Surdez

Diagnóstico ERRADO de surdez: a SEGUNDA OPINIÃO é fundamental

A segunda opinião médica na surdez é importante porque ajuda a confirmar o diagnóstico, esclarecer o tipo e o grau da perda auditiva, revisar exames, comparar tratamentos e evitar decisões apressadas. Ela é especialmente recomendável quando existem diagnósticos contraditórios, piora rápida da audição, perda unilateral, indicação de cirurgia ou implante coclear, dúvidas sobre aparelhos auditivos ou quando o paciente não se sente seguro com a explicação recebida. Procurar outro especialista não significa desconfiar do primeiro médico: significa reunir informações suficientes para tomar uma decisão consciente sobre a própria audição.

Quem recebe um diagnóstico de perda auditiva costuma sair da consulta com duas coisas nas mãos: uma audiometria e uma quantidade industrial de dúvidas.

Eu sei como é porque recebi um diagnóstico médico ERRADO de surdez na infância que me custou passar 10 anos perdendo a audição progressivamente sem saber. Só recebi o diagnóstico CORRETO de surdez aos 16 anos, quando finalmente fui consultar um médico otorrino especialista em surdez. O maior erro que eu cometi na minha jornada da surdez foi não ter buscado uma segunda opinião médica rápido e cedo. Confiar cegamente num otorrino generalista que não era especialista no assunto me custou muito, muito caro.

Uma segunda opinião pode mudar não apenas uma conduta médica, mas a maneira como a pessoa entende a própria surdez e lida com ela. Em pleno ano de 2026, sigo recebendo inúmeras mensagens de leitores que vão a médicos que dizem absurdos como “vamos esperar essa surdez piorar para tratar”, “toma um ginko biloba”, “cada criança tem seu tempo” e uma série de outras coisas deploráveis. Um conselho: não cometa o mesmo erro que eu, e busque uma segunda opinião médica para a sua surdez. Mais do que isso: peça indicação de confiança de médico otorrino especialista em surdez. Não é na lista de credenciados do seu plano de saúde que você vai encontrar, muito menos em sites de “ranking de médicos” nos quais profissionais da saúde pagam para estar no topo da lista. A indicação mais confiável virá sempre de outro paciente com perda auditiva.

No CLUBE dos Surdos Que Ouvem você conversa em tempo real nos grupos de WhatsApp e Facebook com milhares de pessoas com perda auditiva e pede indicações de confiança de médicos especialistas em surdez em todas as cidades do Brasil.

Minha indicação pessoal é o Dr. Luciano Moreira, médico otorrino que atende pacientes com surdez e otosclerose do mundo inteiro por Telemedicina.

O diagnóstico de surdez precisa fazer sentido

Um bom diagnóstico não é apenas o nome de uma doença escrito no prontuário. Ele precisa esclarecer o tipo e o grau da perda, se ela é igual nos dois ouvidos, se está estável ou progredindo, se existe uma causa provável e quais são as possibilidades de tratamento no seu caso.

Otorrinolaringologista e Fonoaudiólogo têm papéis complementares. O médico investiga causas, doenças e tratamentos clínicos ou cirúrgicos. O Fonoaudiólogo mede a audição, identifica o tipo e o grau da perda e participa da adaptação das tecnologias auditivas. Uma avaliação consistente costuma depender da combinação dessas informações. (Ins.na.Surdez e Comunicação)

Quando as explicações não fecham, os exames se contradizem ou a conduta parece desproporcional, pedir outra avaliação é prudência mais do que necessária.

Quando procurar uma segunda opinião na surdez

A primeira situação é quando profissionais apresentam diagnósticos muito distantes. Se um recomenda acompanhamento e outro indica cirurgia, ou se discordam sobre o benefício do aparelho auditivo, é preciso entender de onde nasce essa diferença.

A segunda é quando existe indicação de cirurgia ou implante coclear. Esses procedimentos podem transformar vidas, mas exigem avaliação criteriosa e uma conversa honesta sobre benefícios, limites, riscos e reabilitação. A segunda opinião serve para verificar se a indicação está bem fundamentada e realmente faz sentido. Especialmente no caso de crianças e bebês com perda auditiva, quando os pais estão inseguros com o diagnóstico e a indicação de tratamento, uma segunda opinião médica de um especialista em surdez fará toda a diferença.

A terceira é quando o paciente sente que suas dificuldades foram minimizadas.

A frase “sua perda é pequena” não consola quem não compreende reuniões, evita restaurantes, pede repetição o dia inteiro ou está começando a se isolar.

O grau registrado no exame e o impacto funcional da perda auditiva não são exatamente a mesma coisa. A audiometria é fundamental, mas não mede sozinha toda a experiência auditiva do paciente. (Ins.na.Surdez e Comunicação)

Também vale buscar outra avaliação quando há perda auditiva unilateral, assimetria importante entre os ouvidos, zumbido de um lado só, tontura, secreção, dor ou progressão rápida. A Academia Americana de Otorrinolaringologia considera a perda súbita ou rapidamente progressiva um sinal de alerta. (Academia Americana de Otorrinolaringologia)

Na surdez súbita, segunda opinião não pode significar demora

Diante de uma perda auditiva súbita, seja rápido, porque a surdez súbita neurossensorial é uma urgência médica. Diretrizes recomendam reconhecimento e manejo rápidos, e a audiometria deve ser obtida o quanto antes para confirmar o tipo de perda. (Academia Americana de Otorrinolaringologia)

A prioridade é procurar imediatamente um otorrinolaringologista ou um serviço capaz de encaminhar a avaliação correta. Uma segunda opinião pode ser necessária, mas não deve atrasar a investigação e o tratamento. Esperar para ver se passa é uma aposta ruim quando o tempo pode influenciar as possibilidades de recuperação.

Crianças precisam de clareza

Quando a perda auditiva é diagnosticada em uma criança, a falta de informação pesa sobre toda a família.

Um profissional fala em aparelho auditivo, outro em tubo de ventilação, outro em implante coclear. Os pais voltam para casa tentando descobrir quem está certo.

A identificação precoce e o acesso à intervenção adequada são decisivos para o desenvolvimento da comunicação, da linguagem, da aprendizagem e da participação social da criança. (Organização Mundial da Saúde)

Isso não significa que todas as crianças seguirão o mesmo caminho. Significa que atrasos desnecessários, exames incompletos e orientações contraditórias precisam ser resolvidos com uma equipe experiente em audição infantil.

Os pais têm direito de perguntar, pedir cópias dos exames, entender cada resultado e consultar outro serviço. Eles não estão sendo “difíceis”, mas sim protegendo o filho.

DICA DE OURO: O grupo de WhatsApp de mães e pais de crianças surdas usuárias de AASI e IC do CLUBE dos Surdos Que Ouvem.

Segunda opinião não é peregrinação infinita

Também existe um perigo no outro extremo: passar por dez profissionais até encontrar alguém que confirme a resposta desejada.A segunda opinião deve aumentar a clareza, não alimentar uma fuga da decisão. Leve os exames, organize os sintomas, anote os medicamentos usados e descreva as dificuldades reais do cotidiano.

Pergunte:

Qual é o diagnóstico mais provável?

Quais dados sustentam essa conclusão?

O que ainda não sabemos?

Quais alternativas existem?

O que acontece se eu esperar?

Quais benefícios são realistas?

Quais riscos precisam ser considerados?

Um bom profissional não deveria se ofender com perguntas nem tratar a busca por outra opinião como uma traição pessoal. A medicina não é um casamento monogâmico. É uma relação de cuidado que precisa sobreviver à presença de dúvidas.

Você não precisa decidir no escuro

Durante muitos anos, pessoas com perda auditiva foram ensinadas a obedecer em silêncio. Saíam do consultório com um aparelho, uma cirurgia ou uma sentença sobre o futuro, mas sem conhecer as alternativas.

Hoje temos mais informação, tecnologia e comunidades de pacientes. O objetivo não é substituir médicos por grupos de internet, mas chegar às consultas mais preparado e reconhecer quando uma explicação não basta.

A Organização Mundial da Saúde destaca que a identificação precoce e a reabilitação no momento adequado são essenciais para o cuidado efetivo da perda auditiva. (Organização Mundial da Saúde)

Quanto antes a pessoa entende o que está acontecendo, mais cedo pode construir uma estratégia com tratamento, tecnologia, reabilitação, acessibilidade e comunicação. A segunda opinião médica não é luxo, mas sim uma ferramenta de segurança, autonomia e responsabilidade.

No Clube, ninguém precisa atravessar isso sozinho

Foi para reduzir essa solidão e essa confusão que nasceu o Clube dos Surdos Que Ouvem.

No Clube, pessoas com perda auditiva e familiares encontram uma comunidade formada por quem vive essas decisões na prática. Falamos sobre diagnóstico, aparelhos auditivos, implante coclear, consultas, exames, adaptação, comunicação, trabalho, família e tudo aquilo que raramente cabe nos minutos de uma consulta.

O Clube não substitui o médico, o audiologista ou a fonoaudióloga. Ele oferece algo diferente e necessário: repertório para que você compreenda melhor a sua jornada, aprenda com experiências reais e chegue mais preparado às decisões.

Você não precisa aceitar uma orientação que não entendeu. Não precisa sentir vergonha de perguntar. Não precisa tomar uma decisão definitiva enquanto ainda está completamente perdido.

Procure profissionais qualificados. Reúna seus exames. Faça perguntas. Quando necessário, peça uma segunda opinião.

E, se você deseja caminhar ao lado de pessoas que sabem exatamente o peso dessas escolhas, venha fazer parte do Clube dos Surdos Que Ouvem. Porque, na surdez, clareza não é detalhe, pelo contrário, a clareza muda destinos.