Conversei sobre a surdez e nossos novos namoros com uma leitora das antigas que eu admiro muito. Aí acabei matutando sobre esse assunto, e vi que dá para entender porque tantas pessoas que não escutam preferem se fechar num grupinho de pessoas com as quais se sentem confortáveis e não sair mais dali.
Sim, é confortável, tranquilo e não causa stress. Só que, cá entre nós, qual é a graça? A gente fala tanto em diferença e na hora do pegapacapá acha melhor ficar entre iguais?
*Post originalmente escrito em 2013, muito antes de conhecer o Dr. Luciano Moreira, me apaixonar e casar com ele.
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A surdez e os novos namoros
A cada relacionamento que chega ao fim (fazer o que, né!) nos deparamos novamente com aquela missão um pouquinho desagradável, que é contar para uma pessoa nova sobre nossa deficiência auditiva e suas peculiaridades.
No meu caso, em 100% das vezes foram pessoas que ouviam normalmente – nunca me relacionei com alguém que tivesse perda auditiva. Embora pareça uma baita bobagem, é difícil não bater um receio. “Vai entender numa boa?”, “Vai sair correndo?”, “Vai saber lidar com isso?”, “Vai ter paciência”?, “Vai me olhar como se eu fosse um alien?”, “Vai ficar constrangido?”…São as perguntas clássicas que ficam passando pela nossa cabeça. É inevitável.
Comigo já aconteceu cada uma! Lembro de uma vez em que um carinha pediu meu telefone. Quando dei o número pedi que só me mandasse SMS, não ligasse. Aí tive que ouvir um discurso da criatura, que me acusou de ser casada (pode???) e estar falando pra ele mandar SMS só pro meu ‘marido’ não saber. Rsrsrsrsrs!
Outra vez, quando contei que não ouvia bem, a criatura em questão ficou uns 10 minutos tipo “ahhh não mente”, “ahhh fala sério”, até acreditar. Peloamor!!! Enche o saco, mas acontece e muito.
Por que temos tanto receio de contar sobre a surdez?
O que é que um namorado novo precisa ter para lidar numa boa com a nossa deficiência auditiva? Paciência. Além disso, estar disposto a aprender o que não sabe sobre o assunto.
Sejamos honestos: é preciso uma dose enorme de paciência para se relacionar com alguém que não ouve bem. Isso envolve repetir algumas coisas quando for necessário (sem fazer cara de bunda e sem reclamar, hehehe), aprender truques básicos como não querer bater papo no escuro, aprender o mínimo aceitável de leitura labial (se virar expert eu me apaixono e caso! hahaha) e, porque não, ajudar a transformar esse peso em leveza.
A surdez me lembra o título daquele livro famoso, “A insustentável leveza do ser“, cuja principal lição é a de que devemos aprender a transformar o peso da vida em leveza.
E não é isso que fazemos todo santo dia ao reunir forças para não nos estressarmos (tanto!) com o fato de que não ouvimos perfeitamente? Que delícia quando conseguimos encontrar alguém que nos ajuda com isso.
É primordial que a gente se sinta confortável e 0% constrangido com tudo o que disser respeito à DA quando nos relacionamos com alguém.
Já recebi centenas emails de leitores do Crônicas reclamando do comportamento de namorados(as), maridos e esposas.
Eu jamais conseguiria me relacionar com uma pessoa que me fizesse sentir mal ou envergonhada/sem graça em função disso – cairia fora no ato. Há quem consiga, mas, honestamente, acho isso uma tremenda falta de amor próprio e um desperdício de tempo.
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