Deficiência Auditiva Destaques

Atendimento psicológico para surdos

Penso que a importância do psicólogo na vida de uma pessoa com deficiência auditiva é inestimável – tanto é que no meu segundo livro, ‘Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear‘, há um capítulo dedicado a esse tema escrito por uma psicóloga.

Quando entrei para o time da Equipe Sonora como Patient Advisor, percebi o quanto o atendimento psicológico é fundamental. Ele nos ajuda a entender nuances da nossa surdez de modo muito profundo e nos dá ferramentas de enfrentamento da situação – que sabemos como pode ser pesada e difícil!

Pensando nisso, convidei a psicóloga da Equipe Sonora para escrever um post. A Mariana Lauria tem décadas de experiência com pacientes surdos e faz, inclusive, atendimento em LIBRAS.

Atendimento psicológico a surdos

‘Através da experiência no atendimento psicológico a deficientes auditivos ao longo dos anos, observando o sofrimento de alguns deles e as dificuldades que enfrentam diante de um mundo ainda em transformação, percebi que existe uma grande diferença entre aceitação e aprovação.

Independentemente do caminho escolhido, ou do caminho possível, seja através da Língua Oral exclusiva, da LIBRAS ou do Bilinguismo, tenho observado que a busca pelo desenvolvimento global se inicia com mais enfoque nos aspectos cognitivos do que nos emocionais, o que é natural numa sociedade voltada para a produtividade.

Com isso, o grande questionamento da família nos primeiros anos de tratamento e acompanhamento da deficiência auditiva ocorre em relação à aquisição da leitura e escrita, o aprendizado escolar e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho.

Pensando nas imensas possibilidades tecnológicas atuais, que favorecem o desenvolvimento da comunicação, de maneira geral, chegamos à conclusão de que existe maior probabilidade hoje de nos depararmos com bons prognósticos, tomando a esfera cognitiva como parâmetro.

Mas isso não é tudo. Não é o suficiente. Porque somos seres dotados de um potencial espetacular para o pensamento e raciocínio lógico, mas também somos igualmente dotados de um potencial afetivo estrodoso, que nos mantém vivos, nos mantém ligados às outras pessoas à nossa volta, principalmente através da comunicação.

Comunic- ação

Não é fazer de conta que está entendendo o que o outro está dizendo para o outro achar que você o aceita porque, se você finge, você não o aceita. Não é começar uma frase olhando no olho e terminar já dobrando a esquina, porque se o seu interlocutor é deficiente auditivo ele precisa estar olhando pra você o tempo todo. Não é subestimar a necessidade de quem não ouve como você, de ter acesso a mais da metade do conteúdo das informações disponíveis. Se isso não acontece, a comunicação não acontece.

No processo de aquisição da Linguagem, os sujeitos se utilizam da cognição, mas ao colocá-la em prática, ela não serve para nada se não existe o outro. A ação é cognitiva e também sócio-afetiva, ou seja, emocional. O que observamos em muitas famílias é uma grande preocupação com o desenvolvimento das habilidades, mas não necessariamente com a forma como o deficiente auditivo está se sentindo.

Não é raro encontrar adolescentes e jovens buscando a todo custo a aprovação social, muitas vezes deixando de utilizar o aparelho auditivo ou o Implante Coclear, ou mesmo a LIBRAS, para que sua deficiência não apareça. Acostumam-se, com o passar dos anos, a não se sentirem valorizados e aceitos como são, o que pode trazer graves consequências para a auto-estima, afetando a autoconfiança.

Embora a demanda de tratamento psicológico seja muito particular, muitos deficientes auditivos desenvolvem recursos saudáveis de resposta emocional às diversas situações da vida. No entanto, para aqueles que se vêem diante de dilemas e conflitos internos, a intervenção psicológica, em qualquer idade e circunstância, lança luz sobre a importância de cada sujeito ser compreendido, ao expressar seus sentimentos, favorecendo o seu crescimento pessoal em detrimento de todo e qualquer sofrimento que possa ter sido causado por outrem e/ou sentido por ele mesmo.

A aceitação independe da aprovação. Não há o que se provar, há o que se acreditar. Quando acreditamos na capacidade destas pessoas para vencer os obstáculos que se colocam em seu caminho, não importa o quão diferente ela seja, mas como, do seu jeito singular e único, ela irá participar do mosaico em que todos nós estamos inseridos chamado sociedade.

  • Mariana Lauria
  • CRP 05/23633
  • Especialização em Terapia Familiar Sistêmica pela UFRJ, formação psicanalítica lacaniana pelo ICP da EBP-Rio, e mais de quinze anos de experiência no atendinento a pessoas surdas (oralizadas e sinalizadas)
  • Rio de Janeiro, RJ
66 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

6 Comentários

  • Bom dia,

    Sou irmã de uma deficiente auditiva ,ela sempre trabalhou ,porém foi demitida e sofreu bulling nesta empresa, depois disso ficou com pânico, depressão ,baixa estima ,triste e agressiva, ela morava com o esposo sozinhos agora não quer ficar mais em casa e voltou pra residência de meus pais, muito difícil, não temos condições de pagar psicóloga para ela particular ,tbm precisa de um interprete pois ela não é oralisada ,moramos em salvador nos ajude em nome de Jesus, minha mãe tem problema de coração e eu não sei o que faço. Desde já agradeço a vc no aguardo de contatos de clinicas e psicólogos que possam nos ajudar.

  • Eu sou deficiente auditiva . E sinto não sou aceita no mundo social quando abro a boca só é motivo de gargalhadas alheia nem palhaço faz as pessoas gargalhar como eu. Fico muito triste ate o homossexual somos obrigado a aceitar os casamentos deles. Mas a surdez niguem aceita. Muito triste

  • Estou desisperada pois meu filho está muito agressivo , ele estuda no Inês , preciso de uma pisicolaga urgente ,gratuito pois n tenho condições de pagar rj

  • Estou a procura de atendimento psicológico em libras na cidade de Londrina no PR, alguém conhece onde posso encontrar aqui?

  • Que bom que tem clinicas especializadas nisso!!!!
    O mundo esta evoluindo muito!!!!!
    Estão de Parabens!!!!
    bjoss

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