Balada e surdez não são grandes amigas. Isso porque surdez e escuro são incompatíveis. Particularmente, não gosto de ir a lugares com som muito alto, como barzinhos, pubs, shows, etc, utilizando meus AASIs (aparelhos de amplificação sonora individual, para quem não sabe). É barulho demais, por mais irônico que isso possa soar.
O primeiro problema é a (falta de) luz
Quando a balada é muito bem iluminada, não há problema nenhum. Com luz, seus olhos farão leitura labial e tudo se resolve perfeitamente. Porém, quando a balada é E-S-C-U-R-A, meu Deus! Para uma pessoa surda, usuária ou não de aparelhos auditivos, isso poderia se enquadrar na categoria “sessão de tortura chinesa”.
É claro que, se você sair com seus amigos e permanecer com eles a noite inteira, a saída será bem tranquila.
Paquera, balada, e surdez
Agora, e quando “um certo alguém” decide partir pro ataque e vir com conversinhas ao pé do ouvido surdo no escurinho? É pra morrer – de angústia, de nervoso, e de dar risada no outro dia.
Quando o “certo alguém” é uma mala sem alça, a missão é facílima, basta deixá-lo falando sozinho. Ok, é maldade. Mas mesmo pessoas ouvintes fazem isso, por que diabos nós não podemos, na hora do aperto? Temos o direito! 🙂
Quando o “certo alguém” tem lá sua importância, então acho que chegamos a desenvolver uma síndrome do pânico temporária. Nervos à flor da pele. Se vocês perguntarem: “Por quê?”, respondo: quando nossa surdez é “disfarçável” (por pura falta de palavra melhor) com aparelhos auditivos, não vemos motivo nenhum para sair por aí alardeando isso. Ou seja, no geral, o “certo alguém” nem imaginará que você não escuta ou escuta mal. Nessas horas, então, a deficiência invisível nos coloca em maus lençóis.
No mínimo, você precisará fazer uso de duas artimanhas: chamar o bendito para conversar onde tenha luz, ou ativar sua visão de raio-X e pedir que ele fale de frente para você. Off-topic: por acaso alguém conhece um bofe com talento para passar aquela conversa direto olho-no-olho, sem apelar pro papinho no ouvido com sussurros no pescoço?? Rsrsrsrsrs.
Eu queria. Mas não entendi nada do que ele disse
Lembro de um “causo” (faz tempo, nossa!) em que esperei horas até que o bendito viesse falar comigo. Quando ele finalmente tomou coragem, eu já tinha tomado umas, mas ele escolheu justamente um local específico do recinto com iluminação precária. Assim, coloquei um sorrisão Colgate no rosto, e concordei com tuuudo o que a criatura disse. Quando nos despedimos, ele falou, pelo que lembro:“Então amanhã a gente combina!”. Aliás, ele falou, falou, falou… Mas essa foi a ÚNICA parte da conversa que eu entendi. 🙁
No outro dia, em casa, fiz todo o esforço humanamente possível para tentar relembrar o papo. E nada! Foi tão desesperador não saber com o que eu havia concordado durante o papo que, quando o benditinho me chamou no MSN naquele dia, fiz a egípcia sonsa (tradução: ignorei!).
PS: esse post foi escrito em 2010, quando eu estava na surdez profunda e usava aparelhos auditivos. Hoje, uso dois implantes cocleares e com eles, consigo ouvir praticamente tudo.
Surdez e escuro, pra mim, só na hora de dormir. E deu pra bola! 🙂
Alguém quer contar nos comments algum causo engraçado envolvendo surdez e balada?
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