Ícone do site Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

Ansiedade e surdez: fatores protetores e de risco

ansiedade surdez

Ansidade e surdez costumam andar de mãos dadas em muitos momentos. Portanto, achei boa ideia convidar uma psicóloga surda que ouve para esclarecer sobre o tema.

O que é a ansiedade 

A ansiedade é uma emoção universal e normal, sendo parte necessária da resposta do nosso organismo ao estresse. É considerada patológica apenas quando é inadequada ou desproporcional ao estimulo, seja pela intensidade ou pela duração de seus sintomas.

É importante avaliar o impacto que causa na vida da pessoa, na medida em que pode prejudicar o desempenho das suas atividades e relacionamentos. O profissional habilitado para avaliar se a ansiedade é patológica é o médico psiquiatra. O tratamento costuma associar medicação e psicoterapia

As causas da ansiedade estão relacionadas à de fatores biológicos (genéticos e somáticos) assim como de fatores psicológicos, sociais e ambientais. Ela pode estar associada a outras patologias médicas e psíquicas.

Existem vários tipos de transtornos ansiosos como: ansiedade generalizada, fobias, pânico, fobia social, compulsões, etc. Muitas vezes o individuo desenvolve comportamentos antecipatórios de evitação em relação à situação que desencadeia a ansiedade

O impacto da surdez

A surdez interfere na maneira como apreendemos e nos relacionamos com o mundo a nossa volta.

Além da dificuldade de escutar relacionada ao grau e características específicas de cada perda auditiva, ela pode estar associada a sintomas físicos que causam mal estar como tonturas, enjoos, zumbidos e intolerância a sons altos, que podem contribuir para o quadro de ansiedade. 

A surdez também afeta o nosso estado emocional podendo ou não estar associada à ansiedade. Ela influencia a nossa autoestima e impacto nos nossos relacionamentos afetivos, familiares e profissionais.

Neste sentido, mais relevante do que a surdez em si é a maneira como lidamos com ela, sendo muito importante sair do lugar de vitima e nos responsabilizarmos pelo enfrentamento das adversidades, inclusive no sentido de buscar ajuda profissional quando necessário.      

Fatores protetores e de risco

Pessoas com histórico de abandono, separação e isolamento ou de superproteção na infância tem mais risco de desenvolver quadros ansiosos, uma vez que internalizam uma noção do mundo como sendo perigoso ameaçador e uma auto imagem de fragilidade e impotência.

No sentido contrário, quando acreditamos que o mundo pode ser um lugar acolhedor e seguro e nos sentimos fortes o suficiente para enfrentar os desafios inerentes à vida, lidamos melhor com as dificuldades impostas pela surdez.

Qualquer fator que nos ajude a nos sentirmos fortalecidos em relação aos obstáculos associados à surdez é considerado protetor em relação ao desenvolvimento de quadros patológicos, incluindo os transtornos de ansiedade.

A adesão ao tratamento indicado por um otorrino para cada tipo de surdez, incluindo a reabilitação auditiva através do uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares é fundamental para a prevenção do desenvolvimento de quadros ansiedade patológica.

Fazer parte de um grupo de pertença como o nosso, onde podemos esclarecer as nossas dúvidas e expressar os nossos sentimentos também é um importante fator de proteção. É de grande valia a busca caminhos significativos que nos ajudem a encontrar um sentido para os nossos desafios e motivação para encontrar saídas criativas e possíveis.

** Meu nome é Alice Mathiason Lewi. Sou psicóloga em São Paulo, surda que ouve, usuária de aparelhos auditivos. Atendendo a um pedido da Paula, escrevi os esclarecimentos acima sobre esse tema que esta relacionado à vida de muitos membros do nosso grupo Cronicas da Surdez.

* Post escrito pela psicóloga Alice Mathiason Lewi

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