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7 dicas para tornar Processos seletivos ACESSÍVEIS a surdos

processos seletivos acessíveis a surdos

Processos seletivos acessíveis são o sonho de consumo das pessoas com deficiência auditiva. Oferecer acessibilidade durante um processo seletivo é o único modo de garantir que uma pessoa com deficiência concorra em igualdade de condições com os outros candidatos, seja no caso de vagas para PCD, seja no caso de vagas abertas a todas as pessoas (o que seria o CORRETO em todos os casos, diga-se de passagem, já que as vagas reservadas ao preenchimento de cotas são sempre as piores vagas com os salários mais baixos).

Quando falamos de um processo seletivo acessível a pessoas surdas, tudo começa lá no início. Por incrível que pareça, muitos recrutadores desconhecem a diversidade da surdez e insistem em TELEFONAR para os candidatos com deficiência auditiva. Isso equivale a chamar um candidato cadeirante para uma entrevista de emprego num local cheio de escadas e sem rampa de acesso, ok?

Processos seletivos acessíveis a surdos

Por “surdos” entende-se TODAS as pessoas com deficiência auditiva, e não apenas os surdos que usam língua de sinais. Por desconhecimento do assunto, as empresas acatam qualquer coisa ANTES de conversar com os candidatos que precisam de acessibilidade e são os maiores interessados em dar o feedback correto. É uma pena que os vendedores de ‘tecnologias de acessibilidade para surdos’ não sejam honestos a respeito dos números globais da surdez e das necessidades de acessibilidade de TODAS as pessoas surdas.

Processos seletivos acessíveis a surdos devem seguir o seguinte passo-a-passo:

  1. Recrutador deve entrar em contato por mensagem escrita SEMPRE (email ou WhatsApp) pois a maioria absoluta das pessoas com deficiência auditiva possui dificuldade para falar ao telefone, especialmente em ambientes com ruído;
  2. Recrutador deve perguntar ao candidato surdo qual é a acessibilidade ele deseja;
  3. Quando o canditato surdo solicitar LEGENDAS, o recrutador deve providenciar o serviço de ESTENOTIPIA (legendas feitas por ser humano), uma vez que legendas feitas por reconhecimento de voz têm muitos erros e um delay que torna a conversa impraticável;
  4. Quando o candidato surdo solicitar INTÉRPRETE DE LIBRAS, o recrutador deve providenciar um intérprete ser humano, pelos mesmos motivos citados acima;
  5. Tanto no caso de legendas ou Libras, a acessibilidade deve estar presente na mesma tela na qual o recrutador aparece para que o candidato consiga visualizar o recrutador e a acessibilidade ao mesmo tempo;
  6. O recrutador deve fornecer feedback ao candidato através de mensagem escrita;
  7. No caso do candidato pedir legendas e a empresa não possuir recursos financeiros para providenciá-las, sugerimos o uso das legendas automáticas em português do Google Meet (índice baixíssimo de erros, legendas muito boas)

A maioria dos surdos do Brasil NÃO usa Libras

Duvida? Basta checar o gráfico divulgado pelo IBGE em 2021. Conhecer a diversidade que existe em cada deficiência é requisito básico para se propor a fazer processos seletivos acessíveis. Depois disso, é preciso conhecer os tipos de acessibilidade que existem e CONVERSAR com o candidato, perguntando diretamente a ele qual é a acessibilidade que ele necessita. Não presuma, pois o pior tipo de capacitismo que existe é achar que você sabe o que uma pessoa com deficiência precisa sem perguntar a ela.

maioria dos surdos NÃO usa libras

Capacitismo nos processos seletivos

Eu mesma já vivi as mais diversas situações desagradáveis em processos seletivos, e a pior parte é que, na maioria das vezes, esses processos eram conduzidos por ‘consultorias de diversidade e inclusão‘. Já ouvi de recrutador que eu não parecia surda. Já ouvi de recrutador que eu deveria saber Libras. Já tive recrutador duvidando da minha surdez profunda bilateral mesmo após o envio de laudos médicos e exames recentes. Já passei pela situação em que um executivo me pediu desculpas por não saber Libras quando eu disse que era surda, sendo que estávamos conversando há 40 minutos sem nenhum tipo de dificuldade. Já ouvi de recrutador que eu era “normal demais para uma pessoa surda”. Já pedi acessibilidade e me deparei com janela de Libras (eu não uso Libras). Já pedi acessibilidade e me deparei com legendas feitas por IA com um delay horroroso em outra aba e com erros grotestos que tornavam a conversa impraticável. Já precisei explicar a quatro recrutadores diferentes da mesma empresa, no mesmo processo seletivo, porque uma pessoa com surdez precisa de legendas em situações com ruído de fundo.

O capacitismo no mercado de trabalho existe, é real e CRUEL com as pessoas com deficiência. Quase não temos acesso ao mercado de trabalho e, quando surge a oportunidade de uma entrevista, há o obstáculo extra da falta de acessibilidade. Isso precisa acabar. Num mundo ideal, não precisaríamos de cotas e todas as vagas seriam abertas a todas as pessoas. Entretanto, enquanto empresas e recrutadores continuarem enxergando apenas a DEFICIÊNCIA de um profissional, estarão perdendo a chance de recrutar grandes talentos.

Nada pode ser mais mentiroso e desleal do que afirmar que não existem profissionais PCDs que são qualificados para o mercado de trabalho. O que existe é preconceito, preguiça de conhecer a diversidade das deficiências e preguiça de construir processos seletivos REALMENTE acessíveis a pessoas com deficiência, sejam elas quais forem.

Acessibilidade em processos seletivos

Acessibilidade deve ser o PADRÃO e não a exceção. Ou não venha falar sobre diversidade e inclusão, uma vez que 15% da população mundial possui uma deficiência.

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About Author

Paula Pfeifer é uma surda que ouve com dois implantes cocleares. Ela é autora dos livros Crônicas da Surdez, Novas Crônicas da Surdez e Saia do Armário da Surdez.

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