Aparelhos Auditivos Crônicas da Surdez Deficiência Auditiva Implante Coclear

Surdos Oralizados: nós existimos, muito prazer!!

Foto: Shutterstock

Quem nunca viveu uma situação em que precisou explicar para alguém que era surdo oralizado e se viu diante de um par de olhos arregalados e uma expressão de ponto de interrogação? 🙂

Numa discussão num grupo de fonoaudiologia no Facebook, uma fonoaudióloga me deixou o seguinte comentário: “Achei muito bom, pois em um comentário – infeliz ao meu ver – uma professora de Libras disse que surdo que é surdo, não necessita de prótese, apenas de Libras! Affff!

Fanatismo, não!

Tenho calafrios quando me deparo com os fanáticos da língua de sinais e seus simpatizantes. Professores não devem seguir algum código de ética? Essa professora citada pela fono certamente não sabe o que é isso. É uma pena! Os fanáticos prestam um desserviço à sociedade, pois tentam menosprezar pessoas que têm a mesma deficiência que eles, mas que se comunicam de outro modo.

Importante salientar a diferença entre o fanático e o entusiasta: o fanático se considera um ser superior detentor de toda a razão na face da Terra; já o entusiasta apenas vibra com as suas escolhas de vida sem tentar impô-las a ninguém.

Pode vir o Papa me dizer que sou menos surda que um surdo sinalizado, que quero ver ele provar essa barbaridade. Querer diminuir alguém que não ouve mas que quer ouvir e que coloca a tecnologia a serviço da sua qualidade de vida é muita pobreza de espírito. É muita falta de intelecto. E uma tremenda falta de respeito.

Respeito, minha gente!

É a chave da questão. Fala-se tanto de diferenças, mas na hora de respeitar aquele que tem a mesma deficiência mas se comunica de outra forma, o respeito desaparece. Surdo que é surdo…não escuta, ou escuta mal. E se comunica como bem entender.

Fico chateada de pensar na quantidade de crianças surdas que jamais terão liberdade de escolha e de pensamento por terem educadores assim, que as fazem acreditar que devem servir à Língua de Sinais acima de tudo. Eu não faço da minha oralidade uma CAUSA e não tenho tempo nem paciência com quem faz da Língua de Sinais uma causa. Cada um na sua, pelo amor de Deus!!! Pregar a filosofia da surdez como uma DIFERENÇA e não respeitar os seus iguais que são diferentes no modo de se comunicar não tem cabimento.

Eu não estou interessada em ideologias, mas sim em me comunicar

E o modo que eu escolhi para isso não é melhor ou pior do que o modo que um surdo sinalizado escolheu. Vamos parar com essa atitude vergonhosa de disseminar mentiras para a opinião pública. Nem que eu precise repetir um bilhão de vezes: existe diversidade dentro da surdez, existem surdos oralizados E sinalizados, existem aparelhos auditivos e implantes cocleares, existe a opção de ouvir!!

Surdos Oralizados

São indivíduos que lêem lábios, que falam (ou não), que dominam o português escrito (e até outras línguas) e que usam (ou não) a tecnologia para voltar a ouvir. Eu, por exemplo, tenho surdez bilateral profunda, usei aparelhos auditivos por muitos anos e hoje uso dois implantes cocleares, com os quais escuto tudo o que escutava antes de deixar de ouvir. E eu não deixei e nunca vou deixar de ser surda, pois não existe cura para a surdez. Não utilizo Língua de Sinais porque nunca precisei dela. Estudei em escola normal a vida inteira e fiz faculdade graças ao fato de ser oralizada. E até hoje me vejo com falta de acessibilidade nas mais variadas situações porque, no Brasil, as pessoas insistem, em pleno 2017, a ligar surdez com a obrigatoriedade da pessoa saber Libras ou de não falar, não ouvir e não conseguir se comunicar…

Generalizações baratas não são bem-vindas!! Todo o meu respeito por quem exalta as diferenças, e todo o meu desprezo por quem finge que elas não existem.

Entre para o Grupo Crônicas da Surdez no Facebook 🙂

48 amaram.

Sobre a Autora

Paula Pfeifer Moreira

Escrevo o Crônicas da Surdez desde 2010, e também escrevo o blog Sweetest Person desde 2007. Sou bacharel em Ciências Sociais pela UFSM, escritora e empresária. Moro no Rio de Janeiro e tenho 34 anos. Meu diagnóstico é de deficiência auditiva bilateral neurossensorial e progressiva. Tenho Implante Coclear nos dois ouvidos. Em 2013 lancei o livro Crônicas da Surdez (Ed. Plexus) e em 2015, Novas Crônicas da Surdez: epifanias do implante coclear (Ed. Plexus), que já foi traduzido para o inglês.

51 Comentários

  • Estou cursando uma Licenciatura de História, e como todo curso de formação de professores, atualmente somos obrigados a ter LIBRAS no currículo. Acho válido, mas discordo da forma como os surdos oralizados são desclassificados, como a oralização é vista com intolerância pelos adeptos da LIBRAS. Eu pessoalmente estudei o manifesto dos surdos oralizados, e acho que falta respeito entre a comunidade surda adepta da LIBRAS, que inclusive trabalhou para que LIBRAS fosse obrigatória no ensino superior de licenciatura. Eu pessoalmente não sou APTO a julgar demais, eu só penso que a oralização seja um caminho válido, é um trabalho feito com profissionais capacitados que não deve ser visto com preconceito como atualmente é pelos professores de LIBRAS. Inclusive sem oralização um surdo não se comunica com um CEGO e fica restrito a um universo pequeno de pessoas que tenham essa língua em comum. Mas como eu disse, como não sou surdo, não vou muito mais além.

    Sociologicamente sou contra não enxergar a surdez como uma deficiência auditiva. Isso é polêmico. Adotou-se uma Sociologia de identidades surdas que descartam a surdez como deficiência e a caracterizam como um conceito social. Isso é perigoso porque a surdez passa a não poder ser tratada, e tão logo a tecnologia avance para erradicar essa condição, que do meu ponto de vista é uma deficiência sim, e objetiva, será uma agressão para aqueles que absorveram essa condição como um conceito social passível de identidade. Será uma intolerância pesquisar a cura para a surdez. Desse modo, acho perigoso a forma como os sociólogos estão lidando com a surdez hoje em dia, em especial os professores de LIBRAS. Acho que o surdo não precisa maquiar a realidade de sua deficiência para se integrar na sociedade.

    • Concordo com você, aliás, enxergar a surdez ‘sociologicamente’ me parece suficientemente inútil, além de ridículo.
      Como surda que ouve com implantes cocleares,só me resta rir (e muito) daqueles que tentam classificar Surdos com S como se isso mudasse qualquer coisa na surdez…honestamente, nao tenho mais paciência pra esse blablabla eterno. E ser OBRIGADO a aprender Libras também me parece um retrocesso!
      Parabens pela coragem de expor a sua opinião!
      Abraço

    • Sou sursa oralizada estou aprendendo Libras. NUNCA me senti superior aos outros surdos por ter conhecimento da Libras. Entre a Libras e a falar, eu prefiro falar. Nossa, se a pessoa tiver paciência e compreensão pra falar cmg, vou falar pelos cotovelos. Kkkkk
      Mas eu defendo a Idea da Libras ser uma língua universal pelo fato de outras pessoas depender somente da Libras e ser excluída da sociedade por falta de inclusão. Sou totalmente contra essas pessoas arrogantes que se acham o máximo só por saber Libras.
      Defendo a Libras pq penso, talvez um dia ficarei surda totalmente, antes eu tinha medo, mas agora não tenho mais pois tenho uma nova forma de me comunicar. E é preciso que todo mundo tenha conhecimento da Libras tbm para que futuramente eu não me limite em só conversar com quem conhece Libras, pois mesmo com um intérprete a arrogancia das pessoas é tremenda! Não descartando de forma alguma que um surdo oralizado deixe de se comunicar oralmente.

  • Olá!
    Meu nome é Nathielly, tenho 20 anos…Sou surda oralizada!
    tenho perda total no ouvido esquerdo e uma perda significativa no direito. Uso um aparelho auditivo, me comunico oralmente, mas tbm acabei de me formar em um curso técnico de LIBRAS. tenho o ensino médio completo. Nunca estudei em escolas especiais.
    Gostaria de sugestões sobre trabalhos, estudos, independência , de como se comunicar melhor com as pessoas… Essas dificuldades que temos.

  • ola gente…..sou mae de um filho surdo ele tem 10 anos e nao é oralizado….para ele fazer o ic o medico me lançou um desafio.de oralizar ele em seis meses …vou correr contra o tempo toda ajuda é bem vinda………qro ver meu filho lindo implantado e oralizado,eu creio no deus vivo.

  • Estou cursando o 3º semestre de Pedagogia, no curso esse semestre estou aprendendo libras. No trabalho de PPI meu grupo ficou com o tema oralismo, Em nossa pesquisa ouvimos tudo que está na Crônicas da Surdez, professores de libras ensinando que o Congresso de Milão foi a pior coisa que aconteceu.E o pior desse comentário é que a professora tem deficiência auditiva!
    Nosso grupo são todas ouvintes, mas defendemos a tese que a pessoa com deficiência auditiva é quem deve escolher o melhor meio de comunicação para ela.
    Parabéns pelo blog, ele me ajudou muito na pesquisa.

  • Paula, encontrei seu site por acaso e a cada dia tenho aprendido mais com você. Sou intérprete de LIBRAS e trabalho com surdos que amam a língua de sinais e com surdos que detestam mas são obrigados a utilizar, nunca tive a oportunidade de conhecer surdos como vocês, que pudessem me mostrar que o importante é se comunicar da forma que VOCÊ escolher. Sempre me falavam que a LIBRAS era o importante e que o Português era a segunda língua, então quando conhecí uma surda que nao conhecia LIBRAS e que falava 4 idiomas, fiquei perplexa! mesmo assim continuava pensando que ela estava fora de sua comunidade e que ela precisava conhecer surdos e aprender LIBRAS.
    Só agora posso dizer que estou COMEÇANDO a entender os surdos, e agora trabalho como intérprete de um surdo que não quer LIBRAS e já é maior de idade, e diferente de tudo que aprendí, eu não estou usando LIBRAS com ele, eu falo com ele o que a professora está dizendo (olhando para o quadro) e tem dado grande resultado. Devo isso ao que aprendi lendo suas crônicas e os comentários, muito obrigada. É verdade que ainda tenho problemas com ele, a escola que trabalho não aceitou que eu não usasse LIBRAS, e mesmo o aluno não sabendo nada de LIBRAS querem me obrigar a traduzir as aulas. Mas apesar de tudo, consegui que o aluno percebesse que eu sou diferente de todos os outros que tentaram ensiná-lo, eu o trato com RESPEITO, respeitei a escolha dele de usar a língua oral, e isso não teria acontecido se eu não tivesse conhecido seu site!!! Muito Obrigada!!!

  • Pessoas, li por cima esse artigo…mas entendo perfeitamente como as variadas pessoas nos olham e nos interpretam, porque é cultural.
    Vamos reforçar na comunicação que existem diferenças entre os surdos oralizados e os sinalizados? Podemos batalhar, exigindo nomenclaturas de surdos oralizados que utilizam a língua materna e os surdos sinalizados que só usam libras?
    A união faz a força!
    Estou cansada de ver os preconceitos que acima já expostos.
    Divulgação, comunicação e sempre!
    Vou sugerir aos otorrinos para poderem mudar as nomenclaturas e vocês poderiam fazer o mesmo. Assim facilita a aceitação das empresas de empregar os oralizados.
    A meu ver os surdos sinalizados se fecham, criam uma cultura própria e limitadora. Pior: eles acham que nós não entendemos eles, o que na verdade é ao contrário. Porque simplesmente não possuem um vasto vocabulário que nós oralizados temos e é uma vantagem para nós, porque somos independentes. Nós merecemos, porque a língua portuguesa é complexa em todos os sentidos e esforçamos muito para compreendê-la.
    Sem um português nativo, não há uma boa interpretação e consequentemente, comunicação.
    Vamos conversar com os otorrinos, fonoaudiólogos para mudar essa nomenclatura?
    Beijos oralizados!

  • Os pontos que Denise Coutinho colocou são importantes, de início, não somos nós que optamos por língua de sinais libras ou pela oralização por meio de implante coclear ou uso do aparelho auditivo para oralização que vai dar a língua portuguesa.
    Grande parte de surdos sinalizados não reconhecem a deficiência, mas sim, diferentes! Eu digo: a diferença (uso da língua de sinais) é originada justamente pela deficiência. Um exemplo: ouvinte que só comunica com língua de sinais é sim diferente.
    Surdos que não puderam se oralizar tem várias causas: razões econômicas da família; negligência do governo na área da saúde; rejeição dos pais sobre a surdez; e até mesmo a área médica: pode ocorrer que o surdo não consiga adaptar nenhuma prótese auditiva ou IC para oralizar, vai depender de cada um.
    Precisamos é compreender as diferenças e unirmos, para buscar melhor qualidade de vida para os surdos em geral e também não esquecer que existem outras deficiências que pode ter uma vida bem mais difícil que a nossa que é surdez.

    • Paulo, percebi q em seu comentário, vc me parece ser bastante esclarecido a respeito do assunto surdos oralizados. Hoje sou ou estou surdo bilateral devido a um problema de saúde. Isso só faz um ano. Sofri muito por eu mesmo não aceitar minha nova condição, mas hoje estou buscando me encontrar novamente. E gostaria de entender melhor os surdos para eu poder me entender. Desta forma, vc poderia me explicar melhor quem são os surdos oralizados. No meu caso, falo normalmente, embora as vezes não controlo o volume de minha voz, apenas não escuto mais. Assim sendo, sou um surdo oralizado?
      Obg e aguardo resposta!

  • Moro em Belo Horizonte/MG

    Gostei do “ponto de vista” da Denise Coutinho em especial o nº 3, “continuar neste caminho nem sempre é uma decisão que ainda se pode tomar, porém uma imposição em função do que se ofereceu ou deixou de ser oferecido durante um certo período de suas vidas. A ausência da oralização e/ou da sinalização provoca situações irreversíveis principalmente aos surdos adultos”.

    Eu, como disse acima (25/05/2012), sou surda oralizada e não sei nada de sinalização (Libras)e não nego que em certas ocasiões como entre alguns amigos que só entende de Libras, fica difícil a minha compreensão em dialogar com sinais e estes, também têm dificuldade com o meu movimento labial.

    Às vezes, com paciência, a gente se entende, seja por escrita no papel, seja por oralização “lenta” por mim ou seja por sinais “lentos também” deles.

    Tenho uma amiga/colega do trabalho que é Presidente da Federação Mineira e esta mesmo conversando comigo através da Oralização, aos poucos, conversa também c/Libras e aos poucos, vou aprendendo rs

    Vou fazer o curso.
    Bjs

  • sou surdo oralizado mais ou menos há 4 anos, falo normalmente e vou colocar o implante de tronco, as dificuldades existem , mas temos a capacidade de buscar a melhor alternativa pra entender. isso é de cada um.
    Mesmo surdo, fui promovido na minmha empresa e considerado o melhor e mais competente da reginal sul.
    parabéns pelo blog ,sou fã!!!!

  • Gostaria de acrescentar alguns comentários:
    1. Os surdos oralizados, os surdos sinalizados e os surdos nem oralizados nem sinalizados possuem uma mesma origem – a da perda auditiva;
    2. Os caminhos pelos três trilhados não foi uma decisão de nenhum deles, mas decisões tomadas ou não tomadas pelos responsáveis quando ainda estes estavam na fase infantil;
    3. Continuar neste caminho nem sempre é uma decisão que ainda se pode tomar, porém uma imposição em função do que se ofereceu ou deixou de ser oferecido durante um certo período de suas vidas. A ausência da oralização e/ou da sinalização provoca situações irreversíveis principalmente aos surdos adultos;
    4. A corrente de auto-ajuda que pode ser gerada entre os surdos dos três grupos contribuirá, principalmente, para que os surdos que ainda não adquiriram a Língua Brasileira de Sinais nem aprenderam a Língua Portuguesa possam fazê-lo para assim se reconheceram cidadãos;
    5. Esta pode ser uma grande contribuição à sociedade, ou seja, tornar esta grande comunidade mais forte, mais unida, mais conhecedora de suas diversas realidades e mais poliglota.

  • Boa tarde! Amo Crônicas da Surdez pois, através deste blog, a gente aprende e conhece o outro lado que existe na nossa sociedade que se chama preconceito.

    Sou surda oralizada unilateral e uso aparelho auditivo exatamente no ouvido que escuto melhor, porque o outro ouvido, escuto apenas som.

    Sou funcionária pública federal, atendo telefonemas onde fica o aparelho auditivo. Tenho carteira de motorista e sou também motoqueira.

    Sou divorciada e tenho um filho que é ator, produtor, diretor e historiador e, namoro com um viúvo com 2 adolescentes de 15 e 16 anos e todos nos lidamos bem.

    No dia da formatura do meu filho, o pai dele, muito emocionado, me agradeceu com todo orgulho pela educação e moral que dei ao nosso filho. Como fiquei orgulhosa!

    Escrevo bem, tenho facilidade de comunicar por ter uma dicção boa de acordo com a minha deficiência e sou uma leitora convicta…adoro livros de auto-ajuda, que fala sobre mulheres, espiritualidade, psicologia, etc. Aliás, leio tudo que surge na minha frente hehe

    Estudei nos colégios públicos e particulares quebrando a cara e cabeça….e não foi fácil! Fui alvo de muitas brincadeiras de mal gosto, bullying e afins mas, ao mesmo tempo aceitava tudo na brincadeira e com isso, ganhei “pontos” na simpatia, beleza, carisma e inteligência.

    Hoje sou respeitada e muito querida e, se deixar, a inveja de alguém ouvinte pode até me atingir, mas, sou forte o suficiente para criar uma barreira ao meu redor e mandar de volta esta inveja ao dono(a).

    Quem foram os responsáveis por este meu avanço? Meus pais.

    Agradeço sempre à minha mãe, principalmente, por ter tido uma intuição em acreditar nela, em mim e em Deusa.

    Beijos à todos!

  • Parabéns pelo blog. Sou estudante de pedagogia, e o meu TCC é sobre o “Surdo Oralizado”, tenho um sobrinho surdo, vitima de menigite aos 6 meses; hoje é implantado e oralizado tem onze anos,estuda em escola normal, ele tem dificuldade em memorizar os estudos, é como se esquecesse o que aprendeu na sequencia,ou não fixasse o assunto.É um sofrimento para ele e para a familia. Gostaria de receber mais informações por email. Estou pesquisando o tema. Sou ouvinte.
    Felicito a todos os “guerreiros” oralizados pela luta.

  • Esta é minha primeira visita ao blog Crônicas da Surdez.
    Achei-o muito positivo, muito interessante e altamente importante.
    Incomodou-me, apenas, em princípio, o preconceito contra os surdos oralizados.
    Foi minha primeira impressão.
    Pretendo voltar para ler mais e melhor.
    Termino dizendo o que se segue.
    Todos somos diferentes.
    Inclusive os diferentes tem diferenças entre si, até mesmo os oralizados.
    Mas, claro, as categorizações sempre vão existir, inclusive as categorias “surdo oralizado” e “surdo sinalizado”.
    Em termos de nível de linguagem e de fala de línguas orais, os oralizados, evidentemente, estão melhores.
    Quanto ao surdos sinalizados, este não tem culpa de o Estado não ser capaz de lhes proporcionar ensino de melhor qualidade de forma a permitir-lhes aprender português em nível minimamente satisfatório.
    Para este grupo, o português não é uma língua de aprendizado ou aquisição natural por motivo tão óbvio que não cabe aqui discutir.
    Se o grupo dos oralizados se ressentem da falta de uma entidade que os represente, que se mobilizem para criar uma.
    Darei todo o apoio.
    Mas, por favor, entendam que até mesmo entre os surdos em geral, como eu falei, há diferenças, fazendo com que percebamos, grosso modo, dois sub-grupos: os oralizados e os sinalizados.

  • Pelo amor de deus! Ninguém merece esta professora:

    “– infeliz ao meu ver – uma professora de Libras disse que surdo que é surdo, não necessita de prótese, apenas de Libras! Affff!“.

    Sou uma surda oralizada…

  • Parabéns pelo Blog e por tudo que tem sido esclarecido aqui.
    A falta de informação no assunto é que traz toda a confusão.
    Aprender Libras é para quem achar necessário , se não se adaptar aos outros
    meios disponíveis nos dias atuais.
    A escolha é livre .
    abraços

  • APLAUSOS APLAUSOS APLAUSOS!

    PAULA E LAK SEMPRE MARAVILHOSAS!
    E QUANTO A FONO QUE DISSE OQ DISSE, SINTO MUITO EM DESAPONTÁ-LA MAS ELA NÃO SABE DE NADA!
    MEU FILHO É SURDO ORALIZADO COM MUITO ORGULHO!
    TEMOS MUITO ORGULHO QUE SEJA ASSIM! OS AAIS SÃO PARA ELE E PARA NÓS UM GRANDE PRESENTE! SE ELE PODE FALAR VAI FALAR! SE PODE SE COMUNICAR SEM LIBRAS ASSIM SERÁ E “AI” DE QUEM DISSER QUE NÃO!
    JÁ ME BASTA TANTA GENTE DE OLHOS ARREGALADOS ME PERGUNTAREM APAVORADAS CADA VEZ Q ELE ABRE A BOCA : NOSSA ELE FALA!??? RSRSRS

  • Ótimo o seu post, pois eu tive esse problema com minha filha, que hoje tem 6 anos, mas já é protetizada desde o primeiro ano de idade. Mas algumas pessoas diziam que era preconceito meu, não fazê-la aprender a LIBRAS, affff!
    Gostei muito do seu blog, continuarei acompanhando. Parabéns!

  • Fico feliz com sua posição. Trabalho em uma escola de surdos, e vejo o quanto é dificil para família com pouca instrução e recursos financeiros ter conhecimento dessas diferenças. É muito mais cultural, a falta de informação leva o ser humano a ignorancia. Seria muito bom se todos respeitassem a diversidade.

  • EU TE NHO UMA FILHA DEFICIENTE AUDITIVA, E ESTA SE ORALIZANDO, USA APARELHO AUDITIVO DESDE OS 02 ANOS (HOJE ELA TEM 06 ANOS) ESTUDA EM ESCOLA NORMAL, E AS PROFESSORAS ESTÃO CIENTES DE NÃO USAR A LINGUAS DE SINAIS, PELO MENOS NA IDADE QUE ELA ESTA. LUTO POR ISSO, E TENHO FÉ QUE ELA VAI CRESCER E DAR BAILE EM MUITA GENTE…. MUITO BOM ESTE BLOG… GOSTARIA DE PODER COMPARTILHAR MAIS COM O DONO DO POST, POIS MINHA FILHA TEM APENAS 6 ANOS EQUERO TROCAR EXPERIENCIAS

    • Olha Miguel você está no caminho certo.A Vitória, minha filha estudou em escola regular, e hoje aos vinte anos está cursando Fisioterapia. É oralizada, tirou carteira de motorista recentemente e vai para faculdade dirigindo.

    • Miguel…parabéns! A sua atitude me fez lembrar dos meus pais. Na minha família “quem não nasce surdo morre surdo” hehehe engraçado mas é verdade!!!

      O meu avô materno ficou surdo após uma queda no chão qdo tinha 2 anos de idade, usava aparelho auditivo grandão tipo tamanho de um smartphone e este era colocado no bolso da camisa social (todas as camisas tinham que ter bolso). Foi um homem político e comerciante, praticamente “construiu” uma cidade do interior de Minas Gerais, implantou a luz que hoje seria a Cemig, fundou uma Casa de Comércio (tinha de tudo!)que além de sucesso na cidade, também era um sucesso nas cidades vizinhas. Construiu uma família com 13 filhos praticamente sozinho por ter ficado viúvo qdo a caçula tinha apenas 1 ano de idade. Não casou de novo fazendo o papel de pai e mãe ao mesmo tempo. Ele era um surdo oralizado, carinhosamente conhecido como o velho surdo. Todos os filhos nasceram sem deficiência, porém, um teve uma pequena perda na fase adulta e outros na velhice, inclusive a minha mãe. Alguns deles, os que casaram, tiveram filhos deficientes e ouvintes.

      Meus pais tiveram 8 filhos, 4 com deficiência e 4 ouvintes. Os meus irmãos ficaram surdos por causa da infecção no ouvido e eu simplesmente nasci surda, sem infecção. Sou surda bilateral e não unilateral como citei depoimento abaixo (leia mais 2 depoimentos que escrevi aqui abaixo).
      Só fui conhecer Oftalmologista na fase adulta por nunca ter tido uma infecção.

      Comecei a usar aparelho auditivo na fase adulta, um fato que arrependí muito porque a vida me ensinou.
      “Achava que escutava e não temia nada.”

      Todos nós fomos criados “normais”, colégio normal e afins. Todos tivemos empregos bons, concursados.
      Conhecí pessoas surdas c/Libras no meu emprego do governo federal, mas, sinceramente, não tive uma paciência sequer em querer aprender e um destes surdos qdo conversa comigo, ora é oralizada ora é escrita no papel porque até eu às vezes tenho uma certa dificuldade de entendê-lo, infelizmente. Eis a questão dos prós e contras.

      Estudando a árvore genealógica da família (sou muito curiosa), descobri, ironicamente dizendo, que a surdez vem é da família da minha avó e não do avô. Pode isso??? Só Deus prá explicar!!! nem os fonoaudiológicos, nem os médicos……

      Boa sorte para vocês!

  • Olá pessoal! Felizes colocações da resenhista. Imaginem vocês que a minha filha professora de escola especial, tem que “pagar sapo”, ser avaliada, testada pelos seus próprios colegas de trabalho que não acredita que ela seja surda porque ela oraliza bem. Ela é surda, severa, bilateral, e começou aos 09 anos desenvolver com muito custo a oralização. Tornou-se uma pedagoga, porém, os seus colegas não acreditam que ela seja surda ainda mais de nascencia. Foi acometida, ainda no ventre, pelo vírus da varicela que as duas irmãs tiveram. Todo lugar onde trabalha ou já trabalhou experimentou ou exprimenta discriminação. Olhem os testes macabros que são feitos com ela. Sempre uma das professoras fica à sua costa, sem ela saber, e começa falar bem baixinho, depois, vai alterando a voz, depois mais alta ainda, até que berra e a minha filha continua não ouvindo, então a duvidosa chega e comenta: “Nossa, Karine você realmente é surda, estou aos berros e você não me ouve!”. Situações como esta, devem se repetir no mundo inteiro e tornou-se trivial para essas pessoas senão anti-éticas perversas – tripudiarem em cima da deficiência alheia. Já houve caso de a minha filha receber pilhérias dizendo a ela: “Ah Karine eu queria ser surda para eu ter passe de ônibus livre igual a você” ou “Ah! Feliz é a Karine que pode ir onde quiser não precisa pagar passagens”. Ledo engano a Karine tem o seu carro próprio e raras são as vezes que necessita do seu direito de usar o passe livre e outro adora andar a pé para fazer seu cooper. Mas eu digo a ela, explique a esses(a) desaviados(as), que não é bem assim como eles pensam, não deixe que essas idéias se proliferem, explique a eles que essa tripudiação não deve ser feita, que o deficiente sofre, não é passe de ônibus que substitui a faculdade de ouvir. Socialize os problemas da pessoa surda, aproveite para explicar a essas pessoas e formar uma corrente de informações para que acabe essa tripudiação em cima das deficiências das pessoas. Isso chega a ser imoral – triste. E assim caminha a humanidade, cheia de incongruências e falta de respeito com aqueles que vieram ao mundo sem as suas faculdades completas, e as poucas conquistas que fazem são motivos de ciúmes, de ganância e outros mais. Esquecem que as políticas públics pouco avançam nesse sentido, então para que tripudiar em cima desses alcances, por que não respeitar o estado da pessoa que não ouve ou que não vê, ou que não anda? São deficientes mas, é gente, igual as outras, o raciocínio continua o mesmo, os sentimentos não mudam, e a sensibilidade das pessoas com deficiências tornam-se mais afloradas porque estão em desvantagem no mundo em que vive – que a cerca. Daí os cuidados especiais com elas. Surdos oralizados, não desistam continuem falando ao mundo, pois graças a Deus que tens voz, porque senão as coisas poderiam ser bem mais piores. Falem pelos que não conseguem, mas continuem éticos, solidários, amigos(as).

  • Cada tem sua maneira de comunicar e algo que ando pensando muito ultimamente é: as pessoas realmente não pensam antes de falar, não pensam o efeito que isso causará no próximo. Isso é triste.
    Mas ainda bem que vc esta ai para botar a boca no trombone e resolver a ignorancia alheia.

  • Olá! Surda oralizada,com muito prazer, sim! Agora, melhor ainda depois da ativação do IC. Dezesseis dias de lua-de-mel com a ativação. Discordo da alternativa de D.A. só se comunicar por Libras. Não aprendi, mesmo porque ao ficar surda com quase 54 anos, só podia mesmo tentar a leitura labial e quando não, a leitura escrita, quando não conseguia entender, depois de algumas tentativas… Agora, com a ativação do IC, minha vida melhorou muito, me sinto mais feliz, mais segura, e sem medo de ter contato com outras pessoas… Que bom que tive esta segunda chance de ouvir!
    Abraços.

  • Seu post ficou ótimo! Mt parabens! É pura verdadeira!!
    Disse tudo!!!

    Na verdade, alguns surdos se acham a LIBRAS como se fosse Deus, acima de tudo! Um absurdo! Nossa idioma é a língua brasileira pq estamos na terra do Brasil, né? Por isso não pode isolar na língua portuguesa. Infelizmente, eles são assim. E acaba como segregação na sociedade, cultura, escola, etc

    Sou oralizado desde pequeno. aprendi a libras quando tinha uns 19 anos, por ai.

    =)

  • Adorei seu post! Tenho uma filha surda e optamos pela oralização. Alguns defensores da sinalização(LIBRAS) me olham com cara feia e dissem que eu quero que a minha filha ouça. Ledo engano, EU QUERO QUE ELA SEJA FELIZ, QUE FAÇA USO SIM DA PUQUISSIMA AUDIÇÃO QUE TEM, E QUE POSSA CHEGAR NOS LUGARES E FAZER O QUE É SEU DE DIREITO. FALAR OU USAR GESTOS. O QUE ELA QUISER E DA FORMA QUE ELA QUISER.

  • Seu post está de parabéns, uma maravilha! Na realidade, já estive em algumas conversas “sem sentido” com os fanáticos da LIBRAS e desisti, porque eles foram recebidos pela influência muito forte da “Cultura Surda” e pela educação fraca da sua família que não pensava em levá-los ao treino da oralização. =/
    Aprendi a LIBRAS aos 18 anos, mas nunca deixei de ser oralizada porque vivo entre ouvintes. Simples assim! ^^

    :*

  • Penso q tudo é uma questão de RESPEITO E ESCOLHA!Tenho um filho de 9 anos usuário de IC q esta sendo oralizado e, se futuramente ele ESCOLHER se comunicar por Libras eu RESPEITO e com a consciência tranquila de q como mãe fiz o melhor q pude.Respeito e admiro a cultura surda,porém,discordo da postura PRECONCEITUOSA (coisa q eles lutam tanto contra) da maioria deles com relação aos surdos usuários de IC e oralizados.Parabens pelo artigo.Abraços

  • PERFEITOOOOO!!!!!!!!!! Só teria uma coisinha mais a acrescentar… Agora tb já existem o BAHA e o Carina, além do IC e do AASI… KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Os fanáticos da língua de sinais que conheço, a maioria são ouvintes já percebeu??Professores que ouvem , sabem a Língua de Sinais e passam isso. Professor tem que informar, e não manipular.Essa do aparelho foi de matar.
    Bjuss.

  • Realmente, é por aí.

    Mas, para mim, aquele leão tinha que estar rosnando, vocês não acham?

    Seria mais condizente com a realidade, assim as pessoas entenderiam o recado, do que somos capazes, ou as pessoas querem virar aqueles sinalizadores de aeroportos? Até parece…

  • O problema não são só os educadors, às vezes a família também ajuda na falta de opção da pessoa.
    Conheço alguns surdos sinalizados aqui na cidade, que já tem acho que lá seus 20, 30, 40, 50 anos, sei lá, e penso que talvez eles poderiam ser oralizados se a família também corresse atrás, não?
    Se bem que, aí a escolha vai de cada um.

    • Concordo com você Rodrigo. Alguns médicos otorrinos que eu conheci são contra Libras. Eu acredito que eles devem ter uma grande maioria de pacientes surdos e que são oralizados, pois acreditaram no seu potencial e superaram para viver em uma sociedade que ainda teremos que ensiná-los e acabar com essa ignorância que todo surdo fala por libras. Aff…
      Com certeza, a língua portuguesa é complexa em todos os sentidos, mas confiamos na nossa potencialidade, capacidade e habilidade, conseguimos superar essa barreira linguística.
      Só para você ter uma ideia Rodrigo e leitores, muitos ouvintes estão pedindo a minha ajuda na monografia deles, pois perceberam que eu escrevo muito bem. Eu oriento, recorro a dicionários, melhoro a linguagem deles que muitas vezes é confusa (antes de modificar o texto eu pergunto SEMPRE a eles – dai percebem que não entenderam o que escreveram!). Incrível, né?
      Viva a nós que SOMOS A SUPERAÇÃO!!!!

  • Ótimo post! Essas diferenças entre as formas de comunicação precisam ser divulgadas à exaustão, claro que com o devido respeito, como você mesma fez 🙂
    Sou surda oralizada também, e cansei de ficar explicando que não uso libras… que apenas escolhi o meu método de comunicação. Ufs!
    Continue com o bom trabalho!

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