivo e aumenta o risco de demência/Alzheimer.
Principais Impactos da Perda Auditiva no Cérebro:
  • Atrofia Cerebral (Encolhimento): Com menos estímulos sonoros, áreas do cérebro responsáveis pela audição e linguagem tornam-se “dormentes” e menos ativas, podendo diminuir de tamanho.
  • Sobrecarga Cognitiva (Fadiga Mental): O cérebro precisa trabalhar muito mais para interpretar sons distorcidos ou fracos, consumindo energia que deveria ser usada para memória e atenção.
  • Aceleração de Demência e Alzheimer: A privação sensorial crônica é um fator de risco para o declínio cognitivo. Estudos indicam que, quanto maior a perda auditiva, maior o risco de demência.
  • Isolamento Social e Depressão: A dificuldade de se comunicar leva ao afastamento de familiares e amigos, causando solidão, depressão e ansiedade, fatores que prejudicam ainda mais a saúde do cérebro

Dê uma olhada no ACHIEVE STUDY para compreender porque a prevenção e o tratamento das perdas auditivas são preocupações de todos os países do mundo hoje. A população envelhece cada vez mais e, dessa forma, milhões de pessoas todos os anos irão experimentar algum grau de surdez. Não tratar a surdez traz uma série de consequências negativas em todos os aspectos da vida, e as pessoas que já convivem com a deficiência auditiva conhecem muito bem todos eles. Não deixe de ler o estudo publicado na Revista THE LANCET em setembro de 2023. e o Relatório Mundial da Audição da Organização Mundial de Saúde.

 

revista lancet surdez 2023

Surdez, cérebro e demência em 2023

Demência é um termo geral usado para descrever um conjunto de sintomas que afetam a função cognitiva de uma pessoa, incluindo memória, raciocínio, habilidades de comunicação e a capacidade de realizar atividades diárias. A demência não é uma doença específica, mas sim um termo abrangente que abarca várias condições médicas que causam declínio cognitivo significativo o suficiente para interferir nas atividades diárias e na qualidade de vida.

De acordo com esse estudo, a demência é uma crescente crise de saúde pública em função do envelhecimento da população mundial. A perda auditiva está fortemente ligada a um aumento do risco de desenvolver demência. Tratar a perda auditiva em adultos mais velhos com risco aumentado de declínio cognitivo retarda a perda de habilidades de pensamento e memória. A perda auditiva é tratável, mas existem barreiras significativas para o acesso ao tratamento. O Dr. Luciano Moreira, médico otorrinolaringologista especialista em surdez e cirurgias da audição, já explicou sobre a surdez em idosos e o risco de demência.

 47 milhões de pessoas em 2015 estavam vivendo com demência em 2015 no mundo, e esse número deve triplicar até 2050 devido ao envelhecimento da população. Nos EUA, isso significa que 1 a cada 30 americanos estará vivendo com demência em 2050. Atualmente, não existem terapias comprovadas que possam curar, prevenir ou reduzir o risco de demência, mas a pesquisa sobre o papel das intervenções auditivas na demência é promissora. (1)

Um grupo internacional de cientistas convocado pela Comissão Lancet para examinar a demência concluiu que a perda auditiva responde pelo maior número de casos potencialmente evitáveis de demência. Um estudo descobriu que pessoas com perda auditiva leve, moderada e grave tinham, respectivamente, 2x, 3x e 5x mais risco de serem diagnosticadas com demência ao longo do tempo em comparação com pessoas sem perda auditiva (2). Os pesquisadores acreditam que a perda auditiva aumenta o risco de desenvolver demência devido aos seus efeitos no cérebro e na comunicação (3).

O estudo Aging & Cognitive Health Evaluation in Elders, ou ACHIEVE, investiga se o tratamento da perda auditiva com tecnologias como aparelhos auditivos pode reduzir o risco de desenvolvimento de demência. Este estudo definitivo é patrocinado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento e será concluído em 2023 (4). O tratamento da perda auditiva em adultos mais velhos com risco aumentado de declínio cognitivo retarda a perda de habilidades de pensamento e memória. O estudo ACHIEVE, um ensaio clínico randomizado multicêntrico que envolveu 977 adultos mais velhos com idades entre 70 e 84 anos com perda auditiva não tratada, descobriu que em adultos mais velhos com risco aumentado de declínio cognitivo, o tratamento da perda auditiva com aparelhos auditivos retardou a perda de habilidades de pensamento e memória em 48% ao longo de 3 anos (4).

A perda auditiva pode ser um alvo particularmente importante nos esforços globais para reduzir a taxa de demência, pois a perda auditiva é muito comum em adultos mais velhos, mas frequentemente não é tratada. O tratamento da perda auditiva com aparelhos auditivos não apresenta riscos à saúde e agora foi comprovado no estudo ACHIEVE como uma intervenção que retarda a perda de habilidades de pensamento e memória em até 3 anos para adultos mais velhos com risco aumentado de declínio cognitivo.

A perda auditiva é tratável, mas existem barreiras significativas para o acesso ao tratamento. As descobertas do estudo ACHIEVE sugerem que o tratamento da perda auditiva pode ser uma intervenção de baixo risco para retardar o declínio cognitivo em adultos mais velhos com risco aumentado de declínio cognitivo (4). As Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina publicaram recomendações de consenso sobre como abordar essas barreiras nos EUA (5). Uma recomendação para criar uma categoria de aparelhos auditivos de venda livre para estimular a inovação e aumentar a acessibilidade foi aprovada em lei em 2017. No final de 2022, a FDA dos EUA emitiu regulamentações que permitem a venda de aparelhos auditivos de venda livre, e essa política aumentará a acessibilidade e acessibilidade de aparelhos auditivos nos EUA.

10 motivos para tratar a surdez além de estimular o seu cérebro

Aqui estão 10 bons motivos para buscar reabilitação auditiva e usar seus aparelhos auditivos quando você precisa deles:

  1. Melhora na qualidade de vida: O uso de aparelhos auditivos pode melhorar significativamente a sua qualidade de vida, permitindo que você ouça melhor e participe de conversas e atividades sociais sem medo;
  2. Melhora nas relações interpessoais: tratar a surdez facilita a comunicação com amigos, familiares e colegas de trabalho, fortalecendo os seus relacionamentos;
  3. Segurança pessoal: A audição é essencial para perceber sons de alerta, como buzinas de carros, alarmes e sirenes;
  4. Maior confiança: A melhoria na capacidade de comunicação e interação social vai aumentar sua autoestima e sua confiança;
  5. Melhoria no desempenho no trabalho: Ouvir melhor vai te permitir acompanhar instruções, reuniões e interações com colegas com mais segurança;
  6. Participação em atividades sociais: O uso de aparelhos auditivos te ajuda a aproveitar eventos sociais, reuniões familiares e saídas com amigos sem ficar se sentindo excluído;
  7. Preservação das funções cognitivas: Estudos mostram que o tratamento da perda auditiva pode ajudar a manter funções cognitivas, como memória e atenção, à medida que se envelhece;
  8. Menos estresse e fadiga: A dificuldade para ouvir é muito estressante;
  9. Maior independência: Com ajuda para ouvir melhor,  você fica mais independentes nas suas atividades diárias, como fazer compras, ir ao médico e viajar;
  10. Prevenção do isolamento social: A perda auditiva não tratada muitas vezes leva ao isolamento social, enquanto o uso de aparelhos auditivos permite que as pessoas continuem a se envolver com o mundo ao seu redor.

A saúde auditiva é saúde CEREBRAL

Manter o seu cérebro saudável ao longo da vida requer estimulação regular, atividades físicas e mentais, relacionamentos sociais em dia e cuidados com a saúde auditiva (ou seja, se precisa de aparelhos auditivos, use-os!). Essas práticas ajudam a garantir que o seu cérebro permaneça afiado e ativo ao longo dos anos. A necessidade de estimulação cerebral constante não muda nunca, ou seja, não importa se você é um bebê, uma criança, um jovem, um adulto ou um idoso, deve manter seu cérebro constantemente estimulado para que ele não perca suas capacidades e habilidades.

Aqui estão algumas maneiras de manter o seu cérebro sempre estimulado:

  1. Faça exercícios físicos todos os dias: isso estimula o fluxo sanguíneo para o cérebro, promovendo o crescimento de novas conexões neurais
  2. Faça quebra-cabeças e palavras cruzadas
  3. Jogue jogos que exijam muito raciocínio e estratégia (dica: xadrez)
  4. Escute música e leia livros: coloque ambas as atividades na sua rotina
  5. Socialize todos os dias: permanecer socialmente ativo ajuda a preservar a função cognitiva à medida que envelhecemos
  6. Se você tem perda auditiva, procure um especialista e TRATE a sua surdez

Referências:

  1. Livingston G, Huntley J, Sommerlad A, Ames D, et al. Dementia prevention, intervention, and care: 2020 report of the Lancet Commission. Lancet. 2020 Aug 8;396(10248):413-446. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30367-6. Epub 2020 Jul 30. PMID: 32738937; PMCID: PMC7392084
  2. Lin FR, Metter EJ, O’Brien RJ, Resnick SM, Zonderman AB, Ferrucci L. Hearing loss and incident dementia. Arch Neurol. 2011 Feb;68(2):214-20. doi: 10.1001/archneurol.2010.362. PMID: 21320988; PMCID: PMC3277836
  3. Lin FR, Albert M. Hearing loss and dementia – who is listening? Aging Ment Health. 2014;18(6):671-3. doi: 10.1080/13607863.2014.915924. PMID: 24875093; PMCID: PMC4075051
  4. Lin FR, Pike JR, Albert MS, et al. Hearing intervention versus health education control to reduce cognitive decline in older adults with hearing loss in the USA (ACHIEVE): a multicentre, randomised controlled trial. Lancet 2023; published online July 18. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(23)01406-X
  5. National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine. 2016. Hearing Health Care for Adults: Priorities for Improving Access and Affordability. Washington, DC: The National Academies Press. https://doi.org/10.17226/23446
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      3. Aprender a conseguir aparelho de audição gratuito pelo SUS
      4. Não cair em golpes (a internet está abarrotada de golpistas do zumbido, de aparelhos de surdez falsos e profissionais de saúde que não são especializados em perda auditiva!)
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