Surdez

Os 5 REMÉDIOS que mais MATAM a sua AUDIÇÃO

Quando pensamos nos efeitos colaterais dos medicamentos, geralmente lembramos de náuseas, fadiga ou tontura. Mas existe outro risco menos conhecido que pode trazer consequências duradouras e, às vezes, permanentes: a perda auditiva. Uma grande variedade de remédios, tanto com receita quanto de venda livre, é classificada como ototóxica, o que significa que podem danificar o ouvido interno e afetar a audição ou o equilíbrio. O Dr. Luciano Moreira já explicou isso em detalhes neste post que é leitura obrigatória para quem tem surdez.

A ototoxicidade refere-se a danos causados por medicamentos ou substâncias químicas na cóclea (o que afeta a audição) e no sistema vestibular (que controla o equilíbrio). Os sintomas podem incluir zumbido no ouvido, perda auditiva (frequentemente começando com sons de alta frequência), tontura, problemas de equilíbrio ou uma sensação de ouvido tapado.

Esses efeitos podem ser temporários ou permanentes, dependendo do medicamento utilizado, da dose, da duração do tratamento e da predisposição de cada pessoa.

O ouvido interno é extremamente sensível. A maioria dos especialistas acredita que os medicamentos ototóxicos causam danos ao lesionar as minúsculas células ciliadas da cóclea ou ao desequilibrar os fluidos do ouvido interno. Uma vez destruídas, essas células ciliadas não se regeneram, tornando a perda auditiva irreversível em muitos casos.

Sabe-se que cerca de 200 medicamentos apresentam efeitos ototóxicos.

Quais remédios podem matar a sua audição?

 

Aqui estão alguns dos medicamentos ototóxicos mais comuns que exigem atenção:

1. Antibióticos

Antibióticos aminoglicosídeos, como gentamicina, tobramicina e estreptomicina, são normalmente indicados para infecções graves como sepse, meningite ou tuberculose — situações em que o tratamento rápido e agressivo pode salvar vidas. Nesses casos, os benefícios geralmente superam o risco potencial de perda auditiva.

Esses medicamentos, geralmente administrados por via intravenosa, estão entre os mais documentados como ototóxicos. Eles podem causar perda auditiva irreversível, principalmente quando usados em altas doses ou por períodos prolongados. Algumas pessoas também podem ser geneticamente mais vulneráveis a esses efeitos.

Essas substâncias permanecem no ouvido interno por semanas ou até meses, o que significa que o dano pode continuar mesmo após o término do tratamento.

Outros antibióticos que exigem atenção incluem os macrolídeos (como eritromicina e azitromicina) e a vancomicina, que também foram associados a problemas auditivos, especialmente em idosos ou pessoas com problemas renais.

2. Medicamentos para o coração

Diuréticos de alça, como a furosemida e a bumetanida, são amplamente utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca ou da pressão alta. Quando administrados em doses elevadas ou por via intravenosa, podem causar perda auditiva temporária ao desequilibrar os fluidos e eletrólitos no ouvido interno. Cerca de 3% dos usuários podem apresentar ototoxicidade.

Alguns medicamentos para pressão arterial também foram associados ao zumbido.

Estes incluem os inibidores da ECA — remédios como o ramipril, que ajudam a relaxar os vasos sanguíneos ao bloquear o hormônio angiotensina, facilitando o bombeamento de sangue pelo coração — e os bloqueadores dos canais de cálcio, como a anlodipina, que reduzem a pressão arterial impedindo que o cálcio entre nas células do coração e nas paredes dos vasos sanguíneos. Embora essas associações tenham sido observadas, mais pesquisas são necessárias para compreender totalmente a extensão do impacto desses fármacos na audição.

3. Quimioterapia

Certos medicamentos quimioterápicos, especialmente os que contêm platina — como a cisplatina e a carboplatina —, são conhecidos por serem altamente ototóxicos. A cisplatina, frequentemente usada no tratamento de cânceres de testículo, ovário, mama, cabeça e pescoço, apresenta um risco significativo de perda auditiva permanente. Esse risco aumenta quando a radioterapia também é direcionada para a região da cabeça ou do pescoço.

Até 60% dos pacientes tratados com cisplatina apresentam algum grau de perda auditiva. Os pesquisadores buscam maneiras de reduzir esse risco ajustando a dosagem ou a frequência das aplicações, sem comprometer a eficácia do tratamento contra o câncer.

4. Analgésicos e Anti-inflamatórios

Altas doses de analgésicos comuns, incluindo a aspirina, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como o ibuprofeno e o naproxeno — frequentemente usados para aliviar dor, inflamação e febre —, e até mesmo o paracetamol, foram associados ao zumbido e à perda auditiva.

Um grande estudo descobriu que mulheres com menos de 60 anos que tomavam regularmente aspirina em dose moder (325 mg ou mais, de seis a sete vezes por semana) tinham um risco 16% maior de desenvolver zumbido. Essa relação não foi observada com o uso de aspirina em baixas doses (100 mg ou menos). O uso frequente de AINEs e de paracetamol também foi associado a um aumento de quase 20% no risco de zumbido, especialmente em mulheres que utilizavam esses medicamentos com frequência.

Outro estudo associou o uso prolongado desses analgésicos a um maior risco de perda auditiva, especialmente em homens com menos de 60 anos. Na maioria dos casos, o zumbido e as alterações auditivas desaparecem assim que o medicamento é interrompido — mas esses efeitos colaterais costumam ocorrer após o uso prolongado e em altas doses.

5. Antimaláricos

Medicamentos como a cloroquina e a quinina — utilizados para tratar a malária e cãibras nas pernas — podem causar perda auditiva reversível e zumbido. Um estudo apontou que entre 25% e 33% das pessoas com perda auditiva já haviam tomado um desses medicamentos anteriormente.

A hidroxicloroquina, usada no tratamento do lúpus e da artrite reumatoide, possui uma estrutura química semelhante e apresenta um risco parecido. Embora algumas pessoas se recuperem após interromper o uso do remédio, outras podem sofrer danos permanentes, principalmente após o uso prolongado ou em altas doses.

Pessoas com perda auditiva preexistente, doença renal ou predisposição genética enfrentam riscos maiores — assim como aquelas que tomam vários medicamentos ototóxicos ao mesmo tempo. Crianças e idosos também podem ser mais vulneráveis.

Se lhe for prescrito um desses medicamentos para uma condição grave como câncer, sepse ou tuberculose, os benefícios geralmente superam os riscos. Ainda assim, é prudente manter-se informado. Pergunte ao seu médico ou farmacêutico se o seu medicamento traz riscos para a audição ou para o equilíbrio. Se notar zumbido nos ouvidos, tontura ou audição abafada, relate o sintoma imediatamente a um médico otorrino especialista em surdez.

(Sobre a autora: Dipa Kamdar é professora sênior de Prática Farmacêutica na Kingston University. Este artigo foi originalmente publicado no site The Conversation sob licença Creative Commons.) Fonte: The Independent