‘Me chamo Simone, moro no Rio de Janeiro. Hoje vou contar a história do meu amado Daniel. Assim, como muitas mães, tive uma gestação tranquila, sem intercorrências. No dia 23 de novembro, nasceu Daniel, uma criança linda, cheia de vitalidade e alegre. Eu e meu marido não percebemos qualquer anormalidade. Até que aos dois anos de idade, notamos que Daniel não falava.
Ouvi de muitos profissionais da área médica que não precisava me preocupar, porque crianças têm seu próprio tempo, algumas falam mais tarde e outras andam depois, enfim não existe regra. Essas respostas não me convenceram. Mãe tem sexto sentido. Devemos escutá-lo. Passei a buscar o real motivo para o atraso de linguagem e encontrei. Meu filho tem perda auditiva, por conta de síndrome do aqueduto vestibular alargado.
Por qual motivo resolvi fazer este relato ao Blog Crônicas da Surdez? Para transmitir esperança às mães, que hoje, sofrem, assim como eu há um ano atrás. Sei bem que essas histórias são essenciais. Elas nos ensinam muito e tornam possível enxergar uma luz no fim do túnel. Também tive momentos difíceis, lembro quando entrei numa loja de AASI e chorando disse que precisava comprar aparelhos auditivos para meu filho.
Neste dia fui apresentada a este blog pela fonoaudióloga Thaís. Segui meu caminho. Pesquisei, li e perturbei muito todos os profissionais que atendem meu Daniel, com muitas perguntas, assim passei a entender melhor esse lindo mundo da audição.
Antes de continuar, quero agradecer aos profissionais maravilhosos que passaram a fazer parte de minha vida. Dr. Luciano Moreira, Dra. Norma Fidalgo, Dra. Jordelina Montalvão, Dra. Neusa, Dra. Mônica Campello, Dra. Sylvia Miranda, Dra. Gisele Aquino e Dra. Márcia Cavadas, Dra. Lucinha. Todos foram pacientes, companheiros incansáveis.
Voltando, hoje já consigo compreender que Daniel poderá levar uma vida normal. Sei que seu futuro é promissor. O uso diário dos aparelhos auditivos fez toda a diferença. Agora ele compreende tudo e começa a esboçar suas primeiras palavrinhas. Por isso, digo para as mamães que não se desesperem, arregacem as mangas e trabalhem junto com a fonoterapeuta, usem a tecnologia disponível, estimulem seus filhos, que o resultado virá.
Resolvida a parte clínica, precisava escolher uma escola adequada para receber Daniel. Neste mundo cheio de preconceito e exclusão, felizmente, encontrei uma segunda casa para meu filho, a Creche Escola Pintando o Sete. Logo que soube do diagnóstico, conversei com a escola, que se tornou minha parceira. Meu pequeno foi totalmente acolhido e eu recebi toda a força que precisava. Daniel frequenta escola regular e acompanha sua turminha com louvor.
Nesta escola linda e inclusiva tive ainda a oportunidade de presenciar um belo trabalho de conscientização dos alunos. Tudo começou quando procurei a Coordenação da creche para falar sobre o “Setembro Azul” e o “Dia Nacional da Pessoa Surda” – 26 de setembro.
Comentei que queria distribuir fitinhas azuis para as crianças e um pequeno texto para os pais dos alunos a respeito do tema. Achei que seria uma boa forma de explicar para as crianças necessidade de Daniel usar os aparelhos auditivos, assim como esclarecer que ele é igual a todas as outras crianças e plenamente capaz de participar de todas as atividades. Coincidentemente aconteciam as paralimpíadas, que fariam parte desse trabalho, para também se falar da diversidade e inclusão social. Tudo foi acontecendo com a super colaboração da Tia Sonia. Ficou muito legal. A escola abraçou a idéia de tal forma, que todos os funcionários passaram a usar as fitinhas azuis. As crianças passaram a pedir a fitinha do Daniel. Gostaria de dizer, ainda , que fiquei muito feliz em ver que crianças tão pequenas são capazes de admirar a eficiência dos atletas paralimpicos, independentemente das diversidades existentes. São tão lindas que percebem o quanto todas as pessoas com necessidades especiais podem ser poderosas e inspiradoras. Isso já fez valer à pena esse movimento. Tomara que outras escolas e famílias se inspirem também e consigam compartilhar esse sentimento.
Muitos trabalhinhos sobre o tema foram desenvolvidos na sala de aula. Os alunos torcendo pelos nossos atletas paralímpicos e ao mesmo tempo valorizando essas pessoas super capazes. Verdadeiros exemplos de força e talento. Escutei de uma funcionária: #somostodosdaniel. Isso foi totalmente surpreendente! Familiares e amigos aderiram ao movimento, trajando azul ou usando a fitinha. Posso dizer que o Mundo Azul de Daniel nasceu. Um mundo mais bonito, recheado de respeito e amor.
Com certeza, a melhor forma de combater o preconceito e formar adultos melhores é apresentar para nossas crianças a diversidade. Elas são capazes de entender tudo e aceitar com muita facilidade os amigos especiais. Por fim, vale a pena dizer, que algumas coisas, só Deus explica. Por acaso, lá no começo optei por aparelhos coloridos. Eles vieram na cor azul…E agora falamos no Mundo Azul do Daniel…
Essa é a nossa feliz história, acompanhe e torça por um mundo mais azul para todos.
Simone, Mãe do Daniel”
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