Implante Coclear

Jornada do Implante Coclear parte VI

Já estou em casa, em Santa Maria. Mas quero relembrar meus últimos dias em Porto Alegre porque foram bem emocionantes. Não paro de receber emails e mensagens perguntando como estou e a resposta é uma só: vou vivendo um dia de cada vez. Em alguns dias, me sinto ótima. Em outros, péssima. E cada vez mais tenho a sensação de que a pessoa precisa estar muito bem da cabeça antes de decidir passar por toda essa jornada, porque ela mexe demais com o nosso emocional. Eu, que me considerava uma pessoa monstruosamente forte, me pego em frangalhos às vezes. Nem sei explicar o motivo. A sensação é de que todas as coisas que evitei sentir ao longo da vida estão rompendo a represa que eu mesma criei e transbordando. É um pouquinho assustador!!! Ainda nem fiz uma imagem mental de como será a minha ativação, mas estou ansiosa por ela pois todos me dizem que a tendência é que, após ativar, o zumbido diminua muito – em alguns casos, até desaparece. O segredo do sucesso é focar em todas as coisas maravilhosas que o IC trará para a minha vida. Acho até que tenho coragem de passar por tudo de novo depois e operar o ouvido esquerdo. A parte ruim pra mim foi a tontura nos primeiros 12 dias e o zumbido – eu já era acostumada com ele, tenho 24hs por dia desde criança, mas me incomodei muito com a mudança que ele teve; em alguns dias parece uma serra elétrica, em outros, parece que tem um corno soprando uma vuvuzela bem no meu ouvido. Dá pra aguentar!! Cada caso de IC é um caso, tem gente que nem tontura teve, nem zumbido teve…só operando pra saber o que acontece!

 

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Minha mãe foi ao Simpósio Internacional em Implantes Cocleares – não pude ir por recomendação médica. Ela voltou de lá maravilhada, mas tenho uma reclamaçãozinha pra fazer: tinha intérprete de Libras mas não tinha telão com legendas e estenotipista fazendo a legendagem. Se tivesse ido, teria ficado bem triste por não entender nada. O auditório estava lotado na manhã do dia 10/10, pois pais de implantados e candidatos a IC foram para a palestra da fonoaudióloga mexicana Lilian Flores. Ah, na foto acima, Dr.Luiz Lavinsky com o filho Dr.Joel Lavinsky – ele está se especializando em implante coclear no exterior e veio especialmente para dar uma palestra no simpósio. É a família Lavinsky garantindo a nossa qualidade de vida no futuro! 🙂

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Na foto de cima, a fonoaudióloga Adriana – é ela que fará a ativação do meu implante coclear no dia 11/11!! Na foto debaixo, a mexicana Lilian Flores. Minha mãe amou as duas e eu já fiquei imaginando uma viagem ao México com direito a OUVIR TUDO! Ok, baixando a bola em 3, 2, 1…

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Sempre botei um olho gordo daqueles no coala que os implantados pela Cochlear ganham. Infernizei até não poder mais o Alexandre Lopes, diretor da Politec (que traz a Cochlear pro Brasil) brincando que queria porque queria o meu coala. Resultado? Ele chegou de São Paulo e foi direto no meu hotel com o Rubem Jr (da Politec de POA) me entregar pessoalmente o bichinho!! O mais bacana é que nós ficamos longas horas conversando e rindo, e ele me tirou muitas dúvidas, inclusive. O cara é expert – e, assim como eu, hiperativo e controlador, então nosso santo bateu que foi uma beleza. Hoje peguei meu cachorro NO FLAGRA assassinando o coala e, não satisfeito, roubando um dos implantes dele e se escondendo embaixo da cama com ele pra detonar! Marginalzinho sem vergonha…

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Um encontro especialíssimo: rever a Mara Knob e finalmente conhecer a Geraldine Oliveira! Acho que ficamos umas cinco horas conversando, foi ótimo. Nesse dia minha mãe também estava com uma blusa de onça e eu brinquei com as três: as três leoas de oncinha! 🙂

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A mocinha dessa foto acima foi quem plantou na minha cabeça, lá em 2010, a idéia de fazer implante coclear. É a fonoaudióloga Michele Vargas Garcia, amiga que amo muito. Não reparem a minha cara na foto, eu tinha tomado um remédio pra dormir porque o zumbido estava me enlouquecendo. Minhas amadas Themis Kessler e Eliara Vieira Baggio também foram me visitar.

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E teve gente que tentou ‘dar a Elza‘ no coala, né Taís Andrade? A Taís foi quem me maquiou para a capa do Caderno Donna da Zero Hora em março e, desde então, virou amiga de infância. Somos loucas por ela, que é a pessoa mais alto astral que existe. E uma coisa muito engraçada é que ela não tem ninguém com problema de audição na família e é a ouvinte que melhor articula os lábios que já conheci em toda a minha vida. Loucura, loucura!!

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Por último, eu já tô com saudade dele! Meu amado Dr.Luiz Lavinsky, cujo zelo e preocupação comigo jamais vou esquecer. Se pudesse, colocaria numa caixinha dourada e trazia comigo pra casa. Sou apaixonada por ele e pela Dra. Michelle Lavinsky Wolff também. Fico sem palavras quando quero escrever sobre eles porque me emociono, choro, e travo na hora de escrever. Mas sei que ambos sabem o quanto tão importantes pra mim! Vocês não imaginam minha felicidade quando ele leu o cartão que escrevi pra ele, me fez um coraçãozinho com as mãos e disse que ia mandar emoldurar e colocar na parede. Pronto, já to aqui com os olhos cheios de lágrimas…

Que jornada, minha gente! 

Dois acontecimentos que reforçaram a minha certeza de ter tomado a decisão certa. Primeiro, após a cirurgia, no quarto do hospital, havia umas quatro pessoas entre mãe, tia e primas – todas lá conversando, mil coisas acontecendo, e eu totalmente presa naquela prisão horrorosa do silêncio. O silêncio é uma prisão terrível, solitária, enlouquecedora. Segundo, um dia antes de voltarmos, minha mãe saiu do banho e caiu no chão molhado, se machucando muito. Eu já estava deitada e já tinha tirado o aparelho auditivo do ouvido esquerdo, ou seja, não estava ouvindo nada. Ela ficou uns 20 minutos tentando se levantar e gritando por mim, enquanto eu estava lá na prisão do silêncio de novo. Quando vi o que tinha acontecido meu coração quebrou por dentro. A surdez te deixa a um oceano de distância de alguém que está no cômodo ao lado gritando por socorro. Se eu já tinha certeza, depois desse acontecimento tive mais ainda.