Ícone do site Crônicas da Surdez – Surdos Que Ouvem – por Paula Pfeifer

Três irmãs surdas: Lela, Mima, Ires e a otosclerose

otosclerose

Somos três irmãs com deficiência auditiva. Temos otosclerose, uma doença do ouvido de origem genética e hereditária.

Somos três de seis filhos: Lela Santos, Mima Santos e Ires Lopes. Segunda, quarta e sexta, uma ordem que só Deus consegue explicar.

O que nós temos em comum? Um amor inexplicável, somos irmãs e o mais importante, somos ligadas não só pelo nosso sangue, mas também pela nossa deficiência auditiva.

A otosclerose hereditária

Nós crescemos pessoas normais, com ouvidos aparentemente normais, escutávamos muito bem. Até que um dia Lela começou a dar sinais de que não estava escutando bem, procurou um otorrino especialista em surdez e foi diagnosticada com otosclerose bilateral.

Ela teve que passar usar aparelho auditivo, ficamos todos surpresos e foi aí que descobrimos que era uma doença genética.

O tempo passou, e então eu (Mima) percebi que estava sendo difícil ouvir a TV, pedia para que as pessoas repetissem o que foi dito, meu esposo e as minhas filhas reclamavam muito que falavam  e eu não respondia.

Resolvi também procurar um especialista e descobri que também estava os meus ouvidos doentes e precisava de aparelhos auditivos. Meu mundo caiu naquele instante, mas não parou por aí.

Em 2014, Ires,  a nossa caçulinha, também começou a sinalizar a perda auditiva. Outro caso de otosclerose e ela também iria usar aparelho auditivo.

O impacto da surdez

No momento em que descobrimos, passamos a viver distantes das pessoas, trancadas no nosso mundo silencioso, tristes e com medo do que estava vindo à nossa frente.

Enfrentamos muitas dificuldades e desafios, deixamos de socializar. Eu e Lela tínhamos a opção de nos submetermos à cirurgia, mas aí nos  45min  do segundo tempo, nós  desistimos….

Hoje levamos uma vida normal dentro dos padrões da surdez, somos felizes, a nossa família tem nos ajudado, encontramos sim muita resistência da parte de alguns, mas é a vida. Não pedimos e nem tampouco reclamamos. Passamos por dificuldades?

Sim, muitas, mas procuramos nos fortalecer sempre porque cremos que para tudo existe uma saída e quando não conseguimos só, buscamos nas outras a vontade de seguir. Somos guerreiras, pois alcançamos as nossas metas e continuaremos seguindo porque o nosso alvo está à nossa frente.

Tínhamos o sonho de ter a nossa vida profissional, e estamos hoje capacitadas e encarando o mundo de frente (pois de costas fica difícil ouvir, rsrsrsss) brincamos com as piadinhas de mau gosto, quebramos a resistência do outro com o nosso bom humor.

O Grupo Crônicas da Surdez

Agradecemos a existência do Grupo Crônicas da Surdez no Facebook,  em especial  à Paula que criou esse mundo para a gente, pois aqui sentimos que verdadeiramente estamos no nosso mundo, são histórias parecidas, as mesmas experiências e dificuldades.

Temos otosclerose, graus diferentes, mas a deficiência é a mesma, somos surdas oralizadas, uma doutora de bichinhos (veterinária) e as outras profissionais de beleza. Trabalhamos com o que gostamos e trabalhamos com o público.

A vida real

Muitas vezes é difícil, pois encontramos pessoas incompreensíveis e mal educadas, pessoas sem paciência, mas também encontramos pessoas que nos ajudam e compreendem a nossa deficiência.

Não somos amargas e nem acomodadas e também não nos conformamos com a surdez, apenas aceitamos que nesse mundo ninguém é perfeito todos temos um certo defeitinho  de fábrica, rsrsrs.

Essa é  nossa história, a nossa realidade!”

REDES SOCIAIS CRÔNICAS DA SURDEZ – SURDOS QUE OUVEM

INSCREVA-SE NA NEWSLETTER CRÔNICAS DA SURDEZ

Coloque seu email na lista

Sair da versão mobile