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As PIORES lojas de APARELHOS PARA SURDEZ: cuidado!!

aparelhos para surdez

Os novatos no mundo dos aparelhos para surdez ficam apavorados com a quantidade de coisas que é preciso saber ANTES de comprar um aparelho auditivo pela primeira vez. É muita informação para consumir enquanto você ainda está digerindo o seu diagnóstico de surdez, não? Assim como as pessoas ficam obcecadas querendo saber qual é a melhor marca de aparelho auditivo que existe, elas também deveriam ficar atentas às piores lojas de aparelhos para surdez.

Quando entrei nesse universo não existia a possibilidade de conversar com pessoas que já usam aparelhos de audição antes de sair por aí em busca de um. Você contava apenas com a ética dos profissionais de saúde que lhe atendessem. O acesso à informação também era nulo, já que os únicos materiais disponíveis sobre o assunto eram escritos pelos próprios vendedores e fabricantes de aparelhos auditivos.

Ainda bem que a internet chegou e o mundo mudou. Quando o Crônicas da Surdez nasceu, em 2010, rapidamente eu percebi o PODER de conectar pessoas com deficiência auditiva para que elas trocassem informações entre si. Isso desagradou a muita gente, afinal, nascia ali uma enorme comunidade de consumidores informados e empoderados, com inteligência suficiente para não cair em técnicas de venda baixo nível ou em pressões exageradas e mentiras. Não foram poucas as vezes em que alguém me contou que ouviu o seguinte numa loja de AASI: “Ai não, esse aí já leu o Crônicas da Surdez de trás pra frente e não pára de fazer perguntas!”.

Se você é novato por aqui, ao acabar de ler este artigo, devore todos os posts da categoria Aparelhos Auditivos do site. Eles serão a sua bússola inicial nesse processo. A sua segunda bússula, ainda mais valiosa, é se tornar membro do Clube dos Surdos Que Ouvem e conversar diretamente com mais de 20.000 pessoas que já usam aparelhos auditivos há muitos anos. Faça um favor a si mesmo: NÃO compre um aparelho para surdez sem antes seguir esses dois passos.

Um post no Clube dos Surdos Que Ouvem chamou a minha atenção e foi o que me levou a escrever esse artigo. A pessoa perguntou quais eram as coisas que os membros mais detestavam quando iam a uma loja de aparelhos auditivos. As respostas dos membros do Clube trazem à tona as velhas reclamações das pessoas com perda auditiva relacionadas à indústria da audição. Vem ano, vai ano e quase nada muda. É um mercado nebuloso, sem fiscalização, e os pacientes desinformados ficam à mercê de muitas práticas antiéticas.

Leiam os depoimentos abaixo.

Práticas comuns das PIORES LOJAS DE APARELHOS PARA SURDEZ

Pressão para fechar a compra

Essa é bem clássica, e especialmente direcionada aos novatos que querem resolver logo o seu problema. Você será pressionado intensamente a fechar a compra em até 24hs.

“Aquela pressão de “tá em promoção e é o último par’. Não fosse minha primeira aquisição, teria pesquisado e testado outras marcas. Estou satisfeita e tinha urgência por motivos de trabalho, mas o próximo certamente seria mais seletiva! (Fabiana)

“Querem sempre te empurrar o aparelho mais caro!” (Julio)

Pressão para comprar outro aparelho

Atire a primeira pedra quem não voltou para fazer um ajuste nos aparelhos auditivos e se viu preso numa teia de aranha de motivos pelos quais você deveria abandoná-lo e comprar outro. Comigo já aconteceu, quando eu usava AASI, de dizer um “hãn” para a fono que sequer tinha feito uma audiometria na consulta e ela dizer que o AASI que eu usava não adiantava mais para nada… Oi?

“Às vezes precisamos apenas de algum item, mas ele insistem em empurrar aparelho de qualquer jeito!” (Susana)

“Quando lançam modelo novo ficam tentando empurrar falando que não tem mais peças para manutenção de reposição já passei por isso.” (Carlos)

Mistério sobre os preços dos aparelhos para surdez

Essa é a top reclamação dos usuários de aparelhos de audição. Afinal, ninguém merece fazer uma peregrinação com sua audiometria debaixo do braço pela cidade apenas para conseguir saber quanto custa um aparelho auditivo em dois ou três lugares diferentes. É a parte mais desgastante: o mistério sobre o preço. Chega a ser bizarro.
“O clima mercadologico que envolve TODO o atendimento. Mistério para falar preços e a desagradável sensação de que quem esta ali atendendo almeja altas comissões.” (Luis)
“Incomoda demais o segredo que fazem com os precos. Por que não divulgar no site logo?” (Laura)

“Praticamente desisti de usar Aparelho Auditivo dada a falta de transparência que permeia esse mercado.” (Luise)

“É uma negociação obscura. Não falam os preços, a não ser que você vá presencialmente fazer os testes. Os preços são absurdos e variam muito de loja pra loja. O preço inicial é altíssimo, tipo R$24.000. No final, sempre tem uma promoção, e levando o par e pagando à vista, fica 17k (e continua alto). Desconto de 7 mil reais? Não dá pra ter uma noção da razoabilidade dos valores.” (Fernanda)

“Colocar à venda a cima do saúde auditiva. São mais vendedores do que profissionais de saúde.” (Luiz)

“É horrível, ninguém diz o preço, cada clínica é um preço diferente mesmo sendo exatamente o mesmo aparelho.” (Gabriela)

“O que não gosto das clínicas que vendem aparelhos auditivos é a insistência a vender como se fosse barato e todos tivessem acesso, depois da venda o tratamento muda que é uma beleza.” (José)

“Quando nos sentimos enganados, e descobrimos depois de comprar o aparelho quanto realmente custa e quanto pagamos.” (Patricia)

Mentiras sobre o seu aparelho atual

Todo usuário antigo de aparelho para surdez já teve um par que durou quase 10 anos ou um par que durou 5 anos ininterruptos sem dar problema. Que saudade disso! Hoje em dia, eles são feitos para durar quase nada. E o pior: após um certo tempo, as lojas alegam que eles saíram de linha e não têm mais peças de manutenção e muito menos conserto. Tudo para te obrigar a comprar um novo.

“Um aparelho que custa tão caro, você compra e volta 2 anos depois para algum tipo de ajuste. Irão dizer que o aparelho está ruim, que está defasado, etc, só para te empurrarem um novo, como se todo mundo nadasse no mar dos premiados da Mega-Sena” (Fabiano)

“Ouvir que meu aparelho que tem três anos de vida está ultrapassado e está na hora de trocar.” (Adriana)

“Detesto as mentiras que falam sobre a maravilha que é o aparelho que querem me vender é sem nem pergutarem o grau de minha surdez antes.” (Maria)

“Atendentes que falam de cabeça baixa e fonos botando mil defeitos nos aparelhos que têm 3 anos de uso, para que eu compre novos.” (Elizabeth)

“Comprei os aparelhos da “X”, faz um ano, seguidamente volto para fazer ajustes, e numa dessas consultas a fono me oferece o novo modelo de lançamento. Mal comprei um modelo, já me ofereceram o novo, insistindo para testar, isso me deixou chateada.” (Carmen)

Golpes na assistência técnica

No Clube dos Surdos Que Ouvem já recebemos tantos relatos de golpes desse tipo que decidimos fazer um post que indica técnicos independentes que consertam aparelhos auditivos a preços baixos. Comigo já aconteceu, há 20 anos, de ouvir na loja que a única solução era comprar um aparelho novo. No dia seguinte, um técnico independente consertou meu aparelho por um preço irrisório. Em 2023, nada mudou.

“Quando a garantia acaba, os consertos de qualquer coisa têm preços exorbitantes. Já aconteceu comigo de orçarem um conserto em R$3.500. Consegui a dica de consertar num técnico independente e me custou apenas R$300.” (Ana)

“Gastamos uma pequena fortuna para comprar um aparelho para a minha filha, mesmo com todos os descontos foi muito difícil. e quanto fez um ano ele parou …levamos lá sugeriram a compra de um novo, pq já estava ultrapassado ou que pagássemos 2.000,00 pelo conserto. Infelizmente não podemos arcar com a compra de um novo todo ano Ficamos dependentes de quem vende. Eu não conheço que faça esse conserto fora.” (Socorro)

Detonar os concorrentes

Essa é clássica em qualquer ramo: dizer que o concorrente não presta, rsrsrs.
“Sempre dizem que o dele é o melhor e que as outras marcas não prestam.” (Rachel)

Empurrar aparelho auditivo caríssimo em caso de surdez profunda

Os aparelhos auditivos fazem pouco por quem tem surdez profunda. Infelizmente, em muitos lugares, o que importa não é direcionar esse paciente para uma avaliação de implante coclear (o melhor para ele) mas sim fechar a venda do aparelho mais caro possível. Se você tem surdez profunda e busca um aparelho auditivo milagroso, desconfie da loja que te oferecer um. E busque um otorrino especializado em surdez.
“Só fui em uma loja, depois nunca mas voltei! Elas visam mais em vender do que a saúde do paciente! Minha perda é profunda, e o fonoaudiólogo disse que tinha um aparelho que atendia minha surdez e eu teria uma nova vida com ele! 28 mil reais UM aparelho!” (Eduardo)
“Não há aparelho que me sirva devido a perda profunda neurosensorial, mesmo assim me iludiram e me venderam o mais caro. Desde o primeiro dia falaram que eu voltaria a ouvir tudo normalmente, mesmo vendo minha audiometria. No final, após um ano de troca de aparelhos, eu resolvi desistir deles e pedir meu dinheiro de volta. Me enganaram. Ameacei processar a clínica. Pouco depois descobri que tenho indicação para o IC.” (Jose)

Caça-leads

E aquelas promoções que você precisa apresentar até a declaração do imposto de renda para concorrer a um par de aparelhos de audição? Caça-lead maior não há. E as pessoas sempre caem nessa…
“Ter que entregar todos os seus dados como email, telefone, CPF, RG, etc para poder ter o preço dos aparelhos!” (Lucas)

Falta de acessibilidade

O seu cliente é surdo e você não dá a mínima para acessibilidade. Complicado, não? É o mesmo que ter uma loja de cadeira de rodas e não ter rampa de acesso.
“Quando a clínica só abre a porta pelo interfone se você se identificar. Detalhe: você não escuta. Última vez que me aconteceu isso eu não tinha o implante ainda e foi horrível, zero acessibilidade!” (Jennifer)
“Chegar na clínica e me deparar com TV sem legendas ativadas, funcionárias falando comigo de máscara ou então me ligando e me enviando áudios pelo whatsapp” (Paula)

Recusa em fornecer orçamento

O medo de perder a venda se o concorrente oferecer R$100 mais barato ainda impera – especialmente depois que se tornou padrão que as pessoas experimentem aparelhos diferentes em lugares diferentes para que tenham base de comparação.
“Não fornecem orçamento formalizado no papel (conforme cara do cliente dão um preço e uma condição diferente). Já pedi para várias clinicas nenhuma formaliza orçamento. O preço do aparelho é sempre amarrado com o serviço da fonoaudióloga – a tal venda casada, que é proibida pelo CDC. Se você optar por comprar o aparelho, quando termina o parcelamento dele vai ter que pagar a manutenção, ou seja, fazem uma situação que você vai ficar a vida pagando AASi, ou ainda se não te amarram pagar parcelamento, querem te forçar a trocar de aparelho para surdez para que você fique pagando eternamente. As situações relatadas acima ferram com a vida de quem que ter qualidade com preço justo.” (Marco)

Reclamações sobre os ajustes

Até fechar a venda, você é tratado a pão de ló. Depois, se transforma no chato reclamão que volta querendo fazer ajustes? Quem nunca?
“Regulagem preguiçosa após a compra é o maior dos nossos problemas. Tem fono que quer fazer tudo em 15 minutos e não liga para o que falamos, nossa experiência enquanto usuário de anos não conta. E reclamam quando dizemos que está bom na sala silenciosa do consultório, depois saímos para dar uma volta na rua e percebemos que o ajuste não está legal”. (Therezinha)

CLUBE DOS SURDOS QUE OUVEM

clube dos surdos que ouvem

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Estar em contato direto com quem já passou pelo que você está passando faz toda a diferença! Vem com a gente aprender a retomar a sua qualidade de vida e a economizar milhares de reais na hora de comprar um par de aparelho auditivo – ou até mesmo a como conseguir aparelhos auditivos grátis quando você não tem grana para comprar do próprio bolso!

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About Author

Paula Pfeifer é uma surda que ouve com dois implantes cocleares. Ela é autora dos livros Crônicas da Surdez, Novas Crônicas da Surdez e Saia do Armário da Surdez e lidera a maior comunidade digital do Brasil de pessoas com perda auditiva que são usuárias de próteses auditivas.

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