Não poderia começar a série “Entrevista com Fonoaudióloga” se não fosse com a Renee Rassasse, audiologista brasileira radicada em Londres que traduziu o meu segundo livro para o inglês. A Renee é apaixonada grau máximo pelo que faz, participa do grupo do Crônicas da Surdez de um modo que eu admiro MUITO e está sempre sabendo de todas as novidades que rolam no mundo dos aparelhos auditivos.
Quando e como você começou a trabalhar com aparelhos auditivos?
Ainda na PUC-SP fiz iniciação científica em Audio Educacional, isso em 1992, e depois estágio numa empresa de aparelhos. Já formada e fazendo mestrado em Linguística, acabei voltando na mesma empresa para cobrir férias e fui ficando… abandonei o mestrado, fiz especialização em Audiologia Clínica também na PUC e abri uma franquia dessa empresa em São José dos Campos, onde iria morar. Vendi a empresa quando vim para a Europa passar 6 meses e cá estou até hoje, residindo em Londres há 20 anos.
O que a audiologia tem de mais apaixonante?
A reintegração social. Sempre me emociono com os relatos dos meus pacientes dizendo que não se sentem mais tão isolados.
E de mais desafiador?
O avanço tecnológico. Os computadores não conseguem acompanhar os softwares dos instrumentos e sempre dão pau. O meu cérebro também da pau com tanta tecnologia nova para acompanhar.
Qual seu conselho para novos usuários de IC/aasi?
Quanto mais você entender sobre a sua perda auditiva, sobre as limitações dos aparelhos e tiver expectativas realista, melhor será a sua adaptação. Faço mil analogias para comparar os benefícios versus limitações. Muitíssimo importante também é não achar que eles são milagrosos e que sozinhos farão tudo ficar audível e compreensível. Outras táticas de comunicação são também necessárias.
O que você gostaria de ter aprendido antes?
A ser mais “letrada” em TI. Afff, eu e computadores não somos melhores amigos, não.
O melhor paciente é aquele que…
Não deixa a peteca cair, que faz uma bela limonada com qualquer limão que a vida jogue na sua frente.
Num futuro próximo, os IC’s/AASI’s serão…
Terão um eletrodo no receptor dentro do canal auditivo, analisando as atividades cerebrais. Se o cérebro está cansado e desatento, se o esforço auditivo é maior porque há mais competição com ruídos, se houver uma lesão neurológica e o processamento não está bom…e por aí vai, o AASI se comporta de maneira que compense essas situações e potencialize a discriminação da fala.
IC’s/AASI’s glamourizados são…
Uma maneira divertida de tirar o estigma da “deficiência”. E tem cada um mais lindo do que o outro! Quando se trata de criatividade, ninguém bate os brasileiros. 🙂
A maior lição que já aprendi com um paciente foi…
Ouvir suas queixas com empatia. O que é um bicho de sete cabeças para um, é uma brisa para outros. Cadê indivíduo é único, assim como sua perda auditiva.
O que você gostaria de dizer àquelas pessoas que têm indicação de usar AASI ou IC mas não usam?
Você não faz ideia do que está perdendo!!! Só se gosta – ou não – do que se experimenta. Tenha a mente aberta e alimente seu cérebro também pelo nervo auditivo. Fazer só palavras-cruzadas e sudoku não são suficientes para estimular sue cérebro e, consequentemente, sua memória.
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