Crônicas da Surdez Deficiência Auditiva

Como ouvir e entender melhor numa reunião de trabalho

A Mirella Horiuti (fono que eu amo e que é expert em adaptação de AASI) escreveu um post com muitas dicas para melhor o entendimento de fala numa reunião de trabalho. Vou compartilhar com vocês porque ôôô situação difícil para nós, não é mesmo? O truque é ser esperto e ficar atento para colocar em prática pequenas coisas que podem fazer toda a diferença. Vamos lá?

‘Navegando por aí achei essas informações  no site da The Canadian Hearing Society que resolvi traduzir, adaptar um pouco (com meus pitacos, é claro) e compartilhar. São dicas bem interessantes:

PARA QUEM TEM DIFICULDADE AUDITIVA

  • A pessoa com dificuldade auditiva deve escolher o melhor posicionamento com o objetivo de sempre enxergar os falantes e ficar mais próxima daqueles que têm vozes mais difíceis de entender.

PARA QUEM PREPARA E FAZ A REUNIÃO

  • A sala deve estar bem iluminada para facilitar a leitura labial;
  • Evite iluminação vinda de trás,  de janelas  ou artificiais, na qual a pessoa que fala está na frente. A luz ofuscará a visão dos participantes;
  • A disposição das pessoas na mesa em U ou circular é o melhor para comunicação;
  • Programe intervalos frequentes para tentar aliviar a fadiga visual por conta do uso da leitura labial;
  • Use acessórios como microfones e até fones de ouvido para a pessoa com dificuldade auditiva;
  • Informe os participantes para que evitem sons como bater os dedos ou a caneta na mesa, isso pode atrapalhar que não escuta bem;
  • Fale claramente e numa velocidade moderada;
  • Não fique andando de um lado para o outro enquanto fala;
  • Fale olhando para a audiência, não vire as costas para o quadro negro ou apresentação e fale ao mesmo tempo;
  • Organize a reunião para que uma pessoa fale de cada vez. Uma lista com os nomes é interessante. Sempre chame a pessoa para falar  dando a palavra) e peça que ela se levante para chamar a atenção dos outros;
  • Repita as perguntas antes de responder. Isso ajudará bastante a pessoa com dificuldade;
  • Aponte para a pessoa que está falando e peça para os outros levantarem as mãos no caso de outras perguntas. Você vai acabar com as conversas de ladinho;
  • Fique atento se a pessoa com dificuldade auditiva quer contribuir com qualquer comentário;
  • Entregue a agenda com os tópicos da reunião para os participantes antes do início. Isso evita a “boiada” na mudança de assunto;
  • Sempre anuncie a mudança de assunto;
  • Utilize ajuda visual, demonstrações, flip charts e materiais escritos;
  • Use fontes grandes de letras nas apresentações;
  • Todos os vídeos devem ter legendas;
  • Alguns equipamentos  de audio-visual como projetores de mídia podem ser ruidosos. Desligue sempre que não estiver em uso. Isso vale para ar condicionado e ventiladores;
  • Dê tempo para anotações para que as pessoas não fiquem desesperadas;
  • Ao final de cada assunto, faça um resumo e contato visual com cada participante garantindo o entendimento.’

Eu acrescentaria o seguinte: o funcionário com deficiência auditiva deve deixar o chefe ciente disso e ciente de suas dificuldades, para não passar a impressão errada. Eu sempre boiei em reuniões de trabalho e nunca consegui me destacar ou me expressar nelas porque não queria pagar mico de falar algo que já tinha sido dito. Paralisava de nervoso e, pior, muitas vezes nem me dava ao trabalho de tentar acompanhar as falas dos colegas com afinco, já que na primeira vez que alguém se intrometia numa fala eu perdia o fio da meada. Mas tenho que fazer um mea culpa: eu jamais tive uma conversa franca com um chefe e disse algo como “Ei, eu quero participar, preciso que você me inclua e o melhor jeito de fazer isso é assim, asssim, assado“. É mais fácil ser invisível nessas horas, não? O problema é que ninguém reconhece o talento e as possibilidades de um funcionário que prefere ser invisível…

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A Phonak lançou no exterior o Roger Table Mic, feito exatamente para este tipo de situação! Não sei quando chega no Brasil, mas deve quebrar um galho e tanto. Inclusive para usuários de implante coclear, já que o Roger é compatível com qualquer modelo de IC – basta colocar um pequeno adaptador nele. Adorei essa novidade e vou ficar aguardando ansiosa pelo lançamento em terra brasilis…

35 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

3 Comentários

  • Interessante as dicas. Eu até participo, mas já paguei micos de entender tudo errado e falar uma coisa nada a ver. Nunca fui sincera com nenhum dos meus chefes dizendo sobre minha deficiência auditiva. Atualmente trabalho com fono e falei com ela a respeito. Ela tem me ajudado bastante, mas respeita minha decisão de ainda não falar. Eu ainda não sei o que faço.

  • Boa Noite Paula,acompanho seu blog já a algum tempo,gosto muito pois já me ajudou muito com suas dicas, sou deficiente auditivo nas dua orelhas uso aparelho modelo Rextron,marca Tango Pró IIC,porém estou pensando em troca-lo,eles dão muito problema,e eu sou corretor de imóveis,maioria do meu tempo lidando com pessoas e com essa deficiência,tenho dificuldade as vezes de me relacionar com alguns e esses aparelhos estão caros e o implante então,o que você me sugere amiga.abraços
    Silvio José de Souza

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