Em outubro, estive em São Paulo. Tive a oportunidade de fazer algumas sessões de treinamento auditivo com a fonoaudióloga Mariana Guedes. Nunca tinha feito isso antes e fui pro consultório bem negativa. Já fui dando oi pra Mariana dizendo “aposto como não vou ouvir nada, mas vamos tentar“.
Não sei vocês, mas tenho um ‘leve’ trauma daquela cabine de isolamento acústico. Deve ser porque sempre que fiz audiometrias constatei que meu quadro piorou um pouco, ou seja, ficar trancada ali dentro é garantia de péssimas notícias para mim. A Mariana, super grávida na época (aliás, você já ganhou nenê Mari??), tentava de todas as maneiras me colocar pra cima. E eu cética. 100% cética.
O treinamento auditivo é importantíssimo para quem usa aparelho auditivo. No meu caso, ainda mais, porque como fiquei muitos anos sem usar, não tive estímulos sonoros. É o famoso “escuto, mas não entendo“. O cérebro não decodifica a informação sonora que chega até ele. Explicando melhor, é como se tudo o que você ouvisse (sem leitura labial junto para entender) fosse dito em chinês.
O que ele faz? Força o cérebro a entender o que você consegue ouvir. Quando se possui perda de audição existe a falta quantitativa (quantidade de som diminui) e a falta qualitativa (qualidade de som fica ruim). O aparelho auditivo é um amplificador sonoro que devolve a quantidade dos sons, com qualidade maior ou menor dependendo dos recursos do aparelho. Porém o aparelho não devolve a compreensão das palavras e sim quantidade de som. É na melhoria da compreensão das palavras que entra a importância do treinamento auditivo.
O treinamento é baseado em sessões de terapia (treinamento) para que o cérebro reaprenda as habilidades auditivas (atenção auditiva, localização auditiva, memória, discriminação, etc.) perdidas em função da perda de audição. O programa de treinamento auditivo pode variar na quantidade de sessões dependendo de cada caso, indo de 6 a 10 sessões, ou mais se necessário. O paciente passa por uma avaliação antes de realizar o treinamento e depois dele, para saber se as habilidades treinadas melhoraram.
Fiz apenas duas sessões e achei muito legal. Dá um certo nó na cabeça, porque é preciso prestar muita atenção, forçar a barra mesmo. Mas é tão recompensador entender algumas coisas, discriminar alguns sons. Lembro que no final da segunda sessão, ela me ligava e perguntava ‘você tá ouvindo o telefone tocar?’, e eu, no piloto automático ‘não…’, mas estava sim! Demos muita risada! E no final, ela comentou que eu tinha muito potencial. Aí virei a piadinha das outras amigas fonoaudiólogas com as quais saí em Sampa. Qualquer coisa que eu falasse, lá vinham elas: “Você tem potenciaaaaal, Paula!!”.
Como não encontrei ninguém aqui em Santa Maria que oferecesse esse treinamento, a Mariana me sugeriu uma alternativa. Música!! Baixar músicas, ouvi-las, tentar entender o que foi dito. Depois, pegar a letra da música e ir acompanhando o som lendo a letra. Como resultado, voltei a amar escutar música. Obviamente que entendo a letra apenas daquelas estilo ‘banquinho e violão‘, nas quais a voz da pessoa que canta é clara e alta. Exemplo: “Sozinho”, do Caetano Veloso; “More than Words”, do Scorpions; “Back at one”, do Brian McKnight; “Eu te devoro”, do Djavan; “Garotos”, do Lenine…
Tenho um pedido: alguém me indica outras músicas estilo essas acima para que eu possa baixar e incrementar o meu treinamento?? 🙂
O contato da fonoaudióloga Mariana Guedes é Clínica CER Fonoaudiologia (Rua Paes de Araújo, 155 casa 6, Itaim), São Paulo SP. Fone: 011 2649-0472. Em 2011 a Mari vai lançar um programa super completo de treinamento auditivo que poderá ser usado em casa, para treinar na frente do computador. Quando tiver news sobre isso, aviso aqui!!
PS: algum de vocês faz ou já fez treinamento auditivo?
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