Evite perder até R$15.000 ao comprar seu aparelho auditivo
O mercado de aparelhos auditivos é maravilhoso pela tecnologia que oferece, mas é um campo minado para quem é novato. Sem informação, você é uma presa fácil para vendedores que sentem o cheiro da sua insegurança a quilômetros de distância. Se você não souber exatamente o que está fazendo, pode jogar no lixo uma pequena fortuna – e eu não estou exagerando quando digo que essa perda pode chegar a R$ 15.000 ou muito mais.
Se você recebeu o diagnóstico de perda auditiva agora, deixe-me adivinhar: você está assustado, confuso e sentindo que caiu em um labirinto sem saída. Talvez você ainda esteja na fase da negação, aquela em que jura de pés juntos que o problema são as outras pessoas que “falam para dentro”. Mas a verdade é que o elefante branco já está sentado no meio da sua sala, e ignorá-lo só vai tornar as coisas piores.
O perigo de ser um analfabeto auditivo
A maioria das pessoas chega à loja de aparelhos auditivos sabendo menos sobre o que vai comprar do que sobre o modelo de uma cafeteira nova. O vendedor percebe isso no primeiro “hã?”. Ele nota o seu desespero, a sua pressa em resolver o problema e o seu total desconhecimento. A má notícia é que esse mercado é dominado por péssimas técnicas de vendas e redes de lojas para as quais a única coisa que importa é bater a meta de vendas do mês. Raros são os Fonoaudiólogos independentes que têm a chance de trabalhar por conta própria, e não para uma marca ou loja específica. Por isso, você precisa ficar muito esperto.
Se você não entende o que é uma audiometria de qualidade, o que é ganho, compressão ou por que um molde bem feito é a diferença entre o céu e o inferno, você vai acabar comprando o que o vendedor quer te vender, e não o que você realmente precisa. Eu já recebi incontáveis relatos de pessoas com perdas severas que sairam de lojas com aparelhos “discretíssimos” que não serviam para nada além de apitar e causar frustração, tudo porque sua vaidade e vergonha foram exploradas em vez de direcionadas para a reabilitação auditiva adequada. Sabe o que aconteceu? O aparelho foi parar na gaveta. Dinheiro jogado no lixo e cérebro sem acesso aos sons...
Negociação: Você não está comprando um pão, está comprando sua saúde
Muitos de vocês têm vergonha de negociar. Acham que, por ser um item de saúde, o preço é tabelado e imutável. Mentira. O mercado de aparelhos auditivos tem margens de lucro altíssimas que permitem, sim, uma boa negociação, especialmente se você mostrar que sabe do que está falando. Pense: os caras oferecem 60% de desconto na segunda unidade, desconto de acordo com sua idade (imagina quem tem 80 anos, rsrsrs)…
Mas como negociar se você não sabe o que perguntar? É por isso que eu criei as aulas “Não erre na compra do seu Aparelho Auditivo”. Nessas aulas, eu ensino o “beabá” que os vendedores não querem que você saiba, as ferramentas para você assumir o comando da conversa, com a coluna ereta e a segurança de quem não vai ser passado para trás por ninguém. Se você entra na loja como uma “tartaruga” assustada, vai pagar o preço cheio e ainda levar um serviço de segunda categoria.
O Clube dos Surdos Que Ouvem: Sua maior arma contra o erro
Sabe qual é a melhor forma de não ser enganado? Conversar com quem já usa aparelhos auditivos há anos e já cometeu todos os erros que você está prestes a cometer. No Clube dos Surdos Que Ouvem, temos milhares de pessoas que trocam experiências reais, sem o viés comercial das marcas.
Lá, você descobre quais marcas têm o melhor suporte técnico, quais fonoaudiólogas em cada cidade realmente se importam com o paciente e quais modelos são apenas “fogo de palha”. Ouvir o relato de outro surdo oralizado é infinitamente mais produtivo do que qualquer folheto de marketing. Quem já está mais adiantado na estrada da surdez sabe fazer as perguntas certeiras que viram as chaves na nossa cabeça.
Saia do “coitadismo” e assuma o controle
A surdez não tratada tem prejuízos que vão muito além do financeiro. Ela causa isolamento, depressão e declínio cognitivo acelerado. Mas para resolver isso com inteligência, você precisa de atitude.
Parar de se vitimizar e de ter vergonha da palavra “surdo” é o primeiro passo para economizar dinheiro. Quando você aceita sua condição e se informa, você deixa de ser um alvo fácil. Você passa a entender que o aparelho auditivo não é um peso, mas uma ferramenta de liberdade que te devolve ao mundo dos sons e da independência.
O resumo da ópera para não perder dinheiro:
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Não tenha pressa: O vendedor quer que você feche o negócio na hora. Respire. Teste marcas diferentes. Vá a mais de um lugar.
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Assista às minhas aulas: Não vá para o campo de batalha desarmado. Entenda a tecnologia que você vai carregar na orelha.
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Entre para o Clube: Use a inteligência coletiva a seu favor. Pergunte sobre preços e experiências de outros membros.
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Assuma a autoadvocacia: Seja proativo. Comunique suas necessidades e não aceite respostas evasivas.
A tecnologia auditiva hoje é o que chamávamos de “ficção científica” há pouco tempo. É maravilhoso poder voltar a ouvir a chuva, o riso de um filho ou uma música favorita. Mas não deixe que a sua falta de conhecimento transforme esse momento de renascimento em um prejuízo financeiro amargo.
Aprenda a ouvir a si mesmo antes de tentar ouvir o mundo. Informação é poder, e no caso da surdez, informação é economia e qualidade de vida. Te espero no Clube!
Paula Pfeifer

