Site icon Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

Aparelho auditivo compatível com aro magnético

Você já ouviu falar de uma tecnologia de acessibilidade para surdos chamada ARO MAGNÉTICO? Seu aparelho auditivo ou seu implante coclear podem ser compatíveis com ela, e talvez você nem saiba o que está perdendo.

Meus implantes cocleares têm o T-Coil (telecoil, chave T, bobina magnética), que é uma tecnologia super comum nos Estados Unidos e na Europa e basicamente desconhecida no Brasil. Ela está presente na grande maioria dos aparelhos auditivos e implantes cocleares.

O T-Coil – ou chave T como é conhecida por aqui – melhora muito a audição em ambientes ruidosos e de escuta difícil. Se ela estiver disponível no AASI ou IC, ele se torna compatível com a maravilhosa tecnologia do hearing loop, conhecida aqui como aro magnético. 🙂

É uma das tecnologias mais comuns e antigas disponíveis em aparelhos auditivos e ninguém fala sobre ela no nosso querido país – a não ser a Sônia Almeida no blog SULP, fervorosa defensora do aro magnético. Existe desde 1969 e é uma tecnologia sem fio, gente!

CUSTO x BENEFÍCIO A LONGO PRAZO

Sai infinitamente mais barato tornar um ambiente possuidor de aro magnético do que se cada usuário de IC ou AASI precisar comprar um acessório sem fio que faz a mesma coisa. Exemplo clássico: sala de aula! No Brasil, nossa política de saúde auditiva obriga o SUS a fornecer Sistema FM para cada criança usuária de IC ou AASI em idade escolar.

Digamos que uma sala de aula tenha 10 crianças com deficiência auditiva – isso não vai custar menos do que 35.000 reais para os cofres públicos. Digamos que a sala de aula tenha aro magnético – isso vai custar um terço disso e vai beneficiar todas as outras crianças e também os professores que no futuro precisarem usar, além de não estar à mercê de perdas, estragos, mau uso, etc.

Não é preciso ser expert em matemática para ver o custo-benefício! Se o local for equipado com aro magnético e seu AASI e IC tiverem T-Coil, você não precisa gastar nenhum centavo para ouvir melhor.

ACESSIBILIDADE: GRÁTIS E DISPONÍVEL 24HS

Acessibilidade precisa ser grátis ou muito barata e estar disponível 24hs. Precisamos correr atrás do prejuízo causado pelo inútil ‘Telefone TDD’ e pelo lobby que fez um país inteiro acreditar que acessibilidade para surdos é sinônimo exclusivo de intérprete de língua de sinais.

Precisamos pensar nas gerações futuras e em modos de não sermos reféns (quem tem $$ para ficar comprando lançamentos e mais lançamentos que fazem basicamente a mesma coisa e custam caríssimo?) e precisamos comprar a briga por espaços públicos e privados acessíveis a usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares.

Todos os aparelhos auditivos vêm com tecnologia T-Coil?

Não. Ela está disponível em uma ampla variedade de AASI’s, mas alguns são muito pequenos para terem bobina magnética, que requer um certo espaço. Verifique com a sua fonoaudióloga se o seu AASI e IC têm compatibilidade.

E aí, como é que faz?

Primeiro você precisa saber se seus aparelhos auditivos ou IC’s têm essa ferramenta. Seu fonoaudiólogo irá ativar o T-Coil para que você possa ligá-lo manualmente em ambientes que possuem aro magnético (hearing loop). Ele também pode ajustar o volume e a resposta de frequência no programa que você usará o T-Coil, assim o som fica mais claro e os ruídos do ambiente, ainda menores.

E aí, como isso funciona?

O princípio dos amplificadores de indução magnética é simples. Quando um sinal elétrico percorre um condutor ele cria um campo magnético em torno dele. Esse campo magnético é o vetor  do sinal áudio que é recebido diretamente pela bobina de indução que existe nos aparelhos auditivos (chave T, T-Coil, bobina magnética).

O sistema é composto por um amplificador de áudio conectado a uma fonte sonora (microfone, tv, etc) e por um condutor cuidadosamente instalado que funciona como antena: é o aro (ou laço). O sinal de áudio baixa frequencia é enviado diretamente do aro em vez de ser enviado através de alto-falante. Os amplificadores utilizados devem estar instalados para esse fim. (Fonte: Blog SULP)

 

E aí, que locais podem ter aro magnético?

Só para vocês terem uma idéia do que estamos perdendo aqui no Brasil por falta – ou omissão – de informação nesse sentido, cliquem aqui e vejam todos os locais que possuem aro magnético na cidade de Buenos Aires, que fica logo ali do lado, na Argentina: teatros, cinemas, planetários, museus, associações, faculdades e até igrejas!!! Todo local pode ter aro magnético. Dá para instalar até mesmo em casa!

 

E no Brasil, onde encontro?

No site  SOM PARA TODOS você encontra o aro magnético da marca UNIVOX, que é uma das maiores empresas do setor no mundo e foram um dos criadores do aro magnético em 1969, na Suécia.

O Senado Federal e a Câmara dos Deputados contam com balcão de atendimento com aro magnético.

A sala de atendimento médico da Clínica Sonora (Rio de Janeiro) também possui aro magnético, permitindo que os pacientes com deficiência auditiva possam ter uma comunicação melhor e sem dificuldade durante a consulta.

Há um outro modelo que pode ser usado em casa, o Univox CLS-1. Para instalações maiores, é necessário fazer um projeto do ambiente e realizar medições e cálculos, porque o sistema de aro magnético sofre interferências da fiação, estruturas metálicas etc.

Eu tenho um sonho

Que a tecnologia do aro magnético se dissipe com força no Brasil. Vamos ativar o T-Coil dos nossos aparelhos auditivos e implantes cocleares e lutar por ela. Imagine ir ao cinema e ouvir melhor, ir ao teatro e entender as falas, ir a um museu e entender o passeio guiado, ir a qualquer local público e ouvir o atendente, ficar preso num elevador e conversar com quem vai te prestar socorro e está lá fora, ouvir o alto-falante do aeroporto alto e claro direto nos seus aparelhos, estar internado no hospital e ouvir o que o médico falar quando for ao quarto, chegar na imigração americana e ouvir o totem direto nos AASI, etc.

A Câmara dos Deputados foi pioneira no Brasil e já possui aro magnético em suas instalações – clique aqui para ler a notícia.

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