Implante Coclear Post de colaborador convidado

Implante Coclear e música: as experiências dos leitores do Crônicas da Surdez

*Escrito por Maria de Menicucci

 

No mundo inteiro, a música causa fascínio nas pessoas. A música sempre está presente nos aniversários, festas e casamentos! Ela é um meio de diversão! É pura emoção e marca os momentos especiais de nossas vidas. Tem gente que acorda e  põe uma música para começar o dia. Tem gente que só dorme com música. Tem gente que só consegue estudar com uma música tocando. Na memória, os momentos mais significativos das pessoas têm trilha sonora de fundo. O coração é arrebatado pela música!

Quase sempre o sonho de muitas pessoas que realizam o implante coclear é poder ouvir pela primeira vez ou voltar a ouvir músicas. Então ficam naquela expectativa de que vai acontecer tudo isso! Será que vão conseguir ouvir? Como será a qualidade auditiva da música?

Estas perguntas são muito difíceis de serem respondidas, pois cada pessoa reage de uma forma diferente ao implante coclear. Você sabia que quem escuta é o cérebro? São tantos os fatores que influenciarão na qualidade da música: memória auditiva, tempo de privação sonora, fisionomia da cóclea, boa inserção dos eletrodos do IC, estratégia de mapeamento, treinamento auditivo, etc.

Tocando a sinfonia no piano…

Já que estamos falando de música, imagine que a cóclea é um piano! A cóclea tem cerca de 16 mil células ciliadas e cada uma delas seria uma tecla do piano, responsável por uma determinada frequência sonora. As células ciliadas, ao serem estimuladas pelo som, produzem informação elétrica que corre pelo nervo auditivo até o cérebro.

 

Na surdez neurossensorial grave, as células ciliadas da cóclea não funcionam direito, precisando assim do implante coclear, isto é, o ouvido biônico. O implante coclear possui um fio com cerca de 22 eletrodos para estimular a cóclea. Ao invés da cóclea produzir informações elétricas, passa a receber a eletricidade dos eletrodos do IC. Cada eletrodo estimula uma parte da cóclea. Um eletrodo não consegue estimular pontualmente aquela parte muito específica da cóclea, o seu estímulo acaba pegando uma grande superfície de terminações nervosas.

O implante coclear foi desenvolvido para priorizar mais a fala do que a música porque é a comunicação que causa maior impacto na vida da pessoa surda. É muito mais importante entender a fala do que ouvir a música, não é?

A faixa de frequência de entrada (captação do som ambiente) do processador de fala de IC é entre 100Hz e 8.000Hz, o que significa que se um ambiente tiver som de 12.000Hz, o implantado não irá perceber, porque o som desta frequência não entra no processador. Já um ouvido saudável consegue captar de 20Hz a 20.000Hz.

Uma fala humana varia de grave a agudo, 125 a 8.000 Hz, o que estaria dentro da faixa de captação de som do IC.  Já uma voz cantada pode atingir as incríveis frequências mais agudas como 12.000Hz, 16.000Hz e assim por diante.

 

De que se compõe uma música?

Uma música é composta de melodia, ritmo e harmonia. Os sons possuem como característica: frequência, intensidade, timbre, etc. Tudo isso torna a música bastante complexa e cheia de detalhes!

Há um gráfico bem interessante que detalha as características sonoras como frequências e harmônicos de cada instrumento musical.

 

Como o Implante Coclear trabalha a música?

Os algoritmos do processador de fala do IC foram feitos para privilegiar a discriminação da fala e favorecer a comunicação do usuário.

Uma música possui uma enorme complexidade, com as diferentes nuances de frequências, harmônicos, timbres dos instrumentos e muitas outras coisas. Assim são tantas as informações que o computador do IC terá muita dificuldade para processar e separar os dados das músicas e seus detalhes. Também são 22 eletrodos contra 16 mil células ciliadas de uma cóclea saudável. Por conta desta limitação tecnológica, uma orquestra sinfônica pode soar estranha às pessoas que ouviam antes de ensurdecerem. Por isso as músicas mais simples, com poucos instrumentos e com voz, podem agradar mais aos usuários de IC.

As marcas de IC têm se esforçado para desenvolver novas estratégias de processamento da música para tornar a experiência dos implantados mais agradável.

Ah, a expectativa musical!

 

Cada pessoa irá reagir de forma diferente com a música, uns amam e outros odeiam. Inicialmente a música pode soar estranha e disforme após a ativação do IC. A cada novo mapeamento (programação do IC) + tempo de adaptação + treinamento auditivo, a música vai ganhando novos detalhes, novas formas, novos tons e vai se tornando mais rica.

Cada pessoa é única, e cada um terá um resultado diferente com o IC. Umas podem conseguir ouvir muito bem a música e outras não, pois não existe um cérebro igual ao outro. Ou seja, cada um vai ter uma experiência musical diferente!

O que pode influenciar bastante no prazer musical é o nível de expectativa e exigência do implantado. Os ex-ouvintes que tinham uma percepção musical muito apurada, que ouviam orquestra sinfônica podem se decepcionar com o IC, pois irão comparar cada detalhe com a sua experiência passada. Já algumas pessoas que não tinham nada de audição, irão agradecer por ter os sons de volta mesmo que não sejam perfeitos. Essas irão se deleitar com cada pequena conquista sonora e ficarão extasiadas só por estarem ouvindo.

Ouvir música é um excelente treino auditivo. Escutar com frequência pode ajudar a melhorar a percepção dos sons e aprimorar a audição no dia a dia. Mesmo que a experiência de ouvir a música esteja muito chata, monótona por falta de nuances, detalhes, é preciso insistir e perseverar, pois o cérebro precisa aprender a ouvir de forma diferente, só assim a experiência poderá melhorar e ser positiva.

Os ex-ouvintes costumam pegar as músicas antigas de suas memórias e vão resgatando no cérebro cada detalhe. Ao relembrarem seus passados, são embalados pela emoção de ouvirem novamente.

Um surdo que nunca ouviu música em sua vida pode ter estranhamento, igual a um bebê que prova a comida pela primeira vez! É muita novidade que pode ser fácil ou difícil de digerir.

Qual é a sua experiência com a música?

Os implantados do grupo Crônicas da Surdez no Facebook relataram se gostam de ouvir música, se entendem o que escutam. As respostas são muito variadas!

Ione

Tenho 6 meses de implante e 2 anos de surdez. Estou começando agora a ouvir música e está muito estranho. Eu lembro como é a música, eu conheço, mas estou ouvindo como se estivesse em rotação errada, mais rápida e com voz fina. Espero que melhore com o tempo.

Tatiana

Quando escuto no rádio do carro, é praticamente igual ao AASI. Mas no cabo de áudio, ainda é bem diferente do que estou acostumada. Ainda não está 100%, mas isso credito também a treino.

Luiz

Eu vou fazer 5 anos de implantado unilateral e ouço músicas todos os dias. Amo escutar músicas, principalmente aquelas que eu já tinha ouvido quando usava o AASI e as novas ouço algumas, mas não chego a compreender por inteiro. O som é bom e é limpo e no cabo de áudio melhor ainda. Quando são da Jovem Guarda, eu compreendo todas. O som é perfeito desde o dia da ativação, não senti diferença do dia da ativação até hoje.

Daiane

No rádio não gosto muito, mas com Phone Clip eu adoro, só que mais músicas antigas, né? Que me lembro antes de perder audição, as músicas novas são um pouco difíceis de compreender.

Maria

Sem o cabo é muito ruim. Só consigo identificar a música pelo ritmo e algumas palavras, mas somente as músicas que estão na minha memória auditiva. As músicas atuais nem pensar! Numa festa, por exemplo, pergunto o ritmo que está tocando e a música, mas lá vou eu para a pista dançar!

Patrícia

Eu escuto rádio muito bem. Se já conheço música, o som sai quase perfeito, mas se é uma música desconhecida sinto o som estranho… Em festa, preciso que alguém me conte qual a música pra identificar e aí ouvir, ou seja, o IC capta o som, mas não o identifico.

Aline

Estou há 7 meses com IC. Eu sempre amei músicas! Atualmente estou amando muito mais que ontem. Ouço muito bem! É claro que as novas eu não entendo muito na primeira vez… É aí que eu sou muito teimosa, procuro ouvir novamente com legendas (letras) e som no volume razoável, aí sim fica perfeito!

Bruna

Eu amo ouvir música! Com dois meses de ativação lembro de ouvir uma música conhecidíssima na rádio do carro e pensar “uau, tá muito diferente!”. Me encantei com a riqueza da melodia. Quando eu tinha uns 3 ou 4 meses de ativação, a fono liberou o Mini Mic pra mim, então comecei a ouvir música todo dia e isso alavancou demais minha reabilitação auditiva. Comecei a montar playlist só de músicas brasileiras e fáceis de ouvir. Quando eu tinha um ano e pouco de ativação, percebi que conseguia identificar as palavras de músicas que eu não conhecia sem precisar recorrer às letras.

Marleide

Só pego música com bluetooth e Compilot da AB, fora disso não pego. Música conhecida eu pego. Pra mim a qualidade da música ainda não é boa, distorce muito. Vejo depoimentos que pegam legal, espero conseguir pegar mais limpo.

Luciane

Assim que ativei, já procurei ouvir as músicas que eu conhecia. Na primeira semana ainda estava estranho, mas fiquei encantada com as transformações sonoras nos dias que se transcorreram, em três semanas já estava show. Ouvir música pra mim é delicioso e relaxante, já ouvia com AASI, mas fazia anos que eu não conseguia discriminar e perdia as nuances. Com IC, a experiência é indescritível, a qualidade sonora que o IC traz deixa tudo tão vívido, as notas musicais pra mim são coloridas agora!

Isabella

A música foi a ferramenta que encontrei para a reabilitação auditiva, escutava as que lembrava e ia tentando assimilar até conseguir compreensão. Hoje pra mim é exatamente como era antes de perder a audição. Óbvio que escutar direto do celular ou com o Phone Clip é muito mais confortável, mas mesmo a música ambiente já consigo pegar boa parte.

Silmar

Sou pós-lingual, com privação de 4 anos no ouvido esquerdo e privação de 32 anos no direito. Implantado há 3 anos. Ouvir música é muito agradável com o esquerdo, o som é maravilhoso, inclusive os instrumentos já no direito apenas sinto. Será necessário treinamento auditivo.

Fátima

O ouvido esquerdo, levei mais ou menos uns 2 anos, depois de 2 anos profunda e uma vida de 41 anos sem escutar agudos. Já o ouvido direito, em um ano já ouço bem, e claro os dois ouvidos sintonizados é muito maneiro. E amo muito música! Faz parte de meu ser!

Nicola

Adoro ouvir músicas, foi meu principal treinamento auditivo após ativação dos ICs. Ficava quase o dia todo ouvindo com cabo de áudio, prefiro as músicas conhecidas e mais antigas até por gostar mais das letras, também acho muito bom ouvir músicas ao vivo, o som é incomparável, muito nítido, dá até pra identificar os instrumentos!

Renata

Amo música, shows, ouço música o tempo todo desde que eu usava AASI. Com IC, a experiência ficou muito mais gostosa, porque ouço bilateralmente e com uma riqueza de detalhes … No dia seguinte à ativação, coloquei “Eduardo e Mônica” (sei a música toda) e consegui acompanhar, claro que não entendia as palavras, mas acompanhei a música do início ao fim, só com meu IC no ouvido anacúsico! Um verdadeiro milagre! Hoje, implantada bilateral há quase dois anos e meio, eu consigo pegar a letra das músicas de ouvido. Uso o ComPilot, fone de ouvido ou acessório nenhum, depende do meu dia.

Cássia

No dia da ativação só ouvia sinos, mas no carro notei que a música deixava os sinos ritmados, já gostei! No primeiro mapa, já pedi para a fono me disponibilizar o Mini Mic 2+ e o Roger, e ficava pelo menos 2h por noite ouvindo músicas conhecidas, tentando identificar alguma coisa, cada pequeno progresso era muito valorizado. As melodias foram melhorando, mas as vozes dos cantores demoraram uns 3 meses. Hoje faz quase 2 anos, identifico qualquer música. Se eu não tivesse o AASI no outro ouvido pra comparar, diria que estão perfeitas, mas quando comparo vejo que ainda pode melhorar, então continuo escutando só com o IC pra treinar. Há poucos meses comecei a treinar com lançamentos e músicas desconhecidas para ver se conseguia gostar ouvindo pela primeira vez somente com o IC e para minha alegria consegui! Amo ouvir música com o IC!

Camila

Eu sempre fui muito apaixonada por ouvir música, e inclusive a música é que me motivou a querer fazer o IC, às vezes eu não consigo ainda pegar a música de primeira, mas gosto muito! Quando eu ouço uma música nova e gostei, tenho que ouvir bastante pra nas próximas reconhecer e entender!

Thais

Eu sou pós lingual, perda bilateral. OD, sem estímulo, anacúsico desde sempre. OE, usei AASI por 16 anos, perda progressiva. Há quase 3 anos fiz o IC no OE. Minhas maiores felicidades: ouvir o dublado da TV, falar ao telefone e a música! Ah! Ouvir músicas novamente me fez menos tensa, o dia fica mais colorido! Escuto música todo dia! Se durante o trabalho não dá, à noite já faço o jantar ouvido música. No dia da ativação, fui a uma festa de 40 anos de aniversário de um amigo. Teve uma banda tocando e eu amei. Ainda não estava 100% naquele dia, eu ainda não reconhecida todos os sons. Mas soube separar os instrumentos e ouvir muita coisa e dançar!

Cecilia

Eu tive uma grata surpresa desde o início. Desde que implantei, eu sempre ouvi melhor a música do que a voz. Até hoje, que escuto bem a voz, eu considero a qualidade sonora da música através do IC um primor. Eu toquei piano quando pequena e sempre gostei de música clássica, orquestra e coisa e tal. Antes do IC, obviamente, eu mal ouvia a música, que saía distorcida, seja na TV, ao vivo ou quando eu mesma tocando piano. Depois do IC, o primeiro som genuíno que eu ouvi foi a música instrumental, seja ao vivo ou não. Não sei se isso tem a ver com a marca do IC ou com a evolução do meu cérebro, mas o som da música é, em disparada, o mais perfeito que eu escuto depois do IC.

Juliana

Uso IC há 3 anos e, diferente de quando usava apenas AASI, hoje consigo discriminar letras de diversas músicas, seja por meio da caixa de som ou com alguma conectividade direta. Entendo as letras em português, e, com um pouco de esforço, também em inglês. O IC foi um mega salto. Percebi que discrimino melhor sons digitais em comparação com a voz natural. A música é prazerosa, consigo ouvir bem os instrumentos e também o vocal.

Antônio

Amo tanto a música desde menino. Perdi ambos ouvidos, porém um de cada vez. Na segunda perda o prejuízo foi tremendo. Usando AASI percebi que os graves ainda eram possíveis de ouvir. Elaborei uma lista de músicas somente com cantores de vozeirão, nela estavam antigos como Cantores de Ébano, Trio Melodia, Ray Charles, Nat King Cole, Louis Armstrong Tim Maia e até Agnaldo Timóteo. Nenhum espaço para minhas cantoras Marisa Monte, Celine Dion, Barbara Streissand, Karen Carpenter e outras devido já não ouvir agudos. Joguei umas 100 músicas num pen drive e era minha única alternativa musical. Depois que implantei, a felicidade foi completa, minhas cantoras chegaram devagarinho como que pra tomar café comigo. Já contava com um cabo de áudio, identificava as letras desde o início. No dia que ouvi gentileza com Marisa Monte, identificando a música e a letra desde o início, quase chorei. Hoje com conectividade e vários mapeamentos, munido do Roger Pen, voltaram até meus clássicos favoritos como Quatro Estações, Sonata ao Luar e Noturno. O mundo é agradavelmente sonoro. Reconquistar a audição através de um Implante é agradecer a Deus por esse milagre a cada dia.

Roner

Meu IC começou com música… Antes dele, ouvia com o velho AASI de caixinha, mas conseguia curtir Bolero de Ravel.  Assim que implantei, há exatos 20 anos, uma das primeiras coisas que tentei foi ouvir Bolero. Bingo!! Que surpresa agradável!!! A música se tornou mais rica, passei a ouvi-la desde o início, onde ela começa bem baixinho e sutil, e passei a usá-la como exercícios auditivos, tentando “pinçar” o som dos instrumentos iniciais lá no meio da música. O final dela, que antes me parecia uma cacofonia desagradável, agora se tornara um perfeito e intenso arranjo de orquestra. De Bolero, parti pro rock progressivo, onde o som sintetizado era perfeitamente palatável ao meu velho processador Sprint.  À medida que vieram os novos mapeamentos, meu cérebro foi progredindo auditivamente de acordo e fui acrescentando novas músicas ao meu repertório, ouvindo sempre “plugado” no antigo cabo de áudio. Até chegar aos rocks clássicos, descobrir Norah Jones e a MPB. Atualmente, plugado no wireless do meu N6, posso curtir emoções intensas ouvindo a trilha sonora de Game of Thrones.

Stella

É bastante nítida em minha memória as músicas da banda Guns N´ Roses. Uma porque fez parte da minha adolescência, outra porque ouvia maravilhosamente bem nessa época. Mas hoje, já com uma outra audição, já ouvindo o mundo de uma outra forma, pude comparar esses dois mundos pelos quais passei e passo. Posso dizer que a música Sweet Child O Mine, quando ouço pelo implante, falta um pouco de detalhes no som da guitarra inicial – que por sinal é uma melodia linda. A essência da música é a mesma, mas a riqueza de detalhes logo no início é um pouco menor. A complexidade musical é um pouco mais restrita através de um implante Coclear, mas mesmo assim bastante satisfatória pelos meus conceitos. Engraçado que na música Patience, não consigo perceber falta de detalhes pelo meu implante e ela é tão linda e emocionante quanto outrora na minha adolescência.

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Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

2 Comentários

  • Também gostaria de deixar meu relato, e o faço por aqui, já que não me dou muito bem com o face.

    Indescritível, maravilhoso e fantástico!

    A música não é supérflua, ela é relaxante e anti-stress. O mundo do som (em geral) é um mundo à parte que quem não conhece não sabe seu valor.

    Após 22 anos de surdez total bilateral (Perdi aos 20 anos e coloquei o implante aos 42 anos), tempo em que tive que virar as costas para o som, como se realmente não existisse e para mim não existia, é um espetáculo além da comunicação, poder falar no telefone e ouvir músicas, as músicas que gostava na adolescência e que tive que virar as costas por um bom tempo, ficando surpreso quando descobri que os autores ainda estão vivos e tocando até hoje.

    Fiz apenas unilateral e o implante me proporciona hoje compreensão de 80% do som e escuto as músicas perfeitamente no carro, com o cabo, em caixas de som normais, a não ser quando a qualidade do aparelho não é boa, sai um pouco chamuscado, por assim dizer.

    É uma experiência maravilhosa!!!

    Por outro lado, faço uma pergunta sobre a eficácia do Roger Pen, pois estou pensando em adquirir um, vale realmente a pena? De fato clarifica mais os diálogos, músicas e telefones?

    Obrigado pela oportunidade.

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