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Crônicas da Surdez

Vergonha da própria deficiência?

Falar abertamente sobre deficiência auditiva é tão natural para mim que chego a estranhar quando alguém me cumprimenta por ter essa ‘coragem’. Depois de algum tempo escrevendo aqui no Crônicas, posso dizer que há uma coisa que me deixa MUITO triste: a quantidade de gente que morre de vergonha da própria deficiência auditiva. Eu sei sei muito bem que cada um de nós tem o seu próprio tempo para superar essa fase. Já passei por isso. Sei o quanto os sentimentos são confusos e o quanto é difícil de aceitar de verdade esse fato.

Somos privados do sentido que controla uma boa parte da comunicação, e por isso mesmo penso que falar sobre a nossa deficiência é algo crucial na formação do nosso caráter – não apenas como ‘deficientes’, mas especialmente como seres humanos. Temos a obrigação moral (por nós e pelas gerações futuras) de ser disseminadores de informação. E como fazer isso sentindo vergonha de si mesmo? Impossível.

Crianças: elas só vão sentir vergonha se aprenderem em casa que devem se sentir mal por isso. Acho crucial que os pais falem sobre o assunto com os seus filhos  sem pudores, preparando-os para enfrentar as perguntas e os olhares alheios. É uma pena que nem todos os pais de crianças ‘normais’ ensinem a elas que as diferenças existem e devem ser respeitadas, e isso só contribui para o bullying que acontece nas escolas. Super-proteger uma criança surda só a torna despreparada para lidar com o mundo real – fora da segurança do lar as coisas não só podem ser como são diferentes. Assim como existem adultos cruéis, existem crianças ainda mais cruéis que eles. Nunca esqueço de uma amiga que me contou que, num vôo dentro dos Estados Unidos, havia uma garotinha surda usando aparelhos auditivos sentada ao seu lado. As duas engataram um papo e minha amiga ficou maravilhada ao perceber o orgulho que a garotinha sentia dos seus aparelhos! Ela contou até que podia ‘vesti-los’ com a cor que quisesse, e escolhia a roupa que ia vestir no dia só depois de decidir que cor colocaria nos AASI. Olha só que fofa!! Com certeza que foram os seus pais que a ensinaram a ter orgulho de si. Não consigo aceitar a idéia de pais que tentam esconder a todo custo a deficiência auditiva do filho. Penso que isso é um ato cruel. Uma violência.

Adolescentes: essa fase da vida é complicada por si só. Na adolescência, as interações sociais se intensificam, e quem não escuta tem duas opções: ou se retrai (e assim corre o risco de entrar em depressão ou ser do tipo anti-social) ou se expande (não deixando que a frustração de não ouvir o afaste das pessoas).

Adultos: que tipo de mensagem um adulto surdo passa para seus filhos ao sentir vergonha de não ouvir? Ao se trancar em casa por medo de ser ridicularizado? Pensem comigo: ser adulto é saber se defender quando necessário. É sentir orgulho das suas lutas e conquistas diárias. A surdez está fora do nosso controle e não é um defeito de caráter.

A quantidade de mensagens que recebo pedindo ‘dicas de como esconder a surdez do namorado‘, ‘dicas de como esconder os aparelhos auditivos‘, ‘dicas de o que fazer para que as pessoas não notem que eu não escuto‘ e afins não tá no gibi. Eu jamais escreveria posts sobre isso, até porque meu lema é: ESCANCARE! Não há como disfarçar o indisfarçável. Perder tempo e energia com isso é absolutamente patético.

Sentir vergonha é sentir medo. Medo de ser ridicularizado, medo de não conseguir se comunicar. Medo do outro. Mas é preciso ter em mente que esse outro não sabe nada de nós, e, se nos causa algum desconforto, isso pode acontecer até sem intenção. A falta de informação faz com que as pessoas tenham atitudes que nos magoam. Mas como um ouvinte pode saber a maneira perfeita de lidar com um deficiente auditivo se nunca precisou lidar com um ou se informar sobre o assunto? É aí que entramos como disseminadores de informação. Numa interação social entre um ouvinte e um surdo que morre vergonha da surdez, o que o ouvinte aprende? Nada!!! Mas no momento em que se relaciona com um surdo que sente orgulho de si e ainda desvenda esse ‘mistério’ para ele, o ouvinte enxerga tudo sob outro prisma e ainda passa a atuar como outro disseminador de informação. Acho isso maravilhoso!!!E penso que todos nós deveríamos praticar diariamente isso.

Desde que superei essa fase e comecei a falar sobre o assunto surdez com todo mundo que conheço, muitos amigos, colegas, conhecidos e até familiares passaram a me tratar de outra forma. De igual para igual. Com respeito. E educação. Sem aquele constrangimento que deriva do fato de que não se pode tocar no assunto – ou porque o surdo não gosta, ou porque sente vergonha. Alguns podem pensar: “Porque falar sobre isso?“. Ora bolas, PORQUE NÃO FALAR? Você não enxerga beleza nas diferenças? Você não entende que ninguém está livre de vir a perder (uma parte da) audição em alguma altura da vida?

Você não quer usar aparelhos auditivos porque eles são grandes? Acho que você devia agradecer aos céus por existir uma tecnologia que lhe ajude a escutar em vez de se importar com os olhares dos outros.

Você tem vergonha do seu marido/mulher por ser surdo? Acho que você devia fazer com que seu marido/mulher sinta orgulho de você ao perceber que você se orgulha de ser quem é, afinal, impossível que ele/ela seja uma pessoa perfeita.

Você se esforça ao máximo para que os outros não percebam que você não escuta? Tenho certeza que sua máscara cai a cada “Hã?” que você precisa dizer quando se distrai por dois minutos.

Você penteia os cabelos da sua filha surda de modo que eles tapem os aparelhos auditivos para que os coleguinhas não vejam? Acho que você deveria procurar um psicólogo o mais rápido possível.

Você ensina ao seu filho surdo que quando um colega o chama de surdo ou toca no assunto surdez com ele, isso é uma grande ofensa? Acho que você vai chorar muito quando constatar que contribuiu tremendamente na criação de um ser humano com auto-estima nula.

Você se sente mal quando seu namorado/namorada fica sem graça porque outras pessoas descobriram que você é surdo(a)? Faça um favor a si mesmo e troque de namorado(a) o quanto antes. Quem quer se relacionar com alguém que faz com que a gente se sinta mal? Credo!

Você só vai usar aparelhos auditivos se eles forem tão pequenos que nem têm potência para ajudar o grau da sua perda? Não perca seu tempo, continue no silêncio.

Pareci agressiva ali em cima? Esse foi o objetivo. Quem lê este blog são adultos – e de adultos, o mínimo que se espera é maturidade. Você precisa se sentir bem na sua própria pele, identificar os seus fantasmas pessoais e fazer todo o esforço do mundo para acabar com eles.

SENTIR VERGONHA DA SURDEZ É UMA VERGONHA.

Me desculpem aqueles que vivem interpretando o papel de surdo que escuta, de surdo que não é deficiente. A gente é diferente. E daí? Temos que jogar com as cartas que temos em vez de passar longos anos lamentando a falta das cartas que gostaríamos de ter. A vida é curta. A hora de parar de ter vergonha de ser surdo é agora.Vamos inverter a lógica cultural brasileira, que pensa que todo deficiente é um coitado incapaz que deveria se esconder num buraco??

Pense nisso – mas pense mesmo e analise o seu comportamento com um olhar BEM crítico. Tudo isso que escrevi é o que eu gostaria que alguém tivesse me dito há us 15 anos atrás. 😉

Sobre

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 38 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

37 Comentários

  • Renata
    24/09/2015 at 3:33 pm

    Este post é fantástico, Paula. Como dizer que eu simplesmente… ameiiiiii de paixão? Parabéns, este texto é incrível, é espetacular!

    Na parte que você escreve: “Crianças: elas só vão sentir vergonha…”. Empatia imediata, me senti exatamente essa criança. Lidei com a perda auditiva desde pequena, e não foi nada, nada fácil. Na minha família, esse assunto era tabu. Não era tratado com naturalidade. Diziam ao meu pai: “Ela é surda! Como você lida com isso?”. Ele só acenava, desanimado. Detalhe: eu ali, do lado… percebendo tudo. Tinha uns 7 ou 8 anos. E depois, eu chorava escondida por muitas e muitas noites. De tristeza, de angústia, de solidão…

    Ninguém me preparou para o mundo. Como você já disse em outro post – “Como é que a gente consegue mesmo? De onde é que a gente tira forças? Como é que a gente segue a vida sem sucumbir à toda solidão e isolamento que a surdez nos traz?”. Te respondo… não sei. Não sei dizer o que me moveu, o que me fez seguir em frente, apesar de tudo. Mas uma coisa é certa: a partir do momento que percebi que eu era melhor do que um ouvinte (seja tirando uma nota melhor na prova, seja me destacando no ambiente profissional, seja no esporte), fui ganhando confiança e autoestima. E isso – perceber que eu poderia, sim, conseguir muitas coisas – foi o que me moveu quando já estava adulta. E consegui, aos poucos, ser mais feliz!

    ps. como o povo aqui já falou e vc também… ah, se eu tivesse a chance de ter lido seus posts 15, 20 anos atrás… também teriam feito muita diferença!

    Responder
  • Poliana R.
    08/01/2013 at 1:28 pm

    A sua teoria foi bastante interessante.
    Realmente está acontecendo isso comigo mesmo, já estou com 19 anos, e até hoje, alguns momentos eu me arrependo de não ter enfrentado o possivel por causa da vergonha de si mesmo. Rs, ter atitude mostra amadurecimento!! Parabéns. 🙂

    Responder
  • Sara
    25/07/2012 at 11:16 pm

    Oi Paula
    Adimirei seu blog ta de parabens. Tambem sou surda a minha mãe pegou rubola quando estava gravida de mim, perda severa profunda dos 2 ouvido, uso AASI.Tenho 28 anos. Já passei essas situação, depressao, preconceito de mim mesma, estranhos “falar bobo” comigo. Mas sempre tive amigos, ja estudei escola de gente normal, nunca fiz contado com mesmo deficiencia de mim. Tenho o noivo se orgulha de mim, gosta do meu jeito de fala “alemoa” mas não sou alemoa, sou italiana. Quando vou comprar alguma coisa… as pessoas pedem que origem sou. E eu digo que sou da alemanha e depois dou risada, me divirto com isso e a vida. Abraços Sara

    Responder
  • Viviane
    22/02/2012 at 2:41 pm

    Paula,
    quero parabenizá-la pela iniciativa e acho que suas atitudes tem ajudado muitas pessoas com dificuldades para enfrentar um assunto que no começo é de difícil aceitação. Descobri ano passado que tenho otosclerose, diagnosticada por dois médicos. Minha reação diante do primeiro otorrino foi de que só podia ser engano. Na minha familia não tem caso igual a este. Diante do segundo, foi como se isso fosse uma coisa normal, até fiz piada sobre o assunto… mas com o passar dos dias, fui notando a diferença e a dificuldade de comunicação tanto no trabalho quanto na vida social. Cheguei a experimentar aparelhos em algumas empresas, fiquei um tempo pensando se seria melhor a operação, mas o médico não aconselhou. Já se passaram 6 meses desde a descoberta, e agora estou na fase de aceitação e o trâmite da compra dos aparelhos (perda moderada nos dois ouvidos).
    Você tem toda razão, não deveria ter vergonha de assumir minha situação seja para quem for, pois não tenho como fugir disso. É aí que a gente sabe quem são nossos verdadeiros amigos.
    Obrigada. Que Deus a proteja e te dê muita saúde, paz e amor… Tudo de bom.
    Abraços,
    Viviane

    Responder
  • J. F.
    15/11/2011 at 1:16 am

    Vergonha??

    Bem ….depois de levar um choque de tefefone no ouvido direito quando tinha apenas 8 anos de idade ……so fui descobrir minha perda auditiva aos 19 anos quando queria realizar o sonho de comissaria de voo. Fiz o curso, fiz os teste de sobrevivencia , fiz o teste teorico e quando chegou a vez do teste no HASP :hospital da aeronautica de Sao Paulo fui reprovada no exame de audiometria . Encurtando a historia !!!! fiquem em depressao .. anos e anos e sim sim nao ACEITAVA essa perda que nuncaaa percebia, e muito menos o tal de ser uma deficiente auditiva . Para mim era o fim da minnha autoestima ..ja que sempre sofri de complexo de inferioridade !!!

    Por falta de incentivo fiquem sem usar os aparelhos por anos ..conclusao de leve fui para MODERADA …

    Passei por toda essa etapa que vc mencionou :
    ) desculpa do aparelhos grandes demais.
    )tinha vergonha de falar para minhas paquerinhas sobre o uso dos aparelhos
    ) nao usava quase nunca e forcava me muito sim sim caio varias vezes minha mascara que numa dessa fui mandada a ir embora de uma empresa (apos 10 meses atuando ) sendo chamada de surda ( longa historia)
    ) sempre usei cabelos cumpridos e nunca um rabo de cavalo so em casa
    )queria o mais moderno de todas as parafenalias porque so pensava no lado estetico e nao na minha saude ..POR QUE pior ?? por que os proprios vendedores e profissionais da area me incentivavam a comprar o aparelho errado ( o tal moderno$$$$$) para o meu grau !!

    …Tudo isso resultou em um perfeito preconceito que antes procurava culpar alguem ou coisas do meu mundo externo e na real eu estava sendo a propria preconceituosa .

    Tenho 36 anos agora ..nao faco obvio!!! nada disso mais ..nao me escondo, ja me aceitei e vi que tudo aquilo que eu passei ;o sofrimento de vergonha, depressao, tristeza …a mania de se esconder de tudo e todos ….eu mesmo sofri danos causados por mim mesma.

    Mais uma coisa vou dizer talvez vc nao concorda.
    Creio que quando vc tem uma certa educacao ( seja ela de nivel hierarquico quanto academico) ajuda bastante….
    Ja fui em uma ginicologista ..simm, doutora MEDICA incorforrrmada com meus aparelhos e perguntando o por que do uso deles?? heinnn?? como assim?
    tem males que vem para o bem ..essa hora pensei: dou gracas a Deus que as vezes nao escuto …porque serio !! sera que ouvi a pergunta direito??? uma medica ?? affffffffffffff
    e teve gente humilde pacas …..que nem tchummm nem aiii !!! ate esqueceu que uso aparelhos ..

    Entao as vezes vale a pena dizer o quanto ee importante a INFORMACAO para assunto nao tao comentados como esse !! porque na boa ate hoje estou aprendendo a responder para alguns LEIGOS ( nao chamo mais de ignorantes ) no assunto de forma simpatica ..porque tem gente que me deixa estressada … rsrs

    O que vc disse ee corretissimo . Se alguem alguns anos aatras me ensina se a enxerga a minha audicao que tudo ee bobagem da nossa cabeca esse preconceito todo e que somos gratos por ter tecnologia ao nosso favor …..seria bem melhor …espero que meu comentario incentive alguem assim eu espero ^^

    ee isso ai

    Responder
  • Mary
    02/11/2011 at 2:57 pm

    Olá Paula Tudo bom com voce?
    Bom,eu raramente visito o seu blog quase todos os dias,isso me ajuda a tirar duvidas,me motivar mais ainda;)
    Enfim,o que voce falou sobre ” Ter vergonha” isso é verdade,eu ja passei por isso,eu nao aceitava mto na minha deficiencia,porque eu achava que ninguém ia aceitar pelo fato de eu ser quem eu sou hoje,havia sempre aqueles comentarios maldosos,as pessoas olhavam com olhar curiosos,eu tenho uma deficiencia auditiva moderada e escuto só com aparelhos,aqueles bem velhos digamos assim analogico HAUHAU..Mais esse texto me fez refletir tudo,refletir que por mais que a gente tenha limitacao,a gente pode sim conseguir mto mais,podemos ir sim mais além,falar idiomas,viajar pra diversas paises,mtas pessoas duvidam da nossa capacidade,mais nao sabe ate onde vai a nossa capacidade :D,claro que a gente tem os momentos bons e ruins,mais como qualquer um que tbm passa por isso!! Lembre-se A cada dia é novo dia de descobertas,essa é a verdade!

    Responder
  • Mel
    30/10/2011 at 2:14 pm

    Oi Paula! Já acompanho seu blog há algum tempo mas é a primeira vez que comento. Vim parar aqui pelo seu outro blog. Concordo plenamente com o que você escreveu sobre sermos “disseminadores de informação”. Não sou surda, mas me identifico com essa questão por ser homossexual. Muitas pessoas tem preconceito por não conhecerem, falam sem nem saber o que dizem; a própria palavra “pré-conceito” é auto explicativa. Sinto que tenho a responsabilidade de mostrar à essas pessoas a realidade, esclarecer suas dúvidas, ajudá-las a enxergar que somos todos iguais (apesar de tão diferentes!). E quanto à desinformação que as pessoas tem sobre deficiência auditiva e suas diferenças, acho isso um ponto muito importante. Nem imagino como deve ser difícil a questão de trabalho. Digo isso porque queria contar que coordeno uma grande equipe de tradutores e estes dias contratei um rapaz surdo. Não sei detalhes sobre sua surdez, sei que é oralizado e que fala vários idiomas. Nosso contato é apenas pela Internet (com câmera para que ele possa ler meus lábios). Mas trabalhamos com legendagem, ou seja, vídeos. Ele fez o teste como todos os outros e passou. Acho que é um ótimo exemplo do que você sempre fala por aqui.

    Um grande beijo,
    Mel

    Responder
    • Crônicas da Surdez
      01/11/2011 at 8:55 am

      Mel, tu trabalha na Folha de SP?
      Se sim, me manda um email!
      Beijos,

      PS: fico absurdamente feliz quando alguém que lê o Sweetest vem parar aqui – e gosta!

      Responder
  • D.Damas
    29/10/2011 at 6:27 pm

    Realmente a paula carprichou mesmo nesse texto 🙂 , vamos ver um jeito de meter essa mulher la no congresso , ou melhor para Presidente da República. abçs 🙂

    Responder
    • Crônicas da Surdez
      01/11/2011 at 8:56 am

      Hahahahaha ontem aturei 5hs de uma reunião de condomínio, nao me diga uma couuusa dessas que saio correndo!
      Beijãozão

      Responder
  • eve
    29/10/2011 at 2:08 pm

    Eu concordo plenamente temos que incarar com naturalidade. Nào precisa esconder nem exibir, só sermos nós mesmos. Não tenho surdez, mas sim uma deficiência na perna, com muitas cicatrizes. Uma vez me perguntaram se me incomodavam esteticamente falando: Não, cresci com elas e algumas foram surgindo da necessidade de correções, fazem parte de quem eu sou. Agora como sou mulher acho que me incomoda mais a celulite! rsrs.
    Beijos

    Responder
  • Juliana Moreira
    27/10/2011 at 6:33 pm

    Um dos melhores textos sobre surdez que li até hoje. Sério!
    E um dos mais sinceros também.
    E já que estou falando de sinceridade, vou confessar uma coisa: raramente saio com os cabelos presos, se estiver com o AASI. Vergonha? Não. Apenas quero um pouco de privacidade. Explico: sou simpática com todos, mas se alguém percebe que eu uso os aparelhos, já se acha “íntimo” para perguntar o que é isso e o porquê disso. Quando tenho paciência, explico. Mas fala sério, né, ter que explicar tudo o que aconteceu, aturar milhões de perguntas (o ser humano é curioso!!), tem dias que não tenho saco. Quero conversar de outras coisas, saber as novidades, afinal, a vida não gira em torno da minha surdez 😉

    Responder
  • Sonia Claro
    26/10/2011 at 6:02 pm

    Parabéns, parabéns e parabéns! A cada dia fico mais sua fã, te admiro muito!
    Continue nessa sua estrada de conscientização.
    Grande beijo.

    Responder
  • maria helena haenck alapulof
    26/10/2011 at 11:02 am

    Oi minha querida.

    Não precisamos ser SURDO para termos vergonha.
    Todo ser humano, tem suas vergonhas, preconceitos
    Eu mesma, quando criança e adolescente tinha vergonha do meu pé direito.
    Ele pra mim era horrivel, tétrico. Eu tinha medo de que me rejeitassem por causa do meu pé aleijado.
    Hoje com 54 anos já não penso no meu pé como aleijado, penso como feinho, tortinho, queimado…..

    O que foi vergonha, medo, receio ontem, hoje é exemplo para manter as crianças longe do fogo.

    Vc me entendeu?

    Ninguem é melhor ou pior do que ninguém, é tudo uma questão de maturidade humana.

    bju minha querida

    Responder
  • Janise
    25/10/2011 at 3:21 pm

    Paulinha, olá! Não tenho vergonha de ser surda, mas as pessoas se distanciaram de mim… é pra eu pensar que elas não eram amigas de verdade? meu marido, que nunca foi de conversar muito, mas me ouvia, agora não tem paciência em falar comigo. E são quase 2 anos e meio que tô surda. Consigo ler os lábios, mas às vezes tenho dificuldades. O seu texto está lindo,perfeito, mas não é o meu caso de ter vergonha desta deficiência. O que me causa mais tristeza na deficiência é a sensação da solidão, um substantivo abstrato que está me acompanhando neste tempo. Abraços.

    Responder
  • Valéria Lima
    25/10/2011 at 2:15 pm

    E falta chat no site da SPTrans, ou melhor tem a página mas não funciona, como não dá pra usar 156, vivo enviando email ou pedindo para outros, ligarem, deveriam ter um canal para pessoas que não escutam. Pq o chat não funciona alguém saberia me dizer? Se não funciona tira não é?? mas não, deixam lá só pra inglês vê. No Brasil as coisas passam batido, mas para pessoas como eu não passa despercebido. Obrigado por esse desabafo Paulinha!! Bjão

    Responder
  • Deni
    25/10/2011 at 12:49 pm

    Ótimo texto, Paula e tem de ser assim mesmo, duro!
    Gostei da parte em que você comenta que seus amigos e etc a tratam de igual para igual, pois você dá essa abertura a eles; é o que ocorre comigo, sei também que muitas vezes passo por ouvinte, mas quando necessário alerto a pessoa do meu “probleminha”. Ah, inclusive, no trabalho tenho mania de fazer um rabo de cavalo pois o meu cabelo me irrita ao cair no rosto, e estou nem aí para os olhares de quem por ventura não saiba, para o AASI e o IC, afinal sem eles eu não seria o que sou!

    Beijos e continue a nos surpreender com seus posts!

    Responder
  • Patrícia Maia
    25/10/2011 at 11:31 am

    Oi, Paulinha!

    Concordo em parte… Ninguém precisa ficar gritando que é surdo pois ninguém grita que é branco ou que é negro ou que tem unha encravada ou que usa óculos ou algo assim.

    Como o aparelho auditivo ou o IC não são corriqueiros na maioria dos ambientes, entendo que muitas pessoas tenham dúvidas, mas acho que tem que se falar normalmente que há uma dificuldade auditiva e seguir com a vida.

    Sei que é fácil falar para quem não tem esse problema e o quanto é difícil se superar todas as fases de rejeição própria e em grande parte dos casos também da família, mas somente se tratando como algo normal que se vai evoluir na diminuição da louca impressão de que não é algo normal.

    Repito, sei que é muito fácil para mim que não passo por essa situação, mas se não houver aceitação própria, como haverá aceitação dos outros?

    Bjs,
    Patrícia

    P.S: Não estou conseguindo ver os posts novos do meu computador pessoal, somente do computador do trabalho, tem algo de diferente ocorrendo que eu tenha que fazer em casa para ver as atualizações?

    Responder
  • Iracema Dantas
    25/10/2011 at 10:53 am

    Paula, parabéns pelo excelente, útil e esclarecedor texto.
    Aos 50 anos, tive um problema neurológico, minha fala ficou comprometida e fui privada de andar. Por algum tempo relutei em sair de casa, esquivando-me para não aceitar/mostrar a deficiência. Por muito tempo evitei falar ao telefone. Graças a Deus, com a ajuda de bons profissionais e amigos (aqui incluo a Paula que conheci virtualmente), estou me mostrando tal qual sou.
    Quero terminar meu elogio com uma frase solidária: “Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas”.

    Responder
  • Isabel Cristina Zaccaro
    25/10/2011 at 9:23 am

    Que texto M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, Paula!!! Amei!! Nunca vi alguém escrever igualzinho como você! Vou encaminhar este texto para meus familiares e amigos(as).

    Parabéns!!

    Beijokas ^_^

    Responder
  • Edgar
    25/10/2011 at 7:56 am

    Apoiado. Levei anos e mais anos usado cabelo bem comprido para esconder. Esconder o aparelho que me permitia me comunicar…

    Caramba, caracoles! Esconder porque? Todos sabem que vc usa.

    Bração: adoro teus posts. E os reposto nos grupos – com citação da fonte, é claro.

    Responder
  • Priscila Andrade
    24/10/2011 at 6:30 pm

    Parabéns. Concordo com tudo que foi dito. Sempre eduquei minha filha, mostrando que não tem porque ter vergonha de usar os AASIs, pelo contrario são eles que a permite viver num mundo sonoro. Acho que estou no caminho certo, como foi dito no post, minha pequena também combina a roupa com a cor do AASI, um dia é rosa, outro é preto e agora é marrom e em breve com adesivo de florzinha..rs. Na escola ela mesma explica quando algum amiguinho pergunta sobre o que é. Ela diz que são seus aparelhos, são pra ouvir melhor, e já vai logo falando: Não mexe não que pode quebrar, e se quebrar eu não vou conseguir ouvir…. Fico indignada quando pais tentam esconder a deficiência do filho(a), já vi mãe que quando chegava no shopping pedia para o filho tirar o AASI para não chamar a atenção das pessoas.

    Responder
  • Bárbara Maia
    24/10/2011 at 6:21 pm

    GRAAANDE PAULA! Sempre inspiradora nos seus textos. Concordo com tudo o q disse e assino embaixo tbm! Bjoos. Continue assim!

    Responder
  • Monise
    24/10/2011 at 5:10 pm

    Paula, você me surpreende a cada dia. Seu texto está incrível, impecável. Um tapa na cara de muita gente que ainda alimenta preconceitos e o empurrão necessário para quem ainda não conseguiu escancarar e encarar (com o perdão do trocadilho) a sua deficiência auditiva. Eu estou na fase do “encarar” e estou começando a me sair bem, eu acho…rs
    Bjs

    Responder
  • Diefani Piovezan
    24/10/2011 at 4:49 pm

    Concordo em numero, genero e grau. Mas confesso que eu, por ter ficado surda na adolescencia e por estar morando com minha mãe ( que só aceitou que eu era surda mesmo depois que eu já estava com o implante) eu sentia um pouco de vergonha, preferia fingir que ouvia do que dizer que era surda. Mas isso durou pouco tempo.

    Responder
  • Tatiana
    24/10/2011 at 2:35 pm

    Paula,

    A-DO-REI seu texto! Sou super bem resolvida com minha DA e meus AASI. Não escondo eles mesmo! Até porque odeio ficar de cabelo solto, então sempre faço rabo de cavalo alto, e eles estão sempre à mostra. Tô nem aí mesmo. E se alguém pergunta alguma coisa, fico feliz em responder. Afinal, é melhor a pessoa perguntar que pensar bobagem.

    Eu penso assim: se tem gente que precisa de óculos para enxergar, eu preciso de AASI para ouvir (tá, preciso de óculos também rs). E, se óculos não são nada anormais, por que os AASI teriam de ser?

    Responder
    • Isabel Cristina Zaccaro
      25/10/2011 at 9:29 am

      É… muita gente se estranha quando vê os AASIs, por que será?? São vários motivos diferentes… =/

      Responder
  • Tais
    24/10/2011 at 2:17 pm

    Parabéns pelo post! Sou surda desde nascença oralizada e nao sei libras. Admito que eu ainda escondo os meus aparelhos, mas não por vergonha, por precaução, pq as vezes tem gente que olha e acha que tenho mto dinheiro. E outra coisa, é a hora de procurar emprego, ainda tem pessoas que não dão chances pra quem é deficiente auditivo, infelizmente….principalmente na área de enfermagem.
    Com certeza esse post vai dar mta força e um belo empurrao pra todos nós, sejam deficientes ou não!
    Bjos!

    Responder
  • Ana Cláudia
    24/10/2011 at 1:21 pm

    Adorei o texto. Tenho um filho deficiente auditivo e contribuo tranquilamente para que ele não queira esconder sua condição. Falamos abertamente em casa sobre sua surdez, sempre o oriento a explicar que aquela anteninha do ic serve para ele ouvir. Ontem mesmo estávamos passeando com ele na orla aqui em Fortaleza, e chegou um menino e perguntou pq ele usava “aquilo grudado na cabeça”, pedi para que ele próprio explicasse o pq, daí ele falou que era o implante coclear e que servia para que ele pudesse ouvir e sem nenhuma mais outra pergunta os dois foram brincar. Tratar com naturalidade é o mais importante. Parabéns, seu texto é espetacular. Abraços.

    Responder
    • Mariana Solano dos Santos
      07/11/2013 at 1:52 pm

      Claudia… Quando eu era criança tudo era bom, tinha um monte de amiguinhos pra brincar, mas agora tudo mudou e me afetou, só estou dizendo a verdade e nao sei se vai acontecer a mesma coisa com ele, mas continue assim, é legal ter mae que ajude o filho surdo.

      Responder
  • Mariana
    24/10/2011 at 1:07 pm

    Amei o texto, Paula. Esse texto vai ajudar a muita gente! Eu não me lembro de sentir vergonha por ser surda, talvez tivesse vergonha por conta dos aparelhos, mas mesmo recebendo uns olhares alheios, isso não me fazia ter vontade de escondê-los. Mas a implicância dos coleguinhas (“ei, surdinha!” “língua-presa!”, etc) me machucava que só até meus pais dizerem pra mim, “filha, quem tem problema é eles e não você. Você não deve dar importância a isso, ignore!” Isso mudou minha vida, porque antes disso, eu vivia chorando! Meus pais ficaram preocupados também, óbvio, e disseram que se eles continuarem, que eu os avisasse. Mas fui ignorando, e até hoje ponho em prática. =) Às vezes é bom dar uma satisfação também, para essas pessoas tomarem vergonha na cara… 😛

    Bjs

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  • Lak Lobato
    24/10/2011 at 12:41 pm

    Onde eu assino?
    Texto espetacular!
    Parabéns!
    Beijos

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    • Simone
      25/10/2011 at 2:13 pm

      Idem! Onde eu assino?! 😀
      Paaaaaaulaaaaaaaa,foi espetacular!!! 😀

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  • Silvia
    24/10/2011 at 12:14 pm

    Clap, clap, clap! Sou fã do teu blog, Paula!!! Olha, sou surda pós lingual, tive meningite aos 9 anos e falo da surdez numa boa. Com equilíbrio, claro, não tenho pretensão que o mundo gire em torno da minha surdez, mas sempre que possível eu informo, passo meu olhar, às pessoas… e também por várias vezes já me perguntaram: “nossa, vc não se estressa com isso?” quando eu comento sobre a surdez com taaaanta naturalidade, afinal ela faz parte da minha vida… E falo com a mesma naturalidade sobre a maraviilha de ouvir com o IC e sobre a frustração que surge em certos momentos devido à limitação de ter uma audição biônica. Eu ESCANCARO sim, e com orgulho! Beijos a ti, continue nos presenteando com seus posts maravilhosos.

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  • Julie
    24/10/2011 at 10:26 am

    Falou tudo!
    Mesmo sendo bem dura, gostei do que você disse. Durante o maior tempo da minha vida eu sentia vergonha e até raiva quando as pessoas falavam da minha surdez, e de certo modo era exatamente essa falta de conhecimento e maturidade minha e uma certa inocencia da minha família (por não saber lidar com a situação) que eu reagia assim.
    Mas mesmo com tudo isso, felizmente, eu sempre soube que era diferente, e quando resolvi encarar de frente a minha surdez, tornei-me muito mais feliz e resolvida. Assim como vc finalizou seu post Paula, repito: gostaria que me tivessem dito isso há mais de 15 anos.
    Hoje faço questão de escancar sobre meu problema, mostrar para as pessoas que sou surda, mas não incompetente e muito menos coitadinha. Você está certa quando fala que surdez é uma condição e não falha de caráter e nós temos capacidades como qualquer pessoa “normal”.
    Super Beijo!!

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  • s0ramires
    24/10/2011 at 9:39 am

    Muito bem dito! A gente deve ter vergonha de ações condenáveis (roubar, matar, ser corrupto) e não de características do ser humano: cor, religião, pobreza, deficiência física ou sensorial.

    Responder

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