O post de hoje tem a participação de uma pessoa muito especial: meu sogro Alonso Moreira. Acompanhei-o durante todas as idas à fonoaudióloga quando ele decidiu partir para os aparelhos auditivos, e pedi este depoimento a ele pois foi a primeira vez que vi alguém da idade dele se adaptar tão bem e tão rápido a um par de aparelhos auditivos.
Aproveitando que minha querida vó Tereca também começou a usar aparelhos, vai um recadinho já que sei que ela é minha leitora assídua: “Vó, tô de olho, tem que usar todos os dias!!” 🙂
Alonso Moreira, psiquiatra
“Tenho 74 anos. Há cinco ou seis comecei a ter uma perda auditiva pópria da idade. Ela foi se instalando progressivamente e de modo tão sutil que eu, a princípio, nem notei. Quando comecei a me dar conta dela eu sempre a negava ou atribuía a responsabilidade às outras pessoas ou às circunstâncias. S
e me diziam: “Você não ouviu o celular?”, eu podia falar: “Não porque vocês estão fazendo muito barulho”. “Você não ouviu a campainha tocar?” eu retrucava: “Não porque a televisão está muito alta” etc.
Mas eu notava que já não acompanhava com facilidade a conversa das pessoas, sobretudo quando estavam em grupos e, assim, me isolava das conversas.
Eu dizia para mim mesmo e para os outros, em tom de brincadeira, que assim eu deixava de ouvir muita besteira. Mas as pessoas próximas, sobretudo familiares, reclamavam que eu não as escutava e não entedia bem o que diziam.
Às vezes perguntava pelo que elas haviam dito havia pouco; outras vezes repetia algum assunto que havia sido abordado e que eu não tinha conseguido acompanhar.
E tudo isso porque eu “fingia” ter entendido. Quando as pessoas alegavam a minha deficiência eu sempre prometia que ia fazer uma audiometria e usar aparelhos auditivos.
Durante muito tempo, fui “enrolando”, até que uma neta muito querida me deu o cheque-mate. Ela acabara de ler que o déficit auditivo apressava a demência. “Vô, por favor, use aparelhos”. Mesmo assim, “enrolei” por mais algum tempo.
Por fim, resolvi. Fiz nova audiometria na SONORA e parti para adquirir aparelhos auditivos.
Foi fantástico. Desde o primeiro momento em que me colocaram aparelhos de prova, notei uma grande melhora.
Não só passei a ouvir sons que já não ouvia como a compreender melhor a conversa das pessoas ao redor. Senti alguma diferença apenas nos primeiros momentos e logo me adaptei a elas e sequer as percebia mais.
Os aparelhos se adaptaram tão comodamente aos meus ouvidos que hoje em dia às vezes tenho que levar as mãos a eles para me certificar se os estou usando ou não.
Por outro lado, são tão discretos que as pessoas que não sabem que os uso nem os notam e mesmo as pessoas mais próximas às vezes têm de perguntar: “Você está de aparelho?”.
Enfim, hoje lamento não os ter usado antes.
Não digo que todas as pessoas terão os mesmo resultados. Afinal, existem diferentes tipos e graus de deficiências auditivas e diversos modelos de aparelhos auditivos. A orientação de um médico otorrinolaringologista sem dúvidas ajudará muito. Vale a pena tentar!”
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