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A história da Nicole

Meu nome é Fernanda e vou contar um pouco da nossa história para vocês. Sou mãe de um lindo casal chamado João Pedro (07 anos) e Nicole (06 anos). Minha gravidez da Nicole foi perfeita, mas o parto passou um pouco da hora, ela engoliu mecônio, teve que ser reanimada, teve uma convulsão, foi entubada e ficou 10 dias na UTI, sendo medicada com antibióticos e fenobarbital.

Quando ela teve alta, o médico me disse que talvez ela tivesse um déficit motor e que eu deveria levá-la em todos os especialistas que pudesse (cardiopediatra, neuropediatra, etc) para prevenir qualquer problema. Fiz o recomendado, sempre com resultados positivos e tranquilizadores. O teste da orelhinha também deu tudo ok, enfim, tudo para ter um desenvolvimento perfeito.

Como a diferença do João para ela é de apenas um ano e meio, era natural eu comparar o desenvolvimento deles. Quando ela completou um ano e meio comecei a notar o atraso da fala – na verdade ausência de sons. Falei com a pediatra, a mesma me disse ser normal, que cada criança tem seu próprio tempo, que eu tivesse paciência.

Quando a Ni tinha mais ou menos um ano e dez meses, a levei na primeira fono, fizemos acompanhamento por uns 4 meses, e mais uma vez me disseram que era para eu ter paciência, que ela era preguiçosa. Insisti, mudei de fono, o que foi uma benção, ela me compreendeu e assim conseguimos, juntamente com um otorrino maravilhoso que nos acompanha até hoje, descobrir a deficiência auditiva severa neusossensorial bilateral da Nicole.

Fomos encaminhadas para a Apadas (Sorocaba), lá conhecemos o mundo da deficiência auditiva, com 3 anos e meio a Ni recebeu os primeiros aparelhos auditivos, e depois de alguns meses fomos encaminhadas para a Santa Casa de SP, para fazer o Implante Coclear. Foram feitos os exames, mas infelizmente as cirurgias foram suspensas por causa dos problemas financeiros do hospital. Como mãe, não consegui ficar parada de braços cruzados, e seguindo as instruções da fono da Apadas, fiz a inscrição da Ni no HC da Unicamp, em Campinas. Em 2 meses ela foi chamada, e em 4 meses, no dia 09/09/15 ela fez a cirurgia.

Assim começou a descoberta de um mundo novo para ela, e também para nós que convivemos com ela: vimos o desabrochar de uma menininha comunicativa, alegre, entusiasmada com tudo, que aos poucos está falando cada dia mais. É uma alegria ímpar fazer parte deste processo de desenvolvimento dela. Aprendemos a dar valor a cada palavrinha, cada som …..

Depois de ela receber os aparelhos comecei a buscar por bonecas com aparelhos auditivos, para que talvez ela se sentisse mais confiante, mais confortável com seus aparelhos, não encontrei nada, nem na internet, aí a madrinha dela teve a sensibilidade de a presentear com uma bonequinha linda, feita exclusivamente para ela.

Tempo atrás eu li no Crônicas da Surdez a respeito da importância da audição bilateral para o desenvolvimento e tudo mais, sendo assim, começamos ai uma nova empreitada, ou seja, conseguir que ela faça o segundo implante coclear. Com a ajuda e força do meu marido, da minha mãe, e de todos os amigos que direta e indiretamente nos ajudam, sei que vamos conseguir e que assim ela terá cada vez mais qualidade de vida.

58 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

1 Comentário

  • Que linda história, muito linda a Ni. Que Deus abençoe a família de vocês e continue progredindo! Agora em relação a boneca, minha filha ganhou uma de minha tia e a fono dela tem um aparelho de brinquedo, colamos para ela então. Tem algumas bonecas assim agora, com alguns tipos de deficiência, mas só fora do Brasil!

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