Deficiência Auditiva Histórias dos Leitores Implante Coclear

Mãe e filha surdas oralizadas: Daniela e Natalia

‘Oi, meu nome é Natalia. Tenho 11 anos e moro em Brasília. Estou no sétimo ano do Colégio Marista de Brasília, estudo lá desde meus 5 anos de idade. Meus pais sempre cuidaram e cuidam muito de mim, pois desde cedo tiveram a preocupação de me apresentar ao mundo de sons. Ainda bebê frequentei as aulas de música para bebês na UnB, e até na televisão eu já apareci! Mais tarde, acho que a partir dos meus 4 anos, comecei a frequentar um Ateliê de Artes… Eu adoro desenhar, pintar. Já participei de algumas exposições também, meus quadros são muitos bonitos. Minhas avós moram longe, e elas têm meus quadros pendurados na casa delas. E eu adoro quando vou visitá-las! O implante coclear que eu uso desde quase meus 2 anos de idade é o meu amigo número um! Eu não contei para vocês, mas minha mãe também é surda oralizada. Mas ela não usa os implantes, só eu uso… e muitas vezes eu escuto por ela! Um beijo! Natalia.’

Fev2006 Nat hospital 4

 

‘Olá, sou a mãe da Natalia e me chamo Daniela. Ela é uma garota espirituosa e alegre! Eu sou também surda oralizada, tenho perda neurosensorial severa a profunda bilateral e uso AASI desde meus três anos de idade. Sou graduada em arquivologia, tenho duas especializações e Mestrado. Falo e entendo inglês e italiano, além da nossa língua, o português – que é bem complexo!

Sou servidora pública concursada e não fiz uso das cotas… só meti os narizes nos livros e fui em frente. Quando Natalia nasceu, foi um choque! Primeiro, que jamais tinha passado na nossa cabeça que minha perda auditiva pudesse ser congênita. Segundo, que acreditávamos que podia ter sido um erro do teste da orelhinha…

Enfim, com o diagnóstico em mãos, tínhamos que correr para que ela pudesse ter o melhor para se sociabilizar com nosso mundo. Depois de tantas idas e voltas, finalmente ela fez a cirurgia do implante coclear. E este foi e é até hoje meu dia super especial: o dia em que Natalia ouviu pela primeira vez o latido de um cachorro. Continuo me emocionando todos os dias as travessuras, as conquistas e as descobertas desta garota serelepe, Natalia! E digo todo os dias, que ela tem sorte, pois como sou surda oralizada, muitas das situações por quais ela passa, eu sei e conheço bem!’

80 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 36 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

18 Comentários

  • Bacana Daniela você está de parabéns por você e sua filhinha, posso dizer que hoje você é minha colega d trabalho pois trabalhamos na mesma instituição e mesmo em atividades diferentes, o objetivo é semelhantes: A a guarda e preservação de conteúdos informacionais.
    Parabéns pela sua garra e vida que segue normalmente e feliz para a Natália.

  • Conheci a DanielaFrancescutti na FUNAI , trabalhamos juntos no Arquivo Clara Galvão desta autarquia, lá realizamos algumas ações juntos: por ocasião da morte do Índio Galdino, pela preservação de Conhecimentos Orais e Tradicionais Indígenas; inclusive com a produção do artigo “Acesso aos Conhecimentos Tradicionais das Sociedades Indígenas Brasileiras” publicado em Portugal, participamos da construção e organização da ” I Jornada Sobre Acesso a Recursos Genéticos e Conhecimentos Tradicionais Indígenas” em 1997, além de outras ações internas e externas pela preservação do próprio acervo que na época não possuía o tratamento arquivológico adequado, eramos também os agitadores culturais da Loja da Artíndia, e da “Maloquinha” (onde atendíamos crianças das escolas públicas e particulares do DF), a deficiência auditiva da Dany nunca foi barreira, ela sempre tinha um grande carisma, era muito ativa e uma grande militante pelo respeito a profissão que escolheu: a arquivologia. Já a Natália conheci “en passant”, uma vez que a vida criou um hiato temporal entre nós… mas Natália é uma piá super ativa igual a mãe, nem sabia da sua deficiência auditiva. Com certeza são guerreiras vitoriosas e seus exemplos de vida devem ser seguidos!

  • Parabéns a Mãe e Filha pelo brilhante exemplo de amor e dedicação . Que este exemplo possa trazer muitos frutos a todos.

  • Excelente iniciativa! Tive o privilégio de trabalhar com a Daniela e o prazer de conhecer a Natália. Elas são incríveis e nos inspiram com a coragem, determinação e atitude demonstradas em circunstâncias muitas vezes consideradas intransponíveis. Parabéns, Dani e Natália! Um grande abraço!

    • Obrigada, Ricardo! Iremos trabalhar junto ainda muitas vezes! Você também faz parte dessa nossa história. Super abraço.

    • Boa noite, Elenice!

      Vou compartilhar minha resposta, assim outras amantes de línguas poderão saber das minhas dicas.

      Sim a língua inglesa é difícil, muito difícil. Depois de anos de terapias… um belo dia resolvi combinar com minha terapeuta de que as sessões fossem em inglês!
      Essas sessões mais as leituras de livros em inglês e de filmes com legenda em inglês, consegui avançar um pouco mais nesta língua…
      Outra coisa que faço é copiar, copiar os diálogos e os textos…

  • Parabéns mãe e filha. Que determinação. Estou curiosa em saber como a Natalia conseguiu estudar língua estrangeira. Como foi sua trajetória nos estudos das línguas estrangeiras? Professor particular ou cursinho presencial? Sou surda oralizada e não consigo ouvir e muito menos falar o inglês. A minha fala é de difícil compreensão. Poderíamos trocar informações. Meu e-mail: elenice.miranda20@gmail.com . Abraço Elenice.

  • Muito emocionante! Parabéns pela iniciativa de Paula Pfeifer Moreira, com suas Crônicas da Surdez! Conheço Daniela desde nascidinha e, claro, muitos anos depois, vim a conhecer Natália. Há mais de 50 anos sou amiga da família e acompanho muito de perto toda a trajetória de Daniela e seus pais, pessoas admiráveis. Daniela é uma vencedora neste mundo, difícil para qualquer um; eu a amo e respeito profundamente, sobretudo por sua atitude positiva diante da vida. Natália segue com sucesso os passos de sua mãe, e certamente ambas vão trilhar seus caminhos com a perseverança, a coragem e o otimismo que as caracterizam, sejam quais forem as dificuldades. Que Deus as cubra de bênçãos…sempre!

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