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Cabelo

Queda de cabelo por eflúvio telógeno crônico: a minha experiência

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A queda de cabelo é um golpe duro na autoestima. Nunca fui uma Elba Ramalho em termos capilares, mas sempre tive bastante cabelo, lutava com o volume excessivo, com os redemoinhos, etc. De uns anos pra cá, comecei a notar que sequer consigo repartir o cabelo no meio, como sempre fiz. O único jeito possível é de lado, pra dar uma disfarçada básica na…falta de cabelo!

Juro pra vocês que dói o coração ver essa montagem abaixo. Não consigo acreditar que há poucos anos atrás eu era cabeluda e, pasmem, até tinha cabelo comprido.

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Na adolescência, era difícil achar um elástico que prendesse todo o meu cabelo; hoje em dia posso prender tranquilamente com o elástico que uso pra prender topetinho de cachorro. Dureza…

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Depois da primeira cirurgia de implante coclear, meu cabelo caiu MUITO. Ele foi raspado do lado operado, e, naquela época (2013), raspava-se bastante cabelo antes da cirurgia. Tenho a impressão de que a primeira anestesia geral que tomei na vida acabou agravando o meu problema, mas posso estar errada.

Em 2016, me operei pela segunda vez – no ouvido esquerdo. Embora tenham raspado quase nada de cabelo na área, meu cabelo nunca mais cresceu do mesmo jeito do lado esquerdo, na parte de trás.

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Em 2019 não aguentei mais e cortei o cabelo curtíssimo. Gostei, ele passou a crescer mais forte, mas ainda continua minguado.

Antes de ter COVID eu estava com o cabelo bem cheio, na altura do ombro. Quando fazia escova ele estava bonito e saudável. Mas muitas pessoas me alertaram que, após o COVID, tiveram queda de cabelo violenta. Achei que não aconteceria comigo, e me enganei.

Estou escrevendo esse post enquanto me recupero de uma das quedas de cabelo mais cruéis que já enfrentei. Daquelas que, quando você toma banho, acha que vai sair do chuveiro careca de tanto cabelo que caiu.

Minha dermatologista no Rio de Janeiro é a Dra. Leticia Castagna. Encomendei um post sobre o meu problema, pois sei que também é o problema de muitas de vocês: o eflúvio telógeno crônico ou agudo.

Queda de cabelo por Eflúvio telógeno crônico

O eflúvio telogeno é uma causa comum de queda de cabelo, principalmente em mulheres. Nessa doença, os cabelos costumam cair em grande quantidade e de forma difusa, provocando diminuição da densidade de fios do couro cabeludo.

Muitos pacientes chegam ao consultório bastante preocupados, alguns até levando os cabelos que caíram, para mostrar ao médico.

3 fases do ciclo do cabelo

Os nossos cabelos ciclam em 3 fases principais.

Crescimento, repouso e queda ocorrem de forma simultânea, de tal forma que enquanto cabelos caem, outros nascem e crescem. Por isso a quantidade de fios no couro cabeludo costuma ser constante ao longo da vida.

O eflúvio ocorre quando há uma rápida transformação dos pelos em fase de crescimento para fase de queda, de uma só vez.

A queda pode acontecer de forma abrupta, ou crônica.

As causas para explicar esse processo são diversas, incluindo dietas muito restritas, uso de alguns medicamentos (alguns remédios para pressão alta, para tratar espinhas, vacinas), deficiência de minerais e vitaminas, doenças sistêmicas (doenças da tireoide, rins e fígado, por exemplo), pós-parto, cirurgias e infecções.

O estresse pode sim ser a causa do eflúvio em alguns casos, ou um agravante em outros. Mas para justificar a queda como causada pelo estresse, é necessário excluir os outros fatores.

Diagnóstico do eflúvio

O diagnóstico do eflúvio é confirmado pela biópsia do couro cabeludo, um procedimento simples, realizado no consultório médico.

A criteriosa avaliação por um dermatologista, a anamnese, o exame dermatoscópico do couro cabeludo e dos fios, e exames laboratoriais são fundamentais para juntar as peças do quebra-cabeça e estabelecer um diagnóstico.

A partir daí o tratamento para cada caso específico será avaliado e discutido com o paciente.

Tratamento do eflúvio telógeno crônico

Existem diversas formas de tratamento, desde remédios tópicos, injeções, suplementação vitamínica, uso de medicamentos orais e lasers.

Os casos agudos costumam ser mais fáceis de tratar, os crônicos apresentam uma evolução mais arrastada, exigindo tratamentos combinados e muita disciplina por parte do paciente.

Os vasos sanguíneos levam oxigênio e nutrientes para todos os órgãos do nosso corpo. Quando apresentamos alguma deficiência nutricional, ou de vitaminas e minerais específicos o organismo “prioriza” o suprimento desses nutrientes para órgãos vitais, como o coração e os pulmões, por exemplo, deixando de lado estruturas menos “nobres”, como cabelos e unhas.

É como se o corpo estivesse passando por um período de crise, cortando o que considera desnecessário.

Como consequência os cabelos caem, em quantidades variáveis. Para o diagnóstico geralmente são necessários, além do exame clínico e dermatoscopico, exames de sangue ou até biópsia do couro cabeludo.

O tratamento deve ser específico, às vezes fazendo suplementação vitamínica, outras com medicamentos orais ou tópicos. O primeiro passo é consultar um dermatologista, para fazer uma avaliação clínica e dermatoscopica.

O ideal é reavaliar a cada 3 ou 4 meses e comparar os resultados dos tratamentos, manter o que tiver dando resultado, trocar o que não está e associar terapias. Converse com seu dermatologista e tire todas as suas dúvidas.”

A minha queda de cabelo

Tenho eflúvio telógeno crônico, que é uma rarefação progressiva dos cabelos, com perda da quantidade total dos fios.

Não são percebidas falhas (como buracos) justamente por ser uma perda difusa – e foi isso o que me fez demorar tanto para buscar ajuda e iniciar um tratamento.

Atualmente, tomo suplemento vitamínico, suplemento de ferro com vitamina C em jejum, uso minoxidil (mas não sou boa com a rotina e não gosto dele) e também um suplemento de Vitamina D 1x por semana.

Meus exames de sangue estão no limite inferior para algumas coisas, como ferritina, por exemplo.

Além das cirurgias e do COVID, já ficou claro para mim que meu eflúvio tem ligação direta com o meu stress. Se estiver passando por uma fase de muito stress e ansiedade, os cabelos vão literalmente pelo ralo…

Produtos que já usei

Para melhorar a queda do meu cabelo, já usei uma infinidade de produtos. Alguns deles me ajudaram bastante e compartilho com vocês quais são:

O que fazer?

Se puder dar uma dica a quem está na mesma situação: não esperem tanto para procurar ajuda. Quanto antes você buscar um dermatologista, maiores as chances de pelo menos conseguir estacionar a queda.

About Author

Paula Pfeifer é uma surda que ouve com dois implantes cocleares. Ela é autora dos livros Crônicas da Surdez, Novas Crônicas da Surdez e Saia do Armário da Surdez.

2 Comments

  • Franciane
    25/06/2022 at 10:10 pm

    Gostaria de saber se existe cura? Se o Minoxidil oral melhora a queda ou apenas nasce novos fios? E sobre o procedimento com plasma se é eficiente

    Reply
  • Thais
    27/04/2022 at 3:34 pm

    Nossa, como me identifico! Nunca tive cabelo muito volumoso e sempre tive uma queda que eu achava grande, desde a adolescência, mesmo com exames de rotina sempre dentro da normalidade. Passei por duas anestesias raqui, uma em 2014 e uma em 2015. Em 2019 passei por uma anestesia geral para realização de uma cirurgia plástica. Esse ano de 2022 peguei Covid e em seguida Dengue (dois episódios de dengue em 3 meses!). Essa queda de cabelo foi só aumentando gradativamente conforme esses acontecimentos. Pra piorar, fazia 4 meses que havia parado o anticoncepcional, por conta dos efeitos colaterais que ele vinha me causando e pelo longo tempo de uso. Se eu soubesse que podia ter contribuição no aumento da queda, nunca teria feito isso! Agora estou aqui, super triste pq meu cabelo está super ralo. Voltei o anticoncepcional e tô tomando também Finasterida. Não faz nem um mês que iniciei, mas a cada lavagem, sinto que estou com cada vez menos cabelo. Triste e desgastante passar por tudo isso! Parece besteira, mas só quem já passou ou passa por isso sabe como é. Enfim, espero ter uma melhora nos próximos meses. Só resta ter paciência e tentar segurar o psicológico pra não pirar! Adorei seu texto. Abraço!

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