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Aparelhos Auditivos

O que as MARCAS de Aparelho AUDITIVO NÃO TE CONTAM

marcas de aparelho auditivo não contam

As marcas de aparelho auditivo não contam aos consumidores todos os detalhes que eles precisam saber antes de decidir qual comprar. Por falta de informação, muitos novatos no mundo da perda auditiva saem prejudicados porque caem em técnicas de venda desenhadas para quem não pesquisou profundamente o assunto. Se você tem algum grau de surdez, precisa usar aparelho de audição e é novo por aqui, seja bem-vindo! Gastar um tempo lendo esse post e vários outros aqui do site é um investimento de longo prazo em você mesmo.

O segredo que as marcas de aparelho auditivo NÃO TE CONTAM

A indústria da audição segue a tendência global da miniaturização dos eletrônicos, tentando reunir estética e tecnologia de ponta! Quem usa aparelhos auditivos há décadas é testemunha de que eles eram feitos para durar longos anos até não muito tempo atrás. Muitos membros do Clube dos Surdos Que Ouvem usaram o mesmo aparelho por mais de 5 anos sem nunca precisar enviá-lo para o conserto. Atualmente, isso é raridade. É uma pena que a transparência não seja um ponto forte dessa indústria. Comecei a usar aparelho auditivo com 16 anos, farei 42 esse ano e… quase nada mudou desde então.

Entre várias informações que você pode conseguir se pesquisar, mas que não lhe serão fornecidas sem que você faça as perguntas certas, uma delas se destaca.

Você sabia que hoje a maioria das marcas de aparelho auditivo seguem a linha do bloco amplificador integrado? Acho que não porque, até a semana passada, nem eu mesma sabia. Mas dei sorte de conversar com um insider da indústria que me fez esse alerta. E foi por isso que decidi escrever esse post!

Atualmente, as marcas têm lançado aparelhos auditivos cada vez mais “descartáveis”, ou seja, o bloco amplificador é integrado com todos os componentes eletrônicos que compõem o aparelho de audição ( os microfones principalmente). Isso começou a se tornar o padrão de uns anos para cá (vamos chutar que tenha sido de 7 anos para cá). Para o consumidor isso é ruim, porque impede que o aparelho auditivo seja consertado por algum técnico independente quando a garantia chega ao fim, além de torná-lo refém das práticas e preços referentes a consertos e trocas do local onde comprou seu AASI.

Quanto menor o aparelho, mais integrado é o bloco amplificador. O que isso significa na prática? Enquanto o seu aparelho auditivo estiver na garantia, qualquer problema que ele apresentar, será trocado por outro (se será um 0km ou um recauchutado, que a indústria chama pelo nome hype de ‘refurbished‘, só Deus e o contrato que você assinou sabem). ENTRETANTO, quando o seu aparelho sair da garantia, você não conseguirá consertá-lo, apenas trocá-lo por um novo, ou seja, comprar um novo aparelho auditivo de acordo com os preços e regras do fabricante.

Para que essa prática não pegue tão mal aos olhos do consumidor, as marcas de aparelho auditivo têm sua tabela com valores diferentes para a ‘troca’ por um novo quando a garantia acaba. Quanto mais ‘velho’ for o aparelho, mais cara é a “troca” e/ou o conserto.

Existe uma política de conserto da maioria das marcas que cobram por tempo de vida do AASI quando a garantia acaba. É por isso que muita gente volta para casa aos prantos quando descobre que seu aparelho comprado há 3 anos saiu de linha, foi considerado obsoleto e a única solução é comprar um novo, já que o conserto é impossível – seja em função do bloco amplificador integrado, seja em função da política da empresa. Importante: antes de desistir, procure um técnico independente para averiguar se o seu aparelho auditivo REALMENTE não tem conserto.

Quem já passou por isso entende a raiva que as pessoas sentem nessas horas, e é por isso que eu digo e repito: INFORME-SE. PESQUISE. Saiba fazer as perguntas CERTAS antes de comprar um aparelho de audição. Não tenha preguiça de passar várias noites lendo todos os posts sobre aparelhos auditivos aqui no Crônicas da Surdez! A informação compartilhada aqui pode te poupar de muitos perrengues e decepções futuras.

A grande maioria de modelos que são bloco de integrado não atendem perda de audição severa a profunda. E, como quanto menor o aparelho, mais integrado é o bloco amplificador, muito cuidado para não ser seduzido pelos apelos da ‘discrição’ e da ‘invisibilidade’ nessas horas. Especialmente porque aparelhos minúsculos costumam ajudar apenas perdas leves e moderadas e não costumam ter reserva de potência caso sua surdez piore. Ah: se a sua surdez piorar e o seu aparelho auditivo não tiver reserva de potência, sinto muito, mas a única solução será comprar outro. Mais uma vez: INFORME-SE. PESQUISE. LEIA. Não tenha preguiça! A responsabilidade é sua. Não espere que o vendedor vá jogar toda a informação que você precisa no seu colo de mão beijada.

Nada contra a miniaturização dos aparelhos auditivos, mas o modus operandi da indústria nos torna reféns de um modelo de negócio que só é bom para quem vende, não para quem compra os aparelhos auditivos. Se as marcas e fabricantes praticassem valores mais acessíveis, milhões de pessoas seriam encorajadas a voltar a ouvir. Afinal, nada mais odioso do que ouvir que “ouvir não tem preço” quando você não pode pagar R$15.000, R$20.000 ou R$30.000 num par de aparelhos de audição, não é mesmo?

Hoje em dia, o conserto de aparelhos auditivos e implantes cocleares se tornou uma parte importante e lucrativa do negócio. Em 2012, o The New York Times expôs as explicações do engenheiro Russ Apfel sobre o REAL CUSTO de fabricação de um aparelho auditivo na época: segundo Apfel, em pequena quantidade, o preço de fabricação dos microfones e chips desses aparelhos (em 2012) variava entre 10 e 15 dólares, e a maioria dos AASIs não custava mais do que 100 dólares para ser fabricado na época.

Atenção!

Atenção: MUITOS FONOAUDIÓLOGOS não sabem sobre essa questão do bloco amplificador integrado. Pergunte sobre isso se você estiver testando aparelhos auditivos. Foi por esse motivo que fizemos o post “Desvantagens do Aparelho Auditivo Recarregável“: a maioria desses aparelhos são de bloco amplificador integrado.
Os aparelhos auditivos antigos são super acessíveis para conserto, porque foram feitos para durar bastante e NÃO TÊM bloco amplificador integrado, ok? Para sua segurança, se tiver opção, escolha um modelo que não seja de bloco amplificador integrado. E, após qualquer conserto, volte no seu fonoaudiólogo para ajustar seus aparelhos auditivos de acordo com as boas práticas da audiologia! Isso é fundamental.

As marcas de aparelho auditivo também NÃO CONTAM que:

  1. O SUS fornece aparelho auditivo das mesmas marcas e fabricantes que você compra por aí
  2. Os aparelhos auditivos do SUS NÃO são de baixa qualidade
  3. Os fonoaudiólogos independentes te permitem testar várias marcas e modelos no mesmo lugar (adeus, peregrinação e adeus implorar pra descobrir o preço de um aparelho auditivo)
  4. Quando acabar a garantia do aparelho auditivo, você pode buscar um técnico independente para consertos e manutenção
  5. Aparelho auditivo que não tem chave T é furada (você nunca poderá usar aro magnético quando viajar, e quem diz que aro magnético é bobagem quer te vender um acessório bluetooth)
  6. As desvantagens do aparelho auditivo recarregável são várias (opte por um modelo que tenha pilhas e bateria recarregável, se puder)
  7. Quanto mais ‘acessórios’ o seu aparelho precisar, mais risco de quebras e consertos você corre

Leia com extrema atenção as letrinhas pequenas do seu contrato. Cada parte do seu aparelho auditivo tem um tempo diferente de garantia – pilhas e baterias recarregáveis costumam ter apenas 3 meses de garantia, sabia? As letrinhas pequenas contém todas as armadilhas e pegadinhas que vão te afetar lá na frente.

Dá para consertar aparelho auditivo do SUS?

Se o seu aparelho auditivo não for de bloco amplificador integrado, ou seja, quando é possível desmembrá-lo por dentro, é possível trocar o microfone e o receptor. Não consegui descobrir ainda se a maioria dos aparelhos de audição fornecidos pelo SUS atualmente são ou não são de bloco amplificador integrado.

O que você tem que saber ANTES de comprar aparelho para surdez?

Você precisa saber pelo menos a resposta de 10 perguntas essenciais antes de fechar a compra do seu aparelho auditivo. Comece perguntando se ele tem o bloco amplificador integrado. Depois, faça as 10 perguntas abaixo:

  1. O aparelho auditivo tem reserva de potência caso sua surdez piore?
  2. Qual é o tempo de garantia do aparelho de audição e suas peças e acessórios?
  3. Se o aparelho estragar durante a garantia, emprestam outro até o conserto ou troca?
  4. Qual é a vida útil do aparelho auditivo e quando é considerado obsoleto?
  5. Se eu mudar de cidade, como ficam as regulagens?
  6. O aparelho é ‘trancado’ para não ser ajustado fora da loja/marca?
  7. Quais os preços das peças pagando separadamente?
  8. O que acontece quando a bateria do aparelho auditivo recarregável viciar (fora da garantia)?
  9. Quanto tempo até esse aparelho auditivo sair de linha e como ficam os consertos depois?
  10. Posso adquirir o produto SEPARADO dos serviços do fonoaudiólogo?

O que os usuários de aparelho auditivo TE CONTAM?

Tudo, com riqueza de detalhes. Antes de bater o martelo na compra do seu aparelho auditivo, CONVERSE SEM PRESSA com pessoas que já usam aparelho de audição. Onde? Ao se tornar membro do Clube dos Surdos Que Ouvem, você ganha como bônus acesso às nossas comunidades digitais. Só em um dos nossos grupos fechados, há mais de 21 mil pessoas com perda auditiva. Não perca!

Alô marcas!

Caso queiram nos contar quais são os produtos do seu portfolio que NÃO possuem bloco amplificador integrado e divulgar abertamente sua política de trocas e consertos (com os preços praticados), entrem em contato. Queremos sempre saber quem está alinhado com o que é melhor para o paciente e leva em consideração as nossas necessidades – especialmente a de poder pagar pelo que precisamos.

 

CLUBE DOS SURDOS QUE OUVEM

clube dos surdos que ouvem

Como MEMBRO do Clube dos Surdos Que Ouvem, você tem acesso às nossas comunidades digitais, conteúdos exclusivos, descontos em produtos e acesso aos nossos cursos. E o mais importante: a sua jornada da surdez deixa de ser solitária e desinformada e passa a ser muito mais leve, simples e cheia de amigos.

São 20 mil usuários de próteses auditivas com os mais diferentes tipos e graus de surdez para você conversar sobre as suas dúvidas a respeito do universo da deficiência auditiva.

Estar em contato direto com quem já passou pelo que você está passando faz toda a diferença! Vem com a gente aprender a retomar a sua qualidade de vida e a economizar milhares de reais na hora de comprar um par de aparelho auditivo – ou até mesmo a como conseguir aparelhos auditivos grátis quando você não tem grana para comprar do próprio bolso!

Se você for mãe ou pai de uma criança com perda auditiva, uma das comunidades digitais do Clube é um Grupo de Telegram com centenas de famílias se ajudando mutuamente todos os dias.











About Author

Paula Pfeifer é uma surda que ouve com dois implantes cocleares. Ela é autora dos livros Crônicas da Surdez, Novas Crônicas da Surdez e Saia do Armário da Surdez e lidera a maior comunidade digital do Brasil de pessoas com perda auditiva que são usuárias de próteses auditivas.

3 Comments

  • Arnaldo
    24/01/2023 at 12:12 pm

    Durante muito tempo enquanto a minha surdez era baixa, usei com sucesso os amplificadores vendidos pelos sites de venda, geralmente construídos na China e países vizinhos. Não usava direto, apenas em reuniões ou no atendimento a uma pessoa em entrevista. Como era muito barato, qualquer problema fazia a substituição. Nunca custava mais que duas centenas de reais. Quando então resolvi usar de forma direta, procurei um otorrino especializado em surdez para identificar as razões da perda auditiva e caso não houvesse tratamento, então usaria um aparelho. Optei por uma marca consagrada no mercado por várias indicações de pessoas. Com muita negociação consegui comprar por um preço muito competitivo. Já no primeiro mes verifiquei que um aparelho gastava mais energia do que o outro. De pronto a fono disse que era o lado em que estava ligado o bluetooth, então pedi para que trocasse de lado. Foi feito e verificamos que realmente o aparelho estava com problemas. Foi enviado para conserto, mas já fiquei com o pé atrás da fono e da marca. Hoje por tres tentativas seguidas ainda não está muito bem adaptado a oliva. Preciso usar uma oliva infantil pois o meu canal auditivo é muito pequeno em relação a outras pessoas. Este era um motivo para ter sido resolvido na primeira troca de oliva. Para um bom som é necessário segurar com o dedo empurrando o fone para dentro do canal. Talvez tenha de trocar de fono ou de assistência da marca. Descobri que o mesmo aparelho pode ser comprado direto da CHINA, onde todos são fabricados, por um preço que não ultrapassa a R$2.000,00 da mesma marca e modelo. Temos de denunciar esta extorsão do consumidor, principalmente em se tratando de saúde.

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  • Mário Sérgio
    24/01/2023 at 11:28 am

    Mais uma vez, parabéns Paula,por nós fornecem informações valiosas a respeito da cultura do empurrômetro praticado pela grande maioria dos profissionais envolvidos.

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