Surdez

Os SINAIS da Perda Auditiva em CRIANÇAS

Os sinais da perda auditiva em crianças incluem não responder ao nome, não reagir a sons, apresentar atraso na fala, falar de maneira pouco clara, pedir repetições e aumentar excessivamente o volume da televisão. Esses comportamentos merecem avaliação rápida com um médico otorrinolaringologista especialista em surdez, mesmo quando a criança passou no teste da orelhinha. A identificação precoce permite iniciar os cuidados necessários para favorecer o desenvolvimento da comunicação.

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“Ele só escuta quando quer.” “Ela é distraída.” “É preguiça de falar.” Antes de colocar qualquer um desses rótulos numa criança, eu gostaria que os adultos respondessem uma pergunta: como está a audição dela? Porque transformar uma possível dificuldade auditiva em defeito de comportamento é uma injustiça que podemos evitar facilmente com um exame de audiometria anual. ATENÇÃO: TODAS AS CRIANÇAS DEVEM FAZER UMA AUDIOMETRIA ANUAL, porque crianças não são capazes de perceber a própria perda auditiva.

Sou surda e uso implante coclear. Por isso, faço questão de lembrar: surdez tem graus. Uma criança pode ouvir determinados sons e perder outros. A perda auditiva pode atingir um ouvido ou os dois, e variar de leve a profunda. Ouvir alguma coisa não significa ouvir tudo com clareza, e sou a prova viva de que pais que levam seus filhos para fazer uma audiometria 1x por ano podem salvar o futuro dos seus filhos! Minha surdez só foi descoberta aos 16 anos, apesar de eu ter começado a perder a audição a partir dos 6, e receber um diagnóstico médico errado de um médico otorrino de cidade do interior que NÃO ERA especialista em surdez e não teve a humildade de me encaminhar para um colega que fosse.

Nos bebês, alguns alertas aparecem nas respostas ao ambiente. Não reagir a barulhos fortes que acontecem naturalmente, não procurar a origem dos sons depois dos seis meses e virar a cabeça quando vê você, mas não quando escuta sua voz, são motivos para investigar. O CDC também cita a ausência de palavras isoladas, como “mamãe” e “papai”, por volta de um ano. Fonte: CDC.

  • Passar a ouvir menos de repente, em um ou nos dois ouvidos. Uma mudança em horas ou poucos dias exige atendimento médico imediato, mesmo sem dor. Pode vir acompanhada de zumbido ou tontura. Fonte: NIDCD.
  • Não reagir aos sons do ambiente, inclusive aos mais intensos. Observe situações naturais; não provoque barulhos fortes para testar a criança.
  • Apresentar atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem. Merece avaliação auditiva, embora também possa ter outras causas.
  • Não procurar de onde vem o som depois dos seis meses. O bebê não vira a cabeça em direção à voz ou a outros sons.
  • Não responder ao próprio nome com frequência. Principalmente quando responde ao ver a pessoa, mas não quando é chamado sem contato visual.
  • Parecer ouvir alguns sons, mas não outros. Reagir à televisão ou a um barulho não exclui perda auditiva.
  • Ter dificuldade frequente para compreender orientações simples, adequadas à idade. Pode parecer desatenção ou desobediência.
  • Apresentar fala pouco clara para a idade. A dificuldade persistente para produzir os sons da fala merece investigação.
  • Pedir que as pessoas repitam o que disseram muitas vezes. O “hã?” ou “o quê?” aparece repetidamente nas conversas.
  • Aumentar excessivamente o volume da televisão ou de outros dispositivos. Especialmente quando isso se torna um comportamento recorrente.

Sinais que os pais ignoram

Por favor, nada de bater panelas perto do bebê para “testar” sua audição. A avaliação deve acontecer com profissionais, sem expor a criança a ruídos desnecessários. Quando a criança cresce, vale observar o conjunto: ela pede “hã?” repetidamente, aumenta muito a televisão ou parece não entender orientações simples? Esses sinais estão entre os descritos pelo CDC. Anote situações concretas para relatar na consulta. “Preciso repetir várias vezes quando ela está de costas” informa muito mais do que “acho que ela é desligada”.

O atraso de fala também merece atenção. Existe uma diferença enorme entre respeitar o ritmo de uma criança e usar “cada uma tem seu tempo” para adiar qualquer investigação. A avaliação da fala e da linguagem frequentemente inclui exame auditivo, porque dificuldades para ouvir podem interferir nesse desenvolvimento.

Isso não significa que toda criança que demora a falar tenha perda auditiva. Significa que precisamos considerar a audição na investigação, sempre. Não cabe à família escolher um diagnóstico por conta própria, nem aceitar uma explicação tranquilizadora sem saber se essa possibilidade foi avaliada.

Na escola, a dificuldade pode aparecer na aprendizagem e nas relações. Perder partes das conversas dificulta acompanhar explicações e participar das brincadeiras. Algumas crianças acabam se afastando dos colegas. Essas situações têm várias causas possíveis, mas a audição merece atenção quando existem suspeitas.

Converse com os professores e peça exemplos. Em quais atividades a dificuldade aparece? O que eles observam nas conversas? Leve essas informações à consulta. A criança precisa de adultos interessados em compreender o que acontece, especialmente quando ainda não consegue explicar a própria dificuldade.

“Mas meu filho passou no teste da orelhinha!” Que bom. Só que esse resultado não é um certificado vitalício de audição perfeita. Algumas perdas auditivas surgem depois do nascimento ou progridem durante a infância. Infecções, fatores genéticos, determinados medicamentos e exposição a ruído estão entre as possibilidades.

A triagem deve acontecer no primeiro mês de vida. Quando aponta uma possível alteração, a avaliação diagnóstica precisa ocorrer rapidamente, idealmente até os dois ou três meses. Confirmada a perda, a intervenção deve começar o mais cedo possível. Existem exames que podem ser feitos enquanto o bebê dorme; não é necessário esperar que ele fale.

Diante de uma suspeita, procure avaliação médica e audiológica infantil com urgência, pois saúde auditiva é saúde cerebral, especialmente em bebês e crianças em idade de aquisição de fala e linguagem. Leve resultados anteriores, informações sobre o desenvolvimento e suas observações. Se a preocupação continuar, diga isso claramente e peça orientação sobre os próximos passos. Você não precisa chegar ao consultório com a certeza de que existe perda auditiva para merecer uma investigação.

Sobre prevenção, precisamos falar com responsabilidade. Pré-natal adequado, vacinação e cuidados com infecções ajudam a reduzir riscos, mas nem toda perda auditiva pode ser evitada. Existem causas genéticas e outras condições que independem da vontade dos pais. No cotidiano, reduza o volume dos dispositivos, limite a exposição prolongada a sons intensos e mantenha distância de caixas de som. Evite brinquedos muito barulhentos. Em situações ruidosas, use proteção auditiva adequada e afaste a criança se não conseguir controlar a exposição. O risco depende da intensidade, do tempo e da distância da fonte sonora.

Se houver diagnóstico de perda auditiva, o cuidado dependerá da causa, do grau e das necessidades da criança. Pode envolver tratamento clínico, aparelhos auditivos, implante coclear quando indicado, acompanhamento fonoaudiológico e recursos de comunicação, incluindo Libras. O objetivo é garantir acesso à linguagem, participação e desenvolvimento, com acompanhamento individualizado. Fonte: OMS.

Também vale mudar a pergunta que fazemos diante dessas situações. Em vez de “por que essa criança não presta atenção?”, experimente “será que ela teve acesso ao que foi dito?”. Essa mudança de postura abre espaço para observar, acolher e buscar respostas. A suspeita merece escuta, mesmo quando vem acompanhada de dúvidas e insegurança dos adultos.

A criança continua sendo uma criança: tem personalidade, curiosidade, vontades e um futuro inteiro pela frente. O diagnóstico ajuda os adultos a entender quais apoios ela precisa receber. Se você percebeu sinais, marque a avaliação. E venha conversar com as mães do Clube dos Surdos Que Ouvem: você não precisa organizar todas essas dúvidas sozinha.