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Relatos de CAPACITISMO na FAMÍLIA: surdos que ouvem

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Os primeiros professores de capacitismo das pessoas com deficiência costumam ser os pais, avós e outros familiares. É triste admitir isso, mas é verdade. Aprendemos capacitismo dentro de casa, com a família, antes de sofrer preconceito e discriminação em outros lugares.

Crescer ouvindo comentários depreciativos sobre a nossa deficiência deixa marcas e cicatrizes invisíveis que carregamos pelo resto da vida. Muitas pessoas, sem ter acesso a informações sobre capacitismo (muita gente nem sabe o que é isso, eu mesma fui descobrir a palavra só em 2019!), passam a vida inteira achando que é aceitável ser agredido verbalmente dentro de casa pelos pais, irmãos, avós, tios, sempre com “a melhor das intenções”, afinal, eles “não falaram por mal”.

Vivemos em uma época na qual a sociedade está verdadeiramente engajada em celebrar as diferenças e combater o preconceito. Contudo, as pessoas com deficiência continuam invisíveis, e essa invisibilidade costuma começar dentro de casa. É com a família que muita gente aprende que seus sentimentos não importam e que sua dor é “mimimi”.

RELATOS DE CAPACITISMO NA FAMÍLIA

Pedi aos membros do Grupo Surdos Que Ouvem (22.000 pessoas) que enviassem relatos de comentários e atitudes capacitistas que aconteceram dentro de casa.

Esse é um assunto delicado para as pessoas com deficiência, afinal, é muito difícil doloroso admitir que sofremos preconceito dentro do nosso lar. Fique tranquilo: é uma experiência quase universal para todos nós. Se isso acontece com você, sinta-se abraçado e acolhido. Não deixe de fazer parte do nosso Grupo Surdos Que Ouvem para trocar com mais de 22.000 pessoas com deficiência auditiva sobre isso e ler as experiências de outros surdos que ouvem.

RELATOS DE CAPACITISMO: surdos que ouvem no seio da família

  1. Não nasci surda. Então minha família tem dificuldade pra aceitar que hoje eu não escuto. A briga aqui é constante porque aumento o volume e para eles “finjo q não escuto quando estão falando comigo”.
  2. Quando eu passei no vestibular, na família não acreditaram. Minha mãe disse que era mentira. Meu marido nunca me deixou trabalhar porque eu “não era capaz”. Nem me deixou voltar a estudar.
  3. Sobre meu filho (que usa prótese auditiva) já escutei de parentes que “ele é bem esperto, só escuta o que convém”
  4. Sou excluída num grupo de conversa. Pergunto o que foi dito, ninguém responde e seguem conversando. Me sinto um fantasma solitário!
  5. Quando pergunto “O que?”, a resposta é “Nada não, não vou ficar repetindo tudo o que falo”. E fico sem saber o que tinham falado comigo.
  6. Meus pais diziam: “Fala pra mim, ela não escuta direito, ela não entende”. E ainda respondiam por mim. Fui protegida demais atrás dos pais!
  7. Meu filho que usa aparelho auditivo nos dois ouvidos. Esses são alguns comentários que eu ouço sempre: “ele vai usar esse troço na orelha a vida toda?”, “por isso ele tem a orelhinha assim pra fora?”, “tão lindo pena que é surdo”, “quando ele vai falar? Ele já devia estar falando tudo!”, “não adianta brincar com ele porque ele não ouve/interage”, “mas ele ouvia bem antes quando era bebê (detalhe nasceu com perda moderada/severa)”.
  8. Na época eu estava estudando em escola regular e me desenvolvendo bem e mesmo assim recebi a pergunta de um familiar: “Por que la não estuda em uma escola especial para surdos?“
  9. Eu toda animada no grupo para contar sobre uma informação, única resposta: “fale mais baixo”, com gestos irritados…
  10. Não adianta te falar nada, você não ouve…..
  11. Meu pai falou comigo de uma distância longa, mesmo sabendo que sou surda, como eu não consegui ouvir, veio me agredir.
  12. No caso a minha filha é surda e tem 1 ano e 7 meses. A pessoa chama ela pelo nome, ela não atende, mas normalmente ela atende, acho que ela já entende quem é inconveniente ?
    As vezes, eu peço pra aguardar que estou trocando a bateria, e falo, está sem bateria. Olham pra cara dela e falam: “ai coitadinha!”.Eu odeia que falem que minha filha é coitada, pois ela pode ser tudo, menos coitada!
  13. Na minha família, chegaram a achar que o meu problema era mental porque sou surda.
  14. Os comentários clássicos na minha família sobre meu filho surdo são: “leva na igreja, ele será curado”, “Deixa o cabelinho grande!”
  15. Quando minha filha nasceu, uma pessoa da igreja, falou: “Não aceita esse diagnóstico do homem não, pois é o inimigo querendo usar a sua filha”. Eu fiquei abismada com a falta de empatia dessa moça, isso só piorou a situação, pq eu realmente pensei assim. São coisas que doem o coração.
  16. Semana passada fui demitida de um estágio sem mais nem menos, aí estava chateada porque estava gostando de trabalhar por lá. Minha mãe contou pra minha tia, que mandou um áudio dizendo: “ela tem que entender que ela não é surda, ela ouve , ela fala, e ela recebe o benefício dela, então não tem porque se preocupar “. O estágio era na minha área de enfermagem, ambas as família dos meus pais não aceitam que eu e meu mais sejamsos PCDs.
  17. Uma parte da família ficou inconformada que minha mãe me matricularia numa escola regular. Afinal, eu não daria conta e precisaria ser transferida para uma “escola especial”.

COMENTÁRIOS CAPACITISTAS que ouvimos da família: relatos dos leitores

  1. “Ela é tão lindaaaaa….nem parece que é surda.”
  2. “Ah, ele só é surdo quando quer!”
  3. “Mamãe,a avó da minha amiga falou que tem dó de mim…. por que ?”
  4. “Você tá cada dia mais surda falei com você três vezes. Afff tem que falar, com você só gritando.”
  5. “Não acho que você é surda! Tá aqui falando comigo… Escuta só o que quer!”
  6. “Você se faz de surda. Só ouve bem quando lhe convém”
  7. “Você usa aparelhos pra quê? Se eu falo com você, e parece que você não me entende?”
  8. Nossa você fala tão bem, nem parece surda!
  9. “Não vou ficar repetindo, você é surda”
  10. “Aumenta o volume do aparelho” ou “não ouve nem com o aparelho”
  11. “Falei com você e você saiu andando” – detalhe: eu NÃO ouvi.
  12. “Nossa, ela fala tão bem, é tão esperta, nem parece que é surda..”

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About Author

Moro no Rio de Janeiro e tenho 39 anos. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Sou autora dos Crônicas da Surdez e Novas Crônicas da Surdez.

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