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Aparelho auditivo compatível com aro magnético

Eu sei que meus implantes cocleares têm o T-Coil (telecoil, chave T, bobina magnética), que é uma tecnologia super comum nos Estados Unidos e na Europa e basicamente desconhecida no Brasil. Ela está presente na grande maioria dos aparelhos auditivos e implantes cocleares mas, assim como eu, tenho certeza que a grande maioria de vocês jamais fez uso desta ferramenta. O T-Coil – ou chave T como é conhecida por aqui – melhora muito a audição em ambientes ruidosos e de escuta difícil. Se ela estiver disponível no AASI ou IC, ele se torna compatível com a maravilhosa tecnologia do hearing loop, conhecida aqui como aro magnético. 🙂

É uma das tecnologias mais comuns e antigas disponíveis em aparelhos auditivos e ninguém fala sobre ela no nosso querido país – a não ser a Sônia Almeida no blog SULP, fervorosa defensora do aro magnético. Existe desde 1969 e é uma tecnologia sem fio, gente!

Sai infinitamente mais barato tornar um ambiente possuidor de aro magnético do que se cada usuário de IC ou AASI precisar comprar um acessório sem fio que faz a mesma coisa. Exemplo clássico: sala de aula! No Brasil, nossa política de saúde auditiva obriga o SUS a fornecer Sistema FM para cada criança usuária de IC ou AASI em idade escolar. Digamos que uma sala de aula tenha 10 crianças com deficiência auditiva – isso não vai custar menos do que 35.000 reais para os cofres públicos. Digamos que a sala de aula tenha aro magnético – isso vai custar um terço disso e vai beneficiar todas as outras crianças e também os professores que no futuro precisarem usar, além de não estar à mercê de perdas, estragos, mau uso, etc. Não é preciso ser expert em matemática para ver o custo-benefício! Se o local for equipado com aro magnético e seu AASI e IC tiverem T-Coil, você não precisa gastar nenhum centavo para ouvir melhor.

Acessibilidade precisa ser grátis ou muito barata e estar disponível 24hs. Precisamos correr atrás do prejuízo causado pelo inútil ‘Telefone TDD’ e pelo lobby que fez um país inteiro acreditar que acessibilidade para surdos é sinônimo exclusivo de intérprete de língua de sinais. Precisamos pensar nas gerações futuras e em modos de não sermos reféns (quem tem $$ para ficar comprando lançamentos e mais lançamentos que fazem basicamente a mesma coisa e custam caríssimo?) e precisamos comprar a briga por espaços públicos e privados acessíveis a usuários de aparelhos auditivos e implantes cocleares.

Todos os aparelhos auditivos vêm com tecnologia T-Coil?

Não. Ela está disponível em uma ampla variedade de AASI’s, mas alguns são muito pequenos para terem bobina magnética, que requer um certo espaço.

E aí, como é que faz?

Primeiro você precisa saber se seus aparelhos auditivos ou IC’s têm essa ferramenta. Seu fonoaudiólogo irá ativar o T-Coil para que você possa ligá-lo manualmente em ambientes que possuem aro magnético (hearing loop). Ele também pode ajustar o volume e a resposta de frequência no programa que você usará o T-Coil, assim o som fica mais claro e os ruídos do ambiente, ainda menores.

E aí, como isso funciona?

O princípio dos amplificadores de indução magnética é simples. Quando um sinal elétrico percorre um condutor ele cria um campo magnético em torno dele. Esse campo magnético é o vetor  do sinal áudio que é recebido diretamente pela bobina de indução que existe nos aparelhos auditivos (chave T, T-Coil, bobina magnética). O sistema é composto por um amplificador de áudio conectado a uma fonte sonora (microfone, tv, etc) e por um condutor cuidadosamente instalado que funciona como antena: é o aro (ou laço). O sinal de áudio baixa frequencia é enviado diretamente do aro em vez de ser enviado através de alto-falante. Os amplificadores utilizados devem estar instalados para esse fim. (Fonte: Blog SULP)

 

E aí, que locais podem ter aro magnético?

Só para vocês terem uma idéia do que estamos perdendo aqui no Brasil por falta – ou omissão – de informação nesse sentido, cliquem aqui e vejam todos os locais que possuem aro magnético na cidade de Buenos Aires, que fica logo ali do lado, na Argentina: teatros, cinemas, planetários, museus, associações, faculdades e até igrejas!!! Todo local pode ter aro magnético. Dá para instalar até mesmo em casa!

 

E no Brasil, onde encontro?

No site  SOM PARA TODOS você encontra o aro magnético da marca UNIVOX, que é uma das maiores empresas do setor no mundo e foram um dos criadores do aro magnético em 1969, na Suécia. Encomendei deles um Univox CTC-121 (R$4.200) que vou instalar na sala de atendimento médico da Sonora. Assim que chegar, vou usar, testar, pedir para outros pacientes testarem e contar tudo aqui. Há um outro modelo para ser usado em casa, o Univox CLS-1 (R$.3.200). Para instalações maiores, é necessário fazer um projeto do ambiente e realizar medições e cálculos, porque o sistema de aro magnético sofre interferências da fiação, estruturas metálicas etc.

Eu tenho um sonho

Que a tecnologia do aro magnético se dissipe com força no Brasil. Vamos ativar o T-Coil dos nossos aparelhos auditivos e implantes cocleares e lutar por ela. Imagine ir ao cinema e ouvir melhor, ir ao teatro e entender as falas, ir a um museu e entender o passeio guiado, ir a qualquer local público e ouvir o atendente, ficar preso num elevador e conversar com quem vai te prestar socorro e está lá fora, ouvir o alto-falante do aeroporto alto e claro direto nos seus aparelhos, estar internado no hospital e ouvir o que o médico falar quando for ao quarto, chegar na imigração americana e ouvir o totem direto nos AASI, etc. A Câmara dos Deputados foi pioneira no Brasil e já possui aro magnético em suas instalações – clique aqui para ler a notícia.

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

3 Comentários

  • Estou produzindo um evento, um show de bandas de rock, e estudando diversas medidas de acessibilidade. Foi assim que acabei de conhecer esse sistema de Hearing Loop, mas ainda estou com uma dúvida mesmo lendo muitas referências, saberia me dizer se consigo utilizar esse sistema em um ambiente aberto? Ou se o local for fechado teria que ter uma acústica específica para poder utilizar?

  • […] uma tarde em Amsterdam antes de voar para Lisboa, e o aeroporto tinha vários pontos com Aro Magnético! Em inglês se chama Hearing Loop e é uma tecnologia assistiva maravilhosa para usuários de AASI […]

  • SOU DIVULGADORA DA TECNOLOGIA DO ARO MAGNÉTICO (HEARING LOOP) QUE CONHECI E USEI NA ARGENTINA, EM SALA DE ESPERA DE CONSULTÓRIO, EM CINEMA E SALA DE CONFERÊNCIA.
    A BOBINA T-COIL EXISTIA EM PRATICAMENTE TODOS OS APARELHOS AUDITIVOS ANALÓGICOS E RETRO AURICULARES, muito usada para falar ao telefone fixo. Nos aparelhos auditivos digitais o sistema existe mas é preciso pedir para o profissional de fonoaudiologia que faz as regulagens, que deixe essa função – bobina telefônica – manual. Se estiver no automático não servirá para usar onde exista o ARO MAGNÉTICO. Morando na Argentina eu fui sócia da MAH Mutualidad Argentina de Hipoacúsicos, que além de oferecer consultas e aparelhos auditivos, e atualmente implantes cocleares, também promove a acessibilidade do surdo que usa próteses. Oferece grupos de convivência, passeiso e viagens, e faz doação de AROS MAGNÉTICOS a diversos locais como escolas, igrejas, teatros, cinemas, salas de recintos do governo, etc…EU USO ARO MAGNÉTICO EM SALA DE CINEMA GAUMONT, de Buenos Aires…assiti vários filmes falados em espanhol, sem legenda, ouvindo tudo com muita nitidez. Também usei em sala de conferência e na sala de espera dos consultórios da MAH onde está conectado à TV. Amigos e amigas surdos encontram esses equipamentos em vários lçugares da Europa e podem testá-los e ver sua utilidade. Agradeço muito à Paula ter aberto este espaço para divulgar a tecnologia praticamente desconhecida no Brasil.
    Lembro também que há um equipamento de aro magnético mais simples desenvolvido em escolas técnicas, em que alunos de eletrônica se capacitam para construir e instalar o Aro Magnético. E me pergunto: Existem pessoas interessadas em esconder e boicotar essa maravilhosa tecnologia?

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