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Perda profunda: desmistificando a escolha da solução auditiva

Post escrito pela Equipe Telex Soluções Auditivas

Quando falamos em usuários de soluções potentes ou ultra potentes para as adaptações em perdas auditivas severo-profundas, começamos a traçar o perfil desse paciente. São pessoas totalmente dependentes do aparelho auditivosem o aparelho eles não conseguem ouvir. Mesmo uma pequena mudança na amplificação pode fazer uma grande diferença na vida do usuário. Ele é muitas vezes resistente a mudanças feitas nos aparelhos ou ajustes  – com  medo de ‘perder os sons’. Os aparelhos são utilizados durante todo o dia, em todos os momentos;  então o conforto auditivo é uma necessidade básica e fundamental.

É um desafio diário pensar em novidades e formas diferentes de proporcionar mais qualidade sonora, melhor capacidade de discriminar as palavras, melhor compressão dos sons, da música, para esse tipo de usuário. Enfim, vivemos num mundo sonoro e queremos estar aptos a ouvir essas informações da maneira mais natural possível, usando uma ferramenta tão tecnológica quanto um aparelho auditivo.

Perda profunda: usuários power

Os usuários power procuram o que todos os outros desejam: não perder as conversas, interagir com as pessoas e o mundo, ter uma vida social ativa, trabalhar, estudar, sem precisar ter a preocupação que o seu aparelho não irá proporcionar a confiança e audibilidade adequada a suas necessidades auditivas.  Para esses usuários com necessidades potentes precisamos ser ainda mais cuidadosos com a escolha da solução auditiva adequada. Nesses casos de perda auditiva severa a profunda, o paciente precisa de muita ajuda (amplificação) e, na maioria das vezes, para benefícios não tão visíveis e perceptíveis.

Exemplificando, o usuário precisa de uma solução auditiva que amplifique o som em uma potência tão intensa que não reconhece como benefício o aumento de intensidade de som ambiental. Já é um grande passo, poder receber o estímulo de sons do trânsito, música, toque do telefone, mas o usuário normalmente não vê esses estímulos como positivos pois eles desejam ouvir as vozes, com clareza e sem nenhuma outra interferência. São usuários que têm preferências sólidas, precisam de acesso às pistas de fala e precisam obter confiança com uma nova solução auditiva – essa etapa é mais longa e demorada para estabelecer esse bom relacionamento.

O fonoaudiólogo

É realmente complexo para os profissionais lidar com essa situação. O aconselhamento e a orientação são os caminhos mais seguros para ganhar a confiança do paciente. Na grande maioria dos casos,  os usuários e seus familiares colocam muitos obstáculos no momento da escolha da prótese auditiva. Alegam que o grau da perda auditiva é muito elevado, o paciente não escuta ‘quase nada’ e não querem investir em tecnologia de ponta para adaptação da solução auditiva. Se o paciente em questão for idoso, a situação fica mais delicada.

O que o Fonoaudiólogo deve orientar nessas situações é que a escolha da solução auditiva não deve ser pautada somente na audibilidade necessária para atender a perda auditiva mas o produto deve oferecer conforto, segurança e robustez para o usuário enfrentar os desafios diários de comunicação.

Quando estamos diante de uma perda auditiva de graus severo a profundo, precisamos oferecer a melhor tecnologia de forma que o paciente possa desfrutar da amplificação plena, satisfatória e com clareza. É fundamental determinar os benefícios que serão possíveis de serem alcançados e, orientar que algumas informações sonoras não serão contempladas pela complexidade da perda auditiva e, não pela falta de recursos tecnológicos do aparelho.

Quando é oferecida uma tecnologia de nível premium ou mais completa o pensamento dos profissionais leva em consideração a soma dos seguintes fatores: faixa dinâmica reduzida, a zona morta da cóclea, a alta dependência de dicas temporais e o quanto da linguagem corporal o usuário faz uso e, continuará fazendo, mesmo após a adaptação. Nós precisamos usar o melhor da tecnologia disponível para enfrentar esses desafios diários e informar que ao paciente, seus familiares e acompanhantes que fazer uso desses recursos de linguagem corporal além do apoio visual são básicos e necessários para o processo de reabilitação e aclimatização durante o uso do aparelho auditivo.

Como os usuários se sentem mais vulneráveis na transição para uma nova tecnologia, alguns passos descritos abaixo podem ajudar nesse momento. Verificar se o profissional:

  • Leva em consideração a percepção de som individuais;
  • Leva em consideração as preferências sonoras;
  • Leva em consideração a experiência de amplificação;
  • Facilita o diálogo com o paciente;
  • Descobre outras necessidades individuais;
  • Fornece exemplos sonoros para discutir as experiências anteriores, melhorando o entendimento.

A tecnologia deve ser encarada como uma grande aliada que está no mercado oferecendo soluções com tecnologias superiores, com uma estética atrativa e agradável, e produtos com acessórios para melhorar o acesso  ao telefone, TV, internet, dentre outros. Tudo isso reunido para  potencializar a sua audição de forma a oferecer mais audibilidade, com conforto, segurança e sem o esforço de escuta natural do processo decorrente de uma perda auditiva tão acentuada.

Outra dica preciosa é que o usuário deve testar os novos modelos e tecnologias de preferência em muitos ambientes para criar a confiança com essa nova opção. Dessa forma, a escolha será pautada em experiência da vida real, aumentando a confiança no uso do aparelho auditivo.

26 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

2 Comentários

  • boa tarde querida,
    gostaria que você me tirasse uma dúvida, perdi minha audição devido a um acidente acontecido na minha casa, meu tímpano estourou, fica zoando o tempo todo e isto me deixa muito nervoso, fui ao médico tirar um laudo e ele não colocou o cid isto é correto. minha perda é só em um ouvido (unilateral) como fazer para ter direito a cotas ? ou já é lei hoje a inclusão do surdo unilateral a lei de cotas ? um abraço, desde já agradeço pela atênção

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