Crônicas da Surdez Implante Coclear

Um jeito novo de usar o MiniMic

Na viagem que fiz a NY, ao entrar no avião, percebi que o MiniMic não estava pareado com meu implante coclear esquerdo – e sem internet não tinha jeito de entrar no YouTube e relembrar como é que se faz o pareamento. Foi então que experimentei algo totalmente inédito: de um lado, MiniMic programado para fechar todos os sons do ambiente, do outro, audição normal sem ele. Foi super intrigante, meu cérebro estranhou no começo, mas depois percebi que é uma mão na roda para viajar de avião me divertindo sem pagar mico com os comissários de bordo. Eles não enxergam meus IC’s e, se falam comigo e não respondo, é lógico que pensam que sou uma grossa mal educada. O melhor foi que meu ouvido novo estava pegando o ambiente, e esse ouvido (não sei explicar o motivo) não me dá a barulheira chata e desagradável que o velho é capaz. Ficou MUITO gostoso: voz do Luciano à direita, alta, clara e só pra mim; o que estava acontecendo no avião do lado esquerdo, mais baixo, agradável e confortável.

Foi uma dessas surpresas boas que passam a acontecer mais raramente quando temos anos de IC nas costas! 🙂

Também usei para assistir filmes durante o vôo: no ouvido em que escuto e entendo a voz humana com perfeição, o MiniMic me entregava o filme; do outro lado, o som ao redor. Me senti um pouco ‘ouvinte’ nessa situação, pegando tudo: tanto o que me interessava quanto os sons do que acontecia perto de mim. Para treinar meu cérebro, sempre preferi usar acessórios no modo 100%, ou seja, diminuindo completamente o som ambiente, e assim perdia tanta coisa nas situações que envolviam outros seres humanos. Depois desta descoberta, acho que não vou parear outra vez o novo IC com o MiniMic e seguirei usando desse jeito, porque me senti mais segura e senti meu cérebro rebolando pra dar conta de duas coisas completamente diferentes acontecendo ao mesmo tempo. Temos que botar o cérebro pra trabalhar, gente! Sem esforço constante, ele não progride…

Ainda não recebi o MiniMic 2, que foi o acessório que escolhi para o segundo N6. Quando ele chegar, pretendo fazer um post comparativo entre o MiniMic, o MiniMic 2 e o Roger Pen. O que eu gostaria mesmo de ter é o MiniMic 2+, que permite a entrada de cabo de áudio. Na minha opinião de power user de implante coclear bilateral que já testou todos os acessórios wireless que existem, NADA supera o som perfeito do bom e velho cabo de áudio. Além do som ser infinitamente superior, ele não detona baterias/pilhas e nunca me deixa na mão porque a sua bateria acabou, portanto, sigo fã de carteirinha até que inventem algo melhor. 🙂

21 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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