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Crônicas da Surdez / Deficiência Auditiva / Relacionamentos / Surdos Que Ouvem

NAMORAR uma pessoa com DEFICIÊNCIA AUDITIVA: 13 dicas

namorar uma pessoa com deficiência auditiva

Que tal umas dicas para namorar alguém com deficiência auditiva? Nestes doze anos escrevendo o Crônicas da Surdez acabei descobrindo que uma das Top 3 coisas que mais tiram o sono das pessoas com deficiência auditiva é a questão amorosa.

Vamos levar em conta que as pessoas que lêem este site são surdos que ouvem e a grande maioria se relaciona com ouvintes. Você tem que se sentir seguro(a) e confiante para namorar com quem quiser! Conheço muitos casais surdos e conheço muitos casais em que um ouve e o outro não, e cada um encontra sua dinâmica própria de convivência. O importante é não se isolar por causa da surdez – evitando relacionamentos amorosos – e aprender a comunicar as suas necessidades da melhor forma possível.

Mas acho que algumas dicas básicas são essenciais se você namora uma pessoa com deficiência auditiva!

Antes de começar…

Saiba que temos um Curso Online sensacional chamado “A Surdez e os Relacionamentos Amorosos“. São 10 aulas com Paula Pfeifer por um preço simbólico. Clique aqui e torne-se aluno! Esse curso é FANTÁSTICO.

Aprenda tudo o que puder sobre deficiência auditiva

Se você começou a namorar com uma pessoa surda, aprenda todos os termos: DA, AASI, IC, etc. O assunto agora é da sua conta sim, afinal, você agora convive com uma pessoa que não ouve ou não ouve muito bem.

Leia livros, acompanhe sites, faça parte de comunidades online (como o nosso maravilhoso Grupo Surdos Que Ouvem, que é aberto aos cônjuges).

É muito bacana compartilhar experiências com pessoas que estão vivendo as mesmas situações que você. Aprenda, principalmente, tudo o que NÃO deve fazer e falar a respeito dessa questão.

Você sabe o que é capacitismo?

Nós vivemos no piloto automático do preconceito. A gente reproduz sem questionar. As pessoas têm medo de falar sobre deficiências, de olhar para PCDs, de interagir e de se relacionar com PCDs. Na cabeça de muita gente, pessoas com deficiência não namoram e nem têm vida sexual. Pode isso, produção?

Capacitismo é todo tipo de preconceito e discriminação direcionados às pessoas com deficiência. Ele pode ser velado ou escancarado e costuma ser fruto do desconhecimento.

Alguns comentários capacitistas clássicos: “Tão bonita ou tão inteligente…pena que é surda”, “Você não parece surda”, “ai que voz de surdo, voz estranha”, “Como assim surdo que ouve? Surdo não ouve!”, “Ela não é surda, é só deficiente auditiva”.

É capacitismo também quando você incentiva o seu namorado(a) a sentir vergonha da deficiência dele(a), quando você sugere que ele(a) esconda o aparelho, não conte para ninguém ou quando o trata como criança em função da deficiência.

Não chame a pessoa com quem você se relaciona de deficiente. Ele(ela) tem nome! E leia sobre Capacitismo X Surdez.

Articule bem os lábios enquanto estiver falando

Quando temos deficiência auditiva, uma das coisas que mais nos acalma é falar com pessoas que articulam bem os lábios, já que nossos olhos trabalham junto com nossos ouvidos, aparelhos auditivos e cérebro para desvendar a fala humana.

As pessoas costumam falar rápido e articular mal as palavras. Convivendo com um surdo no dia-a-dia você verá que, além de necessária, uma boa articulação fará com que até você mesmo espere isso das outras pessoas com quem conversa.

Articular bem os lábios demonstra respeito e cuidado. Pratique! Ah, e não grite, por favor.

A melhor forma de chamar seu namorado(a)

Ele(ela) usa aparelhos ou implante? Escuta bem com eles? Prefere ser chamado em voz alta ou prefere que você entre no seu campo de visão e cutuque-o(a) para chamar sua atenção antes de iniciar um diálogo? É preciso saber disso.

Quando usava aparelhos sempre preferi ser cutucada antes que começassem a falar comigo – ninguém gosta de pagar mico e ver alguém berrando seu nome pela quinta vez enquanto você nem tchuns.

Porém, depois de voltar a ouvir com um implante coclear prefiro ser chamada pelo nome do que cutucada. O segredo é: pergunte ao seu(sua) namorado(a) o que ele prefere e siga a instrução recebida. Não tente adivinhar ou decidir pela pessoa.

Use modos alternativos de comunicação

Antes de voltar a ouvir meu maior trauma sempre foi o telefone. Tinha calafrios ao ouvir um telefone tocar e morria de medo que a ligação fosse para mim.

Quando era adolescente e meus namoradinhos ligavam para a minha casa, eu mandava dizer que não estava. Quando estava na faculdade ainda não havia SMS então quando um namorado ligava eu pedia para uma colega atender ou então ignorava a chamada.

Hoje em dia, graças a Deus, existem modos alternativos de comunicação: SMS, WhatsApp, FaceTime, Telegram, Messenger e uma infinidade de aplicativos. Faça uso deles.

Para a maioria absoluta das pessoas que não ouvem ou ouvem mal, ligação telefônica é sinônimo de tortura. Evite mandar áudios – substitua-os pelo ditado do seu celular sempre que for possível. E quase sempre é, porque o trabalho é o mesmo.

Comece a aprender leitura labial

Seu(sua) namorado(a) provavelmente será expert em leitura labial, e seria muito legal se você se propusesse a aprender. Não existe curso ou aula para isso, é questão de observação.

Fique de olho nas bocas das pessoas enquanto elas falam para que seu cérebro possa gravar o significado sonoro da articulação dos lábios em cada palavra.

Assim, vocês podem até se comunicar sem som em locais barulhentos, apenas lendo os lábios um do outro.

Eduque seus amigos e sua família

Um terror de quem não escuta é conhecer a família e os amigos do(a) namorado(a), e com razão, afinal, são novas pessoas e novas bocas para desvendar. Explique para os seus esses pontos básicos acima, eduque-os e peça que respeitem esses detalhes.

Como vamos gostar de uma sogra que fala enquanto estamos de costas para ela ou como vamos acompanhar a conversa de um grupo de amigos se todos falam ao mesmo tempo? Impossível.

Eles não são obrigados a saber essas coisas se nunca conviveram com um surdo, mas se a partir de agora irão conviver, é questão de bom senso e educação saber como lidar conosco.

Saiba quais programas não são legais

Não convide seu(sua) namorado(a) para ir assistir a um filme sem legendas. Saiba antes de propor uma balada – costumamos detestar ambientes escuros e barulhentos.

Escolha restaurantes e lugares que não sejam escuros/barulhentos demais, afinal, mesmo que vocês estejam a sós a pessoa vai precisar enxergar o seu rosto para conseguir se comunicar numa boa com você. Deixa-o escolher o melhor lugar para se sentar e aproveitar melhor as conversas.

Saiba se ele(ela) gosta de programas com várias pessoas. Enfim, investigue o que seu cônjuge prefere. Uma boa comunicação é a regra de ouro para qualquer casal, com ou sem deficiência envolvida.

Descubra nuances e crie intimidade

Eu tinha pavor que algum namorado passasse a mão perto dos meus aparelhos auditivos por causa da microfonia. Quando era mais nova também detestava que ficassem olhando fixamente para meus aparelhos, que respondessem por mim quando alguém me perguntava alguma coisa ou que falassem sobre a minha deficiência auditiva antes que eu mesma fizesse isso.

Existem certos detalhes e nuances que você irá precisar descobrir para não pisar na bola sem querer ou magoar a pessoa que você gosta. Mais uma vez: comunicação. A surdez não pode ser um tabu entre vocês!

Leia sobre Sexo, Surdez e Aparelho Auditivo.

Busque acessibilidade – e lute por ela!

Ative as legendas das TV’s da sua casa, cobre isso das pessoas com quem vocês convivem, procure programas culturais acessíveis, descubra cinemas que legendem toda a programação. Nós agradecemos imensamente!

Em tempos de vida digital, entre na luta por acessibilidade, pedindo que seus criadores de conteúdo preferidos adicionem legendas aos vídeos. Isso aumenta a quantidade de coisas que vocês podem assistir juntos.

Incentive a autonomia

Que tal dar de presente de aniversário um despertador vibratório de pulso? Ou um telefone com amplificador? Ou um acessório legal para o aparelho auditivo/implante coclear?

Acho muito bacana quando um namorado(a) incentiva a pessoa com deficiência auditiva a ser o mais independente e autônoma possível. Isso faz bem para os dois.

Incentive a reabilitação auditiva

A tecnologia faz maravilhas por nós mas, infelizmente, não faz milagres. O fato de uma pessoa surda usar um aparelho auditivo ou um implante coclear não faz com que ele tenha a audição perfeita e muito menos com que ouça e entenda todos os sons que você ouve e entende. Tenha isso em mente.

Uma das coisas mais frustrantes para nós é termos que ouvir de pessoas que amamos frases horríveis como: “Mas você não está de aparelho?”, “Você não ouviu isso?”, “Como assim você não entendeu o que eu disse se você está de aparelho?“. Ninguém merece!

Quando namoramos com alguém que ouve temos também que entender o lado do ouvinte e como podemos retribuir a atenção e o respeito que recebemos.

Todos os dias recebo emails de ouvintes que namoram com surdos reclamando que eles não querem usar aparelho. Já escrevi aqui e reitero minha opinião: se temos AASI’s ou IC’s que, quando usados, melhoram nossa audição e atenção, acho um tremendo egoísmo não usá-los. Afinal, relacionamento e comunicação são vias de mão dupla!

Passar toda a responsabilidade auditiva (leia-se chatices como interfone, campainha, alarmes, batidas na porta, sons estranhos, telefone, etc) para o ouvinte quando você pode ajudar com isso é sim, puro egoísmo.

Se você namora alguém com Deficiência Auditiva, informe-se sobre reabilitação auditiva e incentive a pessoa a buscá-la. Em alguns casos, ela muda vidas!

Posicione-se

Se seu namorado(a) está no armário da surdez, saiba que você não tem obrigação de compactuar com isso. Nem todo ouvinte quer ser cúmplice de mentiras, fingimentos e enganações. Ao se posicionar, você ajuda o seu cônjuge com deficiência auditiva a evoluir como ser humano e compreender que o armário da surdez é o pior tipo de zona de conforto que existe.

Que tal ser o empurrão que faltava para que a pessoa que você ama vença a vergonha da surdez e saia do armário.

 

NOSSAS REDES SOCIAIS

LIVROS CRÔNICAS DA SURDEZ

Neste link você encontra os seguintes livros:

  1. Crônicas da Surdez: Aparelhos Auditivos
  2. Crônicas da Surdez: Implante Coclear
  3. Saia do Armário da Surdez

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About Author

Moro no Rio de Janeiro e tenho 39 anos. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Sou autora dos Crônicas da Surdez e Novas Crônicas da Surdez.

19 Comments

  • Alessandro
    02/06/2017 at 4:37 pm

    Uau…. Muito bom! Fato de tudo que falou! Minha deficiência é hereditária…
    Sou deficiente neurosensorial bilateral profundo, usava aparelhos mas, infelizmente não consegui acostumar e agora, fiz ic no dia 19/05/17, e estou esperando ativação! Não sei como será… Mas espero q de tudo certo…
    Leitura labial, aprendi qdo mais novo, hj tenho 37 anos, percebi q não estava mais captando as palavras e apelei pela Leitura labial…. E me dei bem… Algumas pessoas compreendiam e outras ficavam sem reação, achavam q eu era retardado…. Kkkk.. Mas faz parte…. Bjao Paula

    Reply
    • Magda
      27/12/2019 at 11:37 pm

      Legal eu tbm .só uso leitura labial .e me dei bem .

      Reply
      • Pryscilla Cricio
        05/08/2020 at 6:05 pm

        Olá Magda,

        Tudo bem?

        Venha para o nosso grupo fechado no Facebook com mais de 15.300 pessoas com deficiência auditiva que usam aparelhos ou implantes. Para se tornar membro, é OBRIGATÓRIO responder às 3 perguntas de entrada.

        https://www.facebook.com/groups/CronicasDaSurdez/

        E para receber avisos sobre nossos eventos e cursos, por favor, clique e responda 4 perguntas (leva 30 segundos):

        https://forms.gle/MVnkNxctr1eahqR5A

        Estamos te esperando!

        Abraços,

        Equipe Surdos Que Ouvem

        Reply
  • Ana Lucia Santiago
    02/06/2017 at 2:52 pm

    Já tinha visto um post parecido cim esse. De qualquer forma bom e importante saber, são situações especificas com certeza para saber lidar. Boa essa postagem.
    Grata,
    Ana Lucia Santiago

    Reply
  • Sandra Regina Linhares
    02/06/2017 at 1:02 pm

    Amei a matéria, sou deficiente auditiva oralidade. Perdi a audição aos 32 anos e sofro muito com isso. Sou viuva e pra mim é muito difícil conversar a respeito.
    Conheci vc numa entrevista na tv e gosto muito do seu trabalho.
    Bjos

    Reply
    • Paula Pfeifer Moreira
      02/06/2017 at 3:44 pm

      Querida Sandra, no que puder ajuda é só falar!
      Beijo grande

      Reply
      • josenir Machadão
        26/08/2017 at 5:33 am

        Verdadeisso mesmo

        Reply
      • Rosiele
        12/03/2018 at 12:59 am

        Eu namoro um surdo há 10 meses no começo pensei que não ia dar certo mais com o passar dos meses vi que tudo isso é só uma superação..não é tão difícil como umaginei

        Reply
  • Aparecida Pereira da Silva
    24/08/2016 at 2:14 pm

    Oi meu nome é Aparecida sou deficiente auditiva ,eu tenho 40anos. Eu não tenho condições comprar aparelho auditivo. Eu não namorar ninguém eu falar normal pouco enrolado. Eu tenho vergonha na pessoa dá rir falar pouco enrolado, ouve pessoas Entendo o que você falar eu não sai sozinha .eu sai minha mãe. Minha mãe não deixa sai sozinha, eu fiquei muito triste. Eu percisa namorar casar .minha vida é assim que apenas muitos triste, meu nome é Aparecida Pereira da silva ,eu mora suzano sp .bj

    Reply
    • Selma Pereira
      03/03/2018 at 8:14 pm

      Suzana, boa tarde.
      Procure ajuda no DERDIC.
      Eles doam aparelhos .
      Bjo.

      Reply
  • fatima monteiro
    21/02/2016 at 8:47 am

    USO APARELHO AUDITIVO ,NÃO CONSIGO OUVIR DIGAMOS NORMALMENTE.SINTO MUITA DIFICULDADE EM CAPTAR OS SONS ,ISSO ME DEIXA DEPRESSIVA.GOSTARIA DE SABER SE EXISTE UM APARELHO QUE NÃO FIQUE VISÍVEL.ONDE ENCONTRÁ-LO.QUAL O PREÇO?USA-SE NORMALMENTE OU DEPENDE DE CIRURGIA.COMO FUNCIONA O IMPLANTE .SE É DOADO PELO SUS,OU SE PARTICULAR QUANTO CUSTA A CIRURGIA INCLUINDO OS APARELHOS,NO MEU CASO SÃO DOIS.SOU PROFESSORA APOSENTADA PELO ESTADO E GOSTARIA DE SABER SE O ESTADO DÁ ESSE TRATAMENTO VEZ QUE PERDI MINHA AUDIÇÃO EM SALA DE AULA.

    Reply
  • Nubia Teixeira
    04/02/2016 at 11:30 am

    A materia e bem interessante e as dicas validas, mas alguns pontos sao relativos, ou em muitos casos, nao se aplicam. Sou interprete e meu esposo tem surdez bilateral profunda. Essas questoes dependem muito da identidade que a pessoa surda assume. Se voce, por exemplo, incentiva um implante ou (re)habilitaçao a uma pessoa que assume sua surdez tranquilamente, e mais facil perde-la que ganha-la. Se voce quer mesmo namorar com uma PESSOA surda, trate a surdez como um detalhe, afinal, o que lhe interessa e a pessoa. Deixe que ela mesma te mostre como ela deseja ser tratada.

    Reply
    • Paula Pfeifer Moreira
      04/02/2016 at 11:33 am

      Nubia tudo bem?

      Esse post foi escrito pensando em surdos oralizados e que usam a tecnologia para ouvir o que for possível. A questão aqui não é assumir a surdez, somos todos assumidos porque somos surdos, a questão aqui é querer qualidade de vida.
      Concordo contigo q cada um sabe como deseja ser tratado.
      Bjo,

      Reply
  • Claudio
    29/01/2016 at 9:55 am

    Paula,

    Descobrir esses dias sobre o equipamento de Mapeamento de Fala, sabe informar se realmente funciona, parece ser novo no Brasil.

    http://www.iva.med.br/
    https://www.youtube.com/watch?v=n3d1yQyCouw

    Reply
  • arlete
    29/01/2016 at 8:14 am

    Adorei a matéria!
    Tenho um sobrinho de 12 anos implantado desde 1 ano e meio e é sempre bom estarmos informados sobre o assunto.
    Parabéns!

    Reply
  • Mauricio Massouh
    28/01/2016 at 1:22 pm

    Paula, conhrci seu blog há uns tempinhos até realmente adorei!
    Sou surdo sinalizado e estudante de jornalismo (sei ler e escrever normal). Gostei este post mas sua dicas são para surdos oraluzadas, pode fazer outra dicas para surdos sinalizados nos próximos post?
    Beijos,
    Mauricio Massouh.

    Reply
    • Annellyezy
      29/01/2016 at 3:14 pm

      Olá! Também sou estudante de Jornalismo (3 período), e sou surda oralizada.
      E gostei muito de saber que você é estudante de jornalismo… Parabéns pela coragem e determinação!
      No entanto creio que Paula não faria uma postagem te especifica sobre surdos sinalizados, pois não é a especialidade dela.

      Reply
      • Ricardo Moura
        21/06/2017 at 9:21 am

        Sem desmerecer ninguém,mas desde a pagina inicial fica explícito que o blog tem o foco em surdos oralizados com AA,implantado e etc.
        Tem um”site” não lembro direito,chama “SURDOSOl”
        Acho que ele vai gostar!
        Oi Anne 🙂

        Reply
  • Guilherme Manso
    28/01/2016 at 12:39 pm

    Foi por namorar um DA que descobri esse blog. Queria entender melhor esse universo e acabei me interessando pelo que a tecnologia pode proporcionar a essas pessoas.
    Depois de muita conversa e incentivo eu, juntamente com a família do meu namorado, o convencemos a fazer a implante coclear. Ele nasceu com surdez profunda bilateral e hoje, aos quase 38 anos, consegue ouvir apenas uma quantidade limitada de frequências com o AASI, nada de voz. Ele sempre treinou leitura labial e a faz muito bem. Estou apreendendo também aos poucos.

    Paula, você acha que o cérebro dele será capaz de interpretar bem a voz com o implante coclear a ponto de não precisar recorrer o tempo todo à leitura labial? Pergunto isso porque sei que quanto mais cedo o implante coclear for feito em uma criança melhor, mas no caso dele ele nunca teve contato com a voz e já tem quase 38 anos….

    Reply

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