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Fonoaudióloga que usa aparelhos auditivos

Meu nome é Aline de Souza e Silva e sou uma fonoaudióloga com deficiência auditiva e usuária de aparelhos auditivos! Tenho perda auditiva neurossensorial de grau severo à esquerda e profundo à direita; a causa da minha surdez é desconhecida.

Tudo começou quando meus pais perceberam, por volta dos 2 anos de idade, que eu não ouvia nada. Resolveram fazer uma consulta com um Otorrinolaringologista, que constatou que os aparelhos não iriam adiantar e disse para me colocarem em uma escola de surdos, pois eu não iria falar. Após o comentário deste médico, meus pais resolveram procurar uma Fonoaudióloga. Aos 3 anos comecei a usar aparelhos auditivos (grandes, enormes) e desde então, iniciei terapia fonoaudiológica todas as terças e quintas feiras.

Por volta dos 5 anos de idade, além da terapia fonoaudiológica, tive reforço escolar com uma educadora especial até os 12 anos, enquanto na Fonoaudiologia fiquei até os 14 anos. Terminei o colegial com 17 anos, e prestei vestibular para Fonoaudiologia na PUC-SP, passei, porém, mudei o percurso e fui para Pedagogia, da qual desisti e iniciei Fonoaudiologia na UNIVALI em 2010.

E o resultado? SOU FONOAUDIÓLOGA! E certamente vocês devem perguntar: “Mas como conseguiu? Trabalha em todas as áreas ou somente com aparelhos?”

Primeiramente devo dizer que trabalhei na Univali 2013 – 2016 com Reabilitação Auditiva (devo muito a este trabalho, aprendi muito com pais, pacientes, professores e Equipe do Serviço de Atenção à Saúde Auditiva), pois tivemos casos difíceis e não foram poucos, mas por outro lado, tivemos casos de sucesso, vitórias. O que aprendi com esse emprego e levo comigo todos os dias é que nem sempre é fácil agradar o ouvido para ouvir o outro, nem sempre é fácil trabalhar com ideias diferentes, nem sempre é de imediato o resultado de um trabalho árduo.

Precisamos ser mais que um reabilitador, precisamos ter amor à profissão. Devo dizer que foi difícil não só para mim a despedida, mas para todos que conviviam ali comigo todos os dias, precisei sair do emprego, buscar o novo, enfrentar novos desafios, novas responsabilidades. Atualmente trabalho na Clínica Auditiva de Brusque, atendendo todas as demandas da Fonoaudiologia (Voz, AVC, Atraso de linguagem, Autismo, Motricidade Orofacial, Reabilitação Auditiva e muito mais).

E para dar continuidade sobre reabilitação auditiva, existem vários casos de pacientes na clínica que procuram aparelhos auditivos, porém, avisam: quero um aparelho pequeno, aquele que entra lá dentro (Intra Canal) e não atrás da orelha (Retroauricular).

Antes de qualquer coisa, deixo claro para o paciente sobre sua perda auditiva, mostro o audiograma, os ganhos e benefícios que o aparelho proporciona, sou daquelas que oferece o que está dentro grau da perda auditiva para o paciente e não em questão de valor “X”, pois para mim nem todos os pacientes usufruem da tecnologia, de conectividade e assim por diante.  

Muitos relatam também sobre a vergonha de usar AASI. Ahhh genteeee, somente neste ano 2017 troquei meus aparelhos auditivos, estou usando aparelho pequeno, mas antes eu usava Retroauricular com moldes (GRANDES MESMO), machucava horrores minha orelha e não tinha vergonha de usar, falava abertamente sobre a perda auditiva. Para que serve o aparelho e se eu não entendia, eu pedia para repetir? Mas é CLARO! Se a pessoa não quis repetir, azar o dela, não estragava meu dia por este motivo (risos).

Quanto ao Implante Coclear:

Se eu não obtivesse ganho com os aparelhos auditivos, com certeza eu seria CYBORG com muito orgulho, o Implante Coclear é um benefício e tanto para quem não obtém ganho com aparelhos auditivos.

Quanto ao diagnóstico de perda auditiva para os pais, eu digo que o peso da Deficiência Auditiva fica mais leve a partir do momento em que você aceita o seu filho como ele é. Por trás do diagnóstico da surdez existem muitas possibilidades. Alguns vão optar pela oralidade, outros escolhem a LIBRAS, e existem “aqueles pais” que simplesmente trazem os filhos na terapia fonoaudiológica achando que nós faremos milagres! PÁRA TUDO! A terapia funciona quando os pais trabalham em conjunto com Fonoaudióloga, Escola e outros profissionais. Portanto, como vocês podem ver, são várias escolhas e cada um dos envolvidos possui  seu peso e sua responsabilidade no processo.

E para finalizar: Todos nós aprendemos algo novo todos os dias e essa troca entre Fono, Família, Escola, Terapeutas é maravilhosa! A família tem que permitir cuidar, amar o seu filho plenamente, pois choro, cansaço, dificuldades, alegrias e vitórias fazem parte de todo o processo, mas cabe aos pais olhar o seu filho muito além do aparelho auditivo/implante coclear. Precisamos que nossos filhos sejam felizes na recompensa que terão no futuro!

Nunca esqueça o valor da persistência, disciplina e determinação. Você está destinado a ser o que quer que sonhe em se tornar” (Edmund O’Neill) 

89 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

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