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Crônicas da Surdez / Implante Coclear

Quase um mês se passou da cirurgia de Implante Coclear…

ic22102013

 

Dia 28/10 fará um mês que me operei. O corte já cicatrizou bem, o cabelo já cresceu um pouco. Até o zumbido estabilizou bem depois que passei a tomar Betaserc. Agora é só a expectativa pela ativação! 😀

Tenho recebido tantos emails, e gostaria de dividir um deles com vocês hoje, porque sei que muitas pessoas estão aí atrás da tela do computador com indicação para fazer Implante Coclear e temerosas de tomar uma decisão:

‘Hoje com 13 anos da doença já estou na surdez profunda e já estou consultando com especialistas para ver se sou candidata mas tenho muito medo de tudo. As pessoas já riem de mim com os aparelhos ainda mais com IC que é uma coisa que não dá pra esconder, todo mundo vai ver e vai ficar perguntando o que é. O medico me disse que não há outro caminho ou eu faço ou vou perder tudo a ponto de nem o IC resolver mais pra mim. Tenho um filho de 3 anos que precisa de me ter ouvindo mas bate um medo danado. Sou leitora assídua do Crônicas desde que eu descobri há uns 2 anos, acompanho passo a passo de tudo que você posta. Já li seu livro muitas vezes e fico impressionada com a força que você tem pra enfrentar tudo isso. Lembro do que você disse uns dias atrás que pra pessoa se submeter ao IC tem que ter a cabeça boa e eu tenho o psicológico muito frágil. Tenho pensando muito no assunto. Acho que não tenho outra escolha a não ser fazer. Mas pinta aquela sensação, vi você de cabeça raspadinha e penso no meu cabelo que é grandão, nossa bate uma tristeza.’

Quando decidi começar esse blog em 2010 decidi também iniciar na minha vida uma nova e eterna fase, que brinco chamando de “Os OUTROS que se explodam way of life“. E desde então vivo a minha surdez baseada nisso. Os olhares, os preconceitos, as perguntas nonsense e a ignorância alheias não me incomodam e nem tiram o meu sono – pelo contrário, somente fortalecem ainda mais essa decisão. Todo mundo tem questões mal resolvidas a respeito da sua própria deficiência auditiva; eu mesma morria de medo de fazer os exames para descobrir se era apta ao IC porque temia não ser. E a beleza da vida está em resolver todas essas questões.

Alguns não admitem que precisam usar aparelhos auditivos. Outros morrem de vergonha de usá-los. Muitas pessoas passam longos anos escondendo a sua surdez, e o mais triste é que não escondem dos outros, que a notam perfeitamente, escondem é de si mesmos. Nesse momento milhares de pessoas estão em depressão porque não aceitam o fato de que não ouvem mais como antes. Outros milhares, em depressão pelo zumbido. Enfim, são muitas questões. E, como disse no livro e vivo repetindo aqui, a grande lição é lutar contra tudo isso e dar um jeito de encontrar qualidade de vida e ser feliz. Compartilhei o email acima porque me dói um pouco o coração perceber que uma leitora tão antiga, tão fiel e tão querida está se apegando a questões bobas (cabelo, o que os outros vão achar, etc) e esquecendo da mais importante de todas: o seu filho precisa que você ouça para que você possa protegê-lo.

A surdez nos deixa a um oceano de distância da pessoa que está no quarto ao lado!! E fica a pergunta: se você tem indicação para fazer o implante coclear e não fizer por ficar focada só no que não importa ou por achar que é frágil (coisa que você certamente não é, a gente não sabe a força que tem até que nossa única alternativa é ser forte) o que é que você vai responder pro seu filho quando ele crescer e lhe questionar sobre isso? Imagine ele te dizendo: “Mãe, você não fez a cirurgia pois não queria cortar o cabelo e ficava preocupada com o que estranhos iriam dizer/pensar?”. Pois é. Talvez seja hora de rever as suas prioridades. Espero que você foque no que importa e não perca mais energia com bobagens! Um beijo.

Sobre

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 38 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

12 Comentários

  • FATIMA
    27/03/2017 at 1:28 am

    Olá todos esses comentários estão sendo muito positivos para mim. Estão me encorajando a dar também meu depoimento. Mas ainda vou aguardar um pouco pois até agora não vi nenhum que falasse em coclear calssificada Alguém conhece alguma pessoa com esse problema?

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  • MARCELO CORREA RIBEIRO
    23/04/2015 at 10:28 am

    TENHO PERDA DA AUDIÇÃO TO VENDO SE SOU CANDIDATO AO IC

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  • michelle
    28/10/2013 at 8:38 pm

    Gente deixo o meu e-mail,gostaria muito de netrar em contato com pessoas que sao implantandas ou vao fazer o ic,estou a caminho do implante e fui eu que mandei esse e-mail acima pra Paula.é muito dificil a gente ter que passar por uma experiencia que nao sabemos como é por isso peço encarecidamente contatno com pessoas para tirar as minha duvidas.
    Que Deus abençoe!
    Michelle.

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  • Carolina
    25/10/2013 at 2:12 pm

    Paula, esse medo do IC, eu entendo, morria de medo dos testes de aparelhos por que imagina se não funcionasse, minha audição parecendo pior e ai sem jeito mesmo. E bem, os outros que se explodam, com comentários IRRITANTES. Um que vi aqui de uma leitora do blog que meio que me irritou foi dela dizendo “Paula como você pode ser surda e tão linda?” Não que você não seja linda, que fique bem claro mas ALOOOOOO no que vai te atrapalhar a surdez na sua aparência de verdade? Quanto a mulher com pena de cortar o cabelo, CABELO CRESCE. E ninguém paga suas contas, ninguém tem que tar falando nada, e se falarem, elas simplesmente não sabem o que é não ouvir.

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  • Leonardo Valle
    24/10/2013 at 11:15 am

    Perdi a minha audição aos 4 anos de idade, devido a meningite. Só hoje com 28 anos de idade que estou começando a amadurecer a ideia de fazer IC. Já fiz todos os exames e sou apto. Porém, como acompanho o seu blog, somente conhecia a marca de IC da Cochlear e os relatos sempre são positivos! Mas aí que vem o fato de eu não ter aceitado realizar a cirurgia ainda… meu otorrino só trabalha com a a marca da Med-EL… Não consegui ter uma opinião formada sobre essa marca de IC… alguém aqui é utiliza esse IC???

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  • Maria Esther
    23/10/2013 at 3:57 pm

    Na vida a gente faz o que deve fazer conforme as coisas se apresentam. Não tenha medo de viver! Cabeça erguida, fé e vamos lá! Não devemos entrar muito em mérito de questão, porque daí se torna uma chatice. Os olhares dos outros nos chateiam, é ruim, já passei por isso e ainda passo com meus queridos aparelhos auditivos (que adoro e agradeço a Deus por existirem e eu poder usá-los). Vamos ser realistas: nunca uma prótese é igual ao natural, mas a gente se adapta, o cérebro é um espetáculo. Somos o que pensamos, portanto, pensamento positivo. A ciência avança e o cabelo cresce. E a gente vai vivendo a vida e evoluindo com as experiências. Mil beijos!

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  • inês laborinho
    23/10/2013 at 1:58 pm

    Fui implantada no dia 2 de agosto, activada a 19 de setembro,amanhã faço a 3ª programação do implante e areprogramação da prótese (AASI) do outro ouvido, porque com o implante e a prótese a funcionar ao mesmo tempo, oiço tudo mais alto. Ainda não percebo as palavras, estou agora a começar a contar sílabas e a ouvir o som do «a», o cabelo tem já 2cms mais ou menos, não sei se o implante se nota ou não, mas isso nem me preocupa – claro que há quem diga «ah, mas tens tanto cabelo e tão escuro e tão forte, tapa bem!», mas isso não tem importãncia nenhuma, apenas me preocupa se descubro que não consigo descodificar a fala, porque há sempre exceções e já sou uma delas no que respeita à causa da surdez. E ontem voltei a ouvir o som da chuva e foi assim uma alegria danada, só umas horas depois me lembrei que detesto chuva! E a semana passad consegui ouvir a torneira mal fechada da banheira e pude fechá-la, em vez de a água correr toda a noite, como tinha acontecido alguns dias antes; e nesse momento em que ouvi a torneira, melhor, em que percebi que era o som da água a cair devagarinho, foi a minha primeira grande conquista com o implante (depois do dia em que vi/ouvi que ele funcionava mesmo!!)e muito emocionante!! E eu que detestava o som de torneira mal fechada quando era ouvinte, hem? Agora é música celestial e não é só porque poupo na conta da água!!
    Antes de ensurdecer, há 7 anos, um dos meus medos era ter de vir a usar próteses auditivas, como o meu pai. Mal sabia eu o que me esperava, com a surdez súbita! E no dia em que experimentei a minha 1ª prótese foi uma alegria tão grande por recuperar tantos sons e estreitar o contacto com os outros e com o mundo inteiro, nem me lembrei da parte estética!! Agora, com o implante, o meu mundo está a começar a crescer de novo. Ás vezes é bom conseguirmos ser mais fortes que os nossos medos, só assim experimentamos prazeres que desconhecíamos ou recuperamos uma parte de nós que ficou pelo caminho. Por isso, tente, pelo seu filho, sim, se essa razão é maior que o teu medo, mas também por ti mesma, porque mereces ser mais feliz! força, coragem!
    Inês

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  • Ana Luiza
    23/10/2013 at 12:57 pm

    Eu também sofri com isso, com o tempo passa.
    Você tem que ser forte e ter muita fé.
    Eu sou Bi Implantada. Você não pode ter medo, sabia que eu fiz o meu primeiro implante com 1 aninho? Pois é.
    Quanto mais pessoas você conhecer mais acostumado você ficará.
    Parabéns para você!

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  • Samira
    23/10/2013 at 10:36 am

    Que belo depoimento!
    Parabéns!
    Vamos encarando a perda auditiva. Vencendo cada obstáculo. 🙂

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  • MARLI SCHEIFER CAMARGO
    23/10/2013 at 10:35 am

    Engraçado, mas o meu maior medo antes das consultas também era o de não ser apta ao IC. Moro em Ponta Grossa no Paraná e vou fazer o implante pelo SUS no HC em São Paulo, são 8 horas de viagem. Fui para a primeira consulta em julho deste ano, achei que logo faria , mas semana que vem será a sétima ida desde que iniciei e com certeza ainda terei que ir muitas vezes. Claro que essa jornada está sendo bem difícil. Vendo seus relatos Paula, das dificuldades na fase pós cirurgia, é claro que bate uma insegurança enorme, mas em momento algum pensei em desistir, estou arranjando forças sim, porque considero essa a minha única alternativa.Também tenho filhos, três, um com 7 anos, eles estão até mais ansiosos que eu pelos resultados do implante.É claro que vão ganhar muito com isso, porque uma mãe que não ouve acaba dependendo até dos filhos para muitas coisas e o “normal” é que eles sejam dependentes da mãe. Mais uma vez obrigada por seu blog que está me ajudando muito.

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  • Greize
    23/10/2013 at 10:25 am

    Zumbido é doença que deve ser tratada já que muitos tem sem tem perda auditiva.Psicológico ela pode procurar algum profissional para lhe dar o suporte, pois cada pessoa é uma.De resto cabelo??Cresce quem teve câncer , que o diga.
    Procure ajuda profissional para te auxiliar a tomar a melhor decisão, cabelo é o de menos.

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  • Janise
    22/10/2013 at 4:28 pm

    Olá, Paulinha! Quando me vi surda, em abril/2009, meu maior sonho era fazer o Implante. Porque a surdez é um empecilho para muitas coisas e eu não gosto de conviver muito com a solidão. Aí o otorrino me disse que precisava mais um tempo, para confirmar se os antibióticos tinham causado a surdez mesmo. Nunca me importei com a questão de ter meus cabelos cortados, de ter alguma cicatriz visível, o que eu queria mesmo era poder ouvir. Mas antes de passar pela cirurgia, tive que passar por outros médicos e o pior: usar aparelhos que não me serviram pra nada. E eu tinha conhecimento que só ouviria após o Implante. Então, agora, implantada, pouco me importa o que as pessoas falam a respeito do aparelho que é visível. O que importa é que eu as ouço e posso conversar, ainda que tendo que olhar os lábios… Mas isso é muito melhor do que não ouvir nada, que é a solidão total! Abraços.

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