Crônicas da Surdez Deficiência Auditiva

Fiquei surdo, e agora?

Fiquei surdo, e agora?” é uma pergunta muito comum. Ela não se aplica apenas aos casos de surdez súbita, mas também aos casos em que as pessoas finalmente conseguiram admitir para si mesmas a própria surdez. Quando ficamos surdos de repente ou quando admitimos que temos algum grau de perda auditiva, qual é o próximo passo?

Procure um otorrinolaringologista especializado em surdez

Esqueça a crendice popular, não perca seu tempo perguntando o que o seu vizinho/parente/colega acha, não fique buscando explicação sozinho no Dr. Google e, POR FAVOR, não leve a sério nem por um minuto qualquer dica de ‘cura milagrosa‘. Seja rápido na busca por um profissional especializado em surdez – neste post pessoas de todo o país indicaram seu otorrinolaringologista de confiança.

Saiba tudo sobre o seu tipo de perda auditiva

Começando pelo básico: é perda, e não perca! Muitas pessoas me escrevem dizendo coisas como ‘escuto 70% do ouvido esquerdo e 25% do direito‘ sem saber que isso não existe, porque é impossível falar de porcentagem de perda auditiva. Portanto…informe-se! Pesquise. Daqui para a frente você tem obrigação moral de ser uma enciclopédia ambulante sobre este assunto.

Encontre um fonoaudiólogo e apaixone-se por ele(a)

O otorrino dá o diagnóstico e a etiologia da sua perda auditiva, mas depois disso, na maioria dos casos, você será encaminhado para um fonoaudiólogo para seguir o protocolo do tratamento. É ele quem irá lhe orientar sobre aparelhos auditivos (e adaptá-los, caso você venha a usar) ou fará uma enormidade de testes se você estiver sendo avaliado para um implante coclear. A minha dica é: encontre um profissional da fonoaudiologia com o qual o seu santo bata e apaixone-se por ele. Afinal, vocês terão uma longa jornada juntos, cheia de altos e baixos, de risos e choros, de sons bons e ruins. Você precisa se sentir à vontade e bem tratado, mas não esqueça que, em se tratando de surdez, ninguém faz milagres e que usar aparelho auditivo é diferente de usar óculos.

Aparelho auditivo é assunto sério

Se você saiu do consultório do médico com indicação de usar aparelhos auditivos, aqui começa um novo capítulo na sua história. São muitas marcas disponíveis no mercado, com produtos que vão do nível básico até o ‘top’, como gostam de chamar. Mais uma vez, cada caso é um caso: a surdez de um ser humano é tão única quanto a sua impressão digital.

O aparelho/marca que o amigo/vizinho/parente usa pode não ser o melhor ou mais indicado para o seu caso. Portanto, mãos à obra! Primeiro, peça indicação para uma pessoa de sua confiança (que pode ser alguém que já usa, seu médico, seu fonoaudiólogo) e faça uma lista de ao menos três marcas que lhe interessam. Procure fazer um test drive em cada uma, pois só assim você será capaz de comparar a qualidade do produto e do atendimento. Procure reviews na internet. Neste link estão os posts com a tag Aparelho Auditivo aqui no Crônicas.

Saia do armário da surdez

Parece engraçado, mas é muito sério. A pior coisa que você pode fazer é tratar a surdez como um tabu, um estigma, um segredo. Essa atitude só irá lhe fazer mal. Você precisa ser aberto sobre este assunto, porque a surdez é indisfarçável e a vida se torna infinitamente mais fácil quando encaramos essa batalha de frente. Não tenha vergonha de informar as pessoas ao seu redor sobre a sua dificuldade e não se sinta pressionado a ouvir como antes porque esse é um objetivo irreal.

57 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

13 Comentários

  • Oi pessoal. Tenho perda auditiva bilateral moderada. Fui diagnosticada há dois anos com uma doença progressiva e estou usando aparelho nos dois ouvidos há um ano. Mas, ainda tenho dificuldades para ouvir. Poucas pessoas da minha convivência diária sabem da minha situação. Ainda não consegui sair do armário por completo. A maior dificuldade que enfrento hoje é com meu marido. Namoramos muitos anos e casamos mês passado. No namoro, eu sempre pedia para ele não falar de longe comigo, para falar mais alto, mas, como a convivência era pouca, não afetava tanto nosso relacionamento. Hoje, ele insiste em falar comigo na sala, enquanto estou na cozinha. Insiste em não falar alto, e em bom tom, e isso me irrita profundamente. Já pedi, já chorei, já conversei tranquilamente. E, quanto eu explodo por impaciência, ele diz que eu faço drama e escuto só quando quero. Isso me irrita mais ainda, e me entristece demais. Agora mesmo tivemos uma discussão horrível e fui procurar na internet outros relatos parecidos, e achei esse blog. Gostei muito dos relatos e das dicas aqui. Obrigada Paula e todos que colaboram. Acho que vai me ajudar bastante. Sinceramente, não sei o que faço com essa situação que passo hoje.

  • Pra mim também não foi fácil. Tenho perda auditiva bilateral progressiva, e tive que me adaptar na marra pra não deixar de trabalhar e conviver em sociedade. Experimentei algumas marcas e qdo encontrei fui melhorando na adaptação . Hoje, graças a Deus, convivo normalmente. Claro q não eh 100% mas q foi a melhor escolha, isso foi. Aconselho vocês a experimentarem. Se não ficar bom, incomodando, volte na fono quantas vezes for preciso ate dar certo. Fiquem com Deus e vamos em frente. Viviane.

  • Pra mim tá sendo muito difícil. Sempre ouvi bem e essa surdez apareceu depois dos 27. Hoje depois dos 30, e as pessoas reclamarem que não escuto, que tenho défice de atenção, procurei um otorrino e na audiometria acusou perda bilateral moderada. Ainda está em fase de estudo pra saber as causas, pois no gráfico da audiometria não está relacionado a sons altos ou ruídos. Estou esperando o laudo da ressonância que fiz no ouvido pra levar pro otorrino. Mas uma coisa é certa: o aparelho me espera. Já encomendei um da phonak junto a Fonoaudióloga, mas na verdade gostaria é de não ter que usa-los. Sei que estou errado em pensar assim pois graças a Deus tenho condições de arcar com um aparelho desse nada barato, além de ter pessoas com problemas piores que o meu. Mas as vezes bate uma angústia, principalmente quando estou com minha esposa e ela entende a TV no volume 9 e eu não mais. No cinema em tão nem se fala. Então essa é minha história pessoal. Agradeço a criadora desse blog pois está me encorajando a viver nesse novo mundo!

  • Tenho perda auditiva bilateral congênita. Demorou quase 20 anos para eu me apresentar ao mundo como deficiente auditivo. Faço uso de próteses auditivas há 12 anos. Não escondo de mais ninguém. Agora, uso e abuso da minha condição. Tem suas vantagens, às vezes: é só tirar os aparelhos e ganho o silêncio – ótimo para dormir, estudar, trabalhar. Coloco-me à disposição para trocar ideias.

    • Olá, tenho 29 anos, estou tendo perda progressiva e tendo muita dificuldade de conviver socialmente, as pessoas parecem não entender e tenho ficado muito frustrada de ver que as coisas nunca mais serão como antes. Entre em contato comigo no mi.pessoa@yahoo.com.br

  • Fiquei surdo subitamente por antibióticos ototóxicos aos 56 anos e ñ estava nada feliz com esta situação, marquei consulta com uma otorrino d confiança que me indicou para um anjo minha Fga Elaine Soares, diz vários exames e testei algumas marcas de aasi sem bons resultados,fui indicado para implante coclear e fiz bilateral simultaneamente com o competentissimo Dr Henrique Gobbo, posso garantir que ñ é igual a audição natural mas voltei a ouvir é isto me devolveu ao mundo social estou muito feliz com este recurso que me foi oferecido e muito grato com o profissionais que me cerquei e aos novos amigos que adquiri nesta nova etapa da vida a primeira pessoa que me deu atenção e ótimos conselhos e tenho como minha madrinha de ICs é a queridíssima Renata Orsi #Friends IC forever

  • Eu no meu caso não consigo chegar nesse tal “sair do armário ” ao contrário cada dia que passa parece que entro em um poço cada vez mais fundo e me questiono o que fazer ? Admiro muito quem consegue sair, se aceitar e tal e invejo quem se adapta bem com os aparelhos o que não é meu caso pois perde muito da minha compreensão da fala e invejo mais ainda a Monique de anos atrás ouvinte, perfeitinha desde o nascimento que de repente se tornou nessa pessoa que tem até medo de sair na rua sozinha para lusar esta que não conhece por medo que falem com ela e ela não entenda nada. Nenhuma doença é fácil, simples ou legal e sei que tem pessoas bem piores do que eu mas eu só possoé basear na minha e na bagagem que ela me trouxe e que eu mal suporto carregar.

    • É Monique…vc nem imagina como eu entendo….e como é muito dificil pra mim…
      Mas acho que isso é essa coisa da perseguir a perfeição. Sei lá. Tb acho muiiito dificil e nem consigo falar disso com as pessoas mais próximas. O blog me ajuda muito e já mudei muito, mas ainda e muito dificil.

  • Eh, comigo aconteceu assim, de tanto reclamarem que eu não ouvia, ou me achavam no mundo da lua, fui fazer a minha consulta com a otorrino. Resultado ? Perda bilateral moderada (acompanharmos para saber se irá mudar) tendo que usar aparelho. E cá estou há dois meses adorando meu modo novo de ouvir. Me sinto super adaptada ao meu aparelho, tem dias que não lembro que estou usando, e qdo vou tomar banho sempre levo a mão às orelhas p saber se os retirei heheh, aí dou risada sozinha ;). Ouvindo sou mais feliz .

    • Adriana, meu caso é parecido com o seu. Mas ainda não estou usando aparelho. Gostaria de conversar com você a respeito desse assunto. Me adiciona no Facebook? Cassia Manso.

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