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Dicas de coisas legais para dizer para uma pessoa surda

Muita gente fala sobre as coisas que não se deve dizer a uma pessoa surda, por isso, decidi escrever sobre coisas legais para dizer para uma pessoa surda. Já temos negatividade, stress, drama e complicações demais na vida por causa da deficiência auditiva, e é muito legal quando um ouvinte nos diz coisas fora do óbvio sobre isso. Por isso, aqui vão algumas dicas de coisas bacanas para se dizer para alguém que não ouve ou ouve mal… 🙂

Qualquer coisa que ela pedir para repetir

Aprenda de uma vez por todas que não há nada mais grosseiro do que, quando uma pessoa surda lhe pedir para repetir algo que ela não ouviu ou não entendeu, você responder com algo tipo “deixa pra lá”, “não era nada“. Pior que isso só se fizer cara feia dizendo que ela não ouviu porque ‘não quis’, ou ‘não estava prestando atenção’. O mundo já está lotado de pessoas grosseiras, não seja uma delas. É muito simples: apenas repita, sem perguntas, sem cara feia e sem gracinhas desnecessárias.

Seus aparelhos são lindos

Minha tolerância hoje é zero com pessoas que abrem a boca para me dizer ‘nossa, como são grandes’, ‘nossa, achei que fossem mais discretos’, ‘nossa, não sei se teria coragem de usar’. Antes de abrir a boca para soltar frases que pessoas surdas passaram a vida inteira ouvindo, PENSE. Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Ao ouvir essas coisas, nossa vontade é de responder à altura: ‘nossa, não sou obrigada a ouvir uma asneira dessas!‘. Gentileza gera gentileza. Se for para fazer comentários sobre o aparelho auditivo ou implante coclear de alguém, só faça se for algo positivo. Guarde sua negatividade para você – bem como a sua cusioridade cheia de julgamento. Curiosidade, só se for genuína, combinado?

Qualquer coisa é só me falar

É tão bom quando alguém oferece ajuda. Quando alguém se mostra aberto a melhorar a comunicação conosco. Às vezes você está num jantar e tudo o que queria é que aquela pessoa com a qual a conversa está boa sentasse ao seu lado ou fosse conversar com você num local menos barulhento. Já tive o prazer de estar na presença de pessoas atenciosas o suficiente para me dizer ‘qualquer coisa é só me falar‘, me deixando à vontade para pedir alguma ajuda nesse sentido. Seja uma dessas pessoas, por favor! Faz uma diferença enorme…

Por sua causa, aprendi a ler lábios

Alguns amigos já me disseram isso. Meus enteados já me disseram isso, e quase morri do coração. É bacana demais quando as pessoas que ouvem falam em alto e bom som que aprenderam algo conosco ou que se tornaram pessoas melhores por causa da convivência com a gente.

Gosto que você me olha quando fala comigo

Taí outra coisa bacana de se dizer para quem não ouve! Todas as vezes que me dizem isso, me sinto a pessoa mais atenciosa do planeta e me sinto bem. Ainda mais hoje, em que todo mundo vive colado no celular ou pede para que os outros falem enquanto fazem outra coisa. Conversar com quem não ouve ou ouve mal é ter a certeza de que você terá atenção total. Elogie!

Adoro a sua voz

Sim, nós sabemos que nossa voz é diferente – às vezes pouco, às vezes muito. Sim, nós somos confundidos o tempo todo com estrangeiros por causa do nosso sotaque. Sim, é MUITO legal quando alguém faz um comentário positivo sobre a nossa voz. Pode saber que ganharemos o dia com essa!

Uau, você ouviu isso!

Não diga isso como uma pergunta, mas como uma exclamação. A gente tem trauma eterno por não ouvir como as outras pessoas, e para nós qualquer sonzinho captado é uma grande conquista! Me sinto tri feliz quando alguém se mostra surpreso porque ouvi algum som bem baixinho com os meus implantes. Ontem mesmo, andando no shopping como meu marido e testando um acessório sem fio, fiquei toda boba quando ele me disse que um ouvinte nunca seria capaz de ouvir o que ele estava me falando no tom que ele estava usando. Não custa dar um up na nossa autoestima, vai!

 

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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