Deficiência Auditiva Histórias dos Leitores

Surdez e preconceito no trabalho

A surdez acarreta sim muito preconceito no local de trabalho – quem acha que não, precisa ler as histórias deste post. Particularmente, acho que na grande maioria dos casos os deficientes auditivos se calam quando deveriam colocar a boca no trombone. Eu mesma já passei por situações deploráveis, mas na época era muito nova e nem sabia o que era assédio moral. Se fosse hoje, não hesitaria um minuto em processar os envolvidos. Porque quando calamos, o preconceito segue, e ele cresce. Sempre velado, sempre negado, sempre ‘coisa da nossa cabeça’.

Quando você usa aparelho auditivo e fala então, nossa: dá pra sentir na pele o olhar de raio laser de vários colegas que pensam que você está se fingindo de surdo para passar bem. De quem é o erro? Das empresas, que só se importam em cumprir cota. Raras são as empresas que de fato sabem integrar um funcionário com deficiência. Afinal, inserir é MUITO diferente de integrar. Integração é dar o suporte e as ferramentas que a pessoa precisa para ser independente!

 

Ana

Eu era funcionária “normal” até quando fui fazer parte da “cota”, por que na época, a empresa em que eu trabalhava não tinha preenchido totalmente as vagas para cotistas. Antes eu trabalhava normal e me passavam serviços que eram até desafiadores. Depois que avisei o meu chefe sobre minha Síndrome de Usher (deficiência auditiva e visual) e fui fazer parte da cota, ele, aos poucos me excluiu de alguns serviços e até de conversas (mesmo usando aparelhos auditivos, ele não me incluía nas conversas com grupos). Os colegas, a maioria também me discriminou. Por mais que isto tenha sido doloroso, eu tolerei porque faltava alguns anos para aposentar. Graças a Deus consegui aposentar por tempo de contribuição (e não por causa do meu problema) e assim encerrei minha carreira nesta empresa que trabalhei por 21 anos (antes disto mais 10 anos em outros empresas). Nunca fui promovida, mas consegui estabilidade na minha vida pessoal.

Barbara

No meu serviço converso normalmente com meus colegas na minha área de trabalho. O resto por educação dou bom dia. Tem gente que nem olha pra você. Na hora do meu almoço sento na mesa sozinha…

Carlos

Em 2002 eu trabalhava num supermercado. Um colega superior me mandou à merda por eu não ouvir o que ele falava. Dias depois o carro dele apareceu com os 4 pneus furados no estacionamento e um risco enorme no capô . Até hoje ninguém sabe quem foi.

Eliana

Eu trabalhava como vendedora em uma boutique.Um dia a dona da loja contratou uma moça para dar um treinamento de vendas para a equipe. Quando falei com ela sobre meu problema, ela me humilhou na frente de todos e me fez chorar. Perdi minha razão porque não aceitei aquele desaforo. Também perdi meu trabalho. E o último trabalho, perdi porque meu aparelho queimou uma peça e tive q me ausentar algumas horas, quando retornei, ouvi tanta coisa que peguei minha bolsa e fui pra casa. No outro dia recebi minha demissão e me mandaram procurar um trabalho para deficientes auditivos. Até hoje não consegui nada. Posso perder tudo, menos minha fé. Não sou assim por minha escolha.

Virginia

Várias vezes sofri preconceito. Mas a que mais marcou foi quando eu pedi readaptação por problemas de saúde, detalhe, trabalho na área da saúde, e uma médica disse simplesmente: “Você quer mudar de serviço, que vamos dar para você fazer? Só se for pra servir cafezinho!” Hoje sou assessora da secretária de saúde do município. Sem contar que na adolescência, sentia um chamado vocacional, fui para um convento, depois de dois anos, estudando, trabalhando muito e muito feliz, a madre me chamou e disse que tinham decidido que não podia continuar a caminhada por ser surda. Foi um grande baque.

Dani

Sou muito quieta, não participo das conversas, então, já me chamaram de autista etc… No meu trabalho anterior era obrigada a atender telefone comum e há muitos questionamentos referentes a “não ser surda de verdade” porque consigo falar e ouvir música.

Sil

Pedi demissão no trabalho que gostava muito, porque não quis perder minha razão fazendo uma besteira, a discriminação chegou a conhecimento de superiores que nada fizeram. Pior: isso veio de uma multinacional.

Michele

A exclusão por parte dos colegas e a empresa me tratar como se eu tivesse retardo mental…  Mas até já acostumei.  Tive vários problemas, mas em uma empresa em que trabalhei a minha chefe queria que eu trabalhasse com telefone, quando eu disse pra ela que não trabalhava com telefone normal, ela disse que eu tinha mentido na entrevista  (sendo que eu disse que trabalhava com telefone mas ele tinha que ser adaptado) e queria me demitir, me chamou de mentirosa! Me fez fazer teste com vários tipos de telefone, e quando viu que não deu certo acabou comprando o adaptado, aí quem não quis mais trabalhar lá fui eu!

Maria

Eu trabalhei 12 anos como procuradora chefe de um tribunal administrativo. Você pode imaginar eu tendo que responder oralmente ao vivo e a cores o que os advogados tinham acabado de contestar da Tribuna? Eu suava frio. Conversava com eles antes mas mesmo assim era jogada, por todos, às trevas. Ainda bem que me aposentei. Acho que perdi mais audição por isso. Puro stress.

Tatiana

No meu emprego anterior, eu estava com a perda leve/moderada ainda, e foi nessa época que comecei a passar dificuldade para entender o que falavam. Um dia eu não entendi o que a dona do escritório falou e perguntei umas 3x (com vergonha já). Ela impaciente olhou pra mim e disse: “Olha, você precisa se tratar, porque senão não vai dar certo pra continuar“. Falou com tanta crueldade… quando cheguei em casa chorei tanto tanto… graças a Deus saí de lá. E no meu trabalho atual nunca sofri desrespeito, mas quando a perda auditiva foi aumentando eu paguei muito mico por entender errado o que falavam (eu ainda não me tocava que tinha que me conter antes de sair respondendo o que não tinha certeza) e com isso eu paguei muito mico. Dei brecha para rirem muito… tiveram situações que na hora até engraçadas foram, mas eu ficava com vergonha e deixava pra chorar quando chegava em casa. Já recentemente, antes de começar a usar os AASI, percebia que a paciência do pessoal estava acabando… percebia os olhares entre eles quando eu não entendia… e fui ficando deprê porque estava me prejudicando… e o clima de impaciência me deixava com vergonha. Quando eu comecei a usar meus aparelhos auditivos meus problemas acabaram e minha chefe me pediu desculpas pelos constrangimentos.

Claire

No primeiro trabalho eu sentia que tinha algo errado, até que um dia meu chefe chamou informalmente e falou abertamente que chamou a atenção de outros diretores por causa de piadas ao meu respeito, fiquei chateada na época, nunca soube quem eram os ditos cujos.

Rita

Eu trabalho em banco. E tive a infelicidade de trabalhar com um gerente que gritava comigo. A situação estava tão ridícula que os clientes estavam e sentindo incomodados e eu cada dia com mais vergonha. Pedi para falar com ele. Não adiantou nada. Ele ainda me disse que gritava comigo por eu ser surda. Gravei toda a conversa. Mas pedi transferência de agência.

José

Já tive um chefe que me tirava de qualquer trabalho que eu estivesse fazendo e alegava que a surdez era um empecilho. Botei a boca no trombone e houve retaliações.

Clenilda

Eu trabalhavam com minha irmã numa eletrônica antes de ser empresária. Um dia uma cliente entrou e começou a falar, eu estava de costas e não ouvi, aí ela gritou: “Por acaso essa moça é surda ou se finge de surda?” Minha irmã tocou em mim pra virar e falou: “Ela é deficiente auditiva, agora a senhora pode falar com ela!”. A mulher ficou mortinha de vergonha. Já sofri vários preconceitos.

Maria

Fui afastada do trabalho por ser considerada inapta. Fiquei arrasada, porque compreendi que NADA do que estudaste ou fizeste é mais forte do que o preconceito e incapacidade de compreensão das pessoas. Mas a situação foi revertida. Não por mim, porque achei um absurdo me submeter a testes ridículos e humilhantes, mas porque a chefia direta entrou com recurso, pois quem trabalhava diretamente comigo sabia da minha capacidade e do absurdo que fizeram.

Carine

A última foi na fila do supermercado no intervalo do trabalho antes de fazer cirurgia. Estava com três coisas na mão e passei no caixa preferencial como sempre faço. E chegaram umas senhoras, não mais de 70 anos, atrás de mim. Como não escuto, elas me desceram de desaforo e eu simplesmente não ouvia. Só me dei por conta que era comigo quando o supermercado inteiro estava parado me olhando e ai sim olhei pra trás. E elas no bom tom arrogante: “O que uma jovem linda disponível faz na fila preferencial?” Pois bem sou deficiente auditiva e tenho o direito ao atendimento preferencial. Juro que quando falei ser DA todo supermercado voltou a circular e funcionar. E as velhinhas arrogantes não tinham nem onde meter a cara. Mas eu mesma fiz questão de dizer que perdoava elas e que era pra elas agradecerem por chegarem naquela idade e não terem problema de audição.

Netinho

Chefe que fala gritando, colega que solta uma piadinha quando você passa pelo corredor, os cochichos, as reviradas de olhos quando você pede para repetir porque não entendeu, aquela apresentação mal feita “esse é o fulano e ele tem um problema no ouvido“, enfim, são exemplos do que um DA enfrenta no ambiente corporativo. Revidar às vezes não ajuda, ficar calado também não. E a surdez vem e nos enrijece. Você dá bom dia por “educação”. Você conversa para não ficar de cara feia. Mas no fundo essas pessoas não lhe despertam mais o interesse. Você não confia mais nelas. É a surdez nos ensinando a ser mais seletivos. Daí você percebe que essas pessoas são de fato lixo humano, que estão por toda parte, em todas as esferas da sociedade. Conviver com elas será inevitável, se deixar abater, será uma escolha nossa. Vejo pais dizendo que suportam o trabalho por causa dos filhos. No meu caso, por causa do IC. Tenho aprendido com a idade que se eu não posso fazer alguém pagar pela ofensa a mim direcionada, a vida pode, do jeito dela. Quanto aos que não gostam de mim por ser DA, não posso fazer nada…

Luka

Trabalhava em telemarketing e o meu headphone era no último volume e as meninas me chamavam de surdinha. Tinha outras que me chamavam de retardada ou idiota. Isso me machucava muito, quando eu passava por elas, as mesmas riam de mim e falavam: “Lá vai a surdinha!” Eu chorava todos os dias.

Simone

Outro dia o colega de trabalho falou: “Nossa eu achava você metida, nariz em pé. Depois que fiquei sabendo que você não é metida não, tem é problema de audição!

Paulo

Passo por situações complicadas de vez em quando. No escritório mesmo, nunca tive nenhum problema. Tenho uma chefe maravilhosa, colegas que me apoiam e procuram me inserir em todas as decisões e reuniões. Nos outros setores, também nunca passei por problemas – exceto por algumas piadas que acabaram logo quando tive que me impor e falar que não tinha dado liberdade para esse tipo de tratamento. O bicho pega é quando vou ao Tribunal: já tive audiência com juiz que não facilitava a leitura labial – mesmo após vários pedidos; já lidei com funcionários de cartórios judiciais ignorantes; até mesmo advogados da outra parte que falavam de frente para o juiz e me ignoravam (sempre procuro o outro advogado antes da audiência ou conciliação para explicar que sou surdo e preciso fazer leitura labial). Enfim, vamos tirando leite de pedra e crescendo em cima dessas situações. Um dia de cada vez, sempre com humor (se possível, porque tem dias que aquela bad bate!)

Marta

Eu passei por inúmeras situações, houve muitas lágrimas, mas vou contar uma situação até um pouco diferente, um preconceito de falta de informação. Há algum tempo no meu trabalho precisei passar por um treinamento para usar um programa de computador. O rapaz que veio aplicar o treinamento chegou e eu percebi que ele estava desconfortável e não falava nada comigo. Aí eu falei pra ele que tinha que falar olhando pra mim porque eu não escutava, acertamos a comunicação e foi muito bom o treinamento, peguei rápido. No final ele disse que ficou apavorado quando soube que eu era surda que se pudesse voltava sem realizar o serviço. No entanto foi mais tranquilo do que normalmente é, ficamos amigos e ele disse que passaria essa experiência para a frente. Foi muito legal ele ter falado e a gente conversar sobre o assunto.

Leidiane

Passei por situações terríveis no meu último emprego, falavam que eu fingia ser surda, que só ouvia quando queria, que eu não era surda e sim uma sonsa, que eu  não sabia o que é ser surda mesmo. Alguns colegas chegavam a ficar agressivos, me sentia muito humilhada, ainda bem que saí de lá.

Ana

Funcionário da empresa aérea Gol disse que eu estava fingindo ser surda. Ameaçou jogar fora meu aparelho. Tudo na hora do embarque. Eu estava com uma amiga e pedi que ela chamasse o gerente da Gol o funcionário disse que se chamássemos o gerente ele informaria que havíamos desistido do vôo. Isso tudo no momento do embarque. Fui bem recebida pela comissária de vôo, mas em solo procurei a gerência da Gol e o mesmo disse que eu devia fazer reclamação pelo 0300. Pedi um e-mail para fazer a reclamação e eles informaram que um parente deveria fazer a queixa pelo 0300. Situação similar ocorreu na empresa Nissan. Sem alternativa para reclamação. “Permitem que parentes façam a reclamação ” 

José

Eu brinco (tipo humor negro) com a minha situação, mas infelizmente no serviço tem pessoas que não sabem os limites da brincadeira e da hora de falar sério.

Ana

Minha colega recentemente entrou de férias e mesmo eu dizendo que não atenderia o telefone no lugar dela, insistiram. Eu tento todo dia, mas reclamam. Muitas das vezes, não escuto direito. E principalmente, lidar com o público é uma coisa que eu detesto. Eu também não consigo atender normalmente a porta e, eu me sinto mal. Eu sinto vontade de fugir pra longe.

Priscila

Uma vez uma colega disse com todas as letras que eu não podia trabalhar só (em uma coleta de campo, num projeto de pesquisa) porque eu sou deficiente auditiva e tinha de estar acompanhada. Outra colega disse que eu tirei nota baixa em uma disciplina porque eu sou surda. No estágio em um hospital veterinário, uma residente ria de mim quando eu não ouvia o que ela explicava e ainda dava as tarefas mais legais para outra colega, me deixando na tarefa de fazer companhia aos proprietários dos animais, como se eu fosse incapaz.

Luis

No início de minha perda auditiva, lé em 2004 e 2006, alguns colegas de trabalho faziam algumas brincadeiras de mau gosto dizendo assim: “Será que ele não escuta mesmo?” Outras assim: “Ele só ouve o que quer“. As vezes gritavam comigo dizendo: “Esse daí tem que gritar porque não escuta“. Ou mesmo brincavam entre si porque sabiam que eu não ia entender para depois ficarem rindo da minha cara de interrogação.

Ana

Eu trabalhava numa rede de vendas muito conhecida. Trabalhava no crediário. No primeiro dia ficou uma funcionária encarregada em me auxiliar nas funções. Mas ela, impaciente, me ensinou o básico e apenas uma vez, depois eu fui atrás pra aprender sozinha. Nenhum dos funcionários que trabalhavam comigo sabiam lidar com a minha deficiência. Até que me transferiram para outra loja da mesma rede. Uma loja bem maior e com movimento intenso. Foi muito mais difícil. Os clientes me chamavam mas eu não escutava. Quando eu ia tentar atender alguém, não entendia. Nem todo cliente entendia minha deficiência. Lá encontrei uma grande amiga. Ela quem me ajudou muito. Passados 6 meses trabalhando na mesma loja, ocorreu um dos maiores preconceitos que já passei. Estava indo indo embora quando esbarrei num funcionário. Eu pedi desculpas, quando virei as costas ele falou: “Além de surda é cega“. Meu irmão estava próximo, ele havia ido me buscar. Meu irmão o questionou, ele todo sem graça pediu desculpa. Meu irmão contou pra minha mãe, ela falou com o gerente geral. O mesmo falou com o funcionário e, lógico, o mesmo negou tudo. O gerente da loja, onde eu prestava serviço ficou bravo comigo porque minha mãe foi reclamar na central. Logo depois me despediram. 


Tempo depois entrei numa empresa multinacional, trabalhei lá por 6 anos como analista de faturamento. Quando eu entrei me disseram que tinha plano de carreira. No começo todos me tratavam muito bem. Começaram a mudar os funcionários. Foi então que começou a indiferença. Não me ensinavam nada. E não me davam a oportunidade de aprender e evoluir. Fui reclamar no RH. Minha gerente disse que ia me ensinar. Mas foi da boca pra fora. Ela mal olhava pra minha cara. Todo mundo podia escolher suas férias e folgas. Eu não! Era o mês e dia que sobrava. Infelizmente no trabalho tem preconceito. Têm pessoas despreparadas e preconceituosas. As empresas só contratam por conta da lei. Deveria haver uma fiscalização para que tenhamos respeito e dignidade no exercício de nossas funções, seja para o deficiente, idoso, negro e etc…  

Carlos

Eu já passei por várias, mas vou contar uma: fiz um processo seletivo em uma grande multinacional para uma vaga de gerente, depois de várias provas e testes por longos dias, chamaram-me para uma entrevista na qual restaram apenas eu e mais duas pessoas e fui o último a ser atendido, quando no fim da entrevista o gestor percebeu que eu era deficiente aí ele me pergunta: “Puxa nem dá pra perceber que você é deficiente, olha, você aceita uma vaga inferior aqui e com o tempo você vai subindo na empresa?” Pergunto eu, então para que serve ser um especialista se mercados me desrespeita desse jeito.

Carla

O meu foi grave, eu trabalhava como caixa em uma instituição financeira, tinha uma dificuldade em compreender certos clientes, minha gestora na época para falar comigo atirava bolinha de papel ou clips, para chamar minha atenção, e quando tinha dificuldades de entendimento mandava eu me virar. Sempre falava que detestava deficiente e que me deu a vaga por obrigação. Ela forçou para que eu pedisse demissão, mas como todo mundo preciso trabalhar, foi quando o terrorismo aumentou, gritava comigo na frente de cliente, xingava e até mesmo me dava dinheiro para abrir o caixa faltando. Eu entrei em depressão profunda e fiquei surda total do ouvido esquerdo, de um mês para outro e desencadeou labirintite e tive que me afastar do banco. Entrei em uma luta para melhorar. A audição do ouvido direito caiu muito, hoje sou candidata a implante coclear. Voltei a trabalhar no banco e hoje estou em um lugar um pouco melhor, mas ainda no atendimento direto, faço leitura labial power, mas com orgulho de mim, pois mesmo com toda minha dificuldade sou melhor que muitos ouvintes.

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

6 Comentários

  • Quando comprei meu aparelho e recebi a primeira bordoada pagando $50,00 num montinho de bolinhas azuis fui pra internet e encontrei este blog muito bom e vi q a queixa não era só minha. Aprendi a técnica de esquentar as bolinhas mas não poderia faze-lo indefinidamente. Voltei à internet e arrisquei comprar em um site, com medo por causa de fraudes com o meu cartão. Pois bem; comprei cada Saché de sílica por $4,00, cartela de baterias 312, da mesma marca da loja que vende a $21,00 por $10,00! Pedi, recebi tudo certinho tendo um excelente acompanhamento por parte deles. Recomendo a quem precisar! É a Sonora Web. Empresa criada por dois irmãos que viram um sobrinho nascer deficiente auditivo, sentiram a dificuldade para a compra de acessórios.

  • Obrigada por fazer parte deste grupo que abre muitos caminhos para entender e amar o semelhante. A cada depoimento que eu li aqui eu me identifiquei e também compartilho o que cada um passou (e ainda passa) com os preconceitos… Temos que dar a volta por cima e não desanimar! E sempre que possível lutar e não desistir! Mais uma vez obrigada!

  • Depois que se ler esse post, a pessoa realmente se acha um nada mesmo. Sei que a realidade é cruel, mas a vida tem seus desafios e sei que tem vitórias também, mas nao é o caso citar aqui. A pessoa que ler esses depoimentos fica totalmente sem esperança. Obrigada por baixar mais ainda autoestima de muitos que sofrem com deficiencia auditiva.

    • Antes de falar por ironias, pense que é uma experiência real. O que eles fizeram foi compartilhar experiências desagradáveis para sabermos que não estamos sozinhos. O Objetivo nunca foi baixar autoestima, sim trocar informações para constatar a realidade no trabalho. Ainda tem muito chão pela frente para melhorar. Ainda bem que tem pessoas boas aprendendo, pena nas pessoas que não aprendem. Um ótimo final de semana.

  • Eu ainda não expressei a minha gratidão por ter entrado neste grupo. Eu vivia com uma impressão de que apenas eu tinha problemas de audição, meu mundo parecia se apequenar, somente com a minha família eu tinha a oportunidade de falar da minha surdez e dos problemas que ela me acarretava, meu marido encontrou essa página e me mostrou, foi pra mim um grande achado. Como foi bom compartilhar das minhas dificuldades, ler soluções, aprender, sentir-me parte de um grupo, tentar contribuir com os meus poucos conhecimentos e ver que existem muitas pessoas com o mesmo problema que o meu e, mesmo assim, ter um olhar otimista e bem humorado do mundo e da vida, hoje me sinto mais feliz.
    Eu li sobre o preconceito que nós sofremos. Eu já fui vítima dele por diversas vezes, algumas pessoas ao se dirigir a mim e notarem minha dificuldade de ouvir perdem o interesse em entabular uma conversa e procura uma maneira de disfarçadamente sair “a francesa”. Isso não me incomoda, as pessoas com quem realmente vale a pena eu conversar são as que ficam, são as mais inteligentes, então eu não perco nada, mas que o preconceito existe existe, e como, porém eu dou a volta por cima.
    Um abraço a todos nós.
    Floraci.

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