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Como você pode ajudar outros surdos

Foto: Shutterstock

Eu acredito no poder da empatia. Saber se colocar no lugar do outro é fundamental – se quiser me julgar ou analisar minha vida, por favor, peço que calce meus sapatos e trilhe os caminhos que trilhei para chegar até aqui.

Também acredito no poder da ação e do compartilhamento, e por isso penso que todo surdo que já chegou num estágio mais elevado de autoaceitação e coragem pode abrir caminho para aqueles que ainda não chegaram lá com pequenas ações muito eficazes

Educar as pessoas

Muita gente ainda tem ideias pré-concebidas e totalmente equivocadas a respeito das pessoas que não ouvem ou ouvem mal. Quando você escuta alguém falando bobagens sobre este assunto, a atitude certa não é calar e fazer cara de paisagem. Pelo contrário, o correto é educar as pessoas, dar as informações certas, explicar tudo o que você puder para que elas nunca mais saiam por aí afirmando coisas incorretas sobre um assunto que não dominam – e que você domina!

Brigar por acessibilidade

A parte mais irritante do dia-a-dia de quem convive com a deficiência auditiva é ter que lutar por acessibilidade e, muitas vezes, se deparar com reações das pessoas que nos fazem sentir vergonha alheia. Em primeiro lugar, 90% da população acredita que a ‘ajuda’ que precisamos é intérprete de Libras. Explicar que no caso de surdos oralizados acessibilidade tem a ver com legendas, aro magnético e atendimentos via SMS e WhatsApp nem sempre é tarefa fácil.

Você pode ajudar outros surdos quando luta por acessibilidade na sua escola, no seu trabalho, na sua igreja, na sua faculdade e nos locais nos quais você pode fazer alguma diferença nesse sentido. Jamais se cale! Compre essa luta, pois ela é a luta de todos nós. 

Falar sobre tecnologia

Às vezes conhecemos pessoas que, por total falta de informação, acreditam que não há nada que possam fazer a respeito da própria deficiência auditiva. Às vezes encontramos pessoas que não sabem qual é o caminho das Índias para conseguir um aparelho auditivo se não podem compra-lo. Todos os dias oriento alguém que sentou e se conformou com um diagnóstico feito por alguém que não era especialista em surdez para que procure uma segunda opinião. Todos os dias explico que o SUS fornece aparelhos e cobre a cirurgia de implante coclear – não presuma que essas informações estejam ao alcance de todos pois nem todos querem pesquisar!

A tecnologia está aí para nos fazer ouvir: pouco, muito, quase perfeitamente ou longe disso, quase todos os casos de surdez têm algum benefício das tecnologias disponíveis hoje. Fale abertamente sobre isso! Encoraje outras pessoas a tentar e a ousar descobrir o que a tecnologia pode fazer por elas.

Brigar pelos seus direitos

Toda vez que entro numa fila de cinema para comprar um ingresso com o desconto que toda e qualquer pessoa com deficiência tem direito, sinto vontade de desistir só por causa do olhar de julgamento dos funcionários que me atendem. Ainda assim, enfrento aquele ‘sangue nos zóio’ e fico firme até o fim. Se você tem algum direito e quer usufrui-lo, lute por ele com unhas e dentes. Não se deixe abater por olhares, comentários ou o que quer que seja.

Quando nós lutamos pelos nossos direitos isso tem dois efeitos colaterais importantes: educar aqueles que acham que estão nos fazendo um favor e inspirar outras pessoas a ter coragem de fazer o mesmo.

Falar abertamente sobre sua própria surdez

Isso faz milagres na vida de muitas pessoas, pois ver com os próprios olhos alguém falar sem frescura sobre a vida com a deficiência auditiva é libertador para quem não tem coragem de fazer isso. Se você consegue faze-lo, FAÇA! Não dá para imaginar o poder dessa atitude, é algo que você só vai entender quando alguém lhe cutucar e falar: “Me inspirei no jeito como você lida com a sua surdez e mudei o jeito como lido com a minha!

53 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

4 Comentários

  • Boa noite pesssoal. Muito bom essa postagem esclarecedora, e não está repetitivo. Observo que as pessoas de perdas auditivas ficam com ima idéias mto fixa e ñ conseguem se abrir para o novo e com isso só perdem por fazer essas escolhas com idéias fixas e repetitavas. Ser esclarecido e saber explicar, enfim buscar ajuda ou o que vai ajudar e trazer mudança, só vai somar com certeza.
    Boa essa postagem Paula

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