Relatos de Pessoas com Deficiência Auditiva Deficiência Auditiva

Como é CONVIVER com a HIPERACUSIA no dia-a-dia

A hiperacusia é um distúrbio auditivo no qual uma pessoa experimenta uma sensibilidade auditiva anormal e excessiva a sons comuns do ambiente. Isso significa que sons normais que a maioria das pessoas pode tolerar podem ser dolorosos ou irritantes para alguém com hiperacusia.

As pessoas com hiperacusia podem ter uma ampla gama de sintomas, que vão desde desconforto leve até dor intensa em resposta a sons. Esses sons não precisam necessariamente ser altos; até mesmo sons de volume moderado podem desencadear uma reação em quem sofre desse distúrbio.

As causas da hiperacusia podem ser diversas. Algumas pessoas desenvolvem isso como resultado de lesões no ouvido interno, exposição prolongada a sons altos, distúrbios neurológicos ou como efeito colateral de certas doenças. Embora não haja uma cura específica para a hiperacusia, existem tratamentos que podem ajudar as pessoas a gerenciar e reduzir seus sintomas

4 pontos-chave que você deve entender sobre a HIPERACUSIA:

Aqui estão 4 pontos chave que você precisa compreender racional e emocionalmente a respeito da hiperacusia para melhor conviver com ela no seu dia-a-dia:

1.A hiperacusia NÃO é um problema físico no ouvido
A hiperacusia está relacionada a como seu cérebro processa o som, não a danos no seu ouvido. O “controle de volume” do seu cérebro está travado no máximo. Sons do dia a dia, como o tilintar de pratos ou o som de água correndo, podem parecer dolorosamente altos.
2. A hiperacusia é real, mas não é prejudicial.
Os sons que o incomodam não estão danificando seu ouvido, mesmo que pareçam intensos.
Seu cérebro precisa aprender que esses sons não são perigosos. Parte do processo de cura (habituação) é permitir que seu cérebro se ajuste aos níveis normais de som. Trate com TCC e exposição gradual a sons. É como musculação, ou seja, é necessário reintroduzir os sons lentamente e de forma constante.
3. Dicas para a terapia sonora
Comece com níveis de som confortáveis e controlados. Aumente gradualmente a exposição à medida que sua tolerância aumenta.
Não use protetores auriculares excessivamente.

4. Bloquear todo o ruído pode piorar a hiperacusia.
Pergunte ao seu otorrino qual nível som ambiental é prejudicial para você.  Não use protetores auriculares de forma constante e desmedida

Como é conviver com a hiperacusia

Trata-se de uma condição ainda pouco estudada. Na maioria dos casos, ela é causada pelo excesso de barulho, o qual provoca um dano no nervo auditivo. Assim, o nervo perde a capacidade de lidar com o barulho.

As pessoas ouvem tudo muito mais alto. Por causa disso, sentem uma dor excruciante nos ouvidos, que, dependendo da intensidade do barulho, demora dias a passar.

Esse barulho também provoca zumbidos crônicos que vão aumentando com o dia a dia… Imagine que você está na rua. Nela, passa um carro, e o carro buzina.

Então você sente dor, ouve um zumbido, e desse modo perde a audição pelo resto da vida a vida.

Difícil de explicar e de compreender. Por exemplo, uma criança gritando é sentida como uma agulha furando o seu ouvido, e essa sensação permanece por dias.

Dificuldades trazidas pela hiperacusia

Cientistas afirmam que o mecanismo dessa dor é similar a ter uma ferida na pele. Se alguém encosta nela, você sente dor. No caso da hiperacusia, a dor é provocada pelo barulho, mas ninguém consegue controlar o barulho.

Sons como pessoas a falar alto, cães a latir, portas fechando, sons de talheres e de pratos causam todos esses sintomas. Por conseguinte, as pessoas com essa condição acabam por se isolar (o pior efeito da hiperacusia é o isolamento social). Afinal, quando tentam conviver no dia a dia, acabam ficando piores para sempre.

Existem muitos casos conhecidos em que pessoas em estados severos de sensibilidade ao som acabam se suicidando. Artigos interessantes no Buzz Feed e no The New York Times sobre a condição relatam casos reais.

Outro grave problema é falta de ajuda medica, porque os médicos otorrinos não estudam nos seus internatos sobre hiperacusia, mal diagnosticando os pacientes e dando conselhos errados que acabam por surtir efeitos negativos e piorar a doença.

Todos estão expostos ao aumento do barulho

Devido à evolução tecnológica do mundo, este está muito mais barulhento.

A Organização Mundial de Saúde estima que 30% da juventude mundial esteja em risco de perda de audição, tinnitus e hiperacusia por causa do extremo uso de smartphones, brinquedos barulhentos, telemóveis, aparelhos de música, idas a locais como concertos, festivais e discotecas.

Antigamente, esta era uma condição que acometia os mais velhos que tinham certo tipo de profissões com muita exposição ao barulho, músicos, trabalhadores de fabrica, militares.

Hoje em dia, como o mundo está muito mais barulhento, existem cada vez mais casos de pessoas com 20 anos que têm essa condição, a qual lhes vai impedir de viver normalmente para sempre.

Frederico Oliveira – Fundador da Associação Portuguesa de Tinnitus e Hiperacusia, cuja missão é criar sensibilização especialmente da hiperacusia.

E por último

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