Crônicas da Surdez

Review de aparelho auditivo: como saber em qual confiar

Review de aparelho auditivo é algo super comum nos Estados Unidos e outros países, mas algo ainda não feito e praticamente desconhecido no Brasil. Porém, preparem-se: em breve isso será uma realidade aqui. Esperamos ansiosamente que isso aconteça, porque não há nada mais poderoso e necessário do que consumidores da indústria da audição trocando informações entre si.

Aliás, fica a dica: entre no Grupo Crônicas da Surdez no Facebook, onde mais de 14.000 pessoas trocam informações valiosas sobre aparelhos auditivos, implante coclear e surdez – além de indicações de médicos, fonos e lojas – em tempo real, todos os dias.

Como saber em qual review de aparelho auditivo confiar?

Os sites gringos que se dedicam a isso ainda precisam melhorar. Como assim? Simples: reviews anônimos dão margem a muitas interpretações equivocadas. Imagine o dono de uma loja de aparelhos ou o funcionário de uma marca fazendo reviews maravilhosos sobre o seu produto sem sequer serem usuários do mesmo. Esquisito, não? Do mesmo modo, imagine o concorrente fazendo reviews horrorosos. O mínimo de credibilidade que se espera é que a pessoa que fez o review esteja identificada.

Confie nos reviews gringos que têm nome e sobrenome e passe batido pelos Member e Anonymous, por segurança. Nesse ponto, não há muito mistério.

E os feitos por fonoaudiólogos?

Este é um ponto relativamente sensível. Isso ainda não é prática no Brasil mas, lá fora, muitos audiologistas famosos ou que são fortes nas redes sociais recebem $ para escrever sobre novos lançamentos. Como saber se pode confiar? Se houver um DISCLAIMER de que a matéria foi paga – aqui no Crônicas da Surdez, por exemplo, posts que foram pagos são identificados como “Publicidade” – pode ficar tranquilo. O profissional foi honesto e você pode dar um bom desconto aos superlativos usados por ele. Credibilidade é algo que não tem preço!

Se não houver disclaimer, passe batido. É o mesmo que blogueiras dando “dicas de amiga” sem informar ao público que elas foram pagas pelas marcas envolvidas. Embora lá fora essa questão seja levada muito a sério – qualquer profissional de medicina ou fono que vai falar num congresso e de alguma forma recebe $ de uma marca ou instituição deve deixar isso bem claro já no seu primeiro slide – o mundo digital ainda não é regulamentado de forma a nos proteger desse tipo de propaganda disfarçada. Por isso, fique esperto!

Nada mais natural que um fonoaudiólogo que vende a marca X ou Y puxe a sardinha para elas. Cabe a você ter olhos e ouvidos atentos ao que ouve e lê por aí. Não existe melhor marca de aparelho auditivo, assim como não existe melhor aparelho auditivo. A surdez é como uma impressão digital. Sendo assim, o que é melhor na opinião do Fulano pode ser o pior na sua experiência de uso. Cada um, cada qual. Cada surdez é única, tal qual cada aparelho auditivo no ouvido (e no cérebro) de cada pessoa…

Minha opinião?

Reviews de aparelho auditivo são necessários e bacanas. Quando feitos por USUÁRIOS, você vai ter uma boa noção dos prós e contras pra valer do produto, através da realidade de alguém que o usa no dia-a-dia, que também tem deficiência auditiva e que percebe falhas (e qualidades) que passam despercebidas por quem não usa uma tecnologia dessas.

Quando feitos por fonoaudiólogos/audiologistas, você vai ter uma boa noção da tecnologia envolvida traduzida num linguajar mais acessível. Se o profissional em questão for um usuário de aparelho (muitos tem deficiência auditiva também!), melhor ainda. As comparações entre tecnologias também são interessantes e agregam um valor legal na hora de sentar e tomar uma decisão.

Acho que vale a pergunta: se você está em dúvida entre três carros, vai se sentir mais seguro ao pedir opinião sobre eles a quem? Ao vendedor da concessionária? Ou a outras pessoas que já compraram e usam os carros que lhe interessam? Você pode – e até deve – pedir a opinião das duas partes. Mas a decisão final é sua, e não há como fugir disso.

Além disso…

Busque informação. Converse com outros usuários. Entre nos sites das marcas de aparelhos auditivos que lhe interessam, leia muito, assista aos vídeos. Não adianta se isentar da pesquisa, que é demorada e, muitas vezes, chata e cansativa.

Mas o mais importante é entender racional e emocionalmente que um aparelho auditivo não é um ouvido novo e que não vai trazer a perfeição da audição natural de volta. Ele vai ajudar MUITO, vai lhe dar uma gigantesca qualidade de vida. Entretanto, é preciso ser responsável nas expectativas – quando exageradas e não correspondidas, atrasam demais o seu engajamento com a sua reabilitação auditiva.

Leia tudo o que puder, faça uma lista de prós e contras que lhe chamaram a atenção e, o mais importante: teste pelo menos três aparelhos auditivos diferentes antes de fechar a compra. Dá trabalho, sim, mas é o jeito. E seja cuidadoso com quais opiniões, reviews e conselhos você acata. São os seus ouvidos (e o seu bolso) que estão em jogo.

Preço de Aparelho Auditivo em 2019

Preço de Aparelho Auditivo em 2018

Qual a melhor marca de aparelho auditivo?

 

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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