Crônicas da Surdez Deficiência Auditiva

Atitudes que magoam uma pessoa com deficiência auditiva

Pensando em atitudes alheias que magoam uma pessoa que tem deficiência auditiva, várias me ocorreram. Porém, como tudo na vida, dói mais quando vem das pessoas que gostamos. Não é verdade? Quando um estranho tem uma atitude dessas, a gente nem dá bola, afinal, não vale o gasto de energia. Mas quando alguém próximo nos magoa (mesmo sem intenção), chega a parecer traição. E das graves!

Duas coisas me tiram do sério – por 5 minutos, mas tiram. Primeiro, quero estrangular a pessoa, depois, esqueço. Mas meu sangue ferve, porque sou humana, né?

PRIMEIRA: Quando alguém que você adora (pode ser mãe, irmão, amigo, namorado, filho, marido, etc) age como um idiota completo que nada sabe sobre surdez apesar dos longos anos de convivência com você e solta a maldita frase:

– Mas você não está de aparelho???

Aaaargh!! Pra completar, só se a pessoa em questão dá aquela olhadinha para as suas orelhas pra confirmar a suspeita. Meu Deus!! Me considero uma pessoa sensata e calma na medida do possível mas, quando isso acontece, minha reação primitiva é a de querer tirar meus AASI e fazer a pessoa engolir. E a triste verdade é que isso acontece MUITO. Acho que a gente se acostuma a a abafar o caso e não surtar quando se trata de familiares e pessoas próximas. Com eles, temos 1.000x mais paciência do que com estranhos. O trágico é que eles deveriam ter 1.000x mais paciência e respeito conosco do que efetivamente têm.

SEGUNDA: Quando estou numa conversa com alguém próximo ou, outra opção, quando estou distraída e a pessoa fala algo que não entendo. A questão é não entender o que foi dito. Aí, a(o) bendita(o) solta a pérola:

– Deixa. Esquece. Não é nada. Não importa.

Jesus!! A reação primitiva é sentir vontade de pegar o interlocutor pelos cabelos como faziam na Idade da Pedra e arrastá-lo pelo chão dizendo “importa siiiiiiiiiimmmm!”.

Do fundo do coração, não acho que eles façam isso de propósito, com a intenção de nos deixar mal, de magoar, de ferir. Mas é tremendamente irritante a desatenção de quem mais convive conosco para coisas básicas. De quantos anos a família, os amigos, os colegas, etc precisam pra entender de uma vez por todas que estar de aparelho auditivo não é garantia de que vamos entender tudo o que é dito e que é horrível quando não entendemos e eles não querem repetir??

E vocês? Que tipo de atitude das pessoas próximas os magoa pra valer??

32 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

45 Comentários

  • Costumo dizer que, nós, deficientes auditivos somos os que geralmente mais sofremos preconceito e subestimação… Fico muito brava!
    As vezes, as pessoas estão falando comigo e como sabem que sou surda, acham que precisam falar mais ALTO (e o ideal seria não falar mais alto, e sim falar mais claro, devagar) e vão aumentando o tom de voz até gritar! Aí quando vejo já fico:
    — NÃO VEM GRITAR COMIGO NÃO!!

    Aaaaaaaaaa 🙁

  • Que triste esses tratamentos, nos ser humanos precisamos cuidar de não fazer com o outro o que não gostariamos que fizessem conosco.
    Por favor ser mais humano é preciso!
    Bom ler os desabafos de vocês.

  • Olá a todos!
    O que me irrita:
    1) Ficou surda quando?
    2) Você é surda por conveniência, né?
    3) A pessoa começa a falar e abaixa ou vira a cabeça. Faz isso diversas vezes.
    4) Sair pela casa falando, é terrível.
    5) Uma das coisas mais idiotas que já fizeram comigo. Chegou um ser iluminado para trabalhar comigo e viu meus AASI. Pediu emprestado!!!! O mesmo iluminado chegou por trás e assoviou para conferir se sou surda!!! Quando o iluminado idiota pediu emprestado eu respondi que não era brinquedo. Quando o mesmo idiota iluminado queria verificar se eu era surda mesmo e assoviou, eu estava com meus AASI, então respondei em forma de “pérolas”: Cara, com meus AASI escuto até sua manifestação gasosa intestinal (claro que não usei estas palavras!).
    6) Disse a moça que falasse virada para mim, pois era surda. Ela disse, eu também e riu. Então mostrei o AASI e ela pediu desculpas, disse que pensou que eu estava brincando!
    7) Fui ao caixa eletrônico e o caixa preferencial estava vazio. Não tive dúvidas e fui ao caixa preferencial. Chegou umas cinco ou seis senhorinhas, se colocaram ao meu redor e começaram a dizer que havia gente abusada usando o caixa preferencial (esta era eu). Como eu estava com meus AASI, escutava a queixa, mas elas não viram meus aparelhos. Costumo dizer a minha fono que qualquer dia vou pintar meus AASI de vermelho neon!!..rs
    São situação irritantes, mas depois dou boas risadas… O mundo não está acostumado com as diferenças, ainda mais a surdez que é quase imperceptível aos olhos comuns. Outras pessoas se constrangem com aquilo que não conhecem. Não gosto de ser tratada com discriminação, mas também não posso discriminar a falta de conhecimento dos outros. Temos que ensinar ao mundo que somos normais com algumas diferenças…rs
    Bjs a todos

  • Quando você avisa que tem perda auditiva e a pessoa, além de duvidar, grita com você e te trata como se tivesse algum problema mental também. Isso é PÉSSIMO!

  • Queridos amigos leitores de Cronicas da Surdez,nos que dependemos de leitura labial¨o que dizer quando vamos ao consultorio medico ou ao dentista e ficam gritando com o paciente surdo com aquelas mascaras cirurgicas mesmo sabendo de nosso problema¨

  • Essas duas me iritam mto tbm,me identifiquei com vc,Paula.Nas duas,eu pego e falo:”Vc pensa q o fato de eu usar aparelho auditivo garante eu ouvir 100%???Ou então;”Não pedi pra ser surda,não!!!”Ah,eu não engulo,não,não tenho culpa por ser deficiente,isso não é algo q escolhemos,né?Outra coisa tbm é a pessoa q já convive com mto com vc e sabe q vc faz leitura labial,ao invés de repetir com calma,ela vai e grita.AHHHH!Essa tbm me deixa soltando fogo pelas ventas!!!kkkkk Ou então quando a pessoa fala de costas pra vc,SABENDO q a chance de vc escutar são poucas.Afff,aí peço pra repetir,e a pessoa solta a primeira pérola q vc postou…Difícil,né?

  • Essas duas situações (“você está de aparelho?” e “esquece, não é nada”) não me chateavam tanto. Aprendi a lidar com isso, até porque, na maioria das vezes, não era proposital. É como o SôRamires falou: a surdez é invisível, às vezes a pessoa esquece, ou não é por pura maldade.

    O que mais me magoava era a pessoa notar o sotaque diferente, arregalar os olhos (como se eu fosse uma ET) e rir da minha cara, descaradamente.

    Me chateava também quando me apelidavam de “surda” ou quando falavam: “nossa, você fala tão engraçado”. Passei a responder: “não acho a minha fala engraçada, não te ensinaram a ter respeito, não?”. Muitos se desculpavam. Como minha fala melhorou muito, não acontece mais.

    Mas adorei os comentários do D. Dama, kkkkk… bateu, levou! Também concordo com a Daniela: outras atitudes, mesmo esquisitas, nos deixam lisonjeados, como alguém falar: “ai, desculpa, sempre esqueço que vc é surda!”.

    Ainda acho que uma possível solução é admitir que isso não é legal, que nos chateia. Ás vezes, melhora. Aqueles que não têm paciência mesmo… então descarte-os, pois nada vão agregar para a sua vida. Sou muito feliz com os meus poucos amigos incríveis e maravilhosos, que me entendem e me respeitam.

    Outra coisa: às vezes julgamos as pessoas precipitadamente. Tive um colega que não olhava para mim enquanto falava. Quando comentei que era preciso que ele me olhasse, ele ficou surpreso. E confessou que não conseguia olhar para ninguém, era um TOC dele. E pediu desculpas, dizendo que não era pessoal. Às vezes exigimos que tenham paciência conosco, e esquecemos de verificar se nós mesmos entendemos a posição do outro (em variadas situações), não é mesmo?

  • Odeio as pessoas “indiferentes”, “falta de consideração”, “superficiais” e “virar as costas da minha frente” e “não é nada, esqueça”. Isso é uma absolutamente absurdo, essas pessoas são ignorantes e falta de respeito!
    Mas, eu sei falar, entendo completamente que sou compreensiva e olho nos labios das pessoas. Poxa, fico nervosa com as atitutes das pessoas. Jamais vou na festa e nem reunião, sou anti-social.
    Tenho pouquinhos amigas e os meus pais que são especiais para mim, me amam e me conversam normalmente.
    Mas a gente tem que aprender a conviver com isso, a surdez é uma deficiência invisível mesmo, temos que lembrar as pessoas que não somos iguais aos outros.
    Pórem, somos especiais, diferentes e inteligentes.
    Ana Claro

  • já passei por isso, desde criança até hoje….”É uma longa história da minha vida de surdez, foram dificil”.
    Vivo cansada, nervosa e dolorida com as atitutes das pessoas… sou sensível demais. É um óbvio!
    São as pessoas que não entendem como lidar com as pessoas surdas. São ignorantes e arrogantes mesmo.
    E por isso eu luto tudo isso que eu brigo, agir, julgar, reclamar…. coragem, objetiva e determinada!
    Graças a Deus que me lutou e estou ótima e feliz…
    Tem que lutar e barra!
    Ana Claro

  • É Paulinha!!!
    A nossa deficiência auditiva apesar de ser invisível, é um tanto incômoda quando trata-se de nossos familiares que nos acompanharam desde o nosso nascimento. Sou 1000x mais paciente com estranhos pois eles não conhecem a minha deficiência e muito menos como interagir comigo. Agora… os que me conhecem, há mais de 30 anos… precisam sim ouvir ‘umas poucas e boas’. 🙂

    A expressão “Mas você não está de aparelho?” tem nome. Chama-se ingenuidade. Apenas os mais cultos e mais respeitadores são capazes de não cometer este deslize.

    A expressão “Deixa, esquece”… eu tolero com estranhos. Com meus familiares, a tolerância é zero. É inadmissível.

    Meu pai, por exemplo, quando quer dizer alguma coisa e eu não ‘capto’ a mensagem ainda que com a AASI, ele fica revoltado. Neste caso, eu já tolerei pois trata-se de ele não conseguir aceitar a minha deficiência. Coitado, ainda não consegue acostumar-se, fazer o que! Eu… to de bem com a vida assim mesmo.

    Minha mãe, tem a mania de falar comigo mexendo a cabeça, e isto atrapalha minha leitura labial. Nisto é que dá vontade de colocar nela a órtese de pescoço! Rsrs.

    Afinal, também somos humanos! Interagir equilibradamente com imperfeitos é uma arte. Feliz de quem assim é!

  • Vou reproduzir aqui a resposta que recebi da Sueli por email, segue:

    QUANDO COMECEI A LER O SEU COMENTARIO CONFESSO QUE FIQUEI COM RAIVA DE VÇE,POR SER TAO ”GROSSA” ATE EU ENTENDER O QUE VÇE QUERIA ME DIZER,TUDO O QUE VÇE FALOU E VERDADE SO QUE VÇE MORA EM OUTRO LUGAR,EU TE ENTENDO,QDO FUI PARA O CEDALVI PELA PRIMEIRA VEZ,TIVE MTO MEDO ,NÃO SABIA O QUE MAS TINHA .SO QUE QDO EU CHEGUEI LA E VI AQUELAS PESSOAS MARAVILHOSAS QUE ESCULTA VÇE FALAR SEM PRESSA E MTO BOM,AQUI Ñ AS PESSOAS TE PERGUNTA ALGO E SE VÇE PERGUNTA O QUE?ELES DIZEM DEIXA PRA LÁ, ISTO VAI FAZENDO COM QUE AGENTE SE ISOLAM DA A IMPRESSAO DE QUE AGENTE ESTA ATRAPALHANDO OU Ñ TEM IMPORTANCIA PRA NINGUEM.

    E POR ISSO FICO TRISTE,AS PESSOAS LA NO CEDALVI SAO PESSOAS MARAVILHOSAS,EDUCADAS ,AMOROSAS COM AS PESSOAS ,

    DEIXA EU TE CONTAR,DEPOIS QUE EU FIQUEI SEM O MEU APARELHO A MINHA SOGRA Ñ CONVERSOU MAIS COMIGO, ELA Ñ TEM PACIENCIA DE CONVERSAR COMIGO. O MEU SOGRO TAMBEM ERA SURDO E ELA QUASE Ñ CONVERSAVA COM ELE POR Ñ TER PACIENCIA,.QUERO DESDE JA TE AGRADECER PELO CONSELHO,ME DEU UMA SACUDIDA.VOU PELO MENOS TENTAR,VAMOS VER NO QUE VAI DAR.E MTO OBRIGADA POR ME ATENDER.TCHAOOO E FELIZ 2012 PRA VÇE E TODA SUA FAMILIA………

  • Sueli Rodrigues.

    Vou avisando: não sou boazinha e não passo a mão na cabeça. Portanto, vou ser direta e objetiva contigo, ok?

    Então, vamos lá.

    1) Como é que você fez a vida toda até ganhar os aparelhos? Viveu trancada dentro de casa com depressão?

    2)Se você não está escutando (e pelo que entendi, não está conversando com ninguém porque preferiu se isolar), como é que você sabe que as pessoas estão rindo justamente de você, ou não estão simplesmente se divertindo e ignorando que você não está escutando (como nós ouvintes fazemos, às vezes por esquecimento, às vezes por ignorar a pessoa mesmo, o que é muito ruim)?

    3)Antes do aparelho você já vivia. Se agora faz dele muleta, é porque faz de muleta qualquer coisa. Seu problema é bem outro e é melhor você procurar ajuda profissional pra descobrir o que é. Porque se fosse uma pessoa, um animal, um outro objeto qualquer seria esse problema do mesmo jeito.

    Por isso, creio que a falta dos aparelhos foi o estopim para algo que você conseguia controlar, mas que depois ficou insustentável quando você perdeu o “porto seguro” que eram os aparelhos, que davam a falsa impressão de que estava tudo bem e você ouvia tudo o que diziam a seu respeito. Agora você não sabe o que dizem, tem medo da opinião dos outros, acredita que todos querem te atacar, se assusta e se esconde. Não tem nada a ver com os aparelhos.

    Por que sou dura, cruel e seca desse jeito?!?! Por que meu marido viveu muitos anos sem aparelho e tem 100% de oralização. Porque ele nunca se escondeu atrás da falta dos aparelhos pra deixar de se relacionar com ninguém, mesmo tendo Síndrome do Pânico. Porque até o dia chuvoso pode ser motivo pra gente ter depressão quando a gente vive se escorando em uma muleta.

    Não exijo que você seja igual a ele. Não espero que você consiga o que ele conseguiu. Mas creio que você precisa investigar melhor esta história pra saber se o problema está mesmo na falta dos aparelhos, ou está no ambiente que você tem vivido, ou nas suas companhias que já não te respeitavam com aparelhos, mas pelo menos se continham porque você poderia estar ouvindo, ou está em você mesma. Em alguma necessidade não suprida que você pensa que estava completa por causa dos aparelhos.

    Levante a cabeça!! Faça você do seu fim de ano um momento bom, melhor do que todos. Você só precisa de si para viver. Sem os aparelhos será um pouco mais difícil, mas você o fazia antes de os receber e se acomodar.

    Ser feliz ou ter depressão é escolha individual (quando é feita a tempo) e não depende de ter isso ou aquilo. Seja feliz SEM aparelhos, seja feliz COM aparelhos. Seja feliz com você e com todas as coisas que você já conquistou. Não se prenda aos 20% da cota de problemas que todos nós temos o dever de carregar na vida.

    Curta este momento só seu e aproveite para avaliar melhor as situações, as pessoas e o ambiente que você tem o privilégio do silêncio pra conhecer melhor. Quem sabe não é daí que vai partir a melhor mudança da sua vida.

    Tudo na vida é oportunidade. Ou desgraça. É preciso saber usar, ousar, aproveitar, viver. Por que se você desiste da sua única responsabilidade real, que é cuidar de si mesma e conservar-se, então você já está caminhando para o túmulo.

    Acorda, mulher!!! Se você se tranca e se afasta, então o problema não é a falta dos aparelhos. São 40 dias, mas meu marido passou anos sem aparelho. Ele que usava desde os sete anos de idade. E nosso relacionamento não mudou um milímetro por isso. Com os amigos e com o trabalho dele, não houve problema algum além do normal relacionado a isso. Mas quando ele teve síndrome do pânico sim… E ele usava aparelhos nessa época.

    Reavalie essa tristeza aí e procure as pessoas que te amam de verdade. Estas são poucas, mas estão realmente preocupadas contigo e não podem fazer nada por que você as está afastando. Pare de ser vítima e comece a ser heroína de sua própria história! Você é a personagem principal da sua história de superação e vitórias, não um gato atropelado na estrada agonizando porque ninguém chega pra salvar.

    Descubra novas possibilidades, divirta-se com situações inesperadas e aventure-se!

    E se precisar de uma bronca amiga, conte comigo! Só não espere que eu passe a mão na sua cabeça.

  • nunca estive tao triste qto agora,uso aparelho ha 10 anos ganhei no cedalvi foi uma bençao pra mim,so que eles estragaram e eu tive que mandarem pra la pra consertar e ta sendo uma barra ficar sem. pra trabalhar e um tedio todo mundo fica rindo de mim o tempo todo,o meu natal fiquei trancada dentro de casa e meu ano novo vai ser igual.ja chorei mto acho que vou ter depressao,so fico trancada dentro de casa algumas pessoas nem conversa comigo,e pior me informei no cedalvi e deve ficar prontos daqui uns 40 dias,oh! meu deus vai ser os piores dias de toda minha vida.mas agora tenho a certeza de que sem esses aparelho nao consigo viver mais.

    • Sueli Rodrigues.

      Vou avisando: não sou boazinha e não passo a mão na cabeça. Portanto, vou ser direta e objetiva contigo, ok?

      Então, vamos lá.

      1) Como é que você fez a vida toda até ganhar os aparelhos? Viveu trancada dentro de casa com depressão?

      2)Se você não está escutando (e pelo que entendi, não está conversando com ninguém porque preferiu se isolar), como é que você sabe que as pessoas estão rindo justamente de você, ou não estão simplesmente se divertindo e ignorando que você não está escutando (como nós ouvintes fazemos, às vezes por esquecimento, às vezes por ignorar a pessoa mesmo, o que é muito ruim)?

      3)Antes do aparelho você já vivia. Se agora faz dele muleta, é porque faz de muleta qualquer coisa. Seu problema é bem outro e é melhor você procurar ajuda profissional pra descobrir o que é. Porque se fosse uma pessoa, um animal, um outro objeto qualquer seria esse problema do mesmo jeito.

      Por isso, creio que a falta dos aparelhos foi o estopim para algo que você conseguia controlar, mas que depois ficou insustentável quando você perdeu o “porto seguro” que eram os aparelhos, que davam a falsa impressão de que estava tudo bem e você ouvia tudo o que diziam a seu respeito. Agora você não sabe o que dizem, tem medo da opinião dos outros, acredita que todos querem te atacar, se assusta e se esconde. Não tem nada a ver com os aparelhos.

      Por que sou dura, cruel e seca desse jeito?!?! Por que meu marido viveu muitos anos sem aparelho e tem 100% de oralização. Porque ele nunca se escondeu atrás da falta dos aparelhos pra deixar de se relacionar com ninguém, mesmo tendo Síndrome do Pânico. Porque até o dia chuvoso pode ser motivo pra gente ter depressão quando a gente vive se escorando em uma muleta.

      Não exijo que você seja igual a ele. Não espero que você consiga o que ele conseguiu. Mas creio que você precisa investigar melhor esta história pra saber se o problema está mesmo na falta dos aparelhos, ou está no ambiente que você tem vivido, ou nas suas companhias que já não te respeitavam com aparelhos, mas pelo menos se continham porque você poderia estar ouvindo, ou está em você mesma. Em alguma necessidade não suprida que você pensa que estava completa por causa dos aparelhos.

      Levante a cabeça!! Faça você do seu fim de ano um momento bom, melhor do que todos. Você só precisa de si para viver. Sem os aparelhos será um pouco mais difícil, mas você o fazia antes de os receber e se acomodar.

      Ser feliz ou ter depressão é escolha individual (quando é feita a tempo) e não depende de ter isso ou aquilo. Seja feliz SEM aparelhos, seja feliz COM aparelhos. Seja feliz com você e com todas as coisas que você já conquistou. Não se prenda aos 20% da cota de problemas que todos nós temos o dever de carregar na vida.

      Curta este momento só seu e aproveite para avaliar melhor as situações, as pessoas e o ambiente que você tem o privilégio do silêncio pra conhecer melhor. Quem sabe não é daí que vai partir a melhor mudança da sua vida.

      Tudo na vida é oportunidade. Ou desgraça. É preciso saber usar, ousar, aproveitar, viver. Por que se você desiste da sua única responsabilidade real, que é cuidar de si mesma e conservar-se, então você já está caminhando para o túmulo.

      Acorda, mulher!!! Se você se tranca e se afasta, então o problema não é a falta dos aparelhos. São 40 dias, mas meu marido passou anos sem aparelho. Ele que usava desde os sete anos de idade. E nosso relacionamento não mudou um milímetro por isso. Com os amigos e com o trabalho dele, não houve problema algum além do normal relacionado a isso. Mas quando ele teve síndrome do pânico sim… E ele usava aparelhos nessa época.

      Reavalie essa tristeza aí e procure as pessoas que te amam de verdade. Estas são poucas, mas estão realmente preocupadas contigo e não podem fazer nada por que você as está afastando. Pare de ser vítima e comece a ser heroína de sua própria história! Você é a personagem principal da sua história de superação e vitórias, não um gato atropelado na estrada agonizando porque ninguém chega pra salvar.

      Descubra novas possibilidades, divirta-se com situações inesperadas e aventure-se!

      E se precisar de uma bronca amiga, conte comigo! Só não espere que eu passe a mão na sua cabeça.

  • É verdade!!! Esses exemplos que o Rodolpho deu acima também são bastante comuns!!!

    Essa, de acender a luz (quando o cidadão não precisa, por não usar a visão) é frequente no cotidiano de quem tem deficiência visual. Já vi uma situação envolvendo pessoa com deficiência visual estudando – usando Braille e computador com leitor de tela- e aí chegou uma outra pessoa (normovisual) e perguntou: “-Como é que você está conseguindo estudar, se a lâmpada está queimada? Quer trocar de cômodo?” (Kkkkkk, sem comentários).

  • Fala pessoal.
    Tem muitas atitudes que magoam um cego também. Por exemplo, eu vou sair com alguém num restaurante, por exemplo. o garsom vem e pergunta pra pessoa do lado: o que ele vai querer?
    na hora eu penso: pô, eu sou cego, não sou surdo! tudo bem que vocês surdos ouvem, mas… emfim.
    agora, tem outras que eu levo pro lado da brincadeira depois, como aconteceu comigo esses dias. fui no banheiro, (fazer o que, não interessa. kkkkk) aí, a luz tava apagada. minha bisavó vem e me fala: acende a luz. kkkkkkk
    tem muito mais coisas, que se eu for ficar aqui falando eu vou escrever até amanhã. kkkkk
    bom, agora fui!

    • Essa do “acende a luz” é mais comum do que se pensa, infelizmente…!

      Tem uma outra “pérola” que é “clássica” também: a pessoa cega (ou com baixa visão) tá lá, acompanhada de uma pessoa normovisual, conversando. Aí, sem pensar, a pessoa normovisual cutuca a deficiente visual e diz, por exemplo: “-Olha que rapaz (ou moça) bonito(a) ali na fila!!!” (e aponta). Afff!!!

      Ou então, tem outro exemplo bem comum no dia-a-dia: “-Que legal essa reportagem aqui na revista! Olha aqui” (e vai pondo a revista na mão do cego). Uúúúiii…

      Bom, lá vai a dica para deficientes sensoriais (sejam auditivos ou visuais) : o importante é levar isso na brincadeira- até porque tem gente que não faz isso por maldade, mas sim por puro esquecimento mesmo, principalmente se a pessoa , digamos, “inteirona sensorialmente”, não tem costume de lidar com um deficiente sensorial. A vida de uma pessoa com deficiência, por si só, costuma ser mais estressante que a de uma pessoa clinicamente normal… então, a saída é usarmos de uma certa dose de criatividade para minimizarmos os efeitos desses contratempos diários, hehehe!!! Abração!

  • Xiii, isso acontece não é só com quem tem a audição comprometida não! Com as pessoas que têm visão subnormal (ou seja, que, mesmo com óculos, enxerga muito aquém do normal), isso também ocorre frequentemente!

    Diversas vezes, quem tem visão subnormal compensa a sua limitação através dos sentidos remanescentes. Aí, as pessoas ao redor ficam surpresas, perguntando: “-Como é possível fazer isto ou aquilo, se você enxerga mal?” Leva-se, então, “um século” para explicar ao cidadão que esta ou aquela tarefa foi feita sem usar a visão, mas sim habilidades táteis, auditivas e de memorização/orientação espacial. E que é possível, sim, fazer muita coisa sem enxergar direito!

    E mesmo assim, tem engraçadinho que gosta de ficar “testando” sutilmente se a pessoa com visão subnormal tem, realmente, a visão pouco potente ou se está mentindo ou exagerando na descrição de seu problema… Aaaaafffff!!!!!!!! 😛

  • È meus amigos, por muito tempo eu tinha que exercer a diplomacia nesses inúmeros casos do nosso cotidiano , eu tinha uma incrível paciência com qualquer um que vinha com um papo desses . Mas algum dia resolvi encarnar o folclórico Seu Lunga . Adeus diplomacia , a era era de revidar na mesma hora e se possível constranger a pessoa, para pensar duas vezes antes de falar besteiras.
    Já entro fuzilando com o olhar e piora com as respostas. Muitas vezes as pessoas se arrependem de ter nascido . mas só assim aprende
    Quase sempre é as mesmas frases .
    Ué mas você não esta de aparelho?
    Não meu amigo não estou de aparelho não , ele esta de férias tomando sol no telhado , afinal ele precisa de uma cor né.
    Caramba cara aumenta o volume do aparelho?
    Ô palhaço entender é diferente de ouvir.
    Pow bixu voce so ouve o que te interessa ?
    Claro o que interessante é mais gostoso.
    Quando um assunto é com voce e a criatura vai procurar o amigo do lado(eu comprando um carro)
    Dei um cutucão e disse o negócio é comigo ou com ele ? afinal o dinheiro é meu e não dele .
    Ele é surdo ? (um mane vendo o aparelho e pergunta )
    Não , o aparelho é enfeite.

    Isso é so as mais leves. 😉 não deixo que essas coisas me aborreçam prefiro o bateu levou. abcs.

    • D.Damas,gostei das suas respostas,principalmente da primeira,vou usá-las no meu dia-adia….kkkkkkk
      Tbm cheguei a rir sozinha aqui
      Abraços!

  • Falando pelo lado da família, a gente simplesmente pensa e tem todo o orgulho de dizer que “a voz da gente ele entende porque já está acostumado”. E o pior: dói na gente a frustração de ser comparado e incompreendido como os “de fora”. Não quer dizer que pensamos que a pessoa ouve, mas sentimo-nos carinhosamente especiais porque ultrapassamos a barreira da surdez com a ajuda do aparelho. Para a família, amigos próximos e sem noção de convívio diário, importa muito ser a pessoa especial que é compreendida pelo surdo. Uma falha na compreensão significa uma falha do aparelho, não do nosso querido surdo, por isso a olhadinha…

    Agora, o “não é nada”, muitas vezes é algo que aqui em casa acontece muito: ouvinte resmunga e pensa em voz alta o dia todo. Muitas vezes, terminamos uma conversa, mas continuamos pensando e crendo que ninguém está ouvindo. Quando perguntam… E eu, resmungona de carteirinha, agora tenho um recém implantado que ri de mim o dia todo porque agora, além de escutar, muitas vezes entende o que digo e fica me zuando… Fora quando a gente está simplesmente cantarolando uma música que não sai da cabeça.

    Não digo, com isso, que todos sejam bonzinhos e cheios de boas e carinhosas intenções, mas que, na maioria das vezes é isso mesmo o que acontece…

    Defendi direitinho a classe dos familiares, amigos e sem noção de convívio diário, menina Lak? 😉
    Seu texto é muito pertinente e importante. Nós ouvintes devíamos ler mais… Esse tema já foi muito discutido aqui em casa…

  • É isso aí, acontecia direto ou então quando alguém alertava um interlocutor: “ele é surdo…”

    Infelizmente meu olhar “assassino” não funcionava, uma pena, algumas pessoas não vêem o quanto magoam uma pessoa deficiente e deixam-na frustrada.

    E quando pessoas do seu entorno falam se deslocando, sem se importarem de que precisamos “ver” os lábios para compreendermos o que estão falando.

    Ficamos caminhando tentando encontrar a face das pessoas à procura de algo que nos falta, sem que elas compreendam o que estamos olhando.

    Tudo é muito corrido, entendemos, mas um pouco de discernimento não faz mal à ninguém.

  • Muito bacana este post!!! Mas tbm tem outras atitudes, mesmo esquisitas, que nos deixam lisonjeados a ponto de perceber que seus anos de fono nao foram em vão! Que tal enumerar algumas no seu próximo post?? Esta êh uma delas: no trabalho, estava rolando um babado e claro, eu com dificuldade de acompanhar pedi ao colega me descrever que babado era. Ele veio a minha mesa e sussurrar no meu ouvido…e eu “opa”! E ele demorou uns segundos para deparar com esse “opa!”…”ai sempre esqueço que vc êh surda!”….e eu toda feliz hahaha êh o melhor elogio que eu poderia receber neste tipo de situação….no meu caso, mesmo implantada, ainda dependo de leitura labial por isso sussurros no ouvido ainda nao cola hehe

  • Nossa!!!!Não pensei que a minha deficiência fosse tão comum…Sofro muito nos últimos tempos,com as atitudes grosseiras pelas quais temos de passar…E o pior:vindas de familiares e amigos…
    Então,o remédio é fingir que não estou nem aí…

  • Paula como sempre adoro seus posts, me identifico muito com as situações, por exemplo vivo falando pra Júlia: Vc tá de aparelho? Mas a partir de agora vou me policiar ao máximo pra não fazer mais isso, obrigada pela dica 🙂
    Bjo

  • Essas duas situações que você colocou são as mais comuns.
    E também há outras: “você só ouve quando quer”, “que saco, tenho que ficar repetindo”, “aumenta o volume”.
    As respostas, quase malcriadas: “ah, sim, só ouço quando eu quero (quem me dera!!!!!)”; “desculpe-me se te faço repetir, mas bem que vc poderia falar de forma mais clara, procure um fonoaudiólogo”; “ah, nem se o volume tivesse no máximo eu entenderia. Entender é diferente de ouvir.”
    Nossa deficiência é complexa, diferente, discreta. Difícil de lidar. Não sei de ninguém que manda um aleijado correr. Nem de alguém que pergunta a um cego se a cor é bonita 🙁

  • Oi, também me sinto muito mal nas duas situações, a deficiência auditiva é difícil de ser compreendida, as pessoas pensam que o aparelho auditivo corrige igual a um par de óculos para quem é miope, então soltam pérolas tipo “…precisa regular melhor o aparelho!”
    Recentemente presenciei o namorado da minha filha desrespeitando o pai dele por não escutar direito, pelo que entendi o Sr. em questão não usa aparelho mas está começando a perder a audição e a falta de respeito do rapaz fez com que eu perdesse o respeito por ele, por mais que tentasse não consegui mais gostar dele e dei graças quando o namora acabou!

  • Nossa! Eu sou oralizado e gracas a muuuuita fonoaudiologia, consigo falar bem… Entao o que mais me irrita sao pessoas que nao acreditam quado falo que sou deficiente e ficam testando falando baixinho ou por tras, para ver se nao estou mentindo!!! Gracas a Deus, faz uns 10 anos que isso nao acontece…

  • Paula,

    você descreveu exatamente o que eu sinto quando as pessoas falam isso. Só o meu juizinho mesmo pra refrear o meu instinto selvagem, e olhe que eu sou uma pessoa paciente, mas quando me soltam essa… nossa! :/ até parece que sabem mais que a gente… no trabalho, tinha um colega que queria perguntar algo para mim, eu estando do lado dele, mas preferiu perguntar a uma amiga minha. nessa hora, respirei fundo e falei: olha, eu posso não ouvir bem, mas posso responder a tua pergunta tranquilo se você perguntar a mim di-re-ta-men-te. eu tava fervendo de raiva por dentro! gente, tenha um pouco mais de bom-senso, pelamordedeus!

  • Olá Paula!!

    Sou fono, e adoro seu blog. Uma sugestão: você poderia colocar um ícone para podermos compartilhar seus posts no Facebook. Esse sobre as atitudes que magoam, achei ótimo!! Muitas pessoas ficam sem saber como agir frente a outras pessoas com qualquer tipo de deficiência, e todas as “dicas” de comportamento e compostura, são bem vindas!!

  • E qdo vc às vezes se sente um peso na vida dos outros?Surdez causa dependência, vc pode ter seu carro, emprego, mas sempre vai te fazer depender, parece uma “escravidão”.A família mesmo te amando te lembra disso, alguns casos citados acima são exemplos, deficiência invisível, que causa sofrimento e irritação, que eles também não percebem…
    O tal do :”Não deixa para lá, nao é nada,depois te falo.”Mata.
    E qdo decidem algo e depois te comunicam??
    Hoje tive um dia punk , por causa de não ouvir direito.AFFFFFFFF

  • Essa segunda parte foi a coisa que mais aconteceu na minha vida, as pessoas sempre me diziam: “ah esquece! Não é nada!” E eu ficava muito chateada, com vontade de socar na cara da pessoa… Para mim é falta de paciência dessa pessoa e não tem vontade de ser minha amiga de verdade!

    Outra coisa que me irrita é quando meu pai e irmão ficam no meu pé falando para eu falar beeeem baixinho em qualquer lugar onde as pessoas falem baixo! Eu falo e abaixo o tom, mas nunca é suficiente para eles, e toda hora falam: “fale mais baixo”, “mais baixo”, ai fico com a sensação de que estou sussurando, odeio isso e chega num ponto em que eu chuto o balde e começo a falar alto mesmo, sem me importar se eles ficarão com vergonha de estar ao meu lado falando alto. Eu não tenho vergonha de que as pessoas fiquem olhando para mim por eu falar alto, não ligo MESMO!

    Outra coisa que mais me irrita é quando eu estou conversando com as pessoas e elas não olham nos meus olhos, e começam a olhar pro alto e pros lados. Fico com a sensação de que elas não estão me escutando e começo a ficar nervosa e aflita. É importantíssimo a pessoa estar prestando atenção na minha cara para eu ter o sentimento de que estão me entendendo!

  • Essas duas situações foram ocorridas muitas vezes na minha vida. Mas o que mais me magoa é que a pessoa não tem disposição para comunicar-se comigo e prefere falar com o meu marido.
    Argh. Por que tem gente preguiçosa de aprender com os surdos? 🙁 Que decepção.

  • Nossa.. minha mãe faz isso comigo até hoje e eu fico uma arara…. e Às vezes respondo: esqueceu de que nasci surda e o aparelho não é a curda da surdez?????

    E tbm fico chateada qdo tem conversa em grupo e a pessoa vem e fala: ah, depois eu te falo e acaba esquecendo….

    Só que hj em dia eu relevo mto mais.. deixo pra lá… faz parte…

  • Essas duas são clássicas, mas no meu caso a pior é ter de ouvir essa: “você só ouve quando interessa.”
    Ironias a parte, nessa hora não me interessa ouvir mesmo, então simplesmente lanço um olhar que diz tudo e já esgana o individuo e nada falo!

  • Nossa, tem várias coisas que me irritam, mas essa duas citadas são as principais. Tem coisa pior do que vc estar com as pessoas que convivem contigo todos os dias e elas ficam te perguntando se vc está de aparelho? ou não repetirem o que disseram já que não entendemos? Dá vontade de sair xingando todo mundo, ou fazer o sujeito engolir o AASI mesmo.

    Outra coisa que me irrita: o povo de casa fala aos berros (deve ser por causa do longo tempo que me neguei a usar os aparelhos e o povo tinha que berrar para eu escutar) e quando eu tenho que me fazer ouvir começo a falar muito alto, aí vem mãe, pai, irmãos: Ô Julie! Vc tá gritando! Tá sem o aparelho?!
    Eu fico louca da vida, como se eu aguentasse o berreiro deles e devesse falar baixinho.

    Mas a gente tem que aprender a conviver com isso, a surdez é uma deficiência invisível mesmo, temos que lembrar as pessoas que não somos iguais aos outros.

  • É, isso acontece o tempo todo ,mas já acostumei, afinal são mais de 40 anos de aparelhos auditivos. Muita gente com quem convivemos e conversamos acaba esquecendo que só não somos totalmente surdos graças a essas maravilhosas próteses. Mas não me irrito não, acho que acontece porque a surdez é invisível.

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